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60. Elogio da mendicidade

Texto Original

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1 quoniam omnia, que Pater celestis pro utilitate hominis creavit, propter amorem dilecti Filii sui dignis et indignis gratis, pro helemosina, concessa sunt post peccatum. 
2 Unde dicebat beatus Franciscus quod magis libere et cum hilaritate servus Dei helemosinas amore Domini Dei petere debet quam ille qui pro sua curialitate et largitate, cum vellet aliquid emere, iret dicendo: 
3 “Quicumque dabit michi talem nummatam, dabo sibi centum marchas argenti, immo milies plus: 
4 quoniam servus Dei offert amorem Dei quem meretur homo qui facit helemosinas, in cuius comparatione omnia que sunt in hoc seculo nichil sunt (cfr. Sap 7,8), et etiam que in celo”. 
5 Unde antequam fratres ssent multiplicati [ac etiam postquam multiplicati] fuerunt, cum iret per mundum predicando beatus Franciscus, cum aliquis nobilis et dives homo cum devotione rogaret ipsum ut comederet in domo sua et apud ipsum hospitaretur, 
6 quoniam in multis civitatibus et castris ad quos ibat predicaturus tempore suo non erant loca fratrum, 
7 licet nosset quod ille, qui invitaret ipsum, omnia necessaria corporis habundanter amore Domini Dei preparasset, tamen ipse propter bonum exemplum fratrum et propter nobilitatem et dignitatem domine paupertatis in hora comestionis ibat pro helemosina, 
8 ac aliquando dicebat illi qui invitaverat ipsum: “Ego nolo dimittere dignitatem meam regalem et hereditatem et vocationem et professionem meam et fratrum Minorum, 
9 videlicet ire pro helemosina, etiamsi non amplius apportarem quam tres helemosinas, quoniam volo exercere officium meum”. 
10 Et sic [ipso] nolente, ibat pro helemosinis, et ille qui invitaverat ipsum ibat cum ipso, et helemosinas quas acquirebat beatus Franciscus accipiebat et pro reliquiis propter eius devotionem reponebat 
11 Qui scripsit vidit multotiens et perhibuit testimonium (cfr. Ioa 21,24).

Texto Traduzido

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1 Porque tudo que o Pai celeste criou foi para a utilidade do homem, por amor do seu dileto filho, e continua a concedê-lo de graça e por esmola depois do pecado, aos dignos e indignos, por amor de seu dileto Filho. 
2 Por isso o bem-aventurado Francisco dizia que o servo de Deus deve ir pedir esmolas por amor de deus como mais liberdade do que uma pessoa que, por sua cortesia e liberalidade, querendo comprar alguma coisa, saísse dizendo: 
3 “A quem me der tal moeda, darei cem marcos de prata, e até mil vezes mais: 
4 porque o servo de Deus oferece o amor de Deus que é merecido pela pessoa que dá esmolas, em cuja comparação tudo que existe neste século e também o que há no céu não é nada”. 
5 Por isso, antes que os frades se tivessem multiplicado [e mesmo depois que se multiplicaram], quando o bem-aventurado Francisco ia pregando pelo mundo, se alguma pessoa nobre e rica com devoção insistisse com ele para comer em sua casa e lá hospedar-se, 
6 porque em muitas cidades e castros em que ia pregar ainda não havia lugares dos frades, no seu tempo, 
7 ainda que soubesse que a pessoa que o estava convidando tinha preparado abundantemente tudo que é necessário ao corpo por amor do Senhor Deus, ele, para dar bom exemplo aos frades e pela nobreza e dignidade da senhora pobreza, na hora da refeição ia pedir esmolas. 
8 E algumas vezes dizia aos que o tinham convidado: “Eu não quero deixar a minha dignidade real, a herança, a vocação e a minha profissão e dos frades menores. 
9 Isso quer dizer ir pedir esmolas, mesmo que não traga mais do que três esmolas, porque quero exercer o meu ofício”. 
10 E ia pedir esmolas contra a vontade de quem convidara, que saía com ele, e recebia as esmolas que o bem-aventurado Francisco conseguia e, por devoção a ele, guardava-as como relíquia. 
11 Quem escreveu viu isso muitas vezes, e deu testemunho.