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Como os demônios o fustigaram

Texto Original

Qualiter verberaverunt eum daemones

Caput LXXXIV - Qualiter verberaverunt eum daemones, et quod fugiendae sunt curiae.

 

119 
1 Non solum tentationibus vir iste impetebatur a Satana (cfr. Luc 22,31), verum manu ad manum confligebat cum ipso. 
2 Rogatus quandoque a domino Leone cardinali Sanctae Crucis, ut secum in Urbe paululum moraretur, turrem quamdam remotam elegit, quae per novem testudines concamerata quasi mansiunculas eremiticas praeferebat. 
3 Prima igitur nocte cum post orationem Deo fusam (cfr. 2Par 6,19) vellet quiescere, veniunt daemones et hostiles agones immovent sancto Dei (cfr. Luc 4,34). 
4 Quem diutissime ac durissime verberantes, ad ultimum quasi seminecem reliquerunt (cfr. Luc 10,30). 
5 Illis discedentibus, reparato tandem anhelitu, vocat sanctus socium suum sub alia testudine dormientem, et venienti ait: “Frater, volo quod maneas iuxta me, quia solus esse formido. 
6 Verberaverunt enim me daemones paulo ante”. 
7 Tremebat autem sanctus et quatiebatur in membris, quasi qui febrem durissimam pateretur.

 

120 
1 Totam ergo noctem insomnem ducentibus, dixit sanctus Franciscus ad socium suum: “Daemones sunt castaldi Domini nostri, quos destinat ipse ad puniendos excessus. 
2 Signum autem amplioris est gratiae, nihil in servo suo impune relinquere, dum vivit in mundo. 
3 Ego vero offensam non recolo, quam per misericordiam Dei (cfr. Rom 12,1) satisfactione non laverim; 
4 sua quippe paterna dignatione semper sic mecum egit, ut placentia et displicentia sibi oranti et meditanti ostenderet. 
5 Sed potest esse quod ideo castaldos suos in me permisit irrumpere, quia non bonam speciem aliis praefert mansio mea in curia magnatorum. 
6 Fratres mei, qui in locis pauperculis commorantur, audientes me cum cardinalibus esse, suspicabantur forsitan abundare deliciis (cfr. Luc 7,25). 
7 Ideo, frater, melius iudico eum qui ponitur in exemplum (cfr. Iob 17,6), fugere curias, et penurias sustinentes (cfr. Prov 28,27) fortes efficere similia sustinendo”. 
8 Veniunt ergo mane (cfr. Mar 16,2), et recitatis omnibus, valefaciunt cardinali. 
9 Noverint haec palatini, et sciant abortivos se esse, tractos ex utero matris suae (cfr. Luc 1,15). 
10 Non obedientiam damno, sed ambitionem, sed otium, sed delicias reprehendo; 
11 denique et obedientiis cunctis Franciscum omnino propono. 
12 Sustineatur tamen quidquid displicet Deo, quoniam placet hominibus (cfr. Qo 5,3; Ps 52,3).

Texto Traduzido

Qualiter verberaverunt eum daemones

Capítulo 84 - Como os demônios o fustigaram e que se deve fugir das cortes.

 

119 
1 Não só foi só com tentações que este varão foi atacado por Satanás, porque o santo também teve que lutar com ele corpo a corpo. 
2 Numa ocasião em que o Cardeal Leão de Santa Cruz lhe pediu que fosse passar uns tempos com ele em Roma, escolheu uma torre afastada, que era dividida em nove arcadas formando apartamentos que pareciam celas de eremitério. 
3 Na primeira noite, quando estava para descansar depois de ter derramado suas orações, vieram os demônios e travaram ferrenhas batalhas contra o santo de Deus. 
4 Bateram nele por muito tempo e duramente, deixando-o, no fim, quase morto. 
5 Quando foram embora e o santo conseguiu recobrar o alento, chamou o companheiro que dormia em outro cubículo e, quando veio, disse: “Irmão, quero que fiques perto de mim, porque estou com medo de estar sozinho. 
6 Os demônios me bateram agora mesmo”. 
7 O santo tremia e tinha calafrios, como se estivesse com febre muito alta.

 

120 
1 Passaram a noite inteira sem dormir, e São Francisco disse ao companheiro: “Os demônios são os carrascos de nosso Senhor, a quem ele incumbe de punir os excessos. 
2 Mas é um sinal a mais da graça de Deus não deixar impune um servo seu enquanto está vivendo neste mundo”. 
3 “Para dizer a verdade, eu não me lembro de nenhuma ofensa que, pela misericórdia de Deus, já não tenha lavado pela penitência, 
4 porque a sua bondade paterna sempre me tratou assim, mostrando-me na oração e na meditação o que lhe agradava e o que lhe desagradava. 
5 Mas pode ser que tenha permitido a seus carrascos que me atacassem porque não fica bem diante dos outros essa minha permanência na corte dos grandes”. 
6 Os meus irmãos, que moram em lugares pobrezinhos, quando ouvirem dizer que estou com cardeais, na certa vão pensar que estou nadando em delícias. 
7 Por isso, irmão, acho melhor que aquele que é posto como exemplo fuja das cortes e também acho que os que padecem privações se fortalecem suportando essas coisas”. 
8 Vieram de manhã e, tendo contado tudo, despediram-se do cardeal. 
9 É bom que os frades palacianos conheçam esse fato e saibam que são abortivos desde o seio de sua mãe. 
10 Não condeno a obediência mas repreendo a ambição, o ócio, os prazeres;

11 afinal, proponho absolutamente Francisco para todas as obediências. 
12 Suspenda-se todavia tudo que desagrada a Deus porque agrada aos homens.