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91. O santo fingido

Texto Original

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1 Fuit [frater] quidam honeste et sancte conversationis, qui die noctuque erat sollicitus circa orationem. 
2 Silentium sic observabat continuum quod aliquando cum fratri sacerdoti confiteretur, non verbis sed quibusdam signis confitebatur. 
3 In tantum namque videbatur esse devotus et fervens in dilectione Dei, quod aliquando, cum sederet cum fratribus, licet non loqueretur, tamen cum letabatur interius et exterius, cum audiret aliqua bona verba, ut omnes fratres et alios ipsum videntes attraheret in devotionem Dei: 
4 unde a fratribus et aliis videbatur libenter tamquam sanctus. 
5 Cumque per plures annos in huiusmodi conversatione persisteret, accidit quod beatus Franciscus venit ad locum ubi erat ille, et factum est, dum audiret a fratribus conversationem illius, [quod] dixit fratribus: 
6 “Sciatis in veritate (cfr. Mat 22,16), quoniam diabolica temptatio est et deceptio, quia non vult confiteri”. 
7 Interim generalis minister advenit illuc ad visitandum beatum Franciscum, et cepit commendare illum coram beato Francisco. 
8 Beatus Franciscus dixit ei: “Crede michi, frater, quoniam a maligno spiritu ducitur et decipitur iste frater”. 
9 Cui generalis minister respondit, dicens: “Mirum michi videtur et quasi incredibile, ut in homine, in quo apparent tot signa et opera sanctitatis, possit esse quod dicis”. 
10 Dixit ad eum beatus Franciscus: “Proba ipsum, dicens ut saltem bis vel semel ad minus in hebdomada confiteatur; si autem te non audierit, scias verum esse quod dixi tibi”. 
11 Cumque quadam die loqueretur cum fratre illo minister generalis, dixit ad eum: “Frater, volo penitus quod bis vel semel ad minus in hebdomada confitearis”. 
12 Ille posuit digitum ad os suum, ducens caput, signis ostendens quod nullatenus faceret. 
13 Minister vero, timens illum scandalizare, dimisit eum.
14 Et non post multos dies (cfr. Luc 15,13) egressus est voluntarie de Religione et reversus est ad seculum, portans habitum secularem. 
15 Factum est autem, dum quadam die duo ex sociis beati Francisci ambularent per quandam viam, obviaverunt illi, qui ambulabat solus tamquam pauperrimus peregrinus. 
16 Cui compatientes dixerunt: “O miser, ubi est sancta conversatio et honestas tua? 
17 Nolebas enim te ostendere fratribus tuis et loqui eis, tantum diligebas solitariam vitam; 
18 et modo discurrendo vadis per mundum, tamquam homo ignorans Deum et servos eius”. 
19 Ille autem cepit eis loqui, sepe iurans in sua fide sicut homines seculares. 
20 Et dixerunt ei fratres: “Miser homo, cur in verbis tuis iuras in tua fide sicut homines seculares, qui olim in Religione non tantum a verbis otiosis (cfr. Mat 12,36), sed etiam a bonis silebas?”. 
21 Qui respondit eis: “Non potest esse aliud”. 
22 Et sic dimiserunt illum. Et non post multos dies sic mortuus est. 
23 Et plurimum admirati sunt inde fratres et alii, considerantes sanctitatem beati Francisci predicentis illis casum suum, tempore quo a fratribus et aliis reputabatur sanctus.

Texto Traduzido

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1 Houve um frade de honesto e santo comportamento, que era solícito dia e noite pela oração. 
2 Observava um silêncio tão contínuo que, às vezes, quando se confessava com um irmão sacerdote, confessava-se com alguns sinais e não com palavras. 
3 Pois parecia ser tão devoto e fervoroso no amor de Deus que, às vezes, quando se sentava com os frades, embora não falasse, alegrava-se interior e exteriormente quando ouvia algumas boas palavras, de modo que atraia para a devoção a Deus todos os frades e outros que o viam. 
4 Por isso era visto de boa vontade pelos frades e pelos outros como um santo. 
5 Já tinha persistido por diversos anos nesse comportamento, quando aconteceu que o bem-aventurado Francisco foi ao lugar onde ele estava e, quando ouviu dos frades como é que ele se comportava, disse aos frades: 
6 “Sabei em verdade que isso é uma tentação diabólica e um engano, porque não quer confessar-se”. 
7 Nesse meio tempo ali chegou o ministro geral para visitar o bem-aventurado Francisco , e começou a recomendá-lo diante do bem-aventurado Francisco. 
8 Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Acredita em mim, irmão, porque esse frade é levado pelo espírito maligno e se engana”. 
9 Então o ministro geral respondeu: “A mim parece admirável e como que incrível que possa acontecer o que dizes num homem em que aparecem tão sinais e obras de santidade”. 
10 Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Põe-no à prova, dizendo que tem que se confessar pelo menos duas ou uma vez por semana; se não te ouvir, saberás que é verdade o que eu te digo”. 
11 Quando conversava, um dia, com aquele irmão, o ministro geral disse-lhe: “Irmão, quero absolutamente que duas, ou pelo menos uma vez por semana te confesses”. 
12 Ele pôs um dedo na boca, virando a cabeça, fazendo sinais de que não o faria de nenhum jeito. 
13 Mas o ministro, temendo escandalizá-lo, deixou-o. 
14 Não muitos dias depois, ele saiu voluntariamente da Religião e voltou para o século, usando roupas seculares. 
15 Aconteceu que, certo dia, quando dois dos companheiros do bem-aventurado Francisco andavam pó rum caminho, encontraram-se com ele, que caminhava sozinho, como um paupérrimo peregrino. 
16 Com pena dele, disseram: “Ó coitado, onde estão teu santo comportamento e tua honestidade?. 
17 Não querias mostrar-te a teus irmãos e falar com eles, e amavas a vida solitária; 
18 e agora vais andando por este mundo, como um homem que ignora Deus e seus servos”. 
19 Ele começou a falar-lhes, jurando-lhes muitas vezes em sua fé como as pessoas seculares. 
20 Disseram-lhe os frades: “Pobre homem, por que com tuas palavras juras pela tua fé como as pessoas seculares, tu que, outrora, na Religião, calavas não só as palavras ociosas mas até as boas? 
21 Respondeu-lhes: “Não dá para ser de outro jeito”. 
22 Assim deixaram-no. E não muitos dias depois ele morreu. 
23 E ficaram muito admirados com isso os frades e outros, considerando a santidade do bem-aventurado Francisco que lhes predisse a sua queda, no tempo em que era tido como santo pelos frades e pelos outros.