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Descrição do ministro geral e dos outros ministros

Texto Original

Descriptio generalis ministri et aliorum ministrorum

Caput CXXXIX - Qualis debeat esse cum sociis.

 

184 
1 Prope finem vocationis eius ad Dominum, frater quidam, semper divinorum sollicitus, affectus pietate ad Ordinem, quaesivit ab eo dicens: “Pater, tu transibis, et familia te secuta in valle lacrimarum (Ps 83,7) relinquitur.
2 Innue aliquem, si cognoscis in Ordine, in quo tuus animus conquiescat, cui generalis ministerii pondus secure possit imponi”. 
3 Respondit sanctus Franciscus, induens cuncta verba suspiriis: “Tam multimodi exercitus ducem, tam ampli gregis pastorem nullum, fili, sufficientem intueor. 
4 Sed volo vobis unum depingere, ac manu iuxta proverbium facere, in quo reluceat qualis esse debeat huius familiae pater”.

 

185 
1 “Homo”, inquit, “esse debet vitae gravissimae, discretionis magnae, famae laudabilis. 
2 Homo qui privatis amoribus careat, ne dum in parte plus diligit, in toto scandalum generet. 
3 Homo cui sanctae orationis studium sit amicum, qui certas horas animae, certas gregi commisso distribuat. 
4 Nam primo mane (cfr. Mat 20,1) missarum sacramenta debet praemittere, et longa devotione se ipsum et gregem divino tutamini commendare. 
5 Post orationem vero se ipsum”, inquit, “in publico statuat ab omnibus depilandum, omnibus responsurum, omnibus cum mansuetudine provisurum. 
6 Homo debet esse, qui personarum acceptione (cfr. Rom 2,11) sordidum non faciat angulum, apud quem minorum et simplicium non minus cura vigeat quam sapientium vel maiorum. 
7 Homo cui etsi concessum est litteraturae dono praecellere, plus tamen in moribus piae simplicitatis imaginem gerat, foveatque virtutem. 
8 Homo qui exsecretur pecuniam, nostrae professionis et perfectionis praecipuam corruptelam, quique pauperis religionis caput, imitandum se caeteris praebens, nullis umquam loculis abutatur. 
9 Sufficere”, inquit, “debet huic pro se habitus et libellus, pro fratribus vero pennarium et sigillum. 
10 Non sit aggregator librorum, nec lectioni multum intentus, ne detrahat officio quod praerogat studio. 
11 Homo qui consoletur afflictos, cum sit ultimum refugium tribulatis (cfr. Ps 31,7; 45,2), ne, si apud eum remedia defuerint sanitatum, desperationis morbus praevaleat in infirmis. 
12 Protervos ut ad mansuetudinem flectat, se ipsum prosternat, et aliquid sui iuris relaxet, ut animam lucrifaciat Christo (cfr. Phip 3,8). 
13 Ad refugos Ordinis, velut ad oves quae perierant (cfr. Luc 15,4.6), viscera pietatis non claudat (cfr. 1Ioa 3,17), sciens tentationes esse perva-lidas, quae ad tantum possunt impellere casum”.

 

186 
1 “Honorari eum vice Christi vellem ab omnibus, et in necessariis omnibus ipsi cum omni benevolentia provideri. 
2 Verum oporteret eum non arridere honoribus, neque favoribus plus quam iniuriis delectari. 
3 Propensiore cibo, si quando vel debilis vel lassus egeret, non in abditis sed in publicis locis assumeret, ut aliis tolleretur verecundia debilibus providendi corporibus. 
4 Ad eum maxime pertinet latentes distinguere conscientias, et ex occultis venis eruere veritatem auresque non deferre multiloquis. 
5 Talis denique debet esse, qui retinendi honoris cupiditate virilem formam iustitiae nullatenus labefactet, quive tantum officium plus sibi fore sentiat oneri quam honori. 
6 Non tamen ex superflua mansuetudine torpor nascatur, nec ex laxa indulgentia dissolutio disciplinae, ut cum amori omnibus, sit terrori non minus his qui operantur malum (cfr. Prov 10,29). 
7 Vellem autem eum socios habere praeditos honestate, qui se, sicut ipse, omnium bonorum praeberent exemplum (cfr. Tit 2,7): 
8 rigidos adversus voluptates, fortes adversus angustias, tamque convenienter affabiles, ut omnes qui venirent, sancta cum iucunditate reciperent. 
9 En”, inquit, “generalis minister Ordinis talis esse deberet”.

Texto Traduzido

Descriptio generalis ministri et aliorum ministrorum

Capítulo 139 - Como deve ser com os companheiros.

 

184 
1 Já próximo do fim de sua vocação ao Senhor, um frade que sempre se interessava muito pelas coisas de Deus, levado por sua devoção para com a Ordem, perguntou-lhe o seguinte: “Pai, tu vais passar, e a família que te seguiu vai ser deixada no vale de lágrimas. 
2 Indica alguém que conheças na Ordem, em quem teu espírito possa descansar e a quem possas confiar com segurança a responsabilidade do serviço geral da Ordem”. 
3 São Francisco respondeu, entremeando suas palavras de suspiros: “Filho, não vejo ninguém que seja suficientemente capaz de ser o comandante de um exército tão numeroso, pastor de um rebanho tão grande. 
4 Mas quero tentar descrever um para vós, e fazer com a mão de acordo com o provérbio, em que brilhe como deve ser o pai desta família.

 

185 
1 “Deve ser um homem - prosseguiu - de vida austeríssima, de grande discrição, de fama intocável. 
2 Um homem que não tenha amizades particulares, para que não tenha mais amor por uma parte, gerando um escândalo no conjunto. 
3 Um homem amigo do esforço pela oração, que reserve algumas horas para sua alma e outras para o rebanho que lhe foi confiado. 
4 Deve começar logo de manhã com a missa, recomendando à proteção divina a si mesmo e o rebanho, em longa oração. 
5 Depois da oração, deve colocar-se em público à disposição de todos para ser ‘depilado’, para responder a todos, para atender a todos com mansidão”. 
6 “Deve ser um homem que, fazendo acepção de pessoas, não olhe as coisas por ângulo sórdido, que se preocupe tanto com os menores e os simples quanto com os instruídos e os maiores. 
7 Um homem que, mesmo que lhe tenha sido concedido distinguir-se pelo dom da cultura, se destaque mais ainda pela simplicidade, e que cultive a virtude. 
8 Um homem que deteste o dinheiro, que é o que mais prejudica nossa profissão de perfeição, e que, cabeça de uma religião pobre, possa ser imitado por todos, sem jamais abusar da bolsa”. 
9 “Para si mesmo deve contentar-se com o hábito e um livrinho de notas; para o serviço dos frades, com a caixa de penas e o carimbo. 
10 Não seja colecionador de livros, nem muito entregue às leituras, para não roubar de seu encargo o que dá aos estudos. 
11 Deve ser um homem que console os aflitos, porque é o último refúgio dos atribulados; para que, se não tiver os remédios para a saúde, os enfermos não acabem se desesperando. 
12 Para amansar os atrevidos, prostre-se, ceda alguma coisa de seus direitos, para ganhar sua alma para Cristo. 
13 Para os egressos da Ordem, como ovelhas que pereceram, sabendo que são muito fortes as tentações que podem levar a essa queda extrema, não feche as entranhas de sua piedade”.

 

186 
1 “Quisera que todos o respeitassem por fazer as vezes de Cristo, e que o atendessem com bondade em tudo que for necessário. 
2 Mas também seria oportuno que ele não se alegrasse com as honras e não tivesse maior prazer com os favores que com as injúrias. 
3 Quando precisasse de comida mais abundante por estar enfraquecido ou cansado, que preferisse fazê-lo em público e não às escondidas, para que os outros também não fiquem envergonhados de alimentar seus corpos enfraquecidos”. 
4 “Cabe principalmente a ele distinguir as consciências escondidas, descobrir a verdade em seus veios mais profundos e guardar seus ouvidos dos falatórios. 
5 Enfim, deve ser tal que jamais macule a beleza austera da justiça pelo desejo de preservar a própria honra, e veja em seu alto ofício mais uma carga que um cargo. 
6 Mas, para que a excessiva mansidão não favoreça a moleza e para que a indulgência demasiada não acabe com a disciplina, ame a todos mas saiba também ser temido pelos que praticam o mal”. 
7 “Gostaria que tivesse companheiros dotados de honestidade, que, como ele, dessem exemplo de todas as coisas boas: 
8 rígidos contra os prazeres, fortes diante das angústias, mas também devidamente afáveis, para receberem com santa alegria todos os que chegarem”.
9 “Assim deveria ser o ministro geral da Ordem”, concluiu.