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Capítulo XXXI

Texto Original

Caput XXXI

Qualiter s. Franciscus liberavit fr. Richerium a maxima temptatione.

 

1 Fr. autem Reccerius, dicti fr. Peregrini consocius in terris et nunc concivis in celis, per viam activam, dum viveret, ambulans, et Deo ac proximo fidelissime serviens, factus est familiarissimus et ca­rissimus s. Francisco, 2 ita quod multa a s. Francisco didicit et, ipso docente, clare intellexit de multis dubiis veritatem et negotiis agendis cognovit Domini voluntatem; et secundum vaticinium s. patris fratribus serviebat. 3 Factus est minister in Marchia de Anchona; et propter zelum Dei, qui in corde suo semper ardebat, cum maxima pace et discretione regebat provinciam, sequens Cristi exemplum, qui voluit prius facere quam docere.
4 Post aliquod vero tempus permisit sibi divina dispensatio in lucrum anime temptationem gravissimam, ut probaretur et purgaretur sicut aurum electum (cfr. Bar 3,30)Unde propter ipsam temptationem nimium anxius et tribulatus, affligebat se in abstinentiis et disciplinis, et lacrimis et orationibus; sed a temptatione liberari non poterat. 5 Et multoties ducebatur ad maximam desperationem; nam propter immanitatem temptationis credebat se derelictum a Deo. 6 In ultima vero desolatione et desperatione positus, cogitavit in corde suo, dicens: “Surgam et ibo ad patrem meum (cfr. Luc 15,18) Franciscum; et si ipse ostenderit michi familiaritatem, credo quod Deus propitius erit michi; sin autem, signum erit quod sum a Deo derelictus”.
7 Et arripiens iter, ibat ad s. Franciscum. Sanctus autem Franciscus iacebat in palatio Assisinatis episcopi gravissime infirmus; et cogitanti sibi de Domino fuit revelatum ordo temptationis et adventus et propositum dicti fratris. 8 Et statim vocans socios suos, scilicet fr. Masseum et fr. Leonem, dixit: “Ite velociter in occursum filii mei fr. Reccerii; et ex parte mea ipsum amplexantes et salutantes, dicite illi quod inter omnes fratres qui sunt in mundo singulariter eum diligo”.
9 Illi vero, sicut vere obedientie filii, statim exierunt in occursum fr. Reccerii; et invenientes illum, sicut dixerat s. Franciscus, amplexantes et recitantes amabilia verba patris, ita illius animam consolationibus repleverunt, quod totus fuit quasi liquefactus ex gaudio.10 Quantam vero tunc ostendit letitiam quantoque gestivit gaudio et quantas Deo laudes et gratias referebat, quia Deus prosperum fecerat iter (cfr. Ps 67,20) suum, vix posset explicari sermone. 11 O bone Ihesu, qui nunquam derelinquis sperantes in te (cfr. Ps 16,7), sed semper facis cum temptatione proventum, ut possimus sustinere (cfr. 1Cor 10,13)!
12 Quid plura? Pervenit ad locum ubi iacebat angelicus et divinissimus vir Franciscus; et cum esset graviter infirmus, surrexit et ivit in occursum illius; et amplexans eum dulcissime, dixit: “Fili mi, fr. Recceri, inter omnes fratres qui sunt in toto mundo diligo te”. 13 Et imprimens ei signum crucis in fronte et ipsum amantissime osculans in eodem loco, dixit: “Fili mi charissime, hec temptatio data tibi fuit ad maximum tuum lucrum; sed si non vis amplius istud lucrum, non habeas!”. 14 Mirabile dictu! Statim omnis illa diabolica recessit temptatio, ac si in vita sua nunquam sensisset; et remansit in Deo valde consolatus.
Ad laudem D.n. Ihesu Cristi. Amen.

Texto Traduzido

Caput XXXI

Como São Francisco libertou Frei Ricério da maior tentação.

 

1 Frei Ricério, companheiro de Frei Peregrino na terra, e agora concidadão no céu, andando pela vida ativa enquanto viveu, e servindo a Deus e ao próximo com toda a fidelidade, tornou-se muito familiar e querido por São Francisco, 2 de modo que aprendeu muitas coisas com São Francisco e, ensinado por ele, compreendeu claramente a verdade no meio de muitas dúvidas e conheceu a verdade do Senhor nos negócios que devia fazer. E, segundo o vaticínio de santo pai, servia aos irmãos. 3 Foi feito ministro na Marca de Ancona e, por causa do zelo de Deus, que ardia sempre no seu coração, conduzia a província com a maior paz e discrição, seguindo o exemplo de Cristo, que quis fazer primeiro e ensinar depois.
4 Entretanto, depois de algum tempo, para lucro de sua alma, permitiu a divina dispensação uma tentação muito grave, para que fosse provado e purificado como o ouro escolhido (cfr. Br 3,30)Ansioso demais, e atribulado pela tentação, afligia-se em abstinências e disciplinas, lágrimas e orações. Mas não conseguia libertar-se da tentação. 5 Era levado de muitas maneiras para o maior desespero, pois, pela enormidade da tentação, achava que tinha sido abandonado por Deus. Vendo-se no máximo da desolação e do desespero, refletiu no coração e disse: “Levantar-me-ei e irei ao meu pai (cfr. Lc 15,18)Francisco. Se ele demonstrar familiaridade para comigo, creio que Deus me será propício; se não, será um sinal de que fui abandonado por Deus”.
7 Tomou o caminho e ia para São Francisco. Mas São Francisco jazia gravemente doente, no palácio do bispo de Assis. Estava pensando no Senhor quando lhe foi revelado o tipo da tentação, como também a vinda e o propósito do referido frade. 8 Chamou na mesma hora os seus companheiros, Frei Masseu e Frei Leão, e disse: “Ide rapidamente ao encontro do meu filho Frei Ricério. Da minha parte, abraçai-o e saudai-o, dizendo-lhe que, entre todos os frades que há no mundo, tenho um afeto singular por ele”.
Eles, como verdadeiros filhos da obediência, saíram imediatamente ao encontro de Frei Ricério. Quando o encontraram fizeram o que São Francisco dissera, abraçando-o e dizendo as palavras amáveis do pai, encheram de tal modo a sua alma de consolações que ele quase se derreteu de gozo. 10 Mal daria para explicar em palavras quanta alegria demonstrou nessa ocasião, quanto pulou de júbilo e quantos louvores e graças rendia ao Senhor, porque fizera próspero o seu caminho (cfr. Sl 67,20). 11 Ó bom Jesus, que nunca abandonas os que em ti esperam (cfr. Sl 16,7), mas sempre dás proveito com a tentação, para que possamos suportá-la (cfr. 1Cor 10,13)!
12 Que mais? Chegou ao lugar onde jazia o angélico e diviníssimo varão Francisco. Mesmo estando gravemente doente, ele se levantou e foi ao seu encontro. Abraçando-o com muita doçura, disse-lhe: “Meu filho Frei Ricério, entre todos os frades que estão em todo o mundo, eu te amo”. 13 Fazendo-lhe um sinal da cruz e na testa e beijando-o no mesmo lugar com muito amor, disse: “Meu filho caríssimo, essa tentação te foi dada para teu maior proveito; mas, se não quiseres mais esse lucro, que não o tenhas!”. 14 Que maravilha! Desapareceu na mesma hora a tentação diabólica, como se nunca a tivesse sentido em sua vida; e ficou muito consolado em Deus.
Para o louvor de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.