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Capítulo IX (X) - O espírito de profecia.

Texto Original

Capitulum IX (X) - De spiritu prophetiae.

Caput 101. Et primo qualiter praedixit pacem fiendam inter episcopum et potestatem Assisii virtute laudis quam fecerat de creaturis, quam fecit cantari a sociis suis coram illis.

 

1 Postquam beatus Franciscus composuerat laudes praedictas de creaturis, quas vocaverat Canticum fratris solis, accidit ut inter episcopum et potestatem civitatis Assisii magna discordia oriretur; 2 ita quod episcopus excommunicavit potestatem, et potestas fecit praeconizari ut nullus venderet sibi aliquid aut emeret aliquid ab eo, aut contractum aliquem faceret cum ipso.
3 Beatus Franciscus cum esset ita infirmus et audisset hoc, pietate motus est super eos, maxime quia nullus intromittebat se de pace facienda. 4 Et ait sociis suis: “Magna verecundia est nobis, servis Dei, quod episcopus et potestas ita se invicem odiunt; et nullus de illorum pace se intromittit!”. 5 Et sic fecit statim unum versum in laudibus supradictis occasione illa, et ait: 6 Laudato sij meo signore per quilli che perdona per lo to amore e sosten infirmitate e tribulatione / Beati aquilli che le sostenen in pace / Ke de ti altissimo serranno coronati.
7 Postea vocavit unum de sociis suis, et ait illi: “Vade ad potestatem, et ex parte mea dic ei ut ipse cum magnatibus civitatis et aliis quos secum ducere potest veniat ad episcopatum”.
Et illo fratre eunte, dixit aliis duobus sociis suis: “Ite, et coram episcopo et potestate et allis qui sunt cum eis cantate Canticum fratris solis. 9 Et confido in Domino (cfr. Ps 10,2) quod ipse statim humiliabit corda ipsorum et ad pristinam dilectionem et amicitiam revertentur”.
10 Congregatis ergo omnibus in platea claustri episcopatus, surrexerunt illi duo fratres; et dixit unus illorum: “Beatus Franciscus in sua infirmitate fecit laudes Domini de suis creaturis, ad laudem ipsius Domini et ad aedificationem proximi. 11 Unde ipse rogat vos ut eas audiatis cum magna devotione”. Et sic inceperunt eas dicere et cantare.
12 Potestas autem statim surrexit et, junctis brachiis et manibus, ipsas tanquam evangelium Domini cum maxima devotione et etiam cum multis lacrimis intente audivit; habebat enim magnam fidem et devotionem in beato Francisco.
13 Finitis laudibus Domini, dixit potestas coram omnibus: “In veritate dico vobis quod non solum domino episcopo, quem volo et debeo habere pro domino meo, sed si quis interfecisset germanum meum aut filium meum indulgerem sibi”. 14 Et sic dicens, projecit se ad pedes (cfr. Mat 15,30) episcopi, et ait illi: “Ecce paratus sum per omnia satisfacere vobis, sicut vobis placuerit, amore Domini nostri Jesu Christi et ejus servi beati Francisci”. 15 Episcopus autem, accipiens ipsum cum manibus surrexit et dixit ei: “Ex officio meo conveniret me esse humilem, sed quia naturaliter ad iracundiam sum promptus, oportet quod mihi indulgeas”. 16 Et sic cum multa benignitate et dilectione amplexati et osculati sunt se ad invicem.
17 Stupefacti vero et laetati sunt fratres videntes sic ad litteram esse impletum quod beatus Franciscus praedixerat de illorum concordia. 18 Et omnes alii qui aderant habuerunt hoc pro maximo miraculo, totum meritis beati Francisci ascribentes, quod ita subito visitavit illos Dominus et de tanta discordia et scandalo, sine recordatione alicujus verbi, ad tantam concordiam redierunt.
19 Nos autem, qui cum beato Francisco fuimus (cfr. 2Pet 1,18), testimonium perhibemus (cfr. Ioa 21,24) quod cum diceret de aliquo sic est vel sic erit: semper ad litteram sic fiebat. 20 Et nos tot et tanta vidimus quod longum esset ea scribere vel narrare.

Texto Traduzido

Capitulum IX (X) - De spiritu prophetiae.

Capítulo 101. Primeiramente, como predisse que se faria paz entre o bispo e o podestà de Assis, em virtude dos Louvores das Criaturas, que fizera e que mandou cantar perante eles por seus companheiros.

 

1 Depois que o bem-aventurado Francisco compôs os louvores das criaturas, que chamou de Cântico de Frei Sol, surgiu uma grande discórdia entre o bispo e o podestà da cidade de Assis; de modo que o bispo excomungou o podestà, e o podes­tà mandou proclamar que ninguém devia vender ou comprar algo do bispo ou fazer com ele qualquer contrato.
Tão doente e ouvindo isso, o bem-aventurado Francisco teve piedade deles, sobretudo porque ninguém aparecia para fazer as pazes. 4 Disse a seus companheiros: “É uma grande vergonha para nós, servos de Deus, que o bis­po e o podestà assim se odeiem mutuamente e nin­guém se mexa pela paz deles!” 5 E assim, nessa ocasião, fez mais uma estrofe nos louvores de que falamos e disse: 6 Louvado sejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam por teu amor E sofrem enfermidades e tribulações! Felizes os que as suportam em paz, porque por ti, Altíssimo, serão coroados.
7 Depois chamou um de seus companheiros e disse-lhe: “Vai ao podestà e, de minha parte, dize-lhe que venha ao bispado com os notáveis da cidade e outros que possa trazer consigo”.
8 Quando o frade partiu, disse a outros dois companheiros: “Ide e, diante do bispo, do podestà e dos demais que es­tão com eles, cantai o Cântico de Frei Sol. 9 Confio no Senhor (cf. SI 10,2) que imediatamente ele tornará humildes os corações deles e os fará voltar ao antigo amor e amizade”.
10 Quando todos se reuniram na praça do claustro do bispado, levantaram-se os dois frades e um deles disse: “O bem-aventurado Francisco, que está doente, compôs os louvores ao Senhor por suas criaturas para a glória do mesmo Senhor e edificação do próxi­mo. 11 Por isso, ele vos pede que os escuteis com grande devo­ção”. E assim, começaram a recitá-los e cantá-los.
12 podestà logo se levantou e, de braços e mãos juntas, es­cutou atentamente com a maior devoção e até com muitas lágri­mas, como se fosse o Evangelho do Senhor. Com efeito, tinha grande fé e devoção pelo bem-aventurado Francisco.
13 Terminados os louvores do Senhor, o podestà disse diante de todos: “Em verdade vos digo que não só perdoaria o se­nhor bispo, que quero. e devo ter por meu senhor, mas até quem matasse meu irmão ou meu filho”. 14 E, dizendo isso, lançou-se aos pés (cfr. Mt 15,30) do bispo e lhe disse: “Eis que, por amor de nos­so Senhor Jesus Cristo e de seu servo, o bem-aventurado Francisco, estou pronto a dar-vos satisfação em tudo o que vos agradar”. 15 O bispo, porém, amparando-o com as mãos, levantou-se e lhe disse: “Por meu en­cargo, eu deveria ser humilde. Mas, já que por natureza sou incli­nado à ira, é necessário que me perdoes”. 16 E assim, com muita be­nignidade e afeição se abraçaram e se beijaram um ao outro.
17 Os frades ficaram maravilhados e alegres, vendo que se tinha cumprido à letra.o que o bem-aventurado Francisco predissera sobre a reconciliação deles. 18 Todos os outros que estavam presentes viram naquilo o maior milagre, atribuindo tudo aos méritos do bem-aventurado Francisco, pois o Senhor os visitara tão rapidamente e, após tanta discórdia e escândalo, voltaram a tão grande concórdia, sem recordar nenhuma palavra.
19 Nós, porém, que vivemos com (cf. 2Pd 1,18) o bem-aventurado Francisco, damos testemunho (cf. Jo 21,24) que, quando ele dizia que algo é assim ou assim será, sempre se cumpria à letra. Nós vimos tantos e tais fatos que seria longo escrevê-los ou contá-los.