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Sobre o esforço de São Francisco pela oração

Texto Original

De studio orationis sancti Francisci

Caput LXI - De tempore, loco et affectu orantis.

 

94 
1 Corpore peregrinus a Domino (cfr. 2Cor 5,6) vir Dei (cfr. 1Re 2,27) Franciscus praesentem spiritum (cfr. 1Cor 5,3) caelo contendebat inferre, et angelorum civem iam factum solus carnis paries disiungebat. 
2 Tota in Christum suum anima sitiebat (cfr. Ps 62,2), totum illi non solum cordis sed corporis dedicabat. 
3 Orationum eius magnalia, quantum oculis vidimus (cfr. Sir 17,11), prout possibile est humanis auribus (cfr 1Cor 2,9) tradere, imitanda posteris pauca referimus. 
4 Otium sanctum, quo sapientiam cordi (cfr. Sir 45,31) inscriberet, faciebat de tempore toto, ne, si non semper proficeret, deficere videretur. 
5 Si quando visitationes saecularium, seu quaevis negotia ingruebant, praecisis potius quam finitis, ad intima recurrebat. 
6 Insipidus quidem erat mundus caelesti dulcedine pasto, et ad grossa hominum divinae deliciae fecerant delicatum. 
7 Locum semper petebat absconditum (cfr. Mat 6,4), quo Deo suo non solum spiritum sed membra singula coaptaret. 
8 Cum in publico subito afficeretur, visitatus a Domino (cfr. Luc 1,68), ne sine cella foret, de mantello cellulam faciebat. 
9 Nonnumquam mantello carens, ne manna absconditum (cfr. Apoc 2,17) proderet, manica vultum tegebat. 
10 Semper aliquid obiciebat adstantibus, ne sponsi tactum (cfr. Cant 5,4) cognoscerent, ita ut in arcto navis plurimis insertus, oraret invisus. 
11 Denique nihil horum potens, faciebat de pectore templum. 
12 Exsecrationes et gemitus oblivio sui, duros anhelitus et forinsecos nutus absorptio in Deum abstulerant.

 

95 
1 Haec domi. In silvis vero et solitudinibus orans, nemora replebat gemitibus, loca spargebat lacrimis, pectora manu tundebat, ibique quasi occultius secretarium nactus, confabulabatur saepe verbis cum Domino suo. 
2 Ibi respondebat iudici, ibi supplicabat patri, ibi colloquebatur amico, ibi colludebat sponso. 
3 Revera, ut cunctas medullas cordis multipliciter holocaustum (cfr. Ps 65,15) efficeret, multiplicem ante oculos summe simplicem proponebat (cfr. Sap 7,22; Ps 100,3). 
4 Immotis saepe labiis ruminabat (cfr. Cant 7,9) interius, et introrsum extrinseca trahens spiritum subtrahebat in superos. 
5 Omnem sic et intuitum et affectum in unam quam petebat a Domino (cfr. Ps 26,4) dirigebat, totus non tam orans quam oratio factus. 
6 Quanta vero credis suavitate perfundi talibus assuetum? Novit ipse (cfr. Iob 28,23), nam eo potius miror. 
7 Experienti dabitur scire, non conceditur inexpertis. 
8 Sic fervore spiritus bulliens acutus (cfr. Iob 41,22; Sap 7,22), et omnis aspectus et tota prorsus anima liquefacta (cfr. Cant 5,6) iam in caelestis regni (cfr. 2Tim 4,18) summa republica versabatur. 
9 Solitus erat pater beatus nullam visitationem Spiritus cum negligentia praeterire, siquidem cum offerebatur sequebatur eam, et quamdiu Dominus permittebat (cfr. 1Cor 16,7) fruebatur dulcedine sic oblata. 
10 Cum igitur aliquo negotio urgeretur, vel intentus esset itineri, tactus quosdam gratiae sensim persentiens, gustabat interpolatim et frequenter illud manna dulcis-simum. 
11 Nam et in via, sociis praecedentibus, gradum figebat, novamque inspirationem ad frui-tionem convertens, gratiam non recipiebat in vacuum (cfr. 2Cor 6,1).

Texto Traduzido

De studio orationis sancti Francisci

Capítulo 61 - Sobre o tempo, o lugar e o fervor do orante.

 

94 
1 Peregrinando pelo corpo longe do Senhor, Francisco, o homem de Deus, procurava fazer seu espírito estar presente no céu. Já feito concidadão dos anjos, só estava separado deles pela parede do corpo. 
2 Sua alma inteira tinha sede do seu Cristo e a ele dedicava não só o coração mas também todo o corpo. 
3 Das maravilhas de sua oração, vamos contar o pouco que vimos com nossos próprios olhos e tanto quanto é possível transmitir algumas poucas coisas a ouvidos humanos, para imitação dos pósteros. 
4 Empregava todo o seu tempo nessa santa ocupação, para gravar a sabedoria em seu coração porque, se não estivesse sempre progredindo, achava que estava regredindo. 
5 Quando era impedido por visitas de seculares ou por outros assuntos, interrompia-os antes do fim e voltava para o retiro. 
6 Para ele, que se alimentava da doçura celeste, o mundo era insípido. As delícias celestiais tinham-no tornado incapaz de suportar as grosseiros prazeres dos homens. 
7 Procurava sempre um lugar escondido, onde pudesse entregar a seu Deus não só o espírito mas cada um dos membros. 
8 Quando estava em lugares públicos e era visitado de repente pelo Senhor, para não ficar sem cela, fazia um pequeno abrigo com sua própria capa. 
9 Às vezes, quando estava sem capa, para não perder o maná escondido, cobria o rosto com as mangas. 
10 Furtava-se sempre aos olhares dos presentes, para que não se dessem conta da presença do Esposo e para poder rezar sem que o percebessem, mesmo nos estreitos limites dum navio. 
11 Afinal, se não o conseguia fazer nada disso, fazia de seu próprio peito um templo. 
12 O esquecimento de si, absorvido em Deus, lhe tiravam as manifestações e gemidos, os duros suspiros e os movimentos exteriores.

 

95 
1 Isso em casa. Quando rezava em florestas ou lugares ermos, enchia os bosques de gemidos, derramava lágrimas por toda parte, batia com a mão no peito e, achando-se mais oculto que num esconderijo, conversava muitas vezes em voz alta com o seu Senhor. 
2 Respondia ao juiz, fazia pedidos ao pai, conversava com o amigo, entretinha-se com o esposo. 
3 De fato, para fazer um holocausto múltiplo de todas as medulas de seu coração, propunha a seus próprios olhos de muitas maneiras aquele que é sumamente simples. 
4 Muitas vezes ficava ruminando com os lábios parados, e, levando para dentro todo o seu exterior, elevava-se até os céus. 
5 Transformado não só em orante mas na própria oração, unia a atenção e o afeto num único desejo que dirigia ao Senhor. 
6 De que suavidade não era invadido, ele que estava acostumado a orar dessa forma! Só ele é quem sabe. Eu apenas posso admirá-lo. 
7 Só quem tem a experiência disso pode saber; não é concedido aos que não experimentaram: 
8 assim, fervendo agudamente no fervor do espírito, com toda a aparência e absolutamente toda a alma derretida, já morava no reino do céu, na pátria do alto.
9 O bem-aventurado pai se acostumara a não perder por negligência nenhuma visita do Espírito, e por isso, quando lhe era oferecida alguma, seguia-a, saboreando a doçura que lhe era dada enquanto o Senhor o permitia. 
10 Quando era solicitado por outro afazer ou tinha que prestar atenção na viagem, e pressentia sensivelmente algum toque da graça, saboreava aqui e ali, com a maior freqüência, o dulcíssimo maná. 
11 Mesmo na estrada, deixava os companheiros irem à frente, parava e, entregando-se ao gozo da nova inspiração, não deixava passar em vão aquela graça.