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Via Sacra da mãe de um inocente

Publicado por Frei Ivo Bonamigo | 11/04/2019 - 05:00

Atormenta-me a lembrança do filho que não morreu.

Não posso esquecer o lindo sorriso que não vi.

Dói-me o coração pelas carícias que não dei.

Sofro sem consolo pensando na criança que abortei.

 

Súplica entre dor e esperança

 

 

A Ti Senhor, a Ti que perdoaste a mulher adúltera,

A Ti entrego a minha dor e minha esperança.

Porque em Ti confio.

Somente no amor gratuito que me ofereces,

Poderei refazer minha vida,

Porque Tu disseste:

Vinde a Mim vós todos que estais sobrecarregados e aflitos. E Eu vos aliviarei!

Senhor!

Em Ti confio.

A Ti entrego minha dor e minha esperança.

 

Amém.

 

 

Via Sacra dos Inocentes

1ª.Estação. Condenação.

Eu fui condenado à morte antes de ter nascido. A mim ninguém me deu amor, pois a mim ninguém me quer.

 

2ª.Estação. Jesus com a cruz.

Carregaram-me com a maldição de ser indesejado. Todos me amaldiçoam, terei de ser eliminado.

 

3ª. Estação. Primeira queda.

Eu sou um pecado, uma queda. Ninguém pode ser obrigado a carregar o erro duma gravidez não desejada!

 

4ª. Estação. Encontro com a mãe.

Quão doloroso, Senhor, foi o teu encontro! Eu... Eu não tenho mãe que me encontre e chore! Eu estou encarcerado no ventre de uma mulher que me manda matar!

 

5ª. Estação. O Cirineu.

Alguém te ajudou a levar a cruz, a mim, a mim ninguém me ajuda! O médico dará à mulher um narcótico para que ela não sofra quando eu sofrer a morte.

 

6ª. Estação. A Verônica.

Oh, quem me dera uma Verônica que me consolasse na minha condenação! Ninguém sabe da minha situação! A lei cala os próprios cristãos!

 

7ª. Estação. Segunda queda.

É fácil mandar me matar, enquanto sou pequeno! Meu pai faz cálculos: quanto vou custar? Minha morte sai mais barato! Daí... Tenho que morrer!

 

8ª. Estação. As mulheres.

De que te serviram, Senhor, as lágrimas das mulheres? Não puderam impedir a tua morte! De que me valem as leis? Legalizam a minha morte!

 

 

9ª. Estação. Terceira queda.

A queda é fatal: eu tenho que morrer! Estão confirmados os cálculos: Não há lugar para mim! Não há um pedacinho de pão para mim neste vale de lágrimas. Tenho que morrer.

 

10. Estação. Jesus despido.

A Ti despiram-te dos vestidos. Eu nunca tive um vestido! Apenas a minha pele. Mas mesmo assim... Agarram-me com segurança!

 

11ª. Estação. Crucificação.

A Ti pregaram-te numa cruz. A mim partem-me em pedaços. E também contam todos os pedacinhos... Para terem a certeza de que a mãe não fica com infecção.

 

12ª. Estação. Morte na cruz.

Tu morres. Eu também. Tu és inocente. Eu também. Lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino. No teu Reino de Vida Eterna.

 

13ª. Estação. Descido da cruz.

Morto, pudeste repousar no regaço de quem nasceste... A mim renovam-me apenas a maldição. Porque serei uma carga a pesar... Na consciência!

 

14ª. Estação. No Túmulo.

A Ti ofereceram-te um túmulo. Para mim apenas o Montoro de lixo!... Lá esperarei o juízo final. Quando terei de fazer o meu depoimento contra... Meus pais.

Richard Thaimann.

 

Quem ama não mata!

Sobre o autor
Frei Ivo Bonamigo

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