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Capítulo LIX

Texto Original

Caput LIX

Quomodo b. Virgo apparuit cuidam fr. infirmo in loco Suffiani.

 

1 In Marchia de Anchona, in quodam deserto loco qui dicitur Suffianum, fuit antiquitus quidam fr. Minor, cuius nominis non recordor, tam mirande sanctitatis et gratie, ut totus videretur divinus, et sepe rapiebatur ad Deum. 2 Hic cum aliquando staret totus absorptus et elevatus in Deum, eo quod gratiam haberet contemplationis notabilis, veniebant diversi generis aves et super caput eius et spatulas et super manus et brachia familiarissime residebant et ibi cantus mirabiles faciebant.
3 Hic, quando a sua contemplatione rediebat, veniebat cum tanta letitia mentis quod homo vel potius angelus alterius seculi videbatur, quia tunc facies eius ex divino allocutionis consortio mirabiliter resplendebat, ita quod admirationem et stuporem aspicientibus ingerebat. Hic semper solitarius manens, rarissime loquebatur; quando vero interrogabatur de aliquo, respondebat sicut si esset angelus Domini; et erat gratiosus omnibus, et sermo eius semper erat divino sale conditus. Hic vero neque diebus neque noctibus ab oratione divina et contemplatione cessabat, nec a meditationibus luminis sempiterni, scilicet Cristi, invictum animum relaxabat. 5 Unde fratres, propter divinam gratiam que in ipso fulgebat, quasi alterum Moysen carissimo venerabantur affectu. Et in tam laudabili studio cursum virtuose ac celestis vite consummans et ardenter in Deo perseverans, venit ad finem.
6 Et dum infirmatus esset ad mortem, ita quod nichil capere poterat et ipse nullam carnalem medicinam requireret, sed confidens in solo Ihesu Cristo benedicto, pane: scilicet vivifico, qui de celo descendit (cfr. Ioa 6,33) et cuncta solo sermone restaurat, meruit per divinam clementiam a beatissima virgine Maria mirabiliter consolari.
7 Unde cum die quadam, solus iacens, ad mortem se totis viribus prepararet, ecce gloriosa domina, beatissima Mater Cristi, apparuit sibi cum magna multitudine angelorum et sanctarum virginum, ac mirabili claritate accedens ad lectum infirmantis. Quam cum ille cerneret, consolatus et exilaratus mente et corpore, rogabat reginam misericordie, ut apud Filium suum impetraret quod ipsum ipsius Matris meritis de ergastulo tenebrose carnis educeret. Et dum hoc multis lacrimis postularet, respondit b. Virgo, vocans eum ex nomine et dicens: “Noli timere, fili (cfr. Tob 4,23)quoniam exaudita est oratio tua (cfr. Act 10,31)Vidi enim lacrimas tuas; sed veni ad te, ut aliquantulum conforteris antequam recedas”.
9 Veniebant autem cum beatissima Virgine tres sancte virgines, tres pixides electuarii in manibus deferentes tam miri odoris et suavitatis quod non posset verbis faciliter explicari. 10 Et accipiens b. Virgo unam de illis pixidibus, statim quod aperuit omnia implevit odore. Accipiensque coclear in suis manibus gloriosis, de celesti electuario primo unum obolum porrexit infirmo. 11 Quem cum ille gustasset, tantam gratiam et dulcedinem sentiebat, quod non videbatur sibi quod anima posset stare in corpore; et dicebat b. Virgini: “Non plus, o suavissima mater et domina benedicta; non plus, o medica benedicta et salvatrix humani generis; non plus, quoniam amplius tantam suavitatem sustinere non valeo!”.
12 Illa vero piissima mater et benignissima consolatrix, infirmum exhortans et frequentius de illo electuario porrigens, totam primam pixidem evacuavit. 13 Et evacuata pixide prima vel bussula, accepit b. Virgo secundam. Quod cum infirmus cerneret, ait: “O beatissima Dei Mater, si anima mea quasi totaliquefacta est (cfr. Cant 5,6) ad odorem et suavitatem electuarii primi, quomodo potero sustinere secundum? Rogo te, benedicta super omnes sanctos et angelos, quod michi amplius nolitis exibere!”. Cui respondit mater et virgo beata: “Modicum, fili, de isto secundo degusta”.
14 Et accipiens dedit aliquantulum de secundo, Amodo tantum habes quod sufficere tibi potest. Confortare, fili, quia cito veniam et ducam te ad Filii mei regnum, ad quod semper anhelasti et quod semper optasti”.
15 Et valefaciens ei, ab oculis elapsa est. Ipse autem remansit in tanta dulcedine spiritus propter confectionem illam de apoteca paradisi adductam et manibus beatissime Marie virginis ministratam, quod totus fuit illuminatus interius et oculi mentis eius tanta serenitate divine lucis aperti sunt, quod clare vidit in libro eterne vite (cfr. Phip 4,3; Apo 13,8) omnes qui debebant salvari usque ad diem iudicii; et tanta fuit illius dulcedinis electuarii satietate refectus, — erat enim non terrenum sed celicum medicamen — quod per plures dies sine cibo corporis extitit vigoratus. 16 Et in ultima die vite sue cum fratribus loquens et gaudens, cum magna letitia mentis et corporis iubilo migravit ad Dominum.
Ad laudem et gloriam D.n. Ihesu Cristi. Amen.

Texto Traduzido

Caput LIX

Como a B. Virgem apareceu a um irmão enfermo no lugar de Soffiano.

 

1 Na Marca de Ancona, num lugar deserto chamado Soffiano, houve antigamente um frade menor de cujo nome não me recordo, de tão admirável santidade e graça que pa­recia todo divino; e muitas vezes era arrebatado em Deus. 2 Uma vez em que ele estava todo absorto e elevado em Deus, pois tinha a graça de notável contemplação, vinham aves de diversas espécies e pousavam-lhe familiarmente sobre a ca­beça, ombros, mãos e braços, entoando cantos maravilhosos.
3 Quando voltava de sua contemplação, ele vinha com tanta alegria da mente que parecia um homem, ou melhor, um anjo de outro mundo, porque então sua face resplandecia maravilhosamente por participar da conversa divina, de modo que causava admiração e espanto nos que o viam. Ele, permanecendo sempre solitário, falava muito raramente; quando era interrogado sobre algo, respondia como se fosse um anjo do Senhor; e era simpático para com todos, e sua palavra era sempre temperada com o sal divino. E nem de dia nem de noite cessava a oração di­vina e a contemplação, nem relaxava o ânimo invicto das medita­ções da luz sempiterna, a saber, de Cristo. 5 Por isso, os frades, por causa da graça divina que nele refulgia, veneravam-no com cari­nhoso afeto como a outro Moisés. E, consumando em tão louvá­vel esforço o curso de uma vida virtuosa e celeste e perseverando ardentemente em Deus, chegou ao fim.
6 Quando estava doente para morrer, de modo que não podia tomar nada nem exigia nenhum remédio do mundo, pois só confiava em Jesus Cristo bendito: o pão vivo que desceu do céu (cf. Jo 6,33) e que só com a palavra restaura tudo, ele mereceu por divina clemência ser consolado admiravelmente pela beatíssima Virgem Maria.
7 Por isso, certo dia, deitado sozinho, preparando-se com todas as forças para a morte, eis que a gloriosa Senhora, a beatíssima Mãe de Cristo, lhe apareceu com grande multidão de anjos e santas virgens, aproximando-se com admirável claridade do leito do enfermo. 8 Ao vê-Ia, consolado e alegre no espírito e no corpo, ele pedia à rainha de misericórdia que impetrasse junto a seu Filho que o tirasse, pelos méritos da própria Mãe, da prisão da carne tenebrosa. E enquanto pedia isto com muitas lágrimas, respondeu-lhe a Bem-aventurada Virgem, chamando-o pelo nome e dizendo: “Não temas, filho (cf. Tb 4,23), porque tua ora­ção foi atendida (cf. At 10,31). Pois vi tuas lágrimas; mas vim a ti para que te confortes um pouquinho, antes de partires”.
9 E vinham com a beatíssima Virgem três santas virgens que traziam nas mãos três píxides de eletuário de tão admirável odor e suavidade que não daria para explicar facilmente com palavras. 10 E tomando a Bem-aventurada Virgem uma daquelas píxides, logo que a abriu, encheu tudo de odor. E, tomando uma co­lher em suas mãos gloriosas, ofereceu ao enfermo uma pequena quantidade do primeiro eletuário celeste. 11 Quando ele o saboreou, sentia tanta graça e doçura que não lhe parecia que a alma pudesse estar no corpo; e dizia à Bem-aventurada Virgem: “Basta, ó suavíssima Mãe e Senhora bendita; basta, ó médica bendita e salvadora do gênero humano; não mais, porque não posso suportar mais tanta suavidade”.
12 E aquela piedosíssima Mãe e benigníssima consoladora, exor­tando o enfermo e oferecendo-lhe mais vezes daquele eletuário, esvaziou toda a primeira píxide. 13 E, tendo esvaziado a primeira píxide ou pote, a Bem-aventurada Virgem tomou a segunda. Ao percebê-lo, o doente disse: “Ó beatíssima Mãe de Deus, se mi­nha alma derreteu (cf. Ct 5,6) quase totalmente só com o perfume e a sua­vidade do primeiro eletuário, como poderei suportar o segundo? Rogo-vos, ó bendita acima de todos os santos e anjos, que não me ofereçais mais!” Respondeu-lhe a Mãe e bem-aventurada Vir­gem: “Filho, prova um pouco deste segundo”.
14 E, tomando, deu um pouquinho do segundo, dizendo: “Já tens quanto te pode ser suficiente. Conforta-te, filho, porque depressa virei e te conduzirei ao reino de meu Filho, pelo qual sem­pre anelaste, sempre desejaste”.
15 E, despedindo-se dele, desapare­ceu-lhe dos olhos. E ele ficou em tanta doçura de espírito por cau­sa daquela confecção trazida da farmácia do paraíso e ministra­da pelas mãos da beatíssima Virgem Maria que ficou todo ilumi­nado interiormente, e os olhos de seu espírito se abriram com tan­ta serenidade da divina luz que viu claramente no livro da vida (cf. Fl 4,3; Ap 13,8) eterna todos os que deveriam salvar-se até ao dia do juízo; e foi refeito com tanta saciedade por aquele eletuário de doçura — pois não era um medicamento terrestre, mas celeste­ — que por muitos dias permaneceu revigorado sem o alimento do corpo. 16 E no último dia de sua vida, falando e alegrando-se com os irmãos, com grande alegria do espírito e júbilo do corpo, mi­grou para o Senhor.
Para o louvor e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.