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70. O saltério do noviço

Texto Original

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1 Similiter quodam tempore fuit quidam frater novitius qui sciebat legere psalterium, sed non bene; et quia libenter legebat, impetravit licentiam habendi psalterium a ministro generali et minister concessit sibi.
2 Sed ille nolebat illud habere, nisi prius haberet inde licentiam a beato Francisco maxime quia audiverat, quod beatus Franciscus nolebat ut fratres sui essent cupidi de scientia et de libris; 
3 sed volebat et fratribus predicabat ut studerent habere et imitari puram et sanctam simplicitatem, orationem sanctam et dominam paupertatem, in quibus hedificaverunt sancti et primi fratres, et hanc credebat esse securiorem viam pro salute anime. 
4 Non ut contemneret et despiceret sanctam scientiam; immo eos qui erant sapientes in Religione, et omnes sapientes nimio venerabatur affectu, quemadmodum ipse testatur in Testamento suo dicens: 
5 “Omnes theologos et qui ministrant verba divina, debemus honorare et venerari tamquam qui ministrant nobis spiritum et vitam (cfr. Ioa 6,64)”. 
6 Sed futura prospiciens cognoscebat per Spiritum Sanctum et etiam multotiens fratribus dixit, quod multi fratres sub occasione hedificandi alios dimittent vocationem suam, videlicet puram et sanctam simplicitatem, orationem sanctam et dominam nostram paupertatem. 
7 Et accidet illis quod unde crediderunt postea magis imbui devotione et accendi ad amorem Dei propter intellectum scripture, inde occasionaliter remanebunt intus frigidi et quasi vacui; 8 et sic ad pristinam vocationem reverti non poterunt, maxime quia amiserunt tempus vivendi secundum vocationem suam;
9 et timeo ne id quod videbantur habere auferatur ab eis (cfr. Mat 25,29), quoniam dimiserunt vocationem suam.

Texto Traduzido

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1 De maneira semelhante, numa ocasião ouve um irmão noviço que sabia ler o saltério, mas não bem; e como gostava de ler, pediu ao ministro geral licença para ter um saltério, e o ministro lhe concedeu. 
2 Mas ele não o queria ter se não recebesse licença para isso do bem-aventurado Francisco, principalmente porque tinha ouvido dizer que o bem-aventurado Francisco não queria que seus frades fossem desejosos de ciência e de livros; 
3 mas queria, e pregava aos frades, que se esforçassem por ter e imitar a pura e santa simplicidade, uma santa oração e a senhora pobreza, sobre as quais construíram os santos e os primeiros frades, e achava que esse era o caminho mais seguro para a salvação da alma. 
4 Não que desprezasse ou olhasse com desagrado a santa ciência; até venerava com o maior afeto os que eram sábios na Religião e todos os sábios, como ele mesmo testemunhou em seu Testamento, dizendo: 
5 “A todos os teólogos e aos que nos administram as palavras divinas devemos honrar e venerar como a quem nos administra o espírito e a vida”. 
6 Mas, olhando para o futuro, conhecia pelo Espírito Santo e disse muitas vezes aos frades que muitos frades, com a desculpa de edificar os outros, abandonarão sua vocação, isto é a pura e santa simplicidade, a santa oração e nossa senhora pobreza. 
7 E acontecerá com eles que, de onde acharam que depois se imbuiriam de devoção e acenderiam para o amor de Deus por causa da compreensão das Escrituras, justamente por isso ficarão interiormente frios e como que vazios. 
8 E assim não poderão voltar à antiga vocação, principalmente porque perderam o tempo de viver segundo a sua vocação. 
9 E temo que não lhes seja tirado o que parecia que possuíam, porque abandonaram sua vocação.