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Começam os milagres de São Francisco

Texto Original

Incipiunt Miracula beati Francisci

Caput I - Quod ortus religionis suae mirabilis fuit.

 


1 In primo narrationis ordine, quo sanctissimi patris nostri Francisci miracula scribenda suscepimus, illud ante omnia solemne miraculum decrevimus adnotare quo mundus admonitus, quo excitatus, quo territus. 
2 Hoc siquidem fuit ortus religionis, fecunditas sterilis, partus multimodae gentis. 
3 Cogitabat veterem mundum vitiorum scabredine sordescentem, ab apostolicis torpentes vestigiis ordines, nocteque peccatorum in suo cursu medium iter agente, silentium sacris disciplinis impositum, cum, ecce, repente in terram prosiliit (cfr. Sap 18,14.15) novus homo, subitoque novo exercitu apparente, miratae sunt gentes a signis apostolicae novitatis. 
4 Mox in lucem producitur (cfr. Iob 28,11) sepulta quondam perfectio Ecclesiae primitivae, cuius legebat mundus magnalia, nec videbat exempla. 
5 Cur proinde non dicantur primi novissimi (cfr. Mat 19,30), cum iam corda patrum in filios et filiorum in patres mirabiliter sint conversa (cfr. Mal 4,6; Luc 1,17)?
6 An contemnenda duorum Ordinum tam celebris et famosa legatio, nec alicuius magni de proximo eventuri praesagium? 
7 Ab apostolorum tempore numquam tam insignis, numquam tam mirabilis monitio mundi. 
8 Miranda deinde fecunditas sterilis.

9 Sterilis, inquam, et sicca paupercula ista religio, a qua procul abest omnis humiditas terrenorum. 
10 Sterilis sane, quae nec metit, nec in horrea congregat (cfr. Mat 6,26), nec praegnantem in via Domini peram portat (cfr. Luc 9,3; Act 18,25). 
11 Et tamen contra spem in spem credidit (cfr. Rom 4,18) sanctus iste, ut heres esset mundi (cfr. Iob 4,13), non considerans corpus suum emortuum nec sterilem vulvam Sarae (cfr. Rom 4,19), quin divina potentia gentem ex ea gigneret Hebraeorum. 
12 Qui non refertis cellariis, non exuberantibus apothecis (cfr. Luc 12,24; Is 39,2), non possessionibus gubernatur amplissimis, sed eadem paupertate qua digna redditur caelo, mirabiliter nutritur in mundo. 
13 O infirmum Dei, fortius hominibus (cfr. 1Cor 1,25), quod et cruci nostrae gloriam applicat et paupertati copiam subministrat! 
14 Vidimus denique vineam istam brevissimo tempore dilatatam, a mari usque ad mare propaginosos palmites extendisse (cfr. Ps 79,12). 
15 Undique concurrerunt gentes, profusae sunt turmae et ad mirabilis huius templi structuram (cfr. Mar 13,1) egregiam quasi subito vivi lapides (cfr. 1Pet 2,5) adunati. 
16 Nec modo multiplicatam in filiis brevi tempore cernimus, sed clarificatam, dum multos iam ex iis quos genuit, martyrii palmam noverimus assecutos, et pro totius sanctitatis confessione perfecta plures sanctorum catalogo veneremur adscriptos. 
17 Sed iam ad horum omnium caput, de quo nunc intendimus, sermo vertatur.

Texto Traduzido

Incipiunt Miracula beati Francisci

Capítulo 1 - A maravilhosa origem de sua Ordem.

 


1 No começo desta narração, em que vamos contar os milagres de nosso santíssimo pai Francisco, decidimos destacar acima de tudo o milagre solene que foi para o mundo uma advertência, um despertar e um estremecimento. 
2 Refiro-me ao nascimento da religião, fecundidade da estéril, geração de grupos tão variados. 
3 Via o velho mundo decompondo-se na podridão do vício; as ordens desviadas das trilhas apostólicas, e a noite do pecado já no meio, impondo-se o silêncio às disciplinas sagradas quando, de repente, surgiu na terra um homem novo e ao súbito aparecimento de um novo exército, os povos se maravilharam diante dos sinais de renovação apostólica. 
4 Desponta logo na luz a perfeição da Igreja primitiva, já sepultada, pois o mundo lia suas grandezas mas não via seus exemplos. 
5 Como não lembrar que os últimos serão os primeiros (Mt 19,30), se vemos que, maravilhosamente, transformaram-se os corações dos pais nos filhos, e os dos filhos nos pais (Ml 4,6)? 
6 Será que podemos desconsiderar a célebre e famosa missão das duas Ordens e deixar de perceber o presságio de alguma coisa de grande que virá em breve? 
7 Desde os tempos dos apóstolos, não foi proposto ao mundo ensinamento tão autorizado, tão admirável. 
8 Admirável fecundidade de uma estéril!

9 Pois era mesmo estéril e seca esta religião, afastada de toda terra úmida dos bens terrenos. 
10 Estéril porque não colhe nem guarda em celeiros (Mt 6,26), como não leva pelo caminho do Senhor sacola (Lc 9,3; At 18,25) cheia. 
11 Mas, esperando contra toda esperança (Rm 4,18), o santo acreditou que iria herdar o mundo (cfr. Jó 4,13) e não considerou sem virilidade seu corpo nem estéril o seio de Sara (cfr. Rm 4,19), certo de que o poder de Deus podia fazer brotar dela o povo hebreu. 
12 Mas não era um povo com as adegas cheias, com despensas transbordantes, com amplas propriedades, mas alimentado neste mundo por aquela mesma pobreza que o torna digno no céu. 
13 Ó fraco em Deus, mais forte para os homens, pois glorifica a nossa cruz e sustenta a pobreza! 
14 E pudemos ver que essa vinha cresceu rapidamente, estendendo de mar a mar seus ramos multiplicadores (cfr. Sl 79,12). 
15 De toda parte acorreram povos, multiplicaram-se os grupos e se ajuntaram quase de repente para a egrégia construção do templo como pedras vivas (cfr. 1Pd 2,5). 
16 E não a vimos apenas multiplicada rapidamente no número de filhos: tornou-se famosa porque sabemos que muitos dos que gerou já conseguiram a palma do martírio e veneramos não poucos que foram incluídos no catálogo dos santos pela prática perfeita de toda santidade. 
17 Mas passe já a narração para o cabeça de todos eles, pois essa é nossa intenção.