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1. Penitência e discrição

Texto Original

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1 Quodam tempore in primordio, scilicet tempore quo beatus Franciscus cepit habere fratres, manebat cum illis apud Rigum Tortum. 
2 Dum quadam nocte, circa medium, omnes quiescerent in lectulis suis, exclamavit unus ex fratribus dicens: “Morior, morior!”. 
3 Et stupefacti fratres et territi omnes evigilaverunt. 
4 Exurgens beatus Franciscus dixit: “Surgite, fratres, et accendite lumen”. 
5 Et accenso lumine dixit beatus Franciscus: “Quis est ille qui dixit: morior?”. 
6 Ille autem frater dixit: “Ego sum”. 
7 Et dixit ad eum beatus Franciscus: “Quid habes, frater? Quomodo morieris?”. 
8 At ille: “Morior fame”. 
9 Beatus Franciscus, sicut homo plenus caritate et discretione, ut non verecundaretur frater ille solus comedere, statim fecit apponi mensam, et comederunt omnes pariter cum illo. 
10 Nam noviter ille et alii conversi erant ad Dominum, et ultra modum affligebant corpora sua. 
11 Et post comestionem dixit beatus Franciscus ceteris fratribus: “Fratres mei, ita dico vobis quod unusquisque consideret naturam suam; 
12 quia, licet aliquis ex vobis sustentari valeat pauciori cibo quem alius, nolo tamen quod habundantiori cibo indigens illum in hoc imitari nitatur; sed naturam suam considerans, exhibeat corpori suo necessitatem suam. 
13 Sicut enim a superfluitate comestionis, que obest corpori et anime tenemur nobis cavere, ita a nimia abstinentia, immo magis, quoniam Dominus misericordiam vult et non sacrificium (cfr. Os 6,6; Mat 9,13; 12,7)”. 
14 Et ait: “Carissimi fratres, hoc quod feci, videlicet quod caritate fratris nostri cum ipso pariter comedimus, [ut non] verecundaretur solus comedere, magna necessitas et caritas compulit me facere. 
15 Sed dico vobis quod de cetero nolo ita facere, quia non esset religiosum neque honestum. 
16 Sed volo et precipio vobis, ut quilibet secundum nostram paupertatem suo corpori satisfaciat, sicut ei necesse fuerit”.

Texto Traduzido

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1 Em certa ocasião, no começo, isto é quando o bem-aventurado Francisco começou a ter irmãos, permanecia com eles em Rivotorto. 
2 Uma noite, lá pela metade, quando todos estavam descansando em suas enxergas, um dos frades exclamou dizendo: “Estou morrendo, estou morrendo!”. 
3 Assustados e atemorizados, todos ao frades acordaram. 
4 Levantando-se, o bem-aventurado Francisco disse: “Levantai-vos, irmãos, e acendei a luz”. 
5 Quando se acendeu a luz, o bem-aventurado Francisco disse: -- “Quem foi que disse: “Estou morrendo”. 
6 Aquele frade respondeu: “Sou eu”. 
7 E o bem-aventurado Francisco lhe disse: -- “O que tens, irmão? Como estás morrendo?”. 
8 E ele: “Estou morrendo de fome”. 
9 O bem-aventurado Francisco, homem cheio de caridade e discrição, para que aquele frade não ficasse com vergonha de comer sozinho, mandou logo pôr a mesa e todos comeram juntos com ele. 
10 Pois ele e outros tinham sido convertidos havia pouco tempo para o Senhor, e afligiam demais os seus corpos. 
11 Depois da refeição, o bem-aventurado Francisco disse aos outros frades: “Irmãos meus, assim vos digo que cada um leve em conta sua natureza; 
12 porque, ainda que algum de vós possa sustentar-se com menos comida que outro, não quero que o que necessita de mais comida tente imitá-lo nisso; mas considerando sua natureza, dê a seu corpo o que lhe é necessário. 
13 Pois assim como temos que evitar o exagero no comer, que faz mal ao corpo e à alma, , assim temos que evitar a abstinência demasiada, tanto mais que o Senhor quer a misericórdia e não o sacrifício”. 
14 E disse: “Queridos irmãos, isso que eu fiz, isto é que por caridade com nosso irmãos comemos com ele, para que não ficasse com vergonha de comer sozinho, fui obrigado a fazê-lo pela grande necessidade e a caridade. 
15 Mas eu vos digo que, nas outras coisas, não quero fazer assim, porque não seria religioso nem honesto. 
16 Mas quero e vos ordeno que cada um, segundo nosso pobreza satisfaça ao seu corpo, como for necessário”.