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8. Obtém a igreja da Porciúncula

Texto Original

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1 Videns beatus Franciscus quod numerum fratrum Dominus vellet multiplicare (cfr. Act 6,7), dixit ad eos: “Carissimi fratres et filioli mei, video quod Dominus vult nos multiplicare; 
2 unde michi videtur bonum et religiosum acquirere ab episcopo vel canonicis Sancti Ruphini aut ab abbate monasterii Sancti Benedicti aliquam parvam et pauperculam ecclesiam ubi fratres valeant dicere horas suas, 
3 et solummodo habere iuxta eam aliquam parvam et pauperculam domum ex luto et vigminibus constructam, ubi fratres possint quiescere et operari suas necessitates: 
4 quoniam locus iste non est honestus et hec domus est fratribus ad manendum valde parva, ex quo Domino placet illos multiplicare, et maxime quia non habemus hic ecclesiam ubi fratres dicere possint horas suas, 
5 et si aliquis moreretur, non esset honestum ipsum hic sepeliri nec in ecclesia clericorum secularium”. 
6 Et placuit sermo (cfr. Act 6,5) ceteris fratribus. 
7 Surrexit ergo beatus Franciscus et ivit ad episcopum Assisii et eadem verba que coram fratribus proposuerat, proposuit coram episcopo. 
8 Cui episcopus respondit dicens: “Frater, non habeo aliquam ecclesiam quam vobis dare valeam”. 
9 Ille ivit ad canonicos Sancti Ruphini et similia verba eis dixit; illi vero sicut episcopus responderunt. 
10 Ivit ergo ad monasterium Sancti Benedicti de monte Subasio et coram abbate illa eadem verba, sicut coram episcopo et canonicis, proposuit: insuper qualiter episcopus et canonici sibi responderunt. 
11 Abbas vero pietate motus, habito concilio de hoc cum fratribus suis, et sicut de voluntate Domini (cfr. Act 21,14; Ps 50,20) fuit, concesserunt beato Francisco et fratribus suis ecclesiam Sancte Marie de Portiuncula pro magis paupercula ecclesia quem haberent; 
12 erat et magis paupercula quem aliqua esset in circuitu civitatis Assisii; quod diu desideraverat beatus Franciscus. 
13 Et dixit abbas beato Francisco: “Frater, quod petisti exaudivimus; sed volumus quod si Dominus congregationem vestram multiplicaverit, iste locus sit caput omnium vestrum”. 
14 Et placuit sermo (cfr. Act 6,5) beato Francisco et ceteris fratribus suis. 
15 Et gavisus est inde plurimum beatus Franciscus de loco fratribus concesso et maxime propter nomen ecclesie Matris Christi et quod ita paupercula ecclesia erat et de cognomine quod habebat: 
16 cognominabatur enim de Portiuncula, in quo prefigurabatur quod futura esset mater et caput pauperum Minorum fratrum. 
17 Unde Portiuncula dicta est propter illam contratam ubi constructa est illa ecclesia, que antiquitus Portiuncula est vocata. 
18 Nam dicebat beatus Franciscus: “Propterea voluit Dominus ut nulla alia ecclesia fratribus concederetur et quod de novo aliquam ecclesiam tunc primi fratres non construerent nec haberent nisi illam, quoniam illa fuit quedam prophetia que adimpleta est in adventu Minorum fratrum”. 
19 Et licet esset paupercula et quasi iam destructa per multum tempus, semper homines civitatis Assisii et illius contrate habuerunt in illa ecclesia magnam devotionem et maiorem habent usque hodie. 
20 Unde statim quod iverunt illuc fratres ad manendum, quasi cotidie multiplicabat Dominus eorum numerum (cfr. Act 6,7) et rumor de ipsis et fama exiit per totam vallem Spoletanam. 
21 Antiquitus tamen vocata est Sancta Maria de Angelis et a provincia dicta est Sancta Maria de Portiuncula. 
22 Unde postquam fratres ceperunt reparare illam, dicebant homines et mulieres illius provincie: “Eamus ad Sanctam Mariam de Angelis”. 
23 Et licet abbas et monachi libere concessissent beato Francisco et eius fratribus illam ecclesiam sine datione aliqua et censu annuo, 
24 tamen beatus Franciscus, tamquam bonus et peritus magister qui domum suam voluit edificare super firmam petram (cfr. Mat 7,24) videlicet et congregationem suam super magnam paupertatem, annuatim mittebat ipse fiscenulam plenam pisciculis qui vocantur lasce in signum maioris humilitatis et paupertatis, 
25 ut fratres nullum proprium locum haberent nec in aliquo permanerent qui non esset sub dominio aliquorum, ita quod fratres non habeant potestatem vendendi vel alienandi quoquo modo. 
26 Et cum fratres portabant monachis pisciculos annuatim, ipsi, propter humilitatem beati Francisci, qui ex voluntate sua illud faciebat, dabant sibi et fratribus suis quoddam vas plenum oleo.

Texto Traduzido

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1 Vendo o bem-aventurado Francisco que o Senhor queria multiplicar o número de irmãos, disse-lhes: “”Queridos irmãos e filhinhos meus, vejo que o Senhor quer nos multiplicar; 
2 por isso acho coisa boa e religiosa adquirir do bispo ou dos cônegos de São Rufino, ou do abade do mosteiro de São Bento, alguma igreja pequena e pobrezinha onde os frades possam dizer suas Horas, 
3 e ter, junto dela, só alguma casa pequena e pobrezinha, construída de barro e ramos, onde os frades possam descansar e cuidar de trabalhos conforme as suas necessidades; 
4 porque este lugar não é adequado e esta casa é muito pequena para os frades permanecerem, uma vez que é vontade do Senhor atualiza-los, e principalmente porque não temos aqui uma igreja onde os frades possam dizer suas Horas, 
5 e se alguém morresse não seria adequado sepultá-lo aqui nem numa igreja dos clérigos seculares”. 
6 E essas palavras agradaram aos outros irmãos. 
7 Então o bem-aventurado Francisco levantou-se e foi ao bispo de Assis, e propôs ao bispo as mesmas palavras que tinha proposta aos frades. 
8 O bispo respondeu-lhe: Irmão, não tenho nenhuma igreja que possa dar-te”. 
9 Ele foi aos cônegos de São Rufino e disse palavras semelhantes; mas eles responderam como o bispo. 
10 Então foi ao mosteiro de São Bento do monte Subásio e disse ao abade as mesmas palavras que tinha dito ao bispo e aos cônegos; e também contou como o bispo e os cônegos tinham respondido. 
11 O abade ficou com pena, fez uma reunião sobre o assunto com seus irmãos e, como foi da vontade de Deus, concederam ao bem-aventurado Francisco e aos seus frades a igreja de Santa Maria da Porciúncula, a mais pobre que tinham. 
12 Também era a mais pobrezinha do que qualquer outra que havia nos arredores de Assis; o que fazia tempo que o bem-aventurado Francisco desejava. 
13 Disse o abade ao bem-aventurado Francisco: “Irmãos, nós atendemos o que pediste; mas queremos que, se vossa congregação se multiplicar, este lugar seja a cabeça de todos vós”. 
14 Isso agradou ao bem-aventurado Francisco e a seus irmãos. 
15 O bem-aventurado Francisco ficou muito contente com o lugar concedido aos irmãos e principalmente porque a igreja tinha o nome da Mãe de Cristo, era uma igreja tão pobrezinha, e também pelo apelido que tinha. 
16 Pois era chamada de Porciúncula, nome que prefigurava que devia ser a mãe e cabeça dos pobres frades menores. 
17 Chamava-se Porciúncula por causa da região onde a igreja tinha sido construída, que desde antigamente era conhecida como Porciúncula. 
18 Pois o bem-aventurado Francisco dizia: “O Senhor quis que nenhuma outra igreja fosse concedida aos frades e que primeiros frades não construíssem, então, uma igreja nova nem tivessem outra senão aquela porque isso foi uma certa profecia, que se cumpriu com a vinda dos frades menores”. 
19 E embora fosse pobrezinha e já quase destruída por ter muito tempo, as pessoas de Assis e da região sempre tiveram muita devoção por aquela igreja, e a tem maior ainda até hoje. 
20 Por isso, imediatamente depois que os frades foram para lá para ficar, quase todos os dias o Senhor multiplicava seu número e a notícia e a fama disso espalhou-se do por todo vale de Espoleto. 
21 Antigamente era chamada de Santa Maria dos Anjos, e a província chama-se Santa Maria da Porciúncula. 
22 Por isso, depois que os frades começaram a restaura-la, diziam os homens e mulheres daquela província: “Vamos a Santa Maria dos Anjos”. 
23 E embora o abade e os monges tivessem concedido livremente ao bem-aventurado Francisco e a seus frades aquela igreja sem nenhuma exigência ou pagamento anual, 
24 todavia o bem-aventurado Francisco, como um bom e experimentado mestre que quis edificar sua casa sobre a pedra firme, isto é, a sua congregação sobre a grande pobreza, mandava todos os anos ele mesmo um cestinho cheio de peixinhos chamados lascas como sinal da maior humildade e pobreza, 
25 para que os frades não tivessem nenhum lugar próprio nem permanecessem em algum outro lugar que não estivesse sob o domínio de alguém, de forma que os frades nunca tivessem de modo algum o poder de vender ou alienar. 
26 E quando os frades levavam todos os anos os peixinhos para os monges, eles, por causa da humildade do bem-aventurado Francisco, que fazia aquilo por que queria, davam a ele e a seus irmãos uma vasilha cheia de azeite.