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Capítulo XLVIII

Texto Original

Caput XLVIII

Mirabilia de quibusdam fratribus provincie Marchie, et quomodo b. Virgo apparuit fr. Corrado in silva Forani.

 

A - 1 Provincia Marchie Anchonitane quasi quoddam celum stellatum fuit stellis notabilibus et decoratum, sanctis scilicet fratribus Minoribus, qui sursum et deorsum, coram Deo et proximo radiosis virtutibus relucebant, quorum memoria est vere in benedictione (cfr. Sir 45,1) divina.
2 Inter quos fuerunt aliqui tanquam maiora sidera, clariora pre ceteris, scilicet: fr. Lucidus antiquior, vere lucens sanctitate et ardens (cfr.  Ioa 5,35) caritate divina, cuius gloriosa lingua, Spiritu sancto docta, fructus mirabiles faciebat.
3 Fr. etiam Bentivolia de S. Severino, qui visus fuit in aere elevatus per magnum spatium a terra, cum oraret in silva, a fr. Masseo de eadem terra, qui propter illud miraculum dimisit plebanatum; et effectus fr. Minor, tam s. vite fuit quod fecit multa miracula; et requiescit Muri. 4 Qui fr. Bentivolia, dum staret ad Trabem Bonanti solus et custodiret unum leprosum, per obedientiam coactus recedere et nolens illum leprosum relinquere, imposito illo in humero proprio, cum eo sic oneratus perrexit a dicto loco Trabis usque ad montem S. Vicini, 5 ubi alius locus erat, per distantiam quindecim miliariorum, ab aurora incepta usque ad ortum solis; quod iter, si fuisset aquila, vix forte potuisset in tam modico tempore cum tanto pondere transvolasse: de quo divino miraculo omnes qui audierunt mirabiliter stupuerunt.
6 Fr. Petrus etiam de Monticulo, qui visus fuit in aere levatus a fr. Servadio de Urbino, tunc guardiano suo, in loco antiquo Anchone, usque ad pedes Crucifixi in altum positi, forte per quinque aut per sex cubitos aut circa a pavimento ecclesie.
B – 7 Hic etiam, cum quadragesimam s. Michaelis archangeli devotissime ieiunasset et in ultima die ieiunii in ecclesia ad orandum se contulisset, auditus est a quodam fr. puerulo, ad hec studiose sub altari latente, loqui cum sanctissimo Michaele archangelo et archangelus cum eo. Et verba que dicebant erant ista. Dicebat archangelus: “Fr. Petre, tu fideliter pro me laborasti et te multipliciter afflixisti; ecce ego veni ad te consolandum, ut petas quamcumque volueris gratiam; et ego tibi illam a Domino impetrabo”.
9 Respondebat fr. Petrus: “Sanctissime princeps militie celestis et fidelissime zelator honoris Dei et protector piissime animarum, hanc gratiam tibi peto, ut remissionem michi impetres omnium peccatorum”.
10 Respondit sanctissimus Michael: “Pete aliam gratiam, quia hanc tibi facillime acquiram”. Fr. autem Petrus aliud non petebat. Archangelus conclusit: “Et ego propter fidem et devotionem quam habes in me, hanc tibi gratiam quam postulas et multas alias procurabo”. 11 Finito vero colloquio, quod per magnum spatium noctis duravit, reliquit eum intime consolatum.
C - 12 Tempore insuper huius fr. Petri, vere sancti, fuit fr. Corradus de Offida predictus. Cum ergo isti starent de familia simul in loco Forani, de Anchonitana custodia, fr. Corradus accessit in silvam ad meditandum divina; frater autem Petrus clanculo perrexit post ipsum, ut videret quid illi accideret. 13 Fr. vero Corradus incepit beatissimam Virginem devotissimis lacrimis exorare, ut sibi hanc gratiam a benedicto suo FiIio impetraret, ut de illa dulcedine quam s. Simeon in die Purificationis persensit, cum Cristum Salvatorem benedictum gestaret in ulnis (cfr.  Luc 2,28)aliquantulum sentire valeret.
14 Qui exauditus ab illa misericordissima Domina, ecce Regina glorie cum Filio suo benedicto et cum tanta luminis claritate quod, non solum tenebras effugabat, sed etiam cuncta lumina superabat. Et appropinquans ad fr. Corradum, puerum illum speciosum pre filiis hominum (cfr. Ps 44,3) posuit in ulnis eius. 
15 Quem fr. Corradus devotissime accipiens et labia labiis imprimens et pectori pectus astringens, totus liquefiebat in amplexibus et osculis caritatis. Fr. vero Petrus hec omnia clara luce cernebat et insuper consolationem mirabilem sentiebat. 16 Qui latenter manebat in silva. B. vero Maria virgine cum Filio recedente, fr. Petrus festinanter repedavit ad locum. Frater vero Corradus, cum rediisset totus festivus et gaudens, vocabatur a fr. Petro: “O celibecose, multam consolationem hodie habuisti!”. 17 Dicebat fr. Corradus: “Quid est quod dicis, fr. Petre? Quid scis tu quod ego habuerim?”. Respondebat fr. Petrus: “Bene scio, celibecose, bene scio qualiter te Virgo beatissima et eius benedictus Filius visitavit”.
18 Quod audiens, fr. Corradus, quia sicut vere humilis optabat secretum, rogavit quod nemini diceret. Erat autem tantus amor inter hos duos, quod quasi cor unum et anima una (cfr. Act 4,32) videbantur.
D ‑ 19 Iste etiam fr. Corradus, in loco Siroli orando, liberavit obsessam a demone; et statim de loco aufugit, ne mater puelle liberate ipsum inveniret et concursus populi fieret. 20 Nam fr. Corradus tota illa nocte oraverat, et matri predicte puelle apparuerat, et apparendo filiam liberaverat.
Ad laudem et gloriam D.n. Ihesu Cristi. Amen.

Texto Traduzido

Caput XLVIII

Maravilhas sobre alguns irmãos da província das Marcas; e como a Bem-aventurada Virgem apareceu a Frei Conrado no bosque de Forano.

 

A - 1 A província da Marca de Ancona foi como um céu es­trelado com notáveis estrelas e ornado com santos frades me­nores que, acima e abaixo, reluziam diante de Deus e do próximo com radiantes virtudes; sua memória está verdadeiramente na bênção (cf. Sir 45,1) divina.
2 Entre eles, houve alguns como astros maiores, mais luminosos do que os demais, a saber, Frei Lúcido, o mais antigo, que brilhava verdadeiramente em santidade e ardia (cf. Jo 5,35) na caridade divina, cuja língua gloriosa, instruída pelo Espírito Santo, produzia admiráveis frutos.
3 Também Frei Bentivoglia de São Severino, que, quando rezava no bosque, foi visto elevado no ar a grande distância do chão, por Frei Masseu, da mesma terra, o qual por causa daquele milagre deixou a paróquia e se fez frade menor; e foi de vida tão santa que fez muitos milagres; e repousa em Murro. 4 Este Frei Bentivoglia, enquanto estava sozinho em Trave Bo­nanti e cuidava de um leproso, obrigado a partir pela obediência e não querendo abandonar o leproso, depois de tê-lo coloca­do nos ombros, com ele assim carregado, foi desse lugar de Trave até ao Monte de San Vicino, onde havia ou­tro lugar, numa distância de quinze milhas, do iní­cio da aurora até ao nascer do sol; se ele fosse uma águia, talvez mal pudesse voar nesse caminho em tão pouco tempo e todo esse peso. Todos que ouviram falar deste milagre divi­no ficaram admiravelmente estupefatos.
6 Também Frei Pedro de Monticello, que, por Frei Servádio de Urbino, então seu guardião no antigo lugar de Ancona, foi visto elevado até aos pés do crucifixo, colo­cado no alto uns cinco ou seis côvados acima do pavimento da igreja.
B - 7 Este mesmo, quando jejuou com muita devoção a qua­resma de São Miguel Arcanjo e no último dia de jejum se dirigiu à igreja para rezar, foi ouvido por um frade menino que es­tava cuidadosamente escondido sob o altar: estava falando com o santís­simo Miguel Arcanjo e o arcanjo com ele. 8 E as palavras que diziam eram estas. Dizia o Arcanjo: “Frei Pedro, tu trabalhaste fielmente por mim e te afligiste de múltiplas formas; eis que vim para te con­solar, para que peças qualquer graça que quiseres; e eu a impe­trarei do Senhor para ti”.
Frei Pedro respondia: “Santíssimo príncipe da milícia celeste, fidelíssimo zelador da honra de Deus e protetor piíssimo das almas, peço-te esta graça: que impetres para mim a remissão de todos os pecados”.
10 Respondeu o santís­simo Miguel: “Pede outra graça, porque essa eu vou adquirir para ti com facilidade”. Mas Frei Pedro não pedia outra coisa. O Arcanjo con­cluiu: “E eu, por causa da fé e devoção que tens em mim, vou conseguir para ti a graça que pedes e muitas outras”. 11 Quando acabou o colóquio, que durou por muito tempo de noite, deixou-o intimamente consolado.
C - 12 Além disso, no tempo desse Frei Pedro, verda­deiramente santo, houve o mencionado Frei Conrado de Offida. Como eles viviam juntos em família no lugar de Forano, da custódia de Ancona, Frei Conrado foi ao bos­que para meditar as coisas de Deus, e Frei Pedro foi às escondidas atrás dele para ver o que aconteceria com ele. 13 E Frei Conrado começou a rogar à Bem-aventurada Virgem, com devotíssimas lágrimas, que impetrasse para ele de seu bendito Filho esta graça: que pudes­se sentir um pouquinho daquela doçura que São Simeão sentiu no dia da Purificação, quando tomou nos braços (cf. Lc 2,28) o Cristo Salvador bendito.
14 Ele foi atendido por aquela Senhora cheia de misericórdia: eis a Rainha da glória com seu Filho bendito e com tanta claridade de luz que não só afugentava as trevas, mas também superava todas as luzes. E, aproximando-se de Frei Con­rado, colocou-lhe nos braços aquele menino, o mais belo dos fi­lhos dos homens (cf. Sl 44,3).
15 Frei Conrado, tomou-o mui de­votamente, beijou-o nos lábios e apertando-o no peito, derretia-se todo em abraços e ósculos de caridade. E Frei Pedro via tudo isto em clara luz e, além disso, sentia uma admirável consolação. 16 Ele ficou escondido no bos­que. Quando a Bem-aventurada Virgem Maria foi embora com o Fi­lho, Frei Pedro voltou depressa para casa. Quando Frei Conrado vinha voltando todo festivo e alegre, foi chamado por Frei Pe­dro: “Homem do céu, tiveste hoje muita consolação!” 17 Disse Frei Conrado: “Que estás dizendo, Frei Pedro? Que sabes tu que eu tive?” Respondeu Frei Pedro: “Bem sei, homem do céu, bem sei como a Virgem beatíssima e seu bendito Filho te visitaram”.
18 Ouvindo isto, Frei Conrado, que, como um humilde de verdade, preferia o segredo, pediu que não o dissesse a ninguém. Era tão grande o amor entre esses dois que pareciam quase um só coração e uma só alma (cf. At 4,32).
D - 19 Esse mesmo Frei Conrado, orando no lugar de Sirolo, libertou uma possessa do demônio; e imediatamente fugiu do lugar para que a mãe da menina libertada não o encontras­se, nem houvesse afluência do povo, 20 pois Frei Conrado re­zara durante toda aquela noite,e aparecera à mãe da predita menina e, em aparecendo, libertara a filha.
Para o louvor e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.