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39. Vinde ver um guloso!

Texto Original

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1 Unde quodam tempore, cum aliquantulum convaluisset de quadam maxima infirmitate, consideravit et visum fuit ei quod habuisset aliquantulam pitantiam in illa infirmitate, licet parum comederet, quoniam propter multas et varias et longas infirmitates comedere non poterat. 
2 Exurgens quadam die, cum non esset de febre quartana liberatus, fecit populum Assisii ad predicationem in platea convocari. 
3 Cumque finisset predicationem, precepit illis ut nullus recederet donec ad ipsos reverteretur. 
4 Et intrans in ecclesiam Sancti Ruphini in confessione cum fratre Petro Cathanii, qui primus minister generalis electus fuit ab ipso et cum allis quibusdam fratribus, precepit fratri Petro ut quicquid vellet sibi de se dicere et facere, obediret sibi et non contradiceret ei. 
5 Et ait ei frater Petrus: “Frater, nec possum nec debeo aliud velle nisi quod tibi placet de me et te”. 
6 Et exuens se tunicam beatus Franciscus precepit fratri Petro ut duceret eum cum corda quem habebat in collo nudum coram populo, et alii fratri precepit ut acciperet unam scutellam plenam cinere et ascenderet locum ubi predicaverat et prohiceret et spargeret cinerem illum super caput eius; 
7 sed frater ille ex pietate et compassione, que motus est super ipsum, sibi non obedivit. 
8 Et surgens frater Petrus ducebat illum, sicut illi preceperat, fortiter plangendo et alii fratres cum ipso. 
9 Et factum est dum reversus fuisset ita nudus coram populo ad locum ubi predicaverat, dixit: “Vos creditis me esse sanctum hominem et alii, qui meo exemplo seculum derelinquunt, et intrant Religionem fratrum et vitam. 
10 Sed Deo et vobis confiteor, quoniam in ista mea infirmitate comedi carnem et brodium carnium conditum”. 
11 Et ceperunt fere omnes plangere ex pietate et compassione ipsius, maxime quia tunc erat magnum frigus et tempus hiemale et nondum erat a febre quartana liberatus. 
12 Et percutiebant pectora sua accusantes seipsos et dicentes: “Si iste sanctus de justa et manifesta necessitate cum tanta verecundia corporis se accusat, 
13 cuius vitam novimus, quem propter superfluitatem abstinentie et austeritatem quem habuit ab initio sue conversionis ad Christum contra corpus suum cernimus vivum in carne iam quasi premortua, 
14 quid faciemus et nos miseri qui toto tempore vite nostre viximus et voluimus vivere secundum voluntatem et desideria carnis (cfr. Eph 2,3; Gal 5,16)?”.

Texto Traduzido

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1 Por isso, certa vez, quando tinha sarado um pouco de uma de suas maiores enfermidades, achou e ficou convencido de que tinha comido um pouco de iguaria naquela doença, ainda que comesse pouco, porque por causa das muitas, variadas e longas enfermidades não podia comer. 
2 Levantando-se um dia, como não estava libertado da febre quartã, mandou convocar o povo de Assis na praça para a pregação. 
3 Quando acabou a pregação, mandou-lhes que ninguém se afastasse enquanto ele não voltasse. 
4 Entrou na igreja de São Rufino para se confessar com Frei Pedro Cattani, que foi o primeiro ministro geral escolhido Poe ele, e com alguns outros frades, e ordenou a Frei Pedro em que tudo que ele quisesse dizer e fazer de si mesmo, obedecesse-o e não o contradicesse. 
5 Frei Pedro disse: “Irmão, nem posso nem quero querer outra coisa se não o que te agrada, de mim e de ti”. 
6 Tirando a sua túnica, o bem-aventurado Francisco ordenou a Frei Pedro que o levasse com um corda que tinha no pescoço nu diante do povo, e a outro frade ordenou que pegasse uma tigela cheia de cinza e subisse ao lugar onde tinha pregado e jogasse a cinza espalhando-a sobre a cabeça dele. 
7 Mas o frade não obedeceu, pela piedade e compaixão que se moveram sobre ele. 
8 Frei Pedro levantou-se e o conduziu, como lhe tinha sido mandado, chorando muito; e os outros frades com ele. 
9 E aconteceu que, quando voltou assim despido diante do povo ao lugar onde tinha pregado, disse: “Vós e outros, que por meu exemplo deixam o século e entram na Religião e vida dos frades, credes que eu sou um homem santo, 
10 Mas eu confesso a Deus e vós que, nesta minha enfermidade, comi um caldo temperado com carne”. 
11 Quase todos começaram a chorar de piedade e compaixão por ele, principalmente porque estava fazendo muito frio, era tempo de inverno, e ele ainda não estava curado da febre quartã. 
12 E batiam em seus peitos, dizendo: “Se esse santo se acusa de uma necessidade manifesta com tanta vergonha do corpo, 
13 e conhecemos a vida dele, que vemos vivo na carne com uma carne já meio morta por causa da superfluidade da abstinência e da austeridade que teve contra seu corpo desde o início de sua conversão a Cristo, 
14 que vamos fazer nós, miseráveis, que todo o tempo de nossa vida vivemos e quisemos viver segundo a vontade e os desejos da carne?