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Capítulo 22

Texto Original

Caput XXII

De praedicatione ipsius apud Esculum, et quomodo per ea quae manu tetigerat, ipso absente, sanabantur infirmi.

 

62. 
1 Tempore illo in quo, sicut dictum est, venerabilis pater Franciscus volucribus praedicavit, civitates et castella (cfr. Mat 9,35) circuiens et ubique benedictionem semina spargens, ad civitatem Esculanam applicuit. 
2 In qua cum verbum Dei more solito ferventissime loqueretur, immutatione dexterae Excelsi (Ps 76,11), tanta gratia et devotione pene universus populus est repletus, ut ad audiendum et videndum eum anhelantes omnes se invicem conculcarent (cfr. Luc 12,1). 
3 Nam et triginta viri, clerici et laici, tunc temporis ab ipso sanctae religionis habitum susceperunt. 
4 Tanta erat fides virorum et mulierum, tanta devotio mentis erga sanctum Dei, ut felicem se pronuntiaret qui saltem vel vestimentum eius (cfr. Mat 21,8) contingere potuisset. 
5 Ingrediente ipso aliquam civitatem, laetabatur clerus, pulsabantur campanae, exsultabant viri, congaudebant feminae, applaudebant pueri, et saepe, ramis arborum sumptis, psallentes obviam ei procedebant. 
6 Confundebatur haeretica pravitas, extollebatur fides Ecclesiae, et fidelibus iubilantibus, haeretici latitabant. 
7 Nam tanta in eo apparebant insignia santitatis, quod nemo se illi audebat verbis opponere, cum ad ipsum solummodo respiceret frequentia populorum (cfr. Num 27,22). 
8 Inter omnia et super omnia fidem sanctae Romanae Ecclesiae servandam, venerandam et imitandam fore censebat, in qua sola salus consistit omnium salvandorum. 
9 Venerabatur sacerdotes et omnem ecclesiasticum ordinem nimio amplexabatur affectu.

 

63. 
1 Offerebant ei populi panes ad benedicendum, quos longo tempore reservantes, ad eorum gustum a diversis aegritudinibus sanabantur. 
2 Sic et multoties fide maxima freti eius tunicam incidebant, ut quasi nudus aliquando remaneret. 
3 Et quod magis est admirandum, si rem aliquam manu tangeret sanctus pater, per eam etiam nonnullis sanitas reddebatur. 
4 Nam cum mulier quaedam, in partibus Aretii villulam quamdam inhabitans, gravida esset, veniente tempore partus, in pariendo diebus pluribus laboravit, sicque incredibili attrita dolore, nec mors nec vita sibi aliquatenus praestabatur. 
5 Vicini et cognati eius audierant (cfr. Luc 1,58) beatum Franciscum per viam illam fore ad quamdam eremum transiturum. 
6 Exspectantibus autem illis (cfr. Act 28,6), accidit beatum Franciscum ad dictum locum per aliam viam (cfr. Mat 2,12) transire: iverat enim eques, eo quod erat debilis et infirmus. 
7 Sed perveniente ipso ad locum, per quemdam fratrem, nomine Petrum, equum remisit ad illum virum, qui sibi eum concesserat intuitu charitatis. 
8 Frater Petrus, reducens equum, per viam illam transivit, in qua mulier torquebatur. 
9 Quem videntes viri terrae illius, festini cucurrerunt ad eum, putantes ipsum esse beatum Franciscum; sed cognoscentes ipsum non esse, tristati sunt valde (cfr. Mat 18,31) nimis. 
10 Tandem coeperunt quaerere inter se (cfr. Luc 22,23) si posset res aliqua inveniri, quam manu tetigisset beatus Franciscus. 
11 Cumque in his diu quaerendo facerent moram (cfr. Mat 24,48), demum invenerunt freni habenas, quas ipse manu tenuerat equitando, extrahentesque frenum ex equi ore, cui sanctus pater insederat, posuerunt supra mulierem habenas, quas propriis manibus contrectaverat ipse; quae incontinenti, remoto periculo, cum gaudio peperit et salute.

 

64. 
1 Gualfreducius, Castrum Plebis inhabitans, homo religiosus, timens et colens Deum cum omni domu sua (cfr. Act 10,2), chordam apud se habebat, qua beatus Franciscus quandoque succinctus fuerat. 
2 Accidit autem, ut in terra illa viri multi et mulieres non paucae variis infirmitatibus et febribus laborarent. 
3 Ibatque praedictus vir per infirmantium domos, et intincta chorda in aqua, vel ex piis ipsius aliquid commiscens in ea, dabat bibere patientibus, et ita in Christi nomine (cfr. 1Pet 4,14) sanitatem consequebantur omnes. 
4 Haec autem in absentia beati Francisci fiebant, et his multo plura, quae a nobis non possent sermone longissimo aliquatenus explicari. 
5 Verum de iis, quae per eius praesentiam operari dignatus est Dominus Deus noster (cfr. Ps 98,9), pauca quaedam huic operi breviter inseremus.

Texto Traduzido

Caput XXII

Da sua pregação em Áscoli, e de como doentes eram curados por objetos tocados por sua mão.

 

62. 
1 No tempo em que contamos que pregou aos pássaros, andava o venerável Pai pelas cidades e povoados e, espalhando as sementes de bênção por toda parte, chegou à cidade de Ascoli. 
2 Pregou aí com todo o fervor, como costumava e, pela mão de Deus, o povo quase todo ficou tão cheio de graça e devoção para ouvi-lo e vê-lo que se atropelavam uns aos outros. 
3 Nessa ocasião, trinta homens, clérigos e leigos, receberam de sua mão o hábito da Ordem. 
4 Tanta era a fé dos homens e das mulheres, e tão grande a devoção pelo santo de Deus, que se tinha por feliz quem conseguia pelo menos tocar-lhe a roupa. 
5 Quando entrava em alguma cidade, alegrava-se o clero, os sinos tocavam, exultavam os homens, festejavam as mulheres, as crianças batiam palmas e, muitas vezes, cortando ramos das árvores, iam cantando ao seu encontro. 
6 Cobria-se de confusão a perversa heresia, triunfava a fé da Igreja e, enquanto os fiéis rejubilavam, os hereges se escondiam. 
7 Pois nele se viam tantos sinais de santidade que ninguém ousava contradize-lo, porque a multidão só olhava para ele. 
8 Ele mesmo insistia acima de tudo na conservação, respeito e prática da doutrina da santa Igreja Romana, na qual somente está a salvação para todos os que devem ser salvos. 
9 Venerava os sacerdotes e reverenciava com profundo afeto toda a hierarquia eclesiástica.

 

63. 
1 As pessoas apresentavam-lhe pães para benzer, guardavam-nos por muito tempo e, saboreando-o, saravam de diversas doenças. 
2 Do mesmo jeito, muitas vezes, levados pela maior fé, cortavam sua túnica, de modo que às vezes ficava quase despido. 
3 E o que é mais de admirar, se o santo pai tocasse alguma coisa com a mão, também por ela devolvia-se a saúde a algumas pessoas. 
4 Uma mulher de um povoado perto de Arezzo estava grávida. Quando chegou o tempo do parto, passou vários dias entre a vida e a morte, com dores incríveis. 
5 Seus vizinhos e conhecidos souberam que São Francisco ia passar por ali para ir a uma ermida. 
6 Ficaram à sua espera, mas aconteceu que o santo foi para o referido lugar por outro caminho, pois estava muito fraco e doente e teve que ir a cavalo. 
7 Mas, ao chegar, mandou um certo Frei Pedro devolver o cavalo ao homem que o emprestara por caridade. 
8 Frei Pedro, de volta com o animal, passou pelo caminho em que a mulher estava padecendo. 
9 Vendo-o aproximar-se, correram para ele os homens do lugar, pensando que fosse São Francisco. Quando viram que não era, ficaram muito tristes. 
10 Finalmente começaram a perguntar um ao outro se poderiam encontrar alguma coisa em que São Francisco tivesse tocado. 
11 Demoraram muito tempo procurando e acabaram encontrando as rédeas que ele tinha segurado para cavalgar. Tiraram o freio da boca do cavalo em que o santo pai tinha montado, puseram em cima da mulher as rédeas que ele tinha apertado em suas mãos. Imediatamente, livre de perigo, ela deu à luz com toda alegria e felicidade.

 

64. 
1 Gualfredúcio, um homem religioso, que temia e venerava a Deus com toda a sua família, e morava em Città della Pieve, tinha consigo uma corda que São Francisco já tinha usado em sua cintura. 
2 Acontecia que, naquela cidade, muitos homens e não poucas mulheres sofriam de várias doenças e febres. 
3 Ele ia à casa de cada um dos doentes, dava-lhes de beber água em que tinha mergulhado a corda ou alguns fiapos e assim, no nome do Senhor, todos conseguiam a saúde. 
4 Coisas desse tipo, e muitas outras, que não poderíamos contar mesmo alongando demais a narração, eram feitas na ausência de São Francisco. Vamos referir brevemente nesta obra alguns milagres que o Senhor nosso Deus se dignou operar em sua presença.