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76. Porque Francisco não intervém

Texto Original

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1 Beatus Franciscus dixit ad eum: “Dominus indulgeat tibi, frater, quoniam vis esse michi contrarius et adversarius et me implicare in hiis, que non pertinent ad officium meum”. 
2 Et ait: “Usquequo habui officium fratrum, et fratres manserunt in vocatione et professione sua, licet a principio mee conversionis ad Christum infirmitius fuerim, cum parva mea sollicitudine eis satisfaciebam exemplo et predicatione. 
3 Sed postquam consideravi quod Dominus fratrum numerum multiplicaret cotidie et quod ipsi, propter tepiditatem et inopiam spiritus, a via recta et secura per quam soliti erant ambulare, declinare inciperent, 
4 et per ampliorem viam, sicut dixisti, incedere, non attendentes suam professionem et vocationem et bonum exemplum, 
5 nec dimittere iter quod iam ceperant propter predicationem meam et exemplum meum, recommendavi Domino et ministris fratrum Religionem. 
6 Quoniam licet tempore quo renuntiavi et dimisi officium fratrum, coram fratribus me excusarem in capitulo generali, quod propter infirmitatem meam de ipsis curam et sollicitudinem habere non possem, 
7 tamen modo, si secundum voluntatem meam fratres ambularent et ambulassent, propter ipsorum consolationem nollem, quod alium ministrum haberent preter me, usque in diem mortis mee. 
8 Quoniam ex quo fidelis et bonus subditus volutatem sui prelati cognoscit et observat, parvam sollicitudinem prelatum oportet habere de illo. 
9 Immo tantum gauderem de fratrum bonitate et consolatus essem propter lucrum meum et lucrum ipsorum, quod, si iacerem in lecto infirmus, non gravaret me satisfacere eis”. 
10 Et ait: “Meum officium est spirituale, videlicet prelatio super fratres, quia debeo dominari vitiis et ea emendare. 
11 Unde, si vitiis dominari et ea emendare non possum predicatione et exemplo, nolo carnifex fieri ad percutiendum et flagellandum, sicut potestas huius seculi. 
12 Quoniam confido in Domino (cfr. Ps 10,2), quod adhuc inimici invisibiles, qui sunt castaldi Domini ad puniendum in hoc seculo et in futuro eos, qui transgrediuntur mandata Dei, sument de illis vindictam, facientes eos corrigi ab hominibus huius seculi in improperium et verecundiam ipsorum, et revertentur ad professionem et vocationem suam. 
13 Veruntamen usque ad diem mortis mee, exemplo et operatione, non cessabo docere fratres ambulare per viam quam michi Dominus ostendit (cfr. 3Re 8,36), 
14 et ego ostendi eis et ipsos informavi ut sint inexcusabiles (cfr. Rom 1,20) coram Domino et ego coram Deo de ipsis et de me non tenear reddere rationem (cfr. Mat 12,36; Luc 16,2) ulterius”.

Texto Traduzido

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1 O bem-aventurado Francisco disse-lhe: “O Senhor te perdoa, irmão, porque queres me contradizer, ser meu adversário e me implicar nessas coisas que não são do meu ofício”. 
2 E disse: “Enquanto eu tive o ofício de cuidar dos frades, eles permaneceram em sua vocação e profissão, embora eu tenha sido adoentado desde o começo de minha conversão a Cristo, e com pouca solicitude da minha parte conseguia satisfaze-los com o exemplo e a pregação. 
3 Mas depois que eu vi que o Senhor multiplicava todos os dias o número dos frades, e que eles, por causa da tibieza e do vazio de espírito começaram a desviar-se do caminho reto e seguro pelo qual costumavam andar, 
4 e passaram a ir por um caminho mais largo, como disseste, não cuidando de sua profissão, vocação e bom exemplo, 
5 e não abandonaram o caminho que tinham começado, apesar da minha pregação e exemplo, recomendei a Religião ao Senhor e aos ministros dos frades. 
6 Porque, embora no tempo em que renunciei e deixei o ofício dos frades, eu tenha me desculpado diante dos frades no capítulo geral, pois por causa de minha doença não podia mais ter o cuidado e a solicitude por eles, 
7 agora, se os frades andassem e tivessem andado de acordo com a minha vontade, por sua consolação eu não quisera que tivessem outro ministro senão eu, até o dia de minha morte. 
8 Porque desde que um fiel e bom súdito conhece a vontade de seu prelado e a observa, o prelado precisa ter pouca solicitude por ele. 
9 Eu até teria tanta alegria pela bondade dos frades e me consolaria por causa do meu proveito e do proveito deles que, se jazesse doente na cama, não seria pesado para mim satisfaze-los”. 
10 E disse: “Meu ofício é espiritual, isto é, uma prelatura sobre os frades, porque dominar e corrigir os vícios. 
11 Por isso, se não posso dominar e corrigir os vícios pela pregação e o exemplo, não quero ser um carrasco para bater e chicotear, como o poder deste século”. 
12 Porque confio no Senhor que os inimigos invisíveis, que são os esbirros do Senhor ainda vão vingar-se deles para punir neste século e no futuro os que transgridem os mandamentos do Senhor, fazendo-os serem corrigidos pelas pessoas deste século com impropério e vergonha para eles; e voltarão a sua profissão e vocação. 
13 Entretanto, até o dia de minha morte não vou parar de ensinar os frades a andarem pelo caminho que o Senhor me mostrou, pelo meu exemplo e ação. 
14 E eu lhes mostrei e informei, de modo que não têm desculpas diante do Senhor, e eu, diante de Deus não vou mais ter que prestar contas deles”.