04.05.1913 - Údine/Itália
22.09.1992 = Ponta Grossa/Paraná
Frei Viório nasceu em údine, Itália, aos 4 de maio de 1913 filho de Jorge Pagliarini e Antonia Roman. Foi batizado (14.09.1913) na igrejinha Madonna de Carmine, nesta mesma cidade, e crismado (14.06.1921) na igreja do Santíssimo Redentor, em Fiúme de ístria, para onde o pai tinha sido transferido porque ferroviário, e aí mesmo recebeu sua primeira Comunhão (1924).
Um pequeno fato o fez pensar vocacionalmente. Um dia ajudando a missa como coroinha, tropeçou nas vestes e caiu no chão quando transportava o missal. Quando chegou na sacristia, Frei Atanásio de Forni olhou-o bem e disse: "Você não gostaria de ser capuchinho?". "Sim", respondeu o pequeno Umberto. Somente em outubro de 1926 esse "sim" tornou-se realidade quando entrou no seminário de Rovigo.
Após os estudos feitos nesse seminário (1926-1927), foi admitido ao noviciado (24.07.1928) em Bassano del Grappa sob as orientações do mestre Frei Rufino de Cadore. No mesmo local, emitiu a profissão temporária (25.07.1929), recebida pelo Frei Romualdo de Soave. Em Veneza, durante seus estudos, fez sua profissão perpétua aos 28 de outubro de 1934. O cardeal patriarca Adeodato Piazza ordenou-o sacerdote na Basílica do Santíssimo Redentor aos 14 de agosto de 1938. Entre os concelebrantes estava seu irmão padre Ángelo (diocesano) que, mais tarde, também se fez capuchinho com o nome de Frei Alípio.
Iniciou seu apostolado no convento de Santa Cruz de Aidússina. Trabalhou seis anos em Trieste, dois em Thiene e, de 1943 a 1945, foi guardião e pregador em Schio. Em 1945, o ano mais duro da segunda guerra mundial, foi mandado a Verona para falar diretamente com o chefe da SS que tinha enchido de partigianos esse seminário dos capuchinhos, tendo sido preso o guardião e o seminário foi cercado com arame farpado. Conseguiu que todos pudessem fazer a confissão e a comunhão na Páscoa e que o convento fosse respeitado. Em Veneza foi capelão dos prisioneiros e esmoler do convento.
Aos 5 de novembro de 1946 recebeu o aviso e a obediência que tinha sido destinado a trabalhar no Brasil. Antes de partir, visitou todos seus familiares e fez uma viagem aos lugares franciscanos e a Roma, onde até foi recebido pelo papa Pio XII.
Na catedral de Mestre, o Ministro provincial Frei Vicente de Magredis entregou o crucifixo missionário a ele e a seus companheiros: freis Ambrósio Canato, Salvador Casumaro, Lúcio Bovino, Bernardino Tomat, todos enviados à nossa Província. O grupo partiu da Itália aos 21 de abril de 1947 com o navio Ravello, chegando no Rio de Janeiro aos 7 de maio de 1947 e onde os esperava Frei Henrique de Paese. Após terem visitado brevemente esta cidade rumaram a São Paulo, de trem e dali a Santo Antônio da Platina, la chegando aos 14.05.1947, onde residia o Custódio Frei Inácio de Ribeirão Preto.
Sem ainda saber bem o português, começou atender algumas capelas de Santo Antônio da Platina e fez o primeiro casamento na capela de Ribeirão do Pinhal.
Em nossa Província trabalhou em Santo Antônio da Platina (1947; 1958), Uraí (148; 1966; 1980), Congonhinhas, Jaguariaíva (1948; 1956), Reserva (1951-1952), Butiatuba (1954), Congonhinhas (1958), Siqueira Campos (1959-1965), Laurentino (1966), Ponta Grossa-São Cristóvão (1967), Londrina (1968; 1973), Curitiba (1968), Rio Branco do Sul (1970), Butiatuba (1971), Arapongas (1972), Ponta Grossa-Imaculada Conceição (1976-1979), Céu Azul (1981-1982), Ponta Grossa-Bom Jesus (1983-1992).
Em todas as fraternidades, Frei Vitório exerceu quase sempre a atividade de vigário paroquial, mas também fez parte da equipe missionária. Na fraternidade local foi nomeado superior local, vice-superior e conselheiro local. Quando trabalhou em Siqueira Campos, colaborou com os demais frades em formar uma cooperativa para os colonos, na montagem de um Raio X de 250 mil ampéres e da Rádio Bom Jesus.
Na comemoração de seus 50 anos de vida sacerdotal, o Ministro Provincial afirmou: "Frei Vitório é um homem sacerdote que sempre demonstrou coragem, tenacidade, fidelidade e perseverança". Seu caráter nem sempre era fácil e, quando sofria, fechava-se. No entanto, sua vida espiritual sempre foi séria e fiel. Vivia pobremente e com grande espírito de obediência. A Liturgia das horas era para ele sagrada, não se dispensava mesmo nos dias com acúmulo de atividades.
Desde 1983 Frei Vitório pertencia à fraternidade do Convento Bom Jesus e atuava como confessor. Sua presença nessa fraternidade foi uma bênção. Tornou-se mestre de alegria, de otimismo e de grande exemplo apostólico. Uma figura muito estimada e simpática ao povo, aos frades e demais sacerdotes. Por isso, muitos sacerdotes acorriam a ele, buscando o perdão de Deus através do sacramento da Penitência. Alguns bispos, como Dom Geraldo Pellanda e Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, também o procuravam para a confissão.
Em 1988, com ajudas enviadas pela Diocese de údine (Itália) construiu uma capela na Vila Deyse, na paróquia Bom Jesus, em Ponta Grossa. Foi dedicada à Nossa Senhora de Castelmonte, cujo quadro foi pintado e enviado ao frei por um artista italiano. Em agosto o quadro foi entronizado e a capela inaugurada. Esse fato coincidiu com a celebração das bodas de ouro sacerdotais de Frei Vitório.
Seu estado de saúde começou a declinar, a partir de maio de 1991, devido a complicações de diabete, artrite e bronquite crônica. Sua saúde sofreu várias complicações, precisando ser internado várias vezes. Aos 29 de março de 1992, Frei Francisco Miguel da Silva chegou a Ponta Grossa incumbido de cuidar de Frei Vitório. Em junho, não conseguindo mais caminhar, deslocavase pelo convento através de uma cadeira de rodas. Em agosto, novas complicaçes apareceram e sua vida se mantinha entre internamentos e altas no Hospital Bom Jesus. No inicio de setembro, em seu quarto, no Convento, com a presença de todos os freis desta fraternidade, recebe das mãos do Superior, Frei Cláudio Sturm, a Unção dos Enfermos, acompanhada pelo Canto das Criaturas.
No dia 17 de setembro uma grave crise o obrigou ao internamento na UTI do hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa. Então, Frei Vitório aguardava dia após dia, com fé, esperança e resignação, a irmã morte corporal. Quando estava nessa UTI, pediu a presença de seu guardião, Frei Cláudio N. Sturm, e pediu-lhe a licença para morrer e a sua bênção. Depois disso, não lutou mais para viver. E assim, aos 22 de setembro de 1992, às 5h30, no Hospital Bom Jesus, assistido por Frei Francisco Miguel, entregou sua alma a Deus. O laudo médico atestou insuficiência respiratória e broncopneumonia.
Seu corpo foi velado na igreja do Senhor Bom Jesus, em Ponta Grossa, até às 11h, quando houve missa com a participação de muitas pessoas do Bom Jesus e Imaculada. Em seguida, foi transladado para Butiatuba, onde, às 16h houve missa e celebração de sepultamento, com a presença de muitos freis da região de Curitiba, Florianópolis, Vera Cruz do Oeste e Ponta Grossa. Entre muitos depoimentos, durante a celebração de Butiatuba, destacam-se: "Frei Vitório não foi um carro de asfalto, mas uma máquina forte do interior, um jipe, um trator que percorreu o interior da Província, prestando serviço de todo tipo"; "Ele tinha grande respeito e reverência ao superior local. Dizia que ainda vivia devido aos cuidados e recursos providenciados pelo mesmo. Colocava suas mãos em minha cabeça e me pedia que o ajudasse a levar sua cruz até o fim".
Faleceu com 79 anos de idade e 54 de sacerdócio. Foi um homem de poucas palavras, trabalho dedicado, espírito de oração e obediência.