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Capítulo XXXIX

Texto Original

Caput XXXIX

De fr. Leone, quando vidit s. Franciscum elevatum a terra.

 

1 Cum b.p. Franciscus incepit sentire nova et divina carismata in illa sua anima benedicta, frequenter in aere non solum mentaliter sed etiam corporaliter elevabatur a terra. 2 Fiebat autem mira Dei dispensatio circa ipsum in elevationibus supradictis, scilicet quod, quanto divine gratie dona cumulatis sentiebat, tanto altius elevabatur a terra, sicut oculata fide plures eius socii conspexerunt; 3 et singulariter fr. Leo, quem propter suam columbinam, immo angelicam innocentiam frequentius s. Franciscus interesse ad orationis studia clandestina permittebat. Unde ipse fr. Leo sepe videre meruit s. patrem in aere sublevatum, plus et minus secundum gradus supernorum sensuum, quibus, de virtute in virtutem proficiendo, sursum agebatur in Deum.
5 Aliquando enim dictus fr. Leo s. Franciscum vidit elevatum a terra in tantum quod tangere poterat pedes eius; aliquando vero videre meruit eundem patrem sanctissimum elevatum usque ad cacumina arborum; aliquando in tanta altitudine sursum vectum, quod vix illum visus valebat attingere. 6 Quando vero pedes b. Francisci tangere poterat, amplexabatur illos et, obsculando cum devotissimis lacrimis exorabat, dicens: “Deus, propitius esto michi peccatori (cfr. Luc 18,13) et, per merita sanctissimi huius viri, fac me tuam misericordiam sanctissimam invenire”. Cum vero tantum elevatum aspiceret quod ipsum tangere non valeret, se sub s. Francisco devote prosternens, orationem prime similem faciebat. Hec autem elevationes s. patris fuerunt in loco Alverne et in aliis locis quam plurimis.
Huic fr. Leoni solummodo s. Franciscus sua stigmata committebat tangenda et novis petiolis remutanda, quas inter clavos illos mirabiles et carnem reliquam, ad tenendum sanguinem et mitigandum dolorem, die quolibet ebdomade renovabat, 9 excepto die iovis de sero et per totum diem veneris, in quo nullum volebat apponi remedium, ut amore Cristi, eo die crucifixionis, in doloribus crucis vere crucifixus cum Cristo penderet. 
10 Aliquando vero manus illas, tam venerandis stigmatibus insignitas, ante cor fr. Leonis s. Franciscus studiosius apponebat: ex qua appositione tantam devotionem fr. Leo sentiebat in corde, quod quasi vero expirabat, frequentibus singultibus in stupore salubri immutatus.
Ad laudem et gloriam D.n. Ihesu Cristi. Amen.

Texto Traduzido

Caput XXXIX

Sobre Frei Leão, quando viu São Francisco elevado da terra.

 

1 Quando o bem-aventurado pai Francisco começou a sentir novos e divinos carismas naquela sua alma bendita, elevava-se freqüentemente do chão não só mental mas também corporalmente. Nessas elevações, acontecia uma admirável disposição de Deus a respeito dele, pois, quanto mais sentia o acúmulo de dons da graça, tanto mais alto era elevado do chão, como viram diversos de seus companheiros, que foram testemunhas oculares. 3 E de uma maneira especial Frei Leão a quem, por sua inocência columbina e até angélica, São Francisco permitia mais freqüentemente estar presente em seus esforços escondidos de oração. 4 Por isso foram muitas as vezes em que Frei Leão mereceu ver o santo pai elevado no ar, mais e menos, de acordo com os graus dos sentidos divinos pelos quais se elevava a Deus progredindo de virtude em virtude.
5 Algumas vezes Frei Leão viu São Francisco tão elevado do chão que podia tocar seus pés, mas outras vezes mereceu ver o pai santíssimo elevado até o topo das árvores; e, outras vezes, tão levado lá para cima que mal conseguia percebe-lo com sua vista. 6 Quando podia alcançar os pés do bem-aventurado Francisco, abraçava-os e, beijando-os com lágrimas muito devotas, orava dizendo: ”Deus, sede propício a mim que sou pecador (cfr. Lc 18,13) e, pelos méritos de homem santíssimo, fazei com que encontre vossa divina misericórdia”. 7 Mas quando o via tão elevado que não podia alcançá-lo, prostrava-se devotamente abaixo de São Francisco fazendo uma oração semelhante à primeira. Essas elevações do santo pai aconteceram no lugar do Alverne e em muitos outros lugares.
8 São Francisco só permitia a Frei Leão tocar seus estigmas e trocar as ataduras, que colocava em qualquer dia da semana entre aqueles cravos admiráveis e o resto da carne, para segurar o sangue e mitigar a dor. 9 Só não fazia isso na quinta-feira de tarde e durante toda a sexta-feira, em que não queria colocar nenhum remédio, para ficar pendendo da cruz nesse dia da crucifixão com Cristo, verdadeiramente crucificado com ele em suas dores.
10 Mas havia algumas vezes em que São Francisco colocava com maior cuidado aquelas mãos marcadas pelos venerandos estigmas na frente do coração de Frei Leão. Por esse toque, Frei Leão sentia tanta devoção no coração que, na verdade, quase expirava, mudado em um estupor salutar entre soluços mais freqüentes.
Para louvor e glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.