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52. Generosidade de Francisco

Texto Original

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1 Eodem tempore quedam mulier paupercula de Machilone venit Reate pro infirmitate oculorum. 
2 Cumque [qua]dam die veniret medicus ad beatum Franciscum dixit ad eum: “Frater, quedam mulier infirma oculis venit ad me; sed tantum est paupercula quod ipsam oportet me adiuvari amore Dei et dari illi expensas”. 
3 Quo audito, beatus Franciscus pietate motus super eam (cfr. Luc 7,13), advocans sibi unum de sociis qui erat eius guardianus, dixit ad eum: “Frater guardiane, oportet nos reddere alienum”. Qui dixit: “Quid est illud, frater?”. 
4 At ille: “Istum, inquit, mantellum quem accepimus mutuo (cfr. Luc 6,34) ab illa muliere paupercula et infirma oculis oportet nos sibi reddere”. 
5 Dixit ad eum guardianus eius: “Frater, quod tibi melius inde videbitur, facias”. 
6 Beatus Franciscus cum hilaritate vocavit quendam spiritualem hominem qui erat ei nimis familiaris, et dixit ad eum: 
7 “Tolle hunc mantellum et .XII. panes cum eo, et vade, et dic taliter illi mulieri paupercule et infirme, quem tibi ostenderit medicus qui medetur ipsi: 
8 Pauper homo, cui accomandasti hunc mantellum, gratias tibi refert de mutuatione mantelli quem sibi fecisti; tolle quod tuum est (Mat 20,14)”. 
9 Ivit ergo ille et dixit illi omnia sicut sibi dixerat beatus Franciscus. 
10 Illa vero existimans sibi illudi, cum timore et verecundia dixit ad eum: “Dimitte me in pace, nescio enim quid dicis (cfr. 1Re 20,13; Mat 26,70)”. 
11 Ille vero posuit mantellum et .XII. pa[nes in ma]nibus eius. 
12 Mulier vero considerans quod in veritate diceret, cum tremore et exultatione cordis accipit illum, et [ti]mens ne sibi auferretur, surrexit de nocte occulte et reversa est gaudens in domum suam. 
13 Immo etiam dixerat beatus Franciscus guardiano suo ut cotidie, dum ibi maneret, daret illi expensas amore Dei. 
14 Unde nos qui fuimus cum (cfr. 2Pet 1,18) beato Francisco, testimonium perhibemus (cfr. Ioa 21,34; 3Ioa 12) de ipso, quod erat tante caritatis et pietatis in sua sanitate [et infirmitate] non solum erga suos fratres, sed etiam erga pauperes sanos et infirmos; 
15 ut necessaria sui corporis, que fratres aliquando cum multa sollicitudine et devotione acquirebant, prius nobis blandiens ut non inde conturbaremur, cum multa letitia interiori et exteriori aliis exhiberet et suo corpori subtraheret, etiamsi sibi valde necessaria. 
16 Et propter hoc generalis minister et guardianus eius preceperant ei, ut nulli fratri suam tunicam daret sine eorum licentia; 
17 quoniam fratres propter devotionem quem habebant in ipso, aliquando petebant sibi et ipse statim dabat eis, 
18 vel ipsemet cum videret aliquem fratrem infirmitium, vel male vestitum, aliquando dabat ei tunicam, aliquando dividebat eam et partem dabat partemque sibi retinebat, quoniam non portabat nec volebat habere nisi tunicam unam.

Texto Traduzido

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1 Nesse mesmo tempo, uma mulher pobrezinha de Machilone foi a Rieti por causa de uma doença dos olhos. 
2 Certo dia, quando o médico veio ao bem-aventurado Francisco, disse-lhe: “Irmão, uma mulher doente dos olhos veio me procurar; mas é tão pobrezinha que tenho que ajudá-la por amor de Deus e pagar suas despesas”. 
3 Ouvindo isso, o bem-aventurado Francisco ficou com pena dela, chamou um de seus companheiros, que era o guardião, e lhe disse: “Irmão guardião, temos o que devolver o que é dos outros”. Ele disse: “O que é, irmão?”. 
4 E ele: “Temos que devolver esta capa que recebemos emprestada daquela mulher pobrezinha e doente dos olhos”. 
5 Disse-lhe o guardião: “Irmão, faz o que te parecer melhor”. 
6 O bem-aventurado Francisco chamou alegremente um homem espiritual, que era muito familiar, e lhe disse: 
7 “Pega esta capa, e com ela doze pães, e vai disser isto àquela mulher pobrezinha e enferma, que o médico que cuida dela vai te mostrar: 
8 O homem pobre a quem emprestastes este manto te agradece pelo empréstimo do manto que lhe fizeste; pega o que é teu”. 
9 Ele foi e falou tudo como o bem-aventurado Francisco tinha dito. 
10 Mas a mulher, pensando que estava sendo enganada, disse-lhe com medo e vergonha: “Deixa-me em paz, não sei do que falas”. 
11 Mas ele colocou o manto e os doze pães na mão dela. 
12 Quando a mulher viu que estava falando a verdade, recebeu-o com tremor e agitação do coração e, com medo de que lhe tirassem, levantou-se ocultamente de noite e voltou alegre para sua casa. 
13 O bem-aventurado Francisco tinha até dito ao seu guardião que, enquanto estivesse lá, fizesse-lhe os pagamentos por amor de deus. 
14 Por isso, nós que estivemos com o bem-aventurado Francisco damos testemunho dele, que era de tão grande caridade e piedade em sua saúde {e enfermidade] não só com seus frades mas também com os pobres, sãos e doentes. 
15 A ponto de dar aos outros, com muita alegria interior e exterior, o que era necessário a seu corpo, e que os frades às vezes adquiririam com muita solicitude e devoção, agradando-nos primeiro para que não ficássemos perturbados, mas tirando do seu corpo ainda que lhe fosse muito necessário. 
16 E por isso o ministro geral e o guardião mandaram-lhe que não desse sua túnica a nenhum frades, sem sua licença; 
17 porque os frades, pela devoção que lhe tinham, às vezes pediam e ele dava na mesma hora. 
18 Ou então, ele mesmo, vendo algum frade enfermiço, ou mal vestido, às vezes dava-lhe a túnica, às vezes dividia-a e dava uma parte, guardando a outra parte para si, porque não usava nem queria ter a ser uma única túnica.