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69. Os livros do frade ministro

Texto Original

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1 Unde quodam tempore, quando de ultramarinis partibus reversus fuit, quidam minister loquebatur secum de capitulo paupertatis, volens inde cognoscere suam voluntatem et intellectum, 
2 maxime quia tunc erat scriptum in Regula quoddam capitulum de prohibitionibus sancti Evangelii, videlicet: Nichil tuleritis in via (Luc 9,3) etc. 
3 Et respondit beatus Franciscus: “Ego sic intelligere volo, quod fratres nichil debeant habere nisi vestimentum cum corda et femoralibus, sicut in Regula continetur, et qui necessitate coguntur, calciamenta”. 
4 Et dixit ad eum minister: “Quid faciam ego, quoniam habeo tot libros, qui valent magis quinquaginta libris?”.
5 Hoc autem dixit quia volebat eos habere de conscientia sua, maxime quia cum reprehensione tot libros [habebat] cum sciret beatum Franciscum ita stricte intelligere capitulum paupertatis. 
6 Dixit ad eum beatus Franciscus: “Frater, nec possum nec debeo venire contra conscientiam meam et professionem sancti Evangelii, quam professi sumus”. 
7 Audiens hoc minister effectus est tristis. 
8 Videns autem beatus Franciscus illum esse ita turbatum, cum fervore spiritus dixit ad eum in persona omnium fratrum: 
9 “Vos fratres Minores ab hominibus vultis videri (cfr. Mat 23,5.7) et vocari observatores sancti Evangelii et operibus vultis habere loculos (cfr. Ioa 12,6)”. 
10 Verum licet ministri scirent, quod secundum Regulam fratrum tenerentur sanctum Evangelium observare, tamen fecerunt removeri illud capitulum de Regula ubi dicebatur: Nichil tuleritis in via (Luc 9,3) etc.;
11 credentes nichilominus se non teneri ad observationem perfectionis sancti Evangelii. 
12 Quapropter beatus Franciscus cognoscens hoc per Spiritum Sanctum coram quibusdam fratribus dixit: “Putant fratres ministri Deum et me decipere”. 
13 Et ait: “Immo ut sciant et cognoscant omnes fratres se teneri ad observandam perfectionem sancti Evangelii, in principio et in fine Regule volo quod sit scriptum quod fratres teneantur sanctum Evangelium Domini nostri Iesu Christi observare. 
14 Et ut fratres semper sint inexcusabiles (cfr. Rom 1,20) coram Deo, que Dominus pro salute et utilitate anime mee et fratrum posuit in ore (cfr. Ex 4,15; Is 51,16) meo, ex quo ipsis annuntiavi et annuntio, volo ipsis operibus ostendere et, Domino cooperante (Mar 16,20), ad perpetuum observare”. 
15 Unde ipse ad litteram sanctum Evangelium observavit a principio, ex quo fratres habere cepit usque ad diem mortis sue.

Texto Traduzido

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1 Por isso, em certa ocasião, quando voltou do ultramar, um ministro conversava com ele sobre o capítulo da pobreza, querendo saber qual era sua vontade e compreensão sobre isso, 
2 principalmente porque então estava escrito na Regra um capítulo de proibições do santo Evangelho, isto é: Nada levareis no caminho (Lc 9,3) etc. 
3 O bem-aventurado Francisco respondeu: “Eu assim quero entender, que os frades não devam ter nada além da roupa, com a corda e os calções, como está na Regra, e os que tiverem necessidade, os calçados”.
4 Disse-lhe o ministro: “Que é que eu vou fazer, que tenho tantos livros, que valem mais do que cinqüenta libras? 
5 Mas perguntou isso porque queria tê-los com a consciência sossegada, principalmente porque tinha remorsos por possuir tantos livros, sabendo que o bem-aventurado Francisco entendia tão estritamente o capítulo da pobreza. 
6 Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Irmão, não posso nem devo ir contra minha consciência e a profissão do Santo Evangelho, que professamos”. 
7 Ouvindo isso, o ministro ficou triste. 
8 Mas o bem-aventurado Francisco, vendo-o tão perturbado, disse-lhe com fervor de espírito, como se falasse a todos os frades: 
9 “Vós, frades menores, quereis ser vistos pelos homens e chamados de observadores do santo Evangelho, mas nas obras quereis ter bolsas (cfr. Jo 12,6)”. 
10 Na verdade os ministros sabiam que, segundo a Regra dos frades, deveriam observar o santo Evangelho, mas fizeram remover da Regra aquele capítulo que dizia: Nada levareis no caminho (Lc 9,3) etc.; 
11 julgando, portanto, que não estavam obrigados à perfeição do santo Evangelho. 
12 Por isso o bem-aventurado Francisco, sabendo disso pelo Espírito Santo, disse diante de alguns frades: “Os irmãos ministros acham que podem enganar a Deus e a mim”. 
13 E disse: “Até para que saibam e conheçam todos os frades que são obrigados a observar a perfeição do santo Evangelho, quero que seja escrito no começo e no fim da Regra que os frades sejam obrigados a observar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. 
14 E para que os frades nunca tenham desculpas diante de Deus, quero mostrar-lhes com obras, e observar sempre, com a ajuda do Senhor, aquilo que o Senhor pôs em minha boca, que lhes anunciei e anuncio, para salvação e utilidade minha e dos frades”. 
15 Por isso, desde o começo ele observou o santo Evangelho à letra, desde quando começou a ter frades até o dia de sua morte.