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Capítulo VIII (IX) - Algumas tentações que o Senhor permitiu que tivesse.

Texto Original

Capitulum VIII (IX) ‑ De quibusdam tentationibus quas permisit ei Dominus.

Caput 98. Et primo qualiter daemon intravit pulvinar quod habebat sub capite.

 

1 Cum beatus Franciscus, in eremitorio Grecii, maneret ad orationem in cella ultima post cellam majorem, quadam nocte, in primo somno vocavit socium suum qui jacebat prope ipsum. 2 Et surgens, socius ivit ad atrium cellae ubi erat beatus Franciscus, dixitque sanctus ad eum: “Frater, non potui dormire hac nocte, neque stare erectus ad orationem, 3 nam caput et crura tremunt mihi valde, et videtur mihi quod comederim panem de lolio”.
4 Cumque socius loqueretur ei verba compassiva, dixit beatus Franciscus: “Ego vere credo quod diabolus sit in isto pulvinari quod habeo ad caput”. Cum enim nunquam voluisset jacere in pluma, nec habere pulvinar de pluma, postquam exivit de saeculo; 6 tamen contra voluntatem suam coogerunt eum fratres habere tunc illud pulvibar propter infirmitatem oculorum.
7 Projecit ergo ipsum ad socium suum; socius autem, accipiens illud cum manu dextra, posuit ipsum super humerum sinistrum. 8 Et cum exivisset atrium illius cellae, statim perdidit loquelam, et non poterat illud dimittere nec movere brachia; sed stabat sic erectus, non potens se movere de loco illo et nihil sentiens de seipso. 9 Dum autem per aliquod spatium sic stetisset, per Dei gratiam vocavit eum beatus Franciscus, et statim reversus est in se (cfr. Luc 15,17; Act 12,11),dimittens cadere pulvinar post tergum.
10 Reversusque ad beatum Franciscum narravit sibi omnia quae acciderant ei, et ait sanctus: “In sero cum dicebam completorium, sensi diabolum venire ad cellam. 11 Unde video quod nimis est astutus iste diabolus, quia cum non potest nocere animae meae vult impedire necessitatem corporis, 12 ut non possim dormire nec stare erectus ad orationem et ut sic impediat devotionem et laetitiam cordis mei, ac per hoc murmurem de infirmitate mea”.

Texto Traduzido

Capitulum VIII (IX) ‑ De quibusdam tentationibus quas permisit ei Dominus.

Capitulo 98. Primeiramente, como o demônio entrou no traves­seiro que tinha sob a cabeça.

 

Quando o bem-aventurado Francisco estava no eremitério de Grec­cio, em oração na última cela, depois da cela maior, uma noite, no primeiro sono chamou seu companheiro que descansa­va perto dele. 2 Levantando-se, o companheiro foi até a entrada da cela onde estava o bem-aventurado Francisco, e o santo lhe disse: “Irmão, não pude dormir esta noite nem ficar de pé para a oração, porque a cabeça e as pernas me tremem muito e me parece que comi pão de cizânia”.
4 Como o companheiro lhe dirigisse palavras de conforto, o bem-aventurado Francisco disse: “Tenho certeza de que o diabo está neste travesseiro que tenho sob a cabeça”. 5 Desde que saiu do século, jamais quis deitar-se num colchão de penas nem ter um travesseiro de penas, e foi contra sua vontade que os frades o obrigaram a usar um travesseiro por causa da doença dos olhos.
7 Por isso, atirou-o a seu companheiro; pegando-o com a mão direita, o companheiro o pôs sobre o ombro esquerdo. Quando passou a porta da cela, perdeu a fala de repente, e não podia largar o travesseiro nem mover os braços; mas manti­nha-se de pé; sem poder mover-se do lugar e todo insensível. 9 Depois de ter ficado assim por algum tempo, por graça de Deus, o bem-aventurado Francisco o chamou, e logo ele voltou a si (cf. Lc 15,17; At 12,11), deixando cair.o travesseiro por trás das costas.
10 Quando voltou ao bem-aventurado Francisço, contou tudo que havia acontecido, e o santo disse: “À noite, quando eu re­zava as Completas, senti o diabo entrando na cela. 11 Estou vendo que esse diabo é muito astuto, pois, não podendo prejudicar minha alma, quer impedir a necessidade do corpo, 12 para que eu não possa dormir nem ficar em pé para a oração; e assim impeça a devoção e a alegria do meu coração, e eu murmure contra a minha enfermidade”.