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Santa Clara: A Grande Construtora do Lado Feminino da Espiritualidade Franciscana

Publicado por Frei José Maria da Silva | 16/03/2019 - 09:00

               Costumamos falar frequentemente  de Francisco e raramente de Clara, a alma gêmea do santo. Clara nasceu em 1194 em uma família nobre e rica. Era de uma grande inteligência e de uma atraente beleza. Poderia ter chegado a um magnífico casamento, pois era cortejada por jovens de nobres e importantes famílias. Contudo, isso não atraiu a Clara e muito menos a atraíam as mundanidades.

                O Evangelho e Jesus Cristo a fascinavam e, em vez de uma vida com fausto, riquezas e comodidades, sonhava em ser uma pobre dama que consagraria todo o seu ser e as suas energias ao Senhor.

                 Clara conheceu Francisco e os seus primeiros irmãos e se sentiu atraída pelo jeito como os mesmos viviam o Evangelho, seguiam e serviam a Jesus Cristo. Clara encantou-se com a proposta de vida de Francisco e com algumas nobres companheiras, no pobre e humilde  conventinho de São Damião, iniciou a vida feminina contemplativa franciscana. Viveu uma terna e sólida amizade com Francisco que a orientava e era também orientado e confortado por ela.

                 Clara teve que abraçar por uns tempos a regra beneditina de vida religiosa, à qual, com persistência e contrariando as disposições da Igreja, é o lado profético de Clara, acrescentou uma severa vida de pobreza.  Esta foi uma das suas contribuições para reconstruir a Igreja. Clara adotou o modelo de mosteiros com grande autonomia, e as clarissas desses mosteiros vivenciaram o franciscanismo de Clara e de Francisco, atualizaram-no, segundo Frei José Carlos Correa Pedroso, através dos tempos.

Só nos últimos momentos de vida é que Clara teve a Regra de vida e o privilégio de viver a pobreza aprovados pelo Papa.

                Wilson José Sperandio nos brinda com diversos poemas-reflexão sobre a vida de Santa Clara:

♦“ Clara! Você nasceu Clara. Você através da vida, se fez sempre mais Clara. Deus a fez Santa Clara.”

♦“Minha Santa Clara, ilumine minha vida! Também sou filho de Deus Luz! Também quero ver claro o caminho da vida.”

♦“ Em cada coração jovem há uma Clara, que continua rezando: Senhor, as batidas do meu coração e o perfume de minha virgindade não os entregarei a ninguém. Não quero viver um amor dividido. Desejo a totalidade do amor, a plenitude do amor, a eternidade do amor...”

♦“ Clara com humildade rezava: “Quero a Deus, o Deus do Presépio, o Deus do Calvário, o Deus do Altar. Não quero outro tesouro e nem outra herança.”

                    Santa Clara, salvou duas vezes o conventinho de São Damião e Assis do assalto das tropas sarracenas (muçulmanas). Uma vez estavam às portas do conventinho e Clara e as clarissas, perante o Santíssimo, clamavam, choravam , rezavam, e as tropas se retiraram. Em outra oportunidade, os sarracenos estavam acampados  nas proximidades de São Damião e prontos para a tomada de Assis. Clara e as clarissas rezaram intensamente, prepararam uma grande quantidade de pães e de manhã, levaram fraternalmente ao acampamento. O comandante dos sarracenos, talvez se lembrando dos pães que a mãe lhe preparava, comovido, comendo com seus famintos comandados, os saborosos pães, determinou a retirada da tropa.

                     Santa Clara, rogai por nós!

Sobre o autor
Frei José Maria da Silva

Frei da província São Lourenço de Brindes (PR/SC)