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22. À mesa com o leproso

Texto Original

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1 Quodam tempore, dum quadam die reversus fuisset beatus Franciscus apud ecclesiam Sancte Marie de Portiuncula, invenit ibi fratrem Iacobum simplicem cum quodam leproso vulneribus ulcerato, qui eadem die venerat illuc; 
2 cui sanctus pater ipsum leprosum et maxime omnes alios leprosos qui essent valde plagati plurimum recommendaverat: 
3 nam illis diebus manebant fratres in hospitalibus leprosorum; 
4 sed ille frater Iacobus erat quasi medicus illorum qui essent multum plagati, et libenter ipsorum vulnera tangebat, mutabat et curabat. 
5 Dixit beatus Franciscus fratri Iacobo quasi ipsum redarguendo: “Tu non deberes ita ducere fratres christianos, quia non est honestum nec pro te nec pro ipsis”. 
6 Beatus Franciscus vocabat leprosos “fratres christianos”. 
7 Hoc autem dixit sanctus pater, quia licet placeret sibi ut ipsos iuvaret et eis serviret, nolebat tamen ut duceret illos qui essent multum plagati extra hospitale,
8 maxime quia ille frater Iacobus erat valde simplex et sepe ibat ad ecclesiam Sancte Marie cum aliquo leproso, et maxime quia homines consueverunt abhorrere leprosos qui essent multum plagati. 
9 Et hiis dictis, beatus Franciscus statim reprehendit se et dixit inde culpam suam fratri Petro Cathanii, generali ministro qui tunc erat, maxime quia beatus Franciscus credidit de reprehensione fratris Iacobi leprosum verecundari. 
10 Et propter hoc dixit culpam suam, ut Deo et leproso inde satisfaceret. 
11 Et ait beatus Franciscus fratri Petro: “Penitentiam quam volo inde facere, dico tibi ut michi confirmes et penitus michi non contradicas (cfr. Sir 4,30)”. 
12 Dixit ad eum frater Petrus: “Frater, fiat tibi sicut placuerit”. 
13 Nam frater Petrus tantum venerabatur et timebat beatum Franciscum et tantum erat ei obediens, quod non presumebat mutare obedientiam eius, licet tunc et multotiens interius et exterius inde affligeretur. 
14 Dixit beatus Franciscus: “Hec sit penitentia mea, scilicet ut comedam simul in una paropside cum fratre christiano”. 
15 Et factum est, dum sederet beatus Franciscus ad mensam cum leproso et aliis fratribus, apposita est scutella inter ambos. 
16 Nam leprosus erat totus vulneratus et ulceratus, et maxime digitos, cum quibus comedebat, habebat contractos et sanguinolentos, ita ut semper, cum mitteret ipsos in scutellam, deflueret in eam sanguis. 
17 Videns autem hoc frater Petrus et alii fratres contristati sunt valde, sed nichil audebant dicere propter timorem sancti patris. 
18 Qui scri[p]sit hoc, vidit et testimonium perhibuit (cfr. Ioa 19,35; 21,24).

Texto Traduzido

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1 Certa vez, num dia em que o bem-aventurado Francisco tinha voltado para a igreja de Santa Maria da Porciúncula, encontrou aí o simples Frei Tiago com um leproso cheio de feridas, que tinha ido para lá no mesmo dia. 
2 O santo pai tinha recomendado muito a ele aquele leproso e principalmente todos os outros leprosos que estivessem muito chagados. 
3 pois naqueles dias os frades moravam nos hospitais dos leprosos. 
4 Mas esse Frei Tiago era como um médico dos que estavam muito chagados, e de boa vontade tocava suas feridas, trocava-os e cuidava deles. 
5 O bem-aventurado Francisco disse a Frei Tiago, como se o estivesse repreendendo: ”Tu não devias levar assim os irmãos cristãos, porque não é honesto nem para ti nem para eles”. 
6 O bem-aventurado Francisco chamava os leprosos de “irmãos cristãos”. 
7 Mas o santo pai disse isso porque, embora gostasse de que os ajudasse e servisse, não queria que levasse para fora do hospital os muito chagados, 
8 principalmente porque esse Frei Tiago era muito simples e muitas vezes ia à igreja de Santa Maria com algum leproso, e principalmente porque as pessoas costumavam ter asco dos leprosos que fossem muito chagados. 
9 Tendo dito isso, o bem-aventurado Francisco logo se repreendeu e disse sua culpa a Frei Pedro Cattani, que então era o ministro geral, principalmente porque o bem-aventurado Francisco achou que o leproso ficou envergonhado por causa da repreensão de Frei Tiago. 
10 E por isso disse sua culpa, para satisfazer a Deus e ao leproso. 
11 E disse o bem-aventurado Francisco a Frei Pedro: “Eu te digo que confirmes a penitência que quero fazer por isso e não me contradigas”. 
12 Disse-lhe Frei Pedro: “Irmão, faça-se como te agradar”. 
13 Pois Frei Pedro tinha tanta veneração e respeito pelo bem-aventurado Francisco, e lhe era tão obediente, que nem presumia mudar sua obediência, embora nessa e em muitas outras ocasiões ficasse por isso aflito interior e exteriormente. 
14 O bem-aventurado Francisco disse: “Que seja esta a minha penitência: que eu coma no mesmo prato com o irmão cristão”. 
15 E assim se fez: quando o bem-aventurado Francisco sentou-se à mesa com o leproso e os outros frades, foi posta uma escudela entre os dois. 
16 Pois o leproso estava todo machucado e ferido, principalmente tinha os dedos com que comia contraídos e sangrentos de modo que sempre, quando os punha no prato, derramava sangue nele. 
17 Vendo isso, Frei Pedro e os outros frades ficaram muito tristes, mas não tinham coragem de dizer nada, por respeito ao santo pai. 
18 Quem escreveu isto, viu e prestou testemunho.