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Capítulo XII (XIII) Sobre a sua morte e a alegria que mostrou quando soube com certeza que estava perto da morte.

Texto Original

Capitulum XII (XIII) De morte ipsius et laetitia quam ostendit quando scivit pro certo se esse morti propinquum.

Caput 121. Et primo qualiter respondit fratri Heliae arguenti ipsum de tanta laetitia quam ostendebat.

 

1 Cum in palatio episcopatus Assisii jaceret infirmus, et plus solito videretur aggravata manus Domini (cfr. Apoc 2,11; 20,6) super eum, 2 timens populus Assisii, si de nocte moreretur, ne fratres tollerent sanctum corpus ejus, et ipsum deferrent ad aliam civitatem, constituerunt ut qualibet nocte, extra murum palatii, in circuitu custodiretur ab hominibus diligenter.
3 Ipse autem pater sanctissimus ad consolandum spiritum suum ne deficeret aliquando ex vehementia dolorum quibus continue affligebatur, saepe in die faciebat Laudes Domini a sociis suis decantari; 4 hoc etiam faciebat in nocte ad aedificationem et consolationem illorum saecularium qui propter ipsum extra palatium vigilabant.
5 Considerans autem frater Helias quod beatus Franciscus in tanta aegritudine ita se confortaret in Domino et gauderet, dixit ad eum: “Carissime frater, de omni laetitia quam pro te et sociis tuis in tua infirmitate ostendis sum valde consolatus et aedificatus; 6 sed, licet homines hujus civitatis te venerentur pro sancto, tamen, quia credunt firmiter propter hanc infirmitatem tuam incurabilem te in proximo moriturum, 7 audientes hujusmodi Laudes cantari die noctuque, possent dicere intra se: Quomodo hic tantam laetitiam ostendit qui est prope mortem? Deberet enim cogitare de morte”.
8 Dixit ad eum beatus Franciscus: “Recordaris cum apud Fulginium visionem vidisti, et dixisti mihi quod quidam tibi dixerat quod non debebam vivere nisi duobus annis? 9 Antequam illam visionem videres, per gratiam Dei, qui omne bonum suggerit (cfr. Ioa 14,26)cordi et ponit in ore (cfr. Is 59,21) suorum fidelium, saepe in die et nocte considerabam finem meum (cfr. Ps 38,5); 10 sed ab illa hora qua visionem vidisti, fui magis sollicitus considerare quotidie diem mortis”.
11 Et statim ait cum magno fervore spiritus: “Dimitte me frater gaudere in Domino (cfr. Phip 4,4) et in laudibus ejus, in infirmitatibus meis (cfr. 2Cor 12,9), 12 quoniam, gratia Spiritus sancti cooperante, ita sum unitus et conjunctus cum Domino meo quod per misericordiam suam bene possum in ipso Altissimo jucundari”.

Texto Traduzido

Capitulum XII (XIII) De morte ipsius et laetitia quam ostendit quando scivit pro certo se esse morti propinquum.

Capítulo 121. Primeiramente, como respondeu a Frei Elias, que o censurava pela alegria que mostrava.

 

1 Quando jazia doente no palácio do bispo de Assis e parecia que a mão do Senhor estava mais pesada (cf. 1Sm 5,6) sobre ele do que de costume, 2 temendo que se ele morresse de noite os fra­des tomassem seu santo corpo e o levassem a outra cidade, o povo de Assis decidiu que cada noite fosse diligentemente guardado por homens ao redor do exterior do muro do palácio.
Mas, para consolar seu espírito para que não viesse a desfalecer alguma vez pela veemência das dores que constantemente o atormentavam, o santíssimo pai mandava que seus companheiros cantassem mui­tas vezes os Louvores do Senhor. 4 Fazia isso também de noite para edificar e consolar os seculares que, por sua causa, vigiavam fora do palácio.
Vendo que em tamanha dor o bem-aventurado Francisco assim se conforta­va e alegrava no Senhor, Frei Elias disse-lhe: “Caríssimo irmão, sinto-me muito consolado e edificado por toda a alegria que mani­festas a teus companheiros na tua enfermidade. 6 Mas, embora as pessoas desta cidade te venerem como santo, elas crêem firme­mente que, por causa desta tua doença incurável, hás de morrer em breve. 7 Ouvindo cantar assim, dia e noite, esses Louvores, são ca­pazes de dizer: Como pode ele mostrar tanta alegria, se está para morrer? Deveria antes pensar na morte”.
8 O bem-aventurado Francisco respondeu-lhe: “Recordas-te da visão que ti­veste em Foligno e me disseste que alguém te dissera que eu não deveria viver senão dois anos? 9 Antes. de teres aquela visão, por graça de Deus; que inspira ao coração todo (cf. Jo 14,26) o bem e o põe na boca (cf. Is 59,21) de seus fiéis, muitas vezes, dia e noite, pensei sobre o meu fim (cf. Sl 38,5). 10 Mas desde que tiveste a vi­são, fui mais solícito em refletir diariamente sobre o dia da morte”.
11 E logo acrescentou com grande fervor de espírito: “Permi­te-me, irmão, que, nas minhas enfermidades (cf. 2Cor 12,9), eu me alegre no Senhor (cf. Fl 4,4) e nos seus louvores, 12 pois, com a cooperação da graça do Espírito Santo, estou tão unido e ligado ao meu Senhor que, por sua misericórdia, bem posso alegrar-me no Altíssimo”.