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Capítulo LX

Texto Original

Caput LX

De visione fr. Leonis revelata s. Francisco.

 

1 Quodam tempore, dum s. Franciscus graviter esset infirmus, fr. Leo sibi cum multa devotione et diligentia serviebat. Cum autem quadam vice fr. Leo staret prope s. Franciscum et daret se orationi, in extasi factus, ductus est ad maximum quoddam flumen et impetuosum et latum.
2 Ubi cum aspiceret transeuntes, vidit aliquos fratres oneratos ingredi dictum flumen; qui statim ab impetuositate fluminis subvertebantur; et absorbebat eos vorax profunditas. 3 Aliqui ibant usque ad tertiam partem fluminis et peribant, aliqui usque ad medium, aliqui usque ad finem; qui omnes, propter sarcinas et honera que portabant, diversimode, secundum diversas sarcinas, a flumine mergebantur et peribant crudelissime absque omni remedio. 
4 Frater autem Leo, videns tantum periculum, compatiebatur illis. Et subito apparuerunt aliqui fratres sine aliquo onere vel sarcina omnis rei, in quibus sola paupertas sanctissima relucebat; intrantes flumen, transibant sine aliqua lesione.
5 Sanctus vero Franciscus, per Spiritum sentiens quod fr. Leo viderat aliquam visionem, postquam rediit ad se fr. Leo, vocavit eum s. Franciscus et ait: “Dic michi que vidisti”. At ille recitavit per ordinem cuncta que viderat. 6 Cui S. Franciscus ait: “Vera sunt que vidisti. Nam flumen est mundus iste; fratres qui absorbentur a flumine sunt illi qui professionem evangelicam et paupertatem voluntariam non sequuntur.
7 Illi vero qui sine periculo transibant, sunt fratres spiritum Dei habentes, qui nichil terrenum nichilque carnale aut querunt aut possident; sed habentes alimenta et quibus tegantur, hiis contenti sunt (cfr. 1Tim 6,8)8 sequentes Cristum in cruce nudatum, et onus crucis eius et iugum obedientie eius levissimum et suave cottidie amplexantur. Ideo faciliter et sine periculo de temporalibus transeunt ad eterna”.
Ad laudem D.n. Ihesu Cristi. Amen.

Texto Traduzido

Caput LX

A visão de Frei Leão revelada a São Francisco.

 

1 Uma vez, quando São Francisco estava gravemente doente, Frei Leão servia-o com muita devoção e cuidado. E como numa vez Frei Leão estava perto de São Francisco e se entregava à oração, arrebatado em êxtase, foi levado a um rio muito grande, impetuoso e largo.
2 Aí, ao observar os que passavam, viu alguns irmãos carrega­dos entrarem no rio; eles eram imediatamente carregados pelo ímpeto do rio; e a profundidade voraz os tragava. Outros iam até à terça parte do rio e pereciam, outros até à meta­de, outros até ao fim; todos eles, por causa das bagagens que car­regavam, de diversos modos segundo as diferentes bagagens, eram engolidos pelo rio e pereciam de maneira muito cruel, sem qualquer remédio.
Frei Leão, vendo todo o perigo, tinha pena deles. De repente, apareceram uns frades sem peso algum ou bagagem de qualquer coisa, nos quais reluzia unica­mente a santíssima pobreza; entrando no rio, atravessavam sem nenhum problema.
5 E São Francisco, percebendo pelo Espírito Santo que Frei Leão tivera uma visão, depois que Frei Leão voltou a si, São Fran­cisco chamou-o e disse: “Dize-me o que viste”. E ele contou direitinho tudo que vira. São Francisco disse-lhe: “Verdadeiras são as coisas que viste, pois o rio é este mundo; os irmãos que são tragados pelo rio são aqueles que não seguem a profissão evangélica e a pobre­za voluntária.
7 Aqueles, porém, que o atravessavam sem perigo são os frades que têm o espírito de Deus, que não procuram ou pos­suem nada de terreno e nada de carnal, mas, tendo comida e com que se cobrir, com isto estão contentes (cf. 1Tm 6,8); estes, seguin­do a Cristo despido na cruz, abraçam cada dia tanto o peso de sua cruz quanto o levíssimo e suave jugo da sua obediência. Por isso, passam facilmente e sem perigo das coisas temporais para as eternas”.
Para o louvor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.