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Capítulo II (III) - A caridade, compaixão e condescendência para com o próximo

Texto Original

Capitulum II (III) - De Caritate et Compassione et Condescensione ad Proximum

Caput 27. Et primo qualiter condescendit fratri qui moriebatur fame comedendo cum ipso, admonens fratres ut discrete paenitentiam agerent.

 

1 Quodam tempore, cum beatus Franciscus coepisset habere fratres, et maneret cum eis apud Rigum Tortum, prope Assisium, 2 accidit ut quadam nocte, quiescentibus omnibus fratribus, circa medium noctis, exclamaret unus ex fratribus, dicens: “Morior! morior!”. Stupefacti autem et territi fratres evigilaverunt omnes. 3 Et exsurgens beatus Franciscus, dixit: “Surgite, fratres, et accendite lumen!”. Et, accenso lumine, dixit: “Quis est ille qui dixit morior?”. 4 Respondit ille frater: “Ego sum”. — Et ait illi: “Quid habes, frater? Quomodo moreris?”. — At ille ait: “Morior fame!”.
Tunc beatus Franciscus statim fecit apponi mensam, et sicut homo plenus caritate et discretione, comedit cum eo ne verecundaretur comedere solus; et de voluntate ipsius omnes etiam alii fratres pariter comederunt.
6 Nam ille frater et omnes alii noviter erant conversi ad Dominum et ultra modum sua corpora affligebant. 7 Et post comestionem dixit beatus Franciscus ceteris fratribus: “Fratres mei, ita dico vobis quod unusquisque consideret naturam suam, quia licet aliquis vestrum sustentari valeat pauciori cibo quam alter, nolo tamen quod ille qui indiget majori cibo nitatur imitari illum in hoc, 8 sed naturam suam considerans tribuat corpori suo necessitatem suam, ut sufficiat servire spiritui. Sicut enim a superfluitate comestionis quae obest corpori et animae tenemur nobis cavere, ita etiam a nimia abstinentia, immo magis, quoniam Dominus misericordiam vult et non sacrificium (cfr. Os 6,6; Mat 9,13; 12,7). 9 Et ait: Carissimi fratres, hoc quod feci, videlicet quod propter caritatem fratris mei comedimus pariter cum eo, ne verecundaretur solus comedere, magna necessitas et caritas facere me coegit, sed dico vobis quod de cetero nolo ita facere, quia non esset religiosum, nec honestum: 10 sed volo et praecipio vobis ut quilibet secundum nostram paupertatem suo corpori satisfaciat, sicut ei necesse fuerit”.
11 Nam primi fratres, et alli qui venerunt post ipsos usque ad magnum tempus, affligebant corpora sua ultra modum cum abstinentia cibi et potus, vigiliis, frigore, asperitate indumenti et labore (cfr. 2Cor 11,27)  manuum suarum; portabant subtus ad carnem circulos ferreos et loricas et fortissima cilicia; 12 propter quod sanctus pater, considerans quod hac occasione fratres poterant infirmari, et aliqui jam in parvo tempore erant infirmati, prohibuit in quodam capitulo ut nullus frater portaret subtus ad carnem nisi tunicam.
13 Nos vero qui cum eo fuimus (cfr. 2Pet 1,18)testimonium perhibemus (cfr. Ioa 21,24) de ipso quod licet toto tempore vitae suae circa fratres esset discretus et temperatus, ita tamen quod ipsi fratres in cibis et aliis rebus nullo tempore deviarent a modo paupertatis et honestatis nostrae religionis, 14 ipse pater sanctissimus nihilominus, a principio suae conversionis usque ad finem vitae suae, corpori suo fuit austerus, quamvis naturaliter esset debilis et in saeculo non posset vivere nisi delicate.
15 Unde, quodam tempore, considerans quod fratres jam excedebant modum paupertatis et honestatis in cibis et in omnibus rebus, in quadam sua praedicatione, quam fecit aliquibus fratribus in persona omnium fratrum, dixit: 16 “Non putant fratres quod corpori meo necessaria esset pietantia; sed, quia oportet me esse formam et exemplum omnium fratrum, volo uti et esse contentus paucis et pauperculis cibis, et omnibus rebus aliis uti secundum paupertatem, atque sumptuosa et delicata penitus abhorrere”.

Texto Traduzido

Capitulum II (III) - De Caritate et Compassione et Condescensione ad Proximum

Capítulo 27. Primeiramente, como condescendeu com um irmão que morria de fome, comeu com ele e exortou os frades a se­rem discretos na penitência.

 

1 Uma vez, quando o bem-aventurado Francisco começou a ter irmãos e morava com eles em Rivotorto, perto de Assis, aconteceu que uma noite, enquanto todos os irmãos estavam descansando, por volta da meia-noite, um dos frades gritou, dizendo: “Estou morrendo! Estou morrendo!” Todos os frades acordaram assustados e atemorizados. 3 O bem-aventurado Francisco levantou-se e disse: “Irmãos, levantai-vos e acendei uma luz!” E, acesa a luz, perguntou: “Quem foi que disse: estou morrendo?” 4 O frade respondeu: “Fui eu”. E ele: — “O que tens, irmão? De que estás morrendo?” Respondeu: “Estou morrendo de fome!”
5 Então, o bem-aventurado Francisco mandou imediatamente preparar a mesa e, como homem cheio de caridade e discrição, comeu com ele para que não se envergonhasse de comer sozinho; e, por von­tade dele, todos os outros frades também comeram.
6 Aquele frade e todos os outros se haviam convertido recentemente ao Senhor e mortificavam seu corpo além da medida. 7 Depois da refeição, São Francisco disse aos outros frades: “Meus irmãos, aconselho que cada um examine sua na­tureza, porque, embora alguns dentre vós possam sustentar-se com menos alimento que outros, não quero que o que precisa de mais alimento o imite nisso, 8 mas, examinando sua natureza, cada um dê a seu corpo o que necessita, para que possa servir ao espírito. Pois assim como devemos guardar-nos do ali­mento supérfluo, prejudicial ao corpo e à alma, da mesma forma, e até mais, devemos fugir da abstinência demasiada, porque o Senhor quer misericórdia e não sacrifício” (cf. Os 6,6; Mt 9,13; 12,7). 9 E disse: “Caríssimos irmãos, foi a grande necessidade e a caridade que me levou a fazer o que fiz, isto é, comermos junto com meu irmão por causa da caridade, para que ele não se enver­gonhasse de comer sozinho; digo-vos, porém, que no futuro não o farei mais, pois não seria religioso nem honesto. 10 Mas quero e ordeno-vos que, segundo a nossa pobreza, cada um satisfaça seu corpo segundo suas necessidades”.
11 Pois os primeiros frades, e os que vieram depois deles por muito tempo, mortificavam seu corpo além da medida com a abs­tinência de comida e de bebida, com vigílias, frio, vestes rudes e com o trabalho (cf. 2Cor 11,27) de suas mãos; por baixo, junto à carne, usavam círculos de ferro, couraças e ásperos cilícios; 12 por causa disso, considerando que assim os frades poderiam ficar do­entes e, em pouco tempo, alguns já haviam adoecido, num Capítu­lo, o santo pai proibiu que os frades usassem algo por baixo, junto à carne, a não ser a túnica.
13 Na verdade, nós que com ele vivemos (cf. 2Pd 1,18),damos testemunho (cf. Jo 21,24) de que em todo o tempo de sua vida foi discreto e moderado com os irmãos, de maneira, porém, que eles, em comidas e bebidas, jamais se desviaram da pobreza e do espírito da Ordem. 14 O santíssimo pai, entretanto, desde o come­ço de sua conversão até o fim de sua vida, foi austero com seu corpo, embora fosse de constituição frágil e, no mundo, só podia viver delicadamente.
15 Daí que uma vez, considerando que os frades já excediam a medida da pobreza e da honestidade nos alimentos e em todas as outras coisas, numa pregação que fez para alguns frades como se fosse a todos, disse: 16 “Não pensem os irmãos que a meu corpo seja ne­cessária uma boa comida melhor; mas, porque é preciso que eu seja modelo e exemplo para todos os frades, quero usar e conten­tar-me com poucos e pobres alimentos, usar todas as outras coi­sas segundo a pobreza e desprezar tudo o que for suntuoso e re­quintado”.