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Sobre a ocultação dos estigmas

Texto Original

De occultatione stigmatum

Caput XCVIII - Quid de his quaerentibus ipse respondit, et quo studio illa tegebat.

 

135 
1 Illa vero Crucifixi insignia, summis etiam spiritibus veneranda, fas non est silentio praeterire quanto velamine texerit, quantoque absconderit studio. 
2 Primo in tempore (cfr. Is 9,1), quo verus Christi amor in eamdem imaginem transformarat (cfr. 2Cor 3,18) amantem, tanta cautela celare et occultare coepit thesaurum, ut usque ad multa tempora (cfr. Sap 4,13) nec ipsi familiares agnoscerent. 
3 Sed semper abscondi, nec ad oculos venire carorum divina providentia noluit. 
4 Quin etiam et publica loca membrorum idipsum non patiebantur obtectum. 
5 Videns autem semel unus de sociis stigmata in pedibus eius, dixit ei: “Quid est hoc, bone frater?”. 
6 Qui respondit: “Curam habe de facto tuo (cfr. Sir 41,15; Iac 1,25)!”.

 

136 
1 Alia vice idem frater tunicam eius ad excutiendum petens, eamque sanguinolentam aspiciens, dixit sancto, postquam reddidit eam: “Cuiusmodi sanguis est ille, quo tunica infecta videtur?”. 
2 Sanctus vero imponens digitum oculo dixit ei: “Interroga quid est hoc, ni nescis oculum esse”. 
3 Raro itaque totas abluit manus, digitos tantum perfundens, ne res astantibus proderetur. 
4 Pedes vero lavat rarissime, nec minus occulte quam raro. 
5 Manum ab aliquo postulatus ad osculum dimidiat, digitos tantum proferens, quod possit osculum poni; nonnumquam vero pro manu manicam porrigit. 
6 Pedes laneis peduciis vestit, ne videri possint, pelle supra vulneribus posita, quae asperitatem laneam mitigaret. 
7 Licet autem sanctus pater non posset manuum et pedum stigmata omnino tegere sociis, aegre tamen ferebat, si aliquis illa respiceret. 
8 Unde et ipsi socii spiritus prudentia (cfr. Ex 28,3) pleni, quando ille manus aut pedes aliqua necessitate detegeret, oculos avertebant (cr. Ps 118,37).

Texto Traduzido

De occultatione stigmatum

Capítulo 98 - O que respondeu aos que perguntavam sobre eles, e com que esforço os cobria.

 

135 
1 Não podemos deixar de contar como encobriu e com que cuidado procurou esconder aqueles gloriosos sinais do Crucificado, dignos de serem venerados até pelos espíritos celestiais. 
2 Nos primeiros tempos, quando o verdadeiro amor de Cristo transfigurou em sua própria imagem aquele que o amava, ele se empenhou em dissimular e esconder o tesouro com tanto cuidado, que durante muito tempo nem os que conviviam com ele souberam de nada. 
3 Foi a providência divina que não quis que isso ficasse escondido para sempre, sem aparecer aos olhos de seus queridos. 
4 Ainda mais que o lugar das chagas não permitia que estivessem sempre encobertas. 
5 Uma vez que um de seus companheiros viu os estigmas em seus pés, disse: “Que é isso, meu irmão?” Ele respondeu: “Cuida do que é teu!”

 

136 
1 Outra ocasião, o mesmo frade pediu sua túnica para sacudir. Vendo que estava manchada de sangue, perguntou ao santo, quando a devolveu: “Que sangue é esse, que manchou tua túnica?” 
2 O santo apontou para um dos olhos e disse: “Pergunta o que é isto, se não sabes que é um olho”. 
3 Raramente lavava as mãos inteiras, limitando-se a molhar os dedos, para que os que estavam por perto não as vissem. 
4 Lavava os pés ainda mais rara e mais ocultamente. 
5 Quando alguém lhe pedia a mão para beijar, apresentava só os dedos e algumas vezes chegou a apresentar a manga no lugar da mão. 
6 Calçava meias de lã para não mostrar os pés, colocando uma pele em cima das feridas para suavizar a aspereza da lã. 
7 Apesar de não conseguir esconder os estigmas das mãos e dos pés aos seus companheiros, o santo pai não gostava quando alguém olhava para eles. 
8 Por isso, cheios do espírito da prudência, os próprios companheiros desviavam os olhos quando ele precisava descobrir as mãos ou os pés.