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Capítulo 125

Texto Original

Caput CXXV

Quomodo ipsae creaturae sibi amoris rependebant vicem, et de igne qui eum non laesit.

 

166 
1 Nituntur proinde creaturae omnes vicem amoris rependere sancto, et gratitudine sua pro meritis respondere; blandienti arrident, roganti annuunt, obediunt imperanti. 
2 Placeat paucorum relatio. 
3 Tempore infirmitatis oculorum, coacto ut mederi sibi pateretur, vocatur ad locum chirurgicus. 
4 Veniens igitur, ferreum instrumentum ad cocturas faciendas defert, iubetque igni submitti, donec igniatur et ipsum. 
5 At beatus pater, corpus iam horrore concussum confortans, sic alloquitur ignem: “Frater mi ignis, caeteris rebus aemulandi decoris, virtuosum, pulchrum et utilem te creavit Altissimus (cfr. Sir 1,8.9). 
6 Esto mihi in hac hora propitius (cfr. Gen 33,10), esto curialis! quia olim te dilexi in Domino. 
7 Precor magnum Dominum qui te creavit (cfr. Ps 47,2; Deut 32,6), ut tuum modo calorem temperet, quo suaviter urentem valeam sustinere”. 
8 Oratione finita, crucis signo ignem consignat, et deinceps intrepitus perstat. 
9 Sumitur in manibus candens et torridum ferrum, fugiunt fratres humanitate victi, laetus et alacer ferro se obicit sanctus. 
10 Profundatur crepitans ferrum in tenera carne, et ab aure usque ad supercilium tractim coctura protrahitur. 
11 Quantum irrogaverit ignis ille dolorem, eius, qui melius novit, sancti verba testantur. 
12 Nam reversis qui fugerant fratribus, subridens dixit pater: “Pusillanimes et modici (cfr. 1The 5,14; Mat 14,31) cordis, quare fugistis? 
13 In veritate dico vobis (cfr. Luc 4,25), nec ignis ardorem sensi, nec ullum carnis dolorem”. 
14 Et conversus ad (cfr. Luc 7,44) medicum: “Si non est”, inquit, “caro bene decocta, imprime iterum!”. 
15 Expertus medicus dissimiles casus in simili facto, divinum hoc miraculum extulit, dicens: “Dico vobis, fratres, vidi mirabilia hodie (cfr. Luc 5,26)”. 
16 Credo ad innocentiam primam redierat, cui, cum volebat, mansuebantur immitia.

Texto Traduzido

Caput CXXV

Como as próprias criaturas retribuíam o seu amor, e sobre o fogo que não o feriu.

 

166 
1 Assim, todas as criaturas procuravam retribuir o amor do santo e recompensá-lo à altura, com gratidão. Sorriam quando as acariciava, atendiam quando chamava e obedeciam quando mandava. 
2 Que vos agrade a relação de alguns. 
3 Quando esteve doente dos olhos e teve que permitir que o tratassem, chamaram um cirurgião. 
4 Ele veio com um ferro de cauterizar e mandou colocá-lo no fogo até ficar em brasa. 
5 O bem-aventurado pai, animando o corpo já abalado pelo medo, assim falou com o fogo: “Meu irmão fogo, o Altíssimo te criou forte, bonito e útil, para emulares a beleza das outras coisas. 
6 Sê para mim propício nesta hora, sê cortês, porque eu sempre te amei no Senhor. 
7 Rogo ao grande Senhor que te criou, para que abrande um pouco o teu calor, para que queime com suavidade e eu possa aguentar”. 
8 Acabada a oração, fez o sinal da cruz e ficou esperando intrepidamente. 
9 Quando o médico segurou o ferro candente e em brasa, os frades fugiram por respeito, mas o santo se apresentou ao ferro alegre e sorridente. 
10 O instrumento penetrou crepitando na carne delicada e a cauterização se estendeu desde a orelha até o supercílio. 
11 Toda a dor que aquele fogo causou testemunham as palavras do santo, que as sentiu melhor. 
12 Pois quando os frades, que tinham fugido, voltaram, o pai disse sorrindo: “Covardes e fracos de coração, por que fugistes? 
13 Na verdade eu vos digo que não senti nem o ardor do fogo nem dor alguma em minha carne”. 
14 E voltando-se para o médico: “Se a carta ainda não está bem cozida, aplica outra vez!” 
15 Percebendo a diferença daquele caso com outros semelhantes, o médico exaltou o milagre divino: “Eu vos digo, irmãos, que hoje vi uma coisa admirável”. 
16 Acho que tinha recuperado a inocência primitiva esse homem que amansava, quando queria, o que por si não é manso.