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Capítulo XLIII

Texto Original

Caput XLIII

De mirabili revelatione facta in cordibus s. fr. Egi­dii et s. Ludovici, regis Francie.

 

1 Cum s. Ludovicus, rex Francie, decrevisset per sanctuaria peregrinari septennio, audissetque fama veridica fr. Egidii mirabilem sanctitatem, posuit in corde suo ipsum omnimode visitare. 2 Unde in ipsa sua peregrinatione divertit Perusium, ubi audierat fr. Egidium commorari; et veniens ad portam fratrum, sicut peregrinus pauperculus et ignotus, paucis comitibus sociatus, requisivit instanter fr. Egidium, nichil portario de sua conditione revelans. 
3 Portarius vero ivit ad fr. Egidium, dicens quod quidam peregrinus, ipsum requirebat ad portam. Statim vero fr. Egidius vidit in spiritu quod ille erat rex Francie. 4 Et quasi ebrius de cella egrediens, cursu velocissimo ad portam accedens, ruerunt ambo in amplexus mirabiles et oscula devotissima, genuflexi, ac si amicitia antiquissima se antea cognovissent. 5 Et hius signis caritativi amoris ostensis, nullum verbum alterius ad alterum proferendo, sed omni modo silentio servato, ab invicem discesserunt.
6 Cum vero rex recederet, unus de sociis eius, perquisitus a fratribus quis ille esset qui cum fr. Egidio ruisset in tam caritativos amplexus, respondit quod erat Ludovicus, rex Francie, qui in peregrinatione pergendo voluit videre fr. Egidium. Et hiis dictis, ipse et socii regis velocissime recesserunt.
Fratres autem, dolentes quod fr. Egidius nullum verbum bonum dixerat dicto regi, dicebant multipliciter conquerendo: “O fr. Egidi, et quare tanto regi, qui venit de Francia videre te et audire a te aliquod verbum bonum, nichil ei dicere voluisti?”.
8 Respondit fr. Egidius: “Carissimi fratres, non miremini si nec ipse michi nec ego illi aliquid voluimus dicere; quia, statim quod amplexati nos fuimus, lux divine sapientie revelavit michi cor suum et sibi cor meum. 9 Et in speculo illo eterno constituti, quicquid ille cogitaverat michi dicere, vel ego sibi volueram, absque strepitu labiorum vel lingue, cum plana consolatione audivimus, melius quam si labiis loqueremur. 10 Et si voluissemus ea que intus sentiebamus vocalis soni ministerio explicare, propter defectum lingue humane, que non potest nisi cum enigmate figurarum divina explicare secreta, potius ad desolationem utriusque quam ad consolationem fuisset ipsa locutio. Et propterea sciatis quod ipse rex recessit mirabiliter consolatus”.
Ad laudem et gloriam D.n. Ihesu Cristi, qui est benedictus in secula. Amen (cfr. Rom 1,25).

Texto Traduzido

Caput XLIII

Sobre a admirável revelação feita nos corações do santo Frei Egídio e de São Luís, rei de França.

 

1 Como São Luís, rei da França, tinha resolvido peregrinar durante sete anos pelos santuários e ouviu falar da verdadeira fama da admirável santidade de Frei Egídio, resolveu que haveria de visitá-lo de qualquer jeito. 2 Por isso, em sua peregrinação, desviou-se para Perusa, onde ouvira dizer que Frei Egídio morava. Quando chegou à porta dos frades, como um peregrino pobrezinho e desconhecido, com poucos companheiros, pediu insistentemente por Frei Egídio, sem revelar nada ao porteiro sobre a sua condição.
3 O porteiro foi a Frei Egídio, dizendo que um peregrino chamava-o na porta. Frei Egidio viu imediatamente em espírito que aquele era o rei da França. 4 Saiu da cela como um ébrio, correu bem depressa para a porta. Os dois caíram em admiráveis abraços e devotos beijos, ajoelhados, como se já se conhecessem por uma amizade bem antiga. 5 Tendo demonstrado esses sinais de um caridoso amor, sem que nenhum proferisse uma palavra sequer ao outro, afastaram-se mantendo o maior silêncio.
Quando o rei foi embora, um de seus companheiros, interrogado pelos frades sobre quem era aquele que caíra em tão caridosos abraços com Frei Egídio, respondeu que era Luís, rei da França, que fazendo uma peregrinação, quis ver Frei Egídio. Dizendo isso, ele e os companheiros do rei foram embora bem velozmente.
Os frades, sentidos porque Frei Egídio não tinha dito nenhuma boa palavra ao rei, queixando-se de muitas formas, diziam: “Ó Frei Egídio, por que não quiseste dizer nada a um rei tão importante, que veio da França para te ver e ouvir de ti alguma boa palavra?”.
8 Frei Egídio respondeu: “Queridos irmãos, não vos admireis porque nem ele nem eu quisemos dizer alguma coisa um para o outro. Porque, assim que nos abraçamos, a luz da sabedoria divina revelou a mim o coração dele, e a ele o meu. Colocados nesse espelho, tudo que ele tinha pensado em me dizer e eu queria dizer a ele nós ouvimos com plena consolação, sem nenhum ruídos dos lábios ou da língua, melhor do que se tivéssemos falado com os lábios. 10 E se quiséssemos explicar o que sentíamos interiormente usando o som vocal, a fala talvez tivesse servido mais para a desolação do que para a consolação dos dois, pela deficiência da língua humana, que não consegue explicar os segredos divinos a não ser com o enigma das figuras. Por isso, ficai sabendo que o rei saiu admiravelmente consolado”.
Para o louvor e glória de nosso Senhor Jesus Cristo, que é bendito nos séculos. Amém. (cfr. Rm 1,25).