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Capítulo 15

Texto Original

Caput XV

Quomodo medicum suum, cum nihil fratres haberent, ad prandium invitavit, et quanta de subito Dominus dedit; et de providentia Dei circa suos.

 

44 
1 Commorantem beatum virum in eremitorio quodam iuxta Reate medicus pro cura oculorum quotidie visitabat. 
2 Quadam vero die dixit sanctus ad suos: “Invitate medicum et date illi optime manducare”. 
3 Respondit ei guardianus dicens: “Pater, cum rubore (cfr. Luc 14,9) dicimus, verecundamur ipsum invitare, tantum nunc pauperes sumus”. Respondit sanctus dicens (cfr. Ioa 1,26): “Quid vultis ut iterum dicam (cfr. Mat 20,32; Ioa 9,27)?”. 
4 Medicus, qui adstabat (cfr. Mar 14,70): “Et ego, fratres carissimi, penuriam vestram delicias reputabo”. 
5 Festinant fratres, et omnem cellarii copiam mensae imponunt, panis scilicet modicum (cfr. 2Par 18,26), vini non multum, et, ut lautius ederent, parum leguminis coquina transmittit. 
6 Interim mensa Domini (cfr. Mal 1,7) servorum mensae compatitur; pulsatur ostium (cfr. Luc 13,25), accurritur protinus. 
7 Et ecce mulier quaedam canistrum offert plenum pulchro pane, piscibus et pastillis gammarorum refertum, melle et uvis desuper cumulatum. 
8 Exsultat pauperum mensa his visis, et vilibus crastino reservatis, pretiosa hodie sumuntur in cibum. 
9 Medicus vero suspirando locutus est dicens (cfr. Mat 14,27): “Nec vos, fratres, sicut debetis, nec nos saeculares huius viri cognoscimus sanctitatem”. 
10 Satiati denique fuissent, nisi plus eos miraculum quam ferculum satiasset. 
11 Sic paternus ille oculus nequaquam despicit (cfr. Prov 30,17) suos, quin potius maiore defectu mendicos maiore providentia nutrit. 
12 Largiore mensa pauper pascitur quam tyrannus, quanto Deus homine profusior largitate.

 

Quomodo fratrem Ricerium a tentatione liberavit.

 

44a 
1 Frater quidam ‘Ricerius’ nomine, tam moribus quam genere nobilis, in tantum de beati Francisci meritis praesumebat, ut divinam profecto mereri gratiam crederet, si quis ipsius sancti dono benevolentiae potiretur, aut si quis illa careret, Dei iracundiam mereretur. 
2 Cumque ad obtinendm familiaritatis illius beneficium vehementius aspiraret, timuit valde (cfr. Gen 32,7; Iudt 8,8) ne quid occulte in ipso vitii fore sanctus deprehenderet, cuius occasione se ab eius gratia magis elongari contingeret. 
3 Igitur timore huiusmodi iam dictum fratrem quotidie ac graviter affligente, nec illo cogitationem suam alicui revelante, contigit ipsum die quadam solito more turbatum ad cellam in qua beatus Franciscus orabat accedere. 
4 Cuius adventum simul et animum vir Dei (cfr. 1Re 2,27) cognoscens, ei benigne ad se vocato, sic ait: “Nullus te timor de caetero, nulla te, fili, conturbet tentatio, quoniam carissimus mihi es, et inter praecipue caros speciali charitate te diligo. 
5 Securus ad me, cum tibi placuerit, venias, et a me libere pro tua vo-luntate recedas”. 
6 Obstupuit non modicum et laetatus est ille frater in sermonibus sancti patris, et deinceps de ipsius dilectione securus, crevit etiam, sicut crediderat, in gratia Salvatoris (cfr. Tit 2,11).

Texto Traduzido

Caput XV

Como convidou seu médico para o almoço, mesmo sem os irmãos terem nada, e quantas coisas o Senhor deu de repente; e da providência de Deus para com os seus.

 

44 
1 Quando o bem-aventurado varão morava em um eremitério perto de Rieti, visitava-o um médico, todos os dias, para cuidar de seus olhos. 
2 Certo dia, disse o santo aos seus: “Convidai o médico e dai-lhe um ótimo almoço”. 
3 O guardião respondeu: “Pai, digo com rubor que temos vergonha de convidá-lo, porque estamos muito pobres”. 
O santo respondeu dizendo: “Que quereis que eu diga de novo?” 
4 E o médico, que estava presente, disse: “Também eu, irmãos caríssimos, terei como delícias a vossa penúria”. 
5 Os frades correram e puseram na mesa toda a provisão da sua dispensa, isto é, um pouquinho de pão, um pouco de vinho e, para comerem alguma coisa melhor, alguns legumes trazidos da cozinha. 
6 Nesse meio tempo, a mesa do Senhor teve pena da mesa dos servos: bateram à porta e eles foram logo atender. 
7 Era uma mulher que lhes deu uma cesta cheia: um belo pão, peixes e pastéis de camarão, coroados, por cima, com mel e uvas. 
8 Ao ver isso, a mesa dos pobres se alegrou e, deixando os pratos miseráveis para o dia seguinte, comeu logo os mais preciosos. 
9 Suspirando, o médico falou dizendo: “Irmãos, nem vós religiosos nem nós seculares reconhecemos a santidade deste homem”. 
10 Teriam ficado saturados, se não os tivesse satisfeito mais o milagre que a comida. 
11 Pois é assim que o olhar paterno de Deus jamais abandona os seus; pelo contrário, serve-os melhor quanto mais são necessitados.
12 Como Deus é mais generoso que o homem, alimenta-se numa mesa melhor o pobre que o tirano.

 

Como libertou Frei Ricério de uma tentação.

 

44a 
1 Um frade chamado Ricério, tão nobre de coração como de nascimento, tinha tamanha confiança nos merecimentos de São Francisco, que achava que mereceria a graça de Deus aquele a quem São Francisco desse algum sinal de sua benevolência, mas que mereceria a ira de Deus quem não tivesse a sua amizade. 
2 Como tinha uma vontade enorme de merecer a amizade do santo, teve muito medo de que o pai descobrisse nele algum defeito ignorado, fazendo com que seu favor ainda ficasse mais distante. 
3 Por isso, quando frade já estava sendo afligido diária e gravemente por esse temor, sem nunca ter revelado seu pensamento a ninguém, aconteceu de passar por perto da cela em que São Francisco estava rezando. Estava perturbado como de costume. 
4 Percebendo tanto a sua chegada como seu estado de ânimo, o homem de Deus o chamou com bondade e lhe disse: “Não tenhas mais medo, filho, nem te perturbe nenhuma tentação, porque gosto muito de ti, e és mesmo um dos mais queridos, a quem tenho um amor especial. 
5 Aqui podes vir confiadamente quando quiseres, ou ir embora quando te parecer”. 
6 O frade se espantou bastante e ficou contente com as palavras do santo pai. A partir desse dia, seguro de sua amizade, cresceu também na graça do Salvador, conforme acreditara.