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Capítulo XLII

Texto Original

Caput XLII

Qualiter s. Clara crucem miraculose panibus impressit.

 

1 S. Clara, devotissima crucis discipula et preciosa plantula b. Francisci, erat tante sanctitatis quod, non solum episcopi et cardinales, sed etiam summus pontifex illam videre et audire affectuosius cupiebat et sepe personaliter visitabat. 
2 Etenim quadam vice papa ad s. Clare monasterium accessit, ut ab ea, que erat sacrarium Spiritus sancti, audiret celestia et divina colloquia. 3 Utroque igitur diu de salute anime et divina laude tractante, interim s. Clara fecit panes pro sororibus in mensis omnibus preparari, cupiens panes illos reservare a Cristi vicario benedictos. 4 Unde finita collatione sanctissima, s. Clara, genuflectens cum magna reverentia, rogavit summum pontificem ut panes in mensis appositos benedicere dignaretur. Papa vero respondit: “Soror Clara fidelissima, ego volo quod tu benedicas panes istos et facias super eos crucem Cristi benedicti, cui te totam in medullatum sacrificium obtulisti”.
5 Illa vero respondit: “Sanctissime pater, parcas michi, quia in hoc essem reprehendenda nimis valde, ut coram Cristi vicario ego, que sum una vilis muliercula, facere talem benedictionem presumerem”. 
6 Et papa respondit: “Ad hoc ut presumptioni non imputetur, sed insuper habeas inde meritum, precipio tibi per s. obedientiam quod super istos panes facias signum crucis et benedicas eos in nomine Domini”. 7 Illa, tanquam vere obedientie filia (cfr. 1Pet 1,14)super panes illos crucem faciens, devotissime benedixit. Mirabile certe, quod statim in omnibus panibus apparuit signum crucis pulcherrimum!
8 De quibus plures fuerunt cum magna devotione comesti et plures pro miraculo in posterum reservati. Papa insuper, de virtuosa cruce a sponsa Cristi facta vehementer admirans, primo gratias Deo egit et postea b. Claram consolabiliter benedixit.
9 Morabantur in dicto monasterio soror Ortulana, mater s. Clare, et soror Agnes, eiusdem germana, omnes Spiritu sancto plene, cum multis aliis sanctis monialibus et sponsis Cristi, ad quas s. Franciscus infirmos plurimos transmittebat, modo ad unam, modo ad aliam predictarum, ut super eos facerent signum crucis. 
10 Et virtute crucis Cristi, quam toto corde colebant, quotquot signabantur, sanitatis remedium reportabant.
Ad laudem et gloriam D.n. Ihesu Cristi, qui est benedictus in secula. Amen (cfr. Rom 1,25).

Texto Traduzido

Caput XLII

Como Santa Clara imprimiu milagrosamente a cruz nos pães.

 

1 Santa Clara, discípula devotíssima da cruz e plantinha preciosa do bem-aventurado Francisco, era de tão grande santidade que não só bispos e cardeais mas também o sumo pontífice desejava vê-la e ouvi-la com o maior afeto, e visitava-a pessoalmente muitas vezes.
2 De fato, uma vez o papa foi ao mosteiro de Santa Clara para ouvir dela, que era um sacrário do Espírito Santo, palavras celestes e divinas. 3 Enquanto os dois estavam tratando longamente sobre a salvação da alma e o louvor divino, Santa Clara mandou preparar pães para as Irmãs em todas as mesas, desejando reservar aqueles pães, abençoados pelo vigário de Cristo. Por isso, quando acabou o colóquio santíssimo, Santa Clara ajoelhou-se com a maior reverência e rogou ao sumo pontífice que se dignasse abençoar os pães colocados nas mesas. Mas o Papa respondeu: “Irmã Clara, fidelíssima, eu quero que tu abençoes estes pães e faças sobre eles a cruz de Cristo bendito, a quem te ofereceste inteira em um íntimo sacrifício”.
5 Ela respondeu: “Santíssimo pai, poupa-me, pois nisso eu deveria ser muito repreendida se eu, vil mulherzinha, ousasse dar essa bênção na frente do vigário de Cristo”.
6 O papa retrucou: “Para que isso não seja tomado como ousadia mas, antes, que o tenhas como um mérito, eu te mando pela santa obediência que faças um sinal da cruz e abençoes estes pães em nome do Senhor”. 7 Ela, como verdadeira filha da obediência (cfr. 1Pd 1,14)fez uma cruz sobre os pães e os abençoou com a maior devoção. Foi certamente uma maravilha, porque na mesma hora apareceu um belíssimo sinal da cruz em todos os pães!
8 Muitos deles foram comidos com a maior devoção, e muitos foram guardados para depois, por causa do milagre. E o papa, muitíssimo admirado pela cruz virtuosa feita pela esposa de Cristo, primeiro deu graças a Deus e depois abençoou consoladoramente a bem-aventurada Clara.
9 Moravam nesse mosteiro a Irmã Hortolana, mãe de Santa Clara, e a Irmã Inês, sua irmã, todas cheias do Espírito Santo, com muitas outras santas monjas e esposas de Cristo, a quem São Francisco mandava muitos doentes, às vezes a uma, às vezes a outra, para que fizessem sobre eles o sinal da cruz.
10 E, em virtude da cruz de Cristo, a quem elas honravam de todo coração, todos os que eram assinalados conseguiam o remédio da saúde.
Para o louvor e glória de nosso Senhor Jesus Cristo,que é bendito pelos séculos. Amém. (cfr. Rm 1,25).