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24. A cítara evangélica

Texto Original

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1 Quodam tempore cum esset apud Reate beatus Franciscus et maneret in camera Tebaldi Sarraceni per aliquot dies pro infirmitate oculorum, quadam die dixit uni de sociis suis, qui noverat in seculo cytharizare: 2 “Frater, filii huius seculi (cfr. Luc 16,8) divina non intelligunt; quoniam instrumenta scilicet cytharas, psalteria decem cordarum et alia instrumenta, quibus sancti homines in antiquo tempore ad laudem Dei et consolationem animarum utebantur, ipsi ea ad vanitatem et peccatum contra voluntatem Domini utuntur. 
3 Vellem igitur ut secreto ab aliquo honesto homine cytharam acquireres, cum qua faceres michi versum honestum et diceremus de verbis et laudibus Domini cum ipsa, maxime quia corpus affligitur magna infirmitate et dolore. 4 Unde vellem sub ista occasione ipsum dolorem corporis reducere ad letitiam spiritus et consolationem”. 
5 Nam beatus Franciscus in sua infirmitate fecerat quasdam laudes Domini, quas suos socios ad laudem Domini et pro consolatione anime sue ac etiam ad hedificationem proximi aliquando dicere faciebat. 
6 Respondit frater et dixit ei: “Pater, verecundor eam acquirere, maxime cum sciant homines istius civitatis me in seculo nosse cytharizare; timeo ne suspicentur me esse temptatum de cytharizando”. 
7 Dixit ad eum beatus Franciscus: “Ergo, frater, dimittamus”. 
8 Nocte vero sequenti, fere in media nocte, vigilabat beatus Franciscus et ecce circa domum ubi iacebat, audivit cytharam pulchriorem versum facientem et magis delectabilem quam umquam audiverat in vita sua. 
9 Et cytharizans ibat tantum longe quantum posset audiri et postea revertebatur semper cytharizando. 
10 Et sic per magnam horam hoc fecit. 
11 Unde considerans beatus Franciscus quod opus Dei esset et non hominis, maximo repletus est gaudio et cum exultatione cordis toto affectu laudavit Dominum, qui tali ac tanta consolatione ipsum dignatus est consolari. 12 Et surgens mane dixit socio suo: “Rogavi te, frater, et non satisfecisti michi; sed Dominus, qui in tribulatione consolatur amicos suos, hac nocte dignatus est me consolari (cfr. 2Cor 1,4)“. 
13 Et sic narravit ei omnia que acciderant. 
14 Et mirati sunt fratres, considerantes hoc esse magnum miraculum. 
15 Et cognoverunt vere quod opus Dei fuisset pro consolatione beati Francisci, et maxime cum, non tantum media nocte, sed etiam post tertiam pulsationem campane, ex consuetudine iussionis potestatis, nullus auderet ire per civitatem. 
16 Et quia, sicut dixit beatus Franciscus, cum silentio, et sine voce et strepitu oris, sicut opus Dei erat, ibat et revertebatur per magnam horam ad consolandum spiritum eius.

Texto Traduzido

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1 Certa vez, quando o bem-aventurado Francisco estava em Rieti e hospedado por alguns dias num quarto de Tebaldo Sarraceno por causa da doença dos olhos, disse, um dia, a um de seus companheiros, que, no século, sabia tocar cítara: 
2 “Irmão, os filhos deste século não entendem das coisas divinas; pois instrumentos como as cítaras, os saltérios de dez cordas e outros instrumentos, que eram usados nos tempos antigos pelos santos homens para louvar a Deus e consolar as almas, agora são usados por eles para a vaidade, o pecado e contra a vontade de Deus. 
3 Por isso eu gostaria que conseguisses em segredo com alguma pessoa honesta uma cítara com que me fizesses um versos honesto e com ela diremos coisas das palavras e louvores do Senhor, principalmente porque o corpo está aflito por grande doença e dor. 
4 Por isso eu gostaria, nesta oportunidade, de reduzir a própria dor do corpo para alegria e consolação da alma”. 
5 Pois o bem-aventurado Francisco, em sua enfermidade, fizera alguns louvores do Senhor, que de vez em quando fazia que fossem ditos por seus companheiros para o louvor de Deus para consolação de sua alma, mas também para edificação do próximo. 
6 O frade respondeu-lhe: “Pai, fico com vergonha de ir buscar, principalmente porque as pessoas desta cidade sabem que no século eu sabia tocar cítara; temo que pensem que estou sendo tentado a ser citarista de novo”. 
7 O bem-aventurado Francisco lhe disse: “Então, irmão, vamos deixar disso”. 
8 Mas na noite seguinte, quase à meia-noite, o bem-aventurado Francisco estava acordado e eis que, ao redor da casa onde estava deitado, ouviu uma cítara tocando uma música mais bonita e mais agradável do que jamais tinha ouvido em sua vida. 
9 E ia tocando tão longe quanto se podia ouvir e depois voltava tocando. 
10 E fez isso por uma boa hora. 
11 Por isso, considerando o bem-aventurado Francisco que era obra de Deus e não de um homem, encheu-se do maior gozo e com o coração exultante louvou o Senhor com todo afeto por ter-se dignado consolá-lo com tal e tão grande consolação. 
12 E, quando se levantou de manhã, disse ao seu companheiro: “Irmão, eu te pedi e não me satisfizeste; mas o Senhor, que consola seus amigos na tribulação, dignou-se consolar-me nesta noite”. 
13 E assim contou-lhe tudo que tinha acontecido. 
14 E os frades ficaram admirados, achando que isso era um grande milagre. 
15 E souberam de verdade que tinha sido uma obra de Deus para consolação do bem-aventurado Francisco e principalmente porque, de acordo com uma lei do podestà, não só à maia-noite mas mesmo depois do terceiro toque de sino, ninguém ousava andar pela cidade. 
16 E porque, como contou o bem-aventurado Francisco, ia e voltava por uma boa hora em silêncio, sem voz e sem barulho da boca, como era obra de Deus, para consolar o seu espírito.