Necrologia

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Frei Gino Tinazzi

03/02/1922
15/09/2010

* 03.02.1922 – Verona/Itália

† 15.09.2010 – Conegliano/Itália

Frei GINO TINAZZI, filho de Baltasar Tinazzi e Libera Pezzo nasceu em Valdiporro, município de Boscochiesnuova, diocese de Verona, Itália, aos 03.02.1922.

Entrou no seminário de Rovigo aos 18.08.1933. Dia 19.07.1938 recebeu o hábito capuchinho em Bassano dei Grappa com o nome de Frei Baltasar, sendo mestre frei Romualdo de Soave. Emitiu os votos tempo­rários aos 20.07.1939 em Bassano e os votos perpétuos aos 28.05.1944, em Veneza, sendo o celebrante frei Ciemente Vicentini, vigário provincial. Foi ordenado sacerdote aos09.09.1945 pelo bispo capuchinho Dom Goméiio S. Cuccarollo, na majestosa basíli­ca paladina do Santíssimo Redentor.

Após sua ordenação, consideradas também suas qualidades intelectuais, os superiores enviaram a Roma onde obteve o mestrado em teolo­gia pela Universidade Gregoriana e mestra­do em Sagrada Escri­tura pelo Instituto Bíblico.

Retomando à Província Vêneta, frei Gino foi designado professor de Sagrada Escri­tura aos nossos teólogos de Veneza e de­senvolveu este serviço por onze anos. Frei Raimundo Ambrosi, seu ex-aluno e mais tarde ministro provincial assim escreveu sobre Frei Gino: “Recordo seus anos como professor em Veneza, o seu exemplo de bondade e de oração, sua amabilidade, o serviço alegre a qualquer necessidade dos confrades".

Desde o início de sua vida sacerdotal

No Paraná - Frei Gino queria ser mis­sionário, mas somente mais tarde foi atendido. Foi designado para nossa Província, aqui chegando no dia 01.07.1976. Nesta circunscrição exerceu seu apostolado nas seguintes localidades: Vera Cruz do Oeste (1976-1979); Santo Antônio da Platina (1980- 1986). Nestas fraternidades prestou o serviço como vigário paroquial e capelão do Asilo, em Santo Antônio.

Aos 19.06.1986, por motivos de saúde, regressou à Província Vêneta e mais tarde, de 1989 a 1993, trabalhou no Acre, ficando à disposição do bispo de Cruzeiro do Sul.

Retorno - Retornou definitivamente à Itália, em 1993, sendo destinado confessor no convento de Ásolo. Ali foram muitos os sacerdotes e os fiéis que, atraídos por sua cordialidade e por seu sorriso, subiram a colina onde se encontra aquele convento para buscar misericórdia e alívio no sacramento da confissão ou na direção espiritual. Homem de poucas palavras, mas sempre de confiança e de otimismo. Frade de paz e de serenidade foi presença tonificante na fraternidade. Era animado por profunda caridade e mansidão. A oração prolongada lhe deu energia para ser verdadeiro frade menor. Amante da natureza, tinha o dom de maravilhar-se por tudo o que é belo e que reevoca a grandeza da bondade criadora de Deus. No horto conseguiu cuidar um pedacinho de terreno, onde cultivou, com afeto, diversas ervas aromáticas que ele regularmente recolhia.

Em Ásolo Frei Gino permaneceu pratica­mente até o fim. Seu estado de saúde agra­vou-se repentinamente e logo foi conduzido à enfermaria de Conegliano, onde faleceu no dia 15.09.2010. Contava 88 anos de idade, 71 de vida religiosa e 65 de sacer­dócio e 14 de missionário no Brasil.

Foi sepultado em Vadiporro, sua terra natal, ao lado do seu irmão frei Ézio, também sacerdote capuchinho.

Frei Celestino Coletti

21/02/1923
15/09/2010

* 21.02.1923 – Veneza/Itália

† 15.09.2010 – Conegliano/Itália

Frei CELESTINO (Luciano Coletti), filho de Mario Coletti e Tereza Dolce nasceu na ilha de Giudecca, em Veneza, Itália, aos 21.02.1923. Foi cris­mado pelo patriarca La Fontaine.

Entrou no seminário aos 13.09.1936 em Rovigo. Recebeu o hábito capuchinho em Bassano dei Grappa aos 03.10.1940, sendo mestre frei Romualdo de Soave. Emitiu os votos temporários aos 04.10.1941 em Bassano e os perpétuos aos 08.12.1945, em Veneza. Foi ordenado sacerdote aos 13.03.1948, na Basílica do Santíssimo Redentor, em Veneza por Dom João leremich, bispo auxiliar. Celebrou a primeira missa solene aos 04.04.1948 neste mesmo

No Paraná - Aos 22.10.1949, partiu da Itália, embarcando no navio Anna Costa com frei, Elias Zulian. Desembarcou em Santos aos 09.11.1949. Chegou ao Paraná aos 12.11.1949. Aos 25.03.1958 incardinou-se em nossa Província.

Frei Celestino exerceu o sacerdócio em nossa Província nas seguintes localidades: São Lourenço do Oeste, (1949-1951; 1975- 1981); Butiatuba(1952; 1955); Engenheiro Gutierrez (1953); Ponta Grossa: Imaculada Conceição (1954; 1958-1959); Cinzeiro do Oeste (1954); Bandeirantes (1956-1957); Ponta Grossa: Bom Jesus (1959-1963); Laurentino (1964- 1972); Londrina (1973-1974); Curitiba: Cúria Provincial (1982-1984).

Nestes locais exerceu o seu aposto­lado como vigário paroquial e pároco, educador nos seminários, secretário e ecónomo provincial, guardião, arquivista, 1o e 2o defi­nidor provincial (1970-1975). Durante estes longos anos que trabalhou em nossa Província eram os tempos difíceis. Inicial­mente viajou a cavalo para anunciar o Evangelho, administrar os sacramentos e Iniciar novas comunidades. São numerosas as igrejas, as capelas construídas e as obras que realizou. Confirmando sua dedi­cação apostólica, duas cidades reconhe­ceram seus trabalhos, conferindo-lhe o título de cidadão honorário: Laurentino, em 1964 e São Lourenço do Oeste, em 1974.

Retorno - Aos 27.12.1984 retornou definitivamente à Província Vêneta. Lá, fez parte da fraternidade da casa de oração e do noviciado. Em 1993 chegava ao convento de Mestre. Atendia as confissões. Em toda parte demonstrava seu caráter veneziano e sua característica alegria brasileira. Assumiu o serviço de arquivista provincial, mostrando- se diligente, organizado e competente. Com seu cachimbo (relíquia do Brasil) estudava e organizava documentos e cartas antigas. Conservava o passado para que orientasse o futuro.

Após brevíssima doença, faleceu em Conegliano, aos 15.09.2010, com 87 anos de idade, 70 de vida religiosa e 62 de sacerdócio e 35 de missionário em nossa Província. Foi sepultado no cemitério de Conegliano.

Frei Estanislau Tomás Hella

19/09/1981

19.12.1913 - Curitiba/Paraná
19.09.1981 - Curitiba/Paraná

Frei Estanislau nasceu aos 19 de dezembro de 1913, em Curitiba, no Bairro do Pilarzinho. Recebeu a formação cristã na família e no colégio das Irmãs de Abranches, onde fez o curso primário. Com 28 anos de idade decidiu procurar os capuchinhos para consagrar sua vida a Deus como Francisco de Assis. Entrou no Seminário em Butiatuba aos 29.07.1941. Iniciou o postulantado aos 24.09.1941. Iniciou o noviciado aos 07.12.1942. Emitiu a profissão temporária aos 08.12.1943 e a perpétua aos 08.12.1946, perante o celebrante e superior dos capuchinhos, Frei Barnabé Ivo Tenani.

Logo a seguir a obediência religiosa destinou-lhe sobretudo o serviço da cozinha nas maiores casas de formação: Mercês (1943-1946; 1953-1957; 1965-1966; 1969-1981), Butiatuba (1947-1952; 1959-1960), Siqueira Campos (1961-1962), Capinzal (1963-1964), Ponta Grossa-Bom Jesus (1966-1968).

Durante estes anos dividiu sua vida entre a cozinha e a igreja, no serviço sempre alegre de louvor a Deus e alegria dos confrades na fraternidade. Tinha consciência de quanto este serviço é indispensável para o bem estar dos irmãos e, por isso faziao com a perfeição no melhor estilo de que só ele era capaz. Além de servir os frades como cozinheiro, foi instrutor dos irmãos leigos, assistente dos seminaristas, companheiro do Ministro provincial, assistente dos neo professos, porteiro por 22 anos em Curitiba e sacristão. Com outros freis, participou de campanhas de alimentos em favor dos seminários em diversos lugares do norte do Paraná.

Nada o alterava. Sempre sereno, alegre, pontual. Quando ocorria uma festa na fraternidade, além de melhorar a qualidade na quantidade, ainda completava o encontro à mesa com a música romântica de seus programas de gaita de boca.

Quando a saúde já não recomendava este tipo de trabalho, Frei Estanislau trocou o calor do fogão com o calor da amizade na portaria do convento das Mercês. Aí, por mais de 15 anos, mesmo castigado pela doença diabete, flebite e complicações cardíacas manteve sempre o mesmo ritmo de trabalho e fidelidade no vaivem do dia a dia desta tarefa. Todos sabem quanto era hospitaleiro com leigos e religiosos que procurassem nossa casa das Mercês.

Além destas atividades em que Frei Estanislau teve notoriedade pela vivência do seu carisma franciscano de ser e servir, destacou-se também em seus 38 anos de vida consagrada, nas funções de sacristão, esmoler, instrutor dos irmãos não clérigos no pós noviciado, assistente no seminário e irmão auxiliar do Ministro provincial.

Frei Estanislau teve a alegria de participar das cerimônias de beatificação de Frei Leopoldo de Mandic, aos 2 de maio de 1976, na Praça de São Pedro, em Roma, com os freis Miguel Botaccin e Bernardino Tomat. Naquela oportunidade, visitou a Província Veneta e os principais santuários da Itália.

Terminou sua missão aos 68 anos de idade, falecendo placidamente no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, aos 19 de setembro de 1981. Deixou uma folha corrida exemplar para os seus irmãos.

Não teve outras ambições senão ser fiel ao carisma de sua vocação religiosa franciscana com muito amor, alegria, simplicidade, humildade e perseverança, alimentadas pela oração e caridade fraterna.

Com o canto Noite Feliz, como ele pedira, foi sepultado no cemitério de Butiatuba.

Frei Luiz Carlos Girolla

13/05/1912
19/09/1999

13.05.1912 - Nova Trento/Santa Catarina
19.09.1999 Curitiba/Paraná

Frei Luiz Carlos Girolla é filho de Joaquim e Catarina Lorenzetti Girolla. Nasceu em Nova Trento (SC), aos 13 de maio de 1912.

Entrou para o seminário em 29 de dezembro de 1940, em Curitiba, Paraná, sendo recebido por Frei Ricardo de Vescovana, diretor. Vestiu o hábito capuchinho aos 31.10.1941, em Butiatuba, tendo como mestre de noviciado Frei Barnabé Tenani, que também era Custódio Provincial. Os votos temporários foram emitidos aos 8 de dezembro de 1942, em Butiatuba, sendo recebidos por Frei Henrique de Treviso. Consagrou-se definitivamente pelos votos perpétuos aos 6 de janeiro de 1946, na igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, pelas mãos de Frei Beda Tofanello.

Tendo entrado para o seminário com a finalidade de ser apenas religioso, Frei Luiz Girolla, ao terminar o noviciado permaneceu em Butiatuba, dedicando-se às atividades dos chamados "irmãos leigos": por sete anos cuidou da chácara. Em 1950, com o início da construção do Seminário Santa Maria, em Engenheiro Gutierrez, Paraná, foi transferido como ajudante na construção. Lá permaneceu por oito anos. Em 1958 retornou para Butiatuba, onde ficou mais dez anos. Atuou como esmoler no norte do Paraná, responsabilidade dura de trazer o sustento para os frades e seminaristas em época de grandes carências. Por onze anos (1970-1981) morou em Palmas como assistente do Bispo Dom Frei Agostinho Sartori, e também como responsável pela manutenção do Asilo da Diocese. De 1981 a 1984 trabalhou como porteiro no convento das Mercês, em Curitiba. De 1984 a 1987 dedicou-se a bênçãos no Santuário Bom Jesus, em Siqueira Campos. De 1987 a 1990, voltou para Butiatuba, coordenando a manutenção da Casa de Retiros. Após rápida passagem como auxiliar na Capela São Leopoldo Mandic, em Curitiba, Vila Nossa Senhora da Luz, Frei Luiz foi transferido para o convento das Mercês, onde auxiliou os freis no atendimento ao povo que solicita bênçãos. Nas Mercês ele está desde outubro de 1991.

Frei Luiz Girolla, aos 80 anos, continuou mantendo a imagem do "frade alegre e trabalhador". De 1943 a 1968, dedicou-se com alegria à difícil tarefa das "campanhas de cereais", para ajudar a sustentar os nossos seminários. Conhecido em todas as cidades do norte do Paraná, Frei Luiz foi admirado, não só pelo seu espírito de trabalho, mas também pela maneira com que, trabalhando, procurava evangelizar por atitudes e palavras. Até bispos (Maringá e Jacarezinho) na década de 1950 e 1960 solicitaram os seus préstimos para a construção de seus seminários, e Frei Girolla correspondeu franciscanamente.

Rezar ele sempre rezou. Mas, não só. Não dispensava um "dedo de prosa" onde quer que se encontrasse. Sempre tinha histórias para contar. às vezes, ele dizia que "acha que já está véio"! Mas, na "prosa", não perdia o fôlego.

Na madrugada de 19 de maio de 1993, frei Luís Girolla foi acometido, durante a noite, por um derrame. De manhã cedo, foi encontrado no chão. Não falava e nem se movia. Levado ao Hospital Nossa Senhora das Graças começou seu longo tratamento. Durante seis anos permaneceu na enfermaria provincial, em nossa Cúria e no convento das Mercês a partir de 12 de outubro de 1997. Para tratamentos esteve internado diversas vezes no hospital Nossa Senhora das Graças. Era continuamente atendido por Frei Francisco Miguel da Silva e seus auxiliares.

Em agosto de 1999, quebrou o fêmur. Depois de operado no hospital Nossa Senhora das Graças, sobrevieram complicações. Aos 04.09.1999, na parte da manhã, teve que ser internado na UTI. às 23h desse mesmo dia foi operado, em caráter de urgência, de laparatomia (cirurgia abdominal) quando se constatou úlcera duodenal e forte hemorragia. Permaneceu na UTI até 13.09.1999, e depois foi levado a num quarto, onde veio a falecer às 7h30 de 19 de setembro de 1999. Seu corpo foi transportado para Butiatuba, e, no mesmo, às 20h30, foi celebrada a primeira missa com a presença do Ministro provincial, vigário provincial, representantes da Província-mãe de Veneza (Frei Roberto Genuin, vigario provincial.; Frei Giovanni Lazzara, vice-secretário. provincial.) e diversos outros freis.

O bispo de Palmas, Dom Frei Agostinho José Sartori, veio especialmente para rito fúnebre porque Frei Luiz o ajudou durante onze anos na Diocese de Palmas. Presidiu a missa exequial, que iniciou às 10h30, em nossa capela da fraternidade Santo Antônio em Butiatuba. Falou brevemente mas de maneira muito bonita e fraterna, dando também a razão de sua presença e pela gratidão que devia para com frei Luís. Afirmou que, durante a missa na catedral de Palmas, foi comunicado o falecimento de Frei Luiz, que era muito conhecido também pelo povo.

Diversos sobrinhos, primos e um irmão de Frei Luiz estiveram presentes aos seus funerais. A estes se uniram diversos freis de nossa Província, que já se reuniam para o XI Capítulo provincial, e outras pessoas que estimavam o frei. O vigário provincial, Frei Daniel Heinzen, coordenou e dirigiu a missa e todos os presentes muito participaram nos cantos.

Após o evangelho, Frei Daniel Heinzen leu e comentou pequena biografia do falecido, dando a palavra a quem desejasse manifestar alguma coisa sobre Frei Luiz Carlos Girolla. Os pensamentos demonstrados pelos freis e também seus parentes revelaram fatos e apreciações interessantes, como as seguintes:

Quando o jovem Carlos (seu nome de Batismo) chegou de Jaraguá do Sul em Curitiba para ver o ambiente da vida dos frades, demonstrou boa vontade desde o início. Ele veio juntamente com outro jovem. Um do convento das Mercês, naquele tempo disse que este voltaria para casa e o outro permaneceria (era o jovem Carlos, o futuro Frei Luiz). Quando os freis sacerdotes retornavam, após o ministério apostólico nas capelas, a Butiatuba, frei Luiz zelava pelos cavalos e não queria que deles judiassem. Rezava muito pelas vocações e sabia viver e encarar a vida com calma. E com essa mesma calma ele veio falecer.

Era um frei realizado e amava muito a Província. Um homem de Deus, afetuoso. Quando, por exemplo, estava internado no Hospital Nossa Senhora. das Graças, em seus últimos anos, uma enfermeira visitava-o quase todos os dias. Confessou que sentia atraída pelo sorriso e simplicidade do frei. Um outro frei afirmou que o primeiro frade que tinha visto na vida foi exatamente Frei Luiz Girolla que, mais tarde, quando o encontrava sempre repetia que ele "foi o meu primeiro fruto".

À noite, antes de dormir, queria que o superior local lhe desse sempre a bênção. Se ele não viesse, perguntava o que tinha acontecido.

Outro confrade foi seu companheiro quando pedia esmolas pelo norte do Paraná. Frei Luiz visitava de 20 a 30 casas por dia. à noite, reunia o povo na casa onde pernoitava, com ele rezava e agradecia as ajudas recebidas. Conversava com todos, tornando-se muito conhecido e estimado. Durante esses períodos de esmoler, por exemplo, ele se hospedou na casa dos pais de um dos freis durante onze dias. Também, todos os dias reunia o povo e com ele rezava. Passados anos, esses seus conhecidos ainda perguntavam por ele.

No final da missa exequial, o Definidor provincial Frei Manoel Braz da Silva Noite oficiou a bênção do féretro. Todos os presentes se encaminharam lentamente para a colina onde se encontra o nosso cemitério. Frei Luiz Carlos Girolla foi o primeiro frade a ser sepultado na parte nova de nosso cemitério, aumentado neste ano. Lá aguarda a ressurreição final. 

Frei Vitório Pagliarini de Údine

04/05/1913
22/09/1992

04.05.1913 - Údine/Itália
22.09.1992 = Ponta Grossa/Paraná

Frei Viório nasceu em údine, Itália, aos 4 de maio de 1913 filho de Jorge Pagliarini e Antonia Roman. Foi batizado (14.09.1913) na igrejinha Madonna de Carmine, nesta mesma cidade, e crismado (14.06.1921) na igreja do Santíssimo Redentor, em Fiúme de ístria, para onde o pai tinha sido transferido porque ferroviário, e aí mesmo recebeu sua primeira Comunhão (1924).

Um pequeno fato o fez pensar vocacionalmente. Um dia ajudando a missa como coroinha, tropeçou nas vestes e caiu no chão quando transportava o missal. Quando chegou na sacristia, Frei Atanásio de Forni olhou-o bem e disse: "Você não gostaria de ser capuchinho?". "Sim", respondeu o pequeno Umberto. Somente em outubro de 1926 esse "sim" tornou-se realidade quando entrou no seminário de Rovigo.

Após os estudos feitos nesse seminário (1926-1927), foi admitido ao noviciado (24.07.1928) em Bassano del Grappa sob as orientações do mestre Frei Rufino de Cadore. No mesmo local, emitiu a profissão temporária (25.07.1929), recebida pelo Frei Romualdo de Soave. Em Veneza, durante seus estudos, fez sua profissão perpétua aos 28 de outubro de 1934. O cardeal patriarca Adeodato Piazza ordenou-o sacerdote na Basílica do Santíssimo Redentor aos 14 de agosto de 1938. Entre os concelebrantes estava seu irmão padre Ángelo (diocesano) que, mais tarde, também se fez capuchinho com o nome de Frei Alípio.

Iniciou seu apostolado no convento de Santa Cruz de Aidússina. Trabalhou seis anos em Trieste, dois em Thiene e, de 1943 a 1945, foi guardião e pregador em Schio. Em 1945, o ano mais duro da segunda guerra mundial, foi mandado a Verona para falar diretamente com o chefe da SS que tinha enchido de partigianos esse seminário dos capuchinhos, tendo sido preso o guardião e o seminário foi cercado com arame farpado. Conseguiu que todos pudessem fazer a confissão e a comunhão na Páscoa e que o convento fosse respeitado. Em Veneza foi capelão dos prisioneiros e esmoler do convento.

Aos 5 de novembro de 1946 recebeu o aviso e a obediência que tinha sido destinado a trabalhar no Brasil. Antes de partir, visitou todos seus familiares e fez uma viagem aos lugares franciscanos e a Roma, onde até foi recebido pelo papa Pio XII.

Na catedral de Mestre, o Ministro provincial Frei Vicente de Magredis entregou o crucifixo missionário a ele e a seus companheiros: freis Ambrósio Canato, Salvador Casumaro, Lúcio Bovino, Bernardino Tomat, todos enviados à nossa Província. O grupo partiu da Itália aos 21 de abril de 1947 com o navio Ravello, chegando no Rio de Janeiro aos 7 de maio de 1947 e onde os esperava Frei Henrique de Paese. Após terem visitado brevemente esta cidade rumaram a São Paulo, de trem e dali a Santo Antônio da Platina, la chegando aos 14.05.1947, onde residia o Custódio Frei Inácio de Ribeirão Preto.

Sem ainda saber bem o português, começou atender algumas capelas de Santo Antônio da Platina e fez o primeiro casamento na capela de Ribeirão do Pinhal.

Em nossa Província trabalhou em Santo Antônio da Platina (1947; 1958), Uraí (148; 1966; 1980), Congonhinhas, Jaguariaíva (1948; 1956), Reserva (1951-1952), Butiatuba (1954), Congonhinhas (1958), Siqueira Campos (1959-1965), Laurentino (1966), Ponta Grossa-São Cristóvão (1967), Londrina (1968; 1973), Curitiba (1968), Rio Branco do Sul (1970), Butiatuba (1971), Arapongas (1972), Ponta Grossa-Imaculada Conceição (1976-1979), Céu Azul (1981-1982), Ponta Grossa-Bom Jesus (1983-1992).

Em todas as fraternidades, Frei Vitório exerceu quase sempre a atividade de vigário paroquial, mas também fez parte da equipe missionária. Na fraternidade local foi nomeado superior local, vice-superior e conselheiro local. Quando trabalhou em Siqueira Campos, colaborou com os demais frades em formar uma cooperativa para os colonos, na montagem de um Raio X de 250 mil ampéres e da Rádio Bom Jesus.

Na comemoração de seus 50 anos de vida sacerdotal, o Ministro Provincial afirmou: "Frei Vitório é um homem sacerdote que sempre demonstrou coragem, tenacidade, fidelidade e perseverança". Seu caráter nem sempre era fácil e, quando sofria, fechava-se. No entanto, sua vida espiritual sempre foi séria e fiel. Vivia pobremente e com grande espírito de obediência. A Liturgia das horas era para ele sagrada, não se dispensava mesmo nos dias com acúmulo de atividades.

Desde 1983 Frei Vitório pertencia à fraternidade do Convento Bom Jesus e atuava como confessor. Sua presença nessa fraternidade foi uma bênção. Tornou-se mestre de alegria, de otimismo e de grande exemplo apostólico. Uma figura muito estimada e simpática ao povo, aos frades e demais sacerdotes. Por isso, muitos sacerdotes acorriam a ele, buscando o perdão de Deus através do sacramento da Penitência. Alguns bispos, como Dom Geraldo Pellanda e Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, também o procuravam para a confissão.

Em 1988, com ajudas enviadas pela Diocese de údine (Itália) construiu uma capela na Vila Deyse, na paróquia Bom Jesus, em Ponta Grossa. Foi dedicada à Nossa Senhora de Castelmonte, cujo quadro foi pintado e enviado ao frei por um artista italiano. Em agosto o quadro foi entronizado e a capela inaugurada. Esse fato coincidiu com a celebração das bodas de ouro sacerdotais de Frei Vitório.

Seu estado de saúde começou a declinar, a partir de maio de 1991, devido a complicações de diabete, artrite e bronquite crônica. Sua saúde sofreu várias complicações, precisando ser internado várias vezes. Aos 29 de março de 1992, Frei Francisco Miguel da Silva chegou a Ponta Grossa incumbido de cuidar de Frei Vitório. Em junho, não conseguindo mais caminhar, deslocavase pelo convento através de uma cadeira de rodas. Em agosto, novas complicaçes apareceram e sua vida se mantinha entre internamentos e altas no Hospital Bom Jesus. No inicio de setembro, em seu quarto, no Convento, com a presença de todos os freis desta fraternidade, recebe das mãos do Superior, Frei Cláudio Sturm, a Unção dos Enfermos, acompanhada pelo Canto das Criaturas.

No dia 17 de setembro uma grave crise o obrigou ao internamento na UTI do hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa. Então, Frei Vitório aguardava dia após dia, com fé, esperança e resignação, a irmã morte corporal. Quando estava nessa UTI, pediu a presença de seu guardião, Frei Cláudio N. Sturm, e pediu-lhe a licença para morrer e a sua bênção. Depois disso, não lutou mais para viver. E assim, aos 22 de setembro de 1992, às 5h30, no Hospital Bom Jesus, assistido por Frei Francisco Miguel, entregou sua alma a Deus. O laudo médico atestou insuficiência respiratória e broncopneumonia.

Seu corpo foi velado na igreja do Senhor Bom Jesus, em Ponta Grossa, até às 11h, quando houve missa com a participação de muitas pessoas do Bom Jesus e Imaculada. Em seguida, foi transladado para Butiatuba, onde, às 16h houve missa e celebração de sepultamento, com a presença de muitos freis da região de Curitiba, Florianópolis, Vera Cruz do Oeste e Ponta Grossa. Entre muitos depoimentos, durante a celebração de Butiatuba, destacam-se: "Frei Vitório não foi um carro de asfalto, mas uma máquina forte do interior, um jipe, um trator que percorreu o interior da Província, prestando serviço de todo tipo"; "Ele tinha grande respeito e reverência ao superior local. Dizia que ainda vivia devido aos cuidados e recursos providenciados pelo mesmo. Colocava suas mãos em minha cabeça e me pedia que o ajudasse a levar sua cruz até o fim".

Faleceu com 79 anos de idade e 54 de sacerdócio. Foi um homem de poucas palavras, trabalho dedicado, espírito de oração e obediência.

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