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100. Irmã morte

Texto Original

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1 Beatus Franciscus a tempore sue conversionis usque ad diem mortis semper sollicitus fuit tempore sanitatis et infirmitatis cognoscere et sequi voluntatem Domini (cfr. Rom 12,2). 
2 Quadam die dixit quidam frater beato Francisco: “Pater, vita et conversatio tua extitit et est lumen et speculum non solum fratribus tuis, sed universali Ecclesie Dei, et illud idem erit mors tua; 
3 quoniam, licet fratribus tuis et quamplurimis aliis, tua mors sit dolor et tristitia magna, tibi tamen erit consolatio maxima et gaudium infinitum, 
4 quia transibis de multo labore ad maximam requiem, de multis doloribus et temptationibus ad gaudium infinitum, de magna paupertate tua, quam semper dilexisti et portasti voluntarie ab initio conversionis tue usque ad diem mortis, ad maximas et veras et infinitas divitias, de morte temporali ad vitam sempiternam, 
5 ubi videbis semper Dominum Deum tuum facie ad faciem (cfr. Gen 32,30; 1Cor 13,12), quem tanto fervore, desiderio et amore in hoc seculo contemplatus es”. 
6 Et hiis dictis dixit ei manifeste: “Pater, scias in veritate quod, nisi de celo Dominus suam medicinam mitteret corpori tuo, tua infirmitas est incurabilis, et parum vivere debes, sicut et medici iam dixerunt. 
7 Hoc autem dixi ad confortandum spiritum tuum, ut gauderes semper in Domino interius et exterius, maxime ut fratres tui et alii, qui veniunt ad te visitandum, inveniant te gaudentem in Domino (cfr. Phip 4,4), 
8 quoniam sciunt et credunt te cito mori, ut ipsis hoc videntibus et aliis qui audierint, post mortem tuam, sit in memoriale tua mors, quomodo omnibus extitit vita et conversatio tua”. 
9 Beatus Franciscus, licet infirmitatibus esset plurimum pregravatus, cum magno fervore spiritus et letitia utriusque hominis laudavit Dominum dixitque illi: 
10 “Ergo si cito debeo mori, vocate michi fratrem Angelum et fratrem Leonem, ut cantent michi de sorore morte”. 
11 Iverunt fratres illi coram ipso et cum multis lacrimis cantaverunt Canticum fratris Solis et aliarum creaturarum Domini, et quod fecit ipse sanctus in infirmitate sua ad laudem Domini et ad consolationem anime sue et aliorum, 
12 in quo cantu ante versum ultimum posuit versum de sorore morte, videlicet: 
13 Laudato sie mio Segnore, per sora nostra morte corporale, dalla quale nullomo vivente po scampare. 14 Guai ad quilli ke morirà neli peccati mortali. 
15 Biati quilli ke troverà neli toi sanctissime volontade ke lla morte second[a] noli farà male.

Texto Traduzido

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1 O bem-aventurado Francisco, desde o tempo de sua conversão até o dia da morte, sempre foi solícito, na saúde e na doença, por conhecer e seguir a vontade do Senhor. 
2 Um dia um frade disse ao bem-aventurado Francisco: “Pai, tua vida e comportamento foram e são luz e espelho não só para teus frades mas para toda a Igreja de Deus, e o mesmo vai acontecer com tua morte; 
3 pois, embora para os teus frades e para muitos outros tua morte seja uma grande dor e tristeza, para ti será a maior consolação e um gozo infinito, 
4 porque passarás de muito trabalho para o maior descanso e de muitas dores e tentações para um gozo infinito, da tua maior pobreza, que sempre amaste e suportaste voluntariamente desde o começo de tua conversão até o dia de tua morte, para as maiores, verdadeiras e infinitas riquezas, da morte temporal para a vida sempiterna, 
5 onde verás sempre face as face o Senhor teu Deus (cfr. Gn 32,30; 1Cor 13,12), que contemplaste neste século com tanto fervor, desejo e amor”. 
6 Dito isso, falou-lhe claramente: “Pai, saibas na verdade que, se Deus não mandar do céu o seu remédio para o teu corpo, tua doença é incurável e deves viver pouco, como também os médicos já disseram. 
7 Mas eu disse isso para confortar o teu espírito, para te alegrares sempre no Senhor interior e exteriormente, e principalmente para que teus frades e outros, que vêm te visitar te encontrem alegre no Senhor (cfr. Fp 4,4), 
8 porque sabem e crêem que vais morrer logo, que para eles que estão vendo isso e para os outros que ouvirem depois de tua morte, fique a tua morte como lembrança, como foram para todos tua vida e comportamento”. 
9 O bem-aventurado Francisco, mesmo sofrendo muito pelas enfermidades, louvou ao Senhor com grande fervor do espírito e alegria do corpo e da alma, e lhe disse: 
10 “Então, se devo morrer logo, chamai-me Frei Ângelo e Frei Leão, para que me cantem sobre a irmã morte”. 
11 Esses frades se apresentaram diante dele e cantaram com muitas lágrimas o Cântico de Frei Sol e das outras criaturas ao Senhor, que o próprio santo fizera em sua doença para louvar o Senhor e para consolar sua alma e a dos outros, 
12 no qual canto colocou antes do último um verso sobre a irmã morte, a saber: 
13 Louvado sejas meu Senhor, por nossa irmã a morte corporal da qual nenhum homem vivo pode escapar. 
14 Ai de quem morrer em pecado mortal. 
15 Felizes os que ela encontrar em tuas santíssimas vontades, porque a morte segunda não lhes fará mal.