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11. Uma casa construída pela Comuna

Texto Original

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1 [Quodam tempore, prope capitulum quod tunc debebat fieri, quod et illis temporibus omni anno fiebat apud Sanctam Mariam de Portiuncula, 
2 considerans populus Assisii quod fratres essent gratia Domini iam multiplicati, et cotidie multiplicabantur, 
3 et quod, maxime cum convenirent ibi omnes ad capitulum, non haberent nisi quandam pauperculam et parvam casinam coopertam de palea, et parietes erant constructi ex vigminibus et luto, sicut fratres fecerant primo quando veneram illuc ad manendum, 
4 habito concilio generali, in paucis diebus cum festinatione et magna devotione fecerunt ibi magnam domum ex lapidibus et calce muratam, sine consensu beati Francisci et ipso absente. 
5 Cumque reverteretur beatus Franciscus de quadam provincia et veniret ad capitulum et vidisset illam domum constructam ibi, miratus est inde. 
6 Et considerans quod, occasione illius domus, fratres in locis, [in] quibus morabantur et erant moraturi, hedificarent vel facerent hedificari magnas domos, 
7 et maxime quia volebat quod semper ille locus esset forma et exemplum omnium locorum fratrum, antequam finiretur capitulum, surrexit quadam die et ascendit super tectum (cfr. Luc 5,19) illius domus et precepit fratribus ut ascenderent, 
8 et cepit una cum fratribus proicere in terram lastas ex quibus erat cooperta, volens destruere domum. 
9 Videntes quidam milites Assisii et alii, qui erant ibi pro communitate eiusdem civitatis ad custodiendum illum [locum] pro secularibus et forensibus, qui erant extra locum in maxima quantitate ex omni parte congregati ad videndum capitulum fratrum, quod beatus Franciscus et alii fratres volebant dissipare domum illam, statim iverunt ad ipsos; 
10 qui dixerunt beato Francisco: “[Frater], ista domus est communitatis Assisii, et nos sumus hic pro ipsa communitate; unde dicimus tibi quod non destruas domum nostram”. 
11 Dixit beatus Franciscus: “Ergo si vestra est domus, nolo tangere illam”. 
12 Et statim descendit de ea et alii fratres qui cum ipso erant descenderunt. 
13 Quapropter populus civitatis Assisii per longum tempus omni anno constituit ut, quicumque esset illorum potestas teneretur, ipsam facere cooperiri et reparari, si esset necesse.

Texto Traduzido

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1 Certa ocasião, perto do capítulo que estava para ser realizado, e que naquele tempo se fazia todos os anos em Santa Maria da Porciúncula, 
2 considerando o povo de Assis que os frades eram uma graça do Senhor, já multiplicados e multiplicando-se todos os dias, 
3 e que, principalmente quando todos se reuniam ali para o capítulo, não tinham senão uma pobrezinha e pequena cabana coberta de palha, com paredes feitas de galhos e barro, como os frades tinham feito no começo, quando foram para lá para ficar, 
4 fizeram uma reunião geral e, em poucos dias, com pressa e grande devoção, construíram lá uma casa grande com paredes de pedra e cal, sem o consentimento do bem-aventurado Francisco, que estava fora. 
5 Quando o bem-aventurado Francisco voltou de uma província e veio para o capítulo, viu aquela casa construída ali e ficou muito admirado com isso. 
6 E pensando que, por causa daquela casa, os frades iam edificar ou fazer edificar grandes casas nos lugares onde moravam ou haveriam de morar, 
7 e principalmente porque queria que aquele lugar fosse a forma e o exemplo de todos os lugares dos frades, antes do fim do capítulo, levantou-se um dia e subiu ao telhado da casa mandando que os frades subissem, 
8 e, com os frades, começou a jogar no chão as telhas com que estava coberta, querendo destruir a casa. 
9 Quando viram isso, alguns soldados de Assis e outros que ali estavam por ordem da comuna da cidade para proteger o lugar para os seculares e forasteiros que tinham vindo de todas as partes para ver o capítulo dos frades, que o bem-aventurado Francisco e os outros frades queriam destruir a casa, foram logo a eles; 
10 e disseram ao bem-aventurado Francisco: “Irmão, esta casa é da comuna de Assis e nós somos seus representantes; por isso te dizemos que não destruas nossa casa”. 
11 O bem-aventurado Francisco disse: - “Então, se a casa é vossa, não quero tocá-la”. 
12 E desceu logo dela, e os outros frades que estavam com ele também desceram. 
13 Por isso, o povo da cidade de Assis resolveu, durante muito tempo, que quem fosse o seu “podestá” teria que cobri-la e restaurar, se fosse necessário.