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17. Últimas vontades

Texto Original

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1 In illis autem diebus et in eadem cella ubi beatus Franciscus hec verba dixerat domino Bonaventure, quodam sero, cum propter infirmitatem stomachi evomere vellet, accidit ei, ut magna vi quam sibi fecit in evomendo, evomeret sanguinem, et sic per totam noctem usque in hora matutinali sanguinem evomuit. 
2 Cumque socii cernerent ipsum pre debilitate et dolore infirmitatis quasi iam mori, cum multo dolore et lacrimarum effusione dixerunt ad illum: 
3 “Pater, quid faciemus? Benedicas nobis et ceteris fratribus tuis. 
4 Insuper relinque fratribus tuis aliquod memoriale tue voluntatis ut, si Dominus de hoc seculo te voluerit evocare, semper fratres tui dicere valeant et in memoria habeant: Pater noster hec verba reliquit filiis et fratribus suis in morte sua”. 5 Ille autem dixit eis: “Vocate michi fratrem Benedictum de Piratro”. 
6 Erat ille frater sacerdos, discretus, sanctus et antiquus in Religione, qui aliquando in cella illa celebrabat beato Francisco; quoniam, licet esset infirmus, semper, cum poterat, libenter et devote missam audire volebat. 
7 Cumque ille venisset ad ipsum, ait illi beatus Franciscus: “Scribe qualiter benedico cunctis fratribus meis, qui sunt in Religione et qui venturi erunt usque ad finem seculi”. 
8 Nam mos erat beati Francisci ut semper in capitulis fratrum, cum fratres insimul convenirent, in fine capituli benediceret et absolveret omnes fratres presentes et alios qui erant in Religione, et benedicebat etiam omnibus qui venturi erant ad Religionem istam; 
9 et non tantum in capitulis sed etiam multotiens benedicebat fratribus omnibus qui erant in Religione et qui venturi erant. 
10 Et ait illi beatus Franciscus: “Quoniam propter debilitatem et dolorem infirmitatis loqui non valeo, breviter in istis tribus verbis patefacio fratribus meis voluntatem meam, 
11 videlicet: ut in signum memorie mee benedictionis et mei testamenti semper diligant se ad invicem, 
12 semper diligant et observent dominam nostram sanctam paupertatem, 
13 et ut semper prelatis et omnibus clericis sancte matris Ecclesie fideles et subiecti existant”. 
14 Monebat autem ut timerent et caverent sibi fratres a malo exemplo; 
15 maledicebat omnes insuper, qui pravis et malis exemplis suis provocarent homines ad blasphemandum Religionem et vitam fratrum et sanctos et bonos fratres, qui inde verecundantur et affliguntur.

Texto Traduzido

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1 Naqueles dias e na mesma cela em que o bem-aventurado Francisco tinha dito essas palavras ao senhor Boaventura, uma tarde, como quisesse vomitar por causa do mal do estômago, aconteceu-lhe que, tendo feito muita força, vomitasse sangue, e assim ficou vomitando sangue durante toda a noite e até o amanhecer. 
2 Quando os companheiros viram que ele estava quase morrendo por causa da fraqueza e da dor da doença, disseram-lhe com muita dor e derramando muitas lágrimas: 
3 “Pai, que vamos fazer? Abençoa a nós e aos teus outros irmãos. 
4 Além disso, deixa aos teus frades alguma lembrança da tua vontade, para que, se o Senhor quiser chamar-te deste século, os teus frades sempre possam dizer e ter na memória: Nossa pai deixou estas palavras para seus filhos e frades em sua morte”. 
5 Mas ele lhes disse: “Chamai-me Frei Bento de Piratro”. 
6 Esse frade era um sacerdote, discreto, santo e antigo na Religião, que de vez em quando celebrava na cela do bem-aventurado Francisco; porque, embora estivesse doente, sempre que podia queria ouvir a missa de boa vontade e devotamente. 
7 Quando o frade chegou perto dele, disse-lhe o bem-aventurado Francisco: “Escreve como eu abençôo todos os meus frades, os que estão na Religião e os que virão até o fim do século”. 
8 Pois era costume de Francisco que, sempre, nos capítulos dos frades, com os frades se reuniam, abençoar e absolver, no fim do capítulo, todos os frades presentes e os outros que estavam na Religião, e abençoava também todos os que deveriam vir a esta Religião; 
9 e não só nos capítulos mas também muitas outras vezes abençoava todos os frades que estavam na Religião e que haveriam de vir. 
10 E o bem-aventurado Francisco lhe disse: “Como por causa da fraqueza e da dor da doença não consigo falar, manifesto brevemente nestas três palavras, a minha vontade para os meus frades, 
11 isto é: que em sinal da lembrança de minha bênção e de meu testamento, sempre amem uns aos outros, 
12 sempre amem e observem nossa senhora, a santa pobreza, 
13 e que sempre permaneçam fiéis e submissos aos prelados e a todos os clérigos da santa mãe igreja”. 
14 Também aconselhava os frades a temerem e se cuidarem do mau exemplo; 
15 além disso amaldiçoava a todos que, que por desordenados e maus exemplos, provocassem as pessoas a blasfemar a Religião e a vida dos frades e os frades bons e santos, que por isso se envergonhavam e afligiam.