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Capítulo XXXVI

Texto Original

Caput XXXVI

Qualiter fr. Rufinus vidit et tetigit plagam la­teris s. Francisci.

 

1 B.p.n. Franciscus illas sanctissimas plagas, quas sibi in manibus et pedibus ac latere Cristus, Dei Filius, miraculose impresserat, ita diligenter oculis omnium abscondebat, quod vix aliquis potuit illas, dum viveret sanctus, ad plenum aspicere. 2 Nam ibat deinceps calciatus, et de manibus nonnisi digitorum cacumina sociis apparebant, ita manus cum manicis abscondebat, memorans illud quod dictum est per angelum s. Tobie: Bonum est sacramentum regis abscondere (Tob 12,7).
3 Potissime vero plagam lateris ita semper, dum vixit, obtexit, quod, excepto fr. Rufino, qui quadam pia industria illam videre promeruit, nullus alius, dum viveret, videre valuit. Fr. autem Rufinus triplici testimonio de sanctissima plaga lateris se et alios certissime reddidit. 
4 Primo, quia aliquando, cum lavare deberet femoralia s. patris, inveniebat illa ex parte dextri lateris multipliciter cruentata; propter quod certitudinaliter avertebat quod ille erat sanguis qui de plaga dextri lateris defluebat. 5 Reprehendebat vero s. Franciscus fr. Rufinum, quando avertebat quod dicta femoralia explicabat, ut signum cerneret supradictum.
Iterum autem fr. Rufinus, ut de hoc certior redderetur, cum semel scalperet s. patrem, digitum manus in ipsam plagam immersit; propter quod s. Franciscus, fortiter angustiatus, clamorem magnum emisit, dicens: “Parcat tibi Deus, o fr. Rufine! Et quare hoc facere voluisti?”.
Tertio, cupiens idem frater illam venerabilem plagam corporis oculis cernere, cum quadam caritativa cautela s. Francisco dixit: “Rogo te, pater, ut unam michi consolationem maximam facias: quod tunicam tuam des michi; et tu meam accipias in caritate paterna”. 8 Hoc autem faciebat fr. Rufinus ut, cum s. Franciscus se expoliaret, plagam lateris, quam aliquando manu tetigerat, etiam oculis cerneret; et ita factum est. 
Unde s. Franciscus, caritati fr. Rufini assentiens, expoliviat se tunica sua et tunicam illius accepit; et quia solam illam habebat, dum se exueret non se sic contegere potuit, quin fr. Rufinus dictam plagam diligenter aspiceret. 10 Et sic de illa sancti plaga fuit per tria predicta testimonia plenarie confirmata.
Ad laudem et gloriam D.n. Ihesu Cristi. Amen.

Texto Traduzido

Caput XXXVI

Como Frei Rufino viu e tocou a chaga do lado de São Francisco.

 

Nosso bem-aventurado pai Francisco escondia tão diligentemente de todos aquelas santíssimas chagas que Cristo, Filho de Deus, lhe imprimira milagrosamente nas mãos, nos pés e no lado, que mal pôde alguém vê-las bem enquanto o santo viveu. 2 Pois daí em diante andou sempre com os pés calçados, e das mãos só apareciam para os companheiros as pontas dos dedos, tanto ele escondia as mãos com as mangas, lembrando aquilo que foi dito pelo anjo ao santo Tobias: é bom esconder o segredo do rei (Tb 12,7).
3 Enquanto viveu, escondeu sempre principalmente a chaga do lado, de modo que, com exceção de Frei Rufino que, por um piedoso artifício, mereceu vê-la, ninguém mais conseguiu vê-la, enquanto ele viveu.
4 Em primeiro lugar porque, algumas vezes, devendo lavar as calças do santo pai, descobria que estavam ensanguentadas do lado direito. Por isso, percebia com certeza que aquilo era o sangue que corria da chaga do lado direito. Mas São Francisco repreendia Frei Rufino quando via que desdobrava aquelas calças para ver o referido sinal.
6 Em segundo lugar, Frei Rufino, para se certificar disso, numa vez em que estava massageando o santo pai, enfiou o dedo na própria chaga. São Francisco, fortemente angustiado por causa disso, deu um grande grito, dizendo: “Que Deus te perdoe, frei Rufino! Por que quiseste fazer isso?”.
7 Em terceiro lugar, querendo o mesmo frade ver aquela venerável chaga com os olhos do corpo, disse a São Francisco, com certa cautela caridosa: “Pai, eu te rogo que me dês a maior consolação: que me dês a tua túnica e recebas a minha com caridade paterna”. 8 Frei Rufino fez isso para ver com olhos a chaga que já tocara com as mãos, quando São Francisco se despisse. E assim foi feito.
São Francisco, concordando com a caridade de Frei Rufino, despiu a sua túnica e recebeu a dele. E, como só tinha aquela, quando a tirou não pôde esconder-se sem que Frei Rufino olhasse cuidadosamente a chaga. 10 Desse modo, aquela chaga do santo foi confirmada plenamente pelos três testemunhos.
Para o louvor e glória de n. Senhor Jesus Cristo. Amém.