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84. Irmã cigarra

Texto Original

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1 Quodam tempore in estate, cum esset beatus Franciscus apud eundem locum et maneret in cella ultima iuxta sepem orti retro post domum, ubi post mortem eius manebat frater Rainerius ortolanus, 
2 accidit ut quadam die, cum descendisset de illa cellula, cicada erat in ramo arboris fici, que erat iuxta eandem cellam, ita quod poterat ipsam tangere. 
3 Unde, porrigens sibi manum, dixit ad eam: “Veni ad me, soror cicada”. 
4 Et statim ascendit in digitis manus eius, et cum digito alterius manus cepit tangere cicadam, dicens sibi: “Canta, soror mea cicada”. 
5 Et statim obedivit ei et cepit canere, et multum inde consolabatur beatus Franciscus et laudabat Deum. 6 Et sic per magnam horam tenuit ipsam ita in manu; postea reposuit ipsam in ramo fici, unde ipsam abstulerat. 7 Et sic usque ad continuos .VIII. dies, cum descenderet de cella, inveniebat ipsam in eodem loco et cotidie accipiebat ipsam in manu, et statim, cum dicebat ei ut caneret, tangendo ipsam, canebat. 
8 Post dies octo dixit sociis suis: “Demus licentiam sorori cicade, ut recedat quo voluerit; satis enim nos consolata est; nam caro posset inde trahere vanam gloriam”. 
9 Et, data sibi licentia, statim, recessit et amplius ibi non apparuit. 
10 Et mirati sunt inde socii eius quod ita obediret ei et sic esset mansueta sibi. 
11 Nam beatus Franciscus in tantum letabatur in creaturis propter amorem Creatoris, quod Dominus, pro consolatione utriusque hominis sui, que sunt hominibus silvestres, sibi mansuetas faciebat.

Texto Traduzido

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1 Certa ocasião, no verão, quando o bem-aventurado Francisco estava no mesmo lugar e ficava na última cela perto da cerca da horta, atrás da casa, onde depois de sua morte ficou Frei Rainério, hortelão, 
2 aconteceu que certo dia, quando descia daquela cela, havia uma cigarra no ramo de uma figueira, que estava junto da cela, de modo que podia tocá-la. 
3 Por isso, estendendo-lhe a mão, disse-lhe: “Vem comigo, irmã cigarra”. 
4 Na mesma hora ela subiu nos dedos de sua mão, e ele começou a tocá-la com um dedo da outra mão, dizendo-lhe; “Canta, minha irmã cigarra”. 
5 Ela obedeceu imediatamente e começou a cantar, e o bem-aventurado Francisco ficava muito consolado por isso e louvava a Deus. 
6 E assim por uma boa hora segurou-a em sua mão; depois recolocou-a no ramo da figueira, de onde a tirara. 
7 e assim por oito dias contínuos, quando descia da cela encontrava-a no mesmo lugar e todos os dias tomava-a na mão e, assim que dia para ela cantar, tocando-a, ela cantava. 
8 Depois de oito dias, disse a seus companheiros: “Vamos dar licença a nossa irmã cigarra que vá para onde quiser; pois já nos consolou bastante; e a carne poderia sentir vanglória por causa disso”. 
9 E quando lhe deu licença, ela foi logo embora e não apareceu mais. 
10 E os companheiros ficaram admirados com isso, porque ela assim lhe obedeceu e foi mansa com ele. 
11 Pois o bem-aventurado Francisco se alegrava tanto com as criaturas por amor do Criador, que o Senhor, para consolação de seu exterior e de seu interior fez-se com que fossem mansas para eles as criaturas que são selvagens para os homens.