Santos

Selecione o Mês:
01 Bem-aventurado Andrés de Conti
01/02/2024
Sacerdote e ermitão da Primeira Ordem (1240-1302). Inocêncio XIII confirmou seu culto em 15 de fevereiro de 1724

Andrés pertencia à nobre família Conti de Segni. Nasceu em Anagni (Itália), pelo ano de 1240. Logo que foi recebido na Ordem franciscana, conseguiu licença para sair de Roma, a fim de ir viver numa gruta dos Apeninos. Isto contrariou a família, na qual se procuravam honras. Assim, apenas cingiu a tiara, o seu tio Alexandre IV (1254-1261) foi lá para o tirar da gruta e o fazer cardeal; mas André negou-se e Alexandre teve de retirar-se.

Passados 25 anos, foi a Bonifácio VIII, seu sobrinho, que o humilde religioso recusou o chapéu cardinalício que o Papa lhe enviara. Muito edificado, Bonifácio desejava viver o bastante para colocar o sobrinho nos altares, mas não pôde, tendo morrido ambos quase ao mesmo tempo.

André de Ségni figura entre os santos inteligentíssimos. Era preciso sê-lo para brilhar como brilhou na teologia, quando Tomás de Aquino, Boaventura e Duns Escoto mantinham a dianteira. O seu caso embaraça os que não aceitam o sobrenatural e sentem contrariedade por outras pessoas não menos inteligentes acreditarem nele. Nos últimos anos, André, segundo o seu biógrafo, “levou vida mais angélica que humana”. A cada passo caía em êxtase, nesse estado em que a alma, perdendo consciência do espaço e do tempo, é como que levada para o seio de Deus e nele goza alegrias inexprimíveis. Faleceu em 1º de Fevereiro de 1302, aos 62 anos de idade.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
02 Santa Veridiana de Castelfiorentino
02/02/2024
Virgem da Terceira Ordem (1182-1242). Clemente VII concedeu seu ofício e missa em 20 de setembro de 1533.

No primeiro dia de fevereiro de 1242, de repente, todos os sinos do Castelfiorentino em Florença, Itália, começaram a repicar simultaneamente. Quando os moradores constataram que tocavam sozinhos, sem que ninguém os manuseassem, tudo ficou claro, porque eles anunciavam a morte de Veridiana.

Nasceu em 1182, ali mesmo nos arredores da cidade que amou e onde viveu quase toda sua existência, só que enclausurada numa minúscula cela, de livre e espontânea vontade. Pertencente a uma família nobre e rica, os Attavanti, Veridiana levou uma vida santa, que ficou conhecida muito além das fronteiras de sua terra; e que lhe valeu inclusive a visita em pessoa, de seu contemporâneo Francisco de Assis, que a abençoou e admitiu na Ordem Terceira, em 1221.

A fortuna da família, embora em certa decadência, Veridiana sempre utilizou em favor dos pobres. Um dos prodígios atribuídos à ela, mostra bem o tamanho de sua caridade. Consta que certa vez um dos seus tios, muito rico, deixou à seus cuidados grande parte de seus bens, que eram as colheitas de suas terras.

A cidade atravessava uma época terrível de carestia e fome, seu tio nem pensou em auxiliar os necessitados, era um mercador e como tal aproveitando-se da miséria reinante. Durante algum tempo procurou vender grande parte desses víveres, o que conseguiu por um preço elevado, obtendo grande lucro. Mas, ao levar o comprador para retirar o material vendido, levou um susto, suas despensas estavam completamente vazias. Veridiana tinha distribuído tudo aos pobres.

O tio comerciante ficou furioso, pediu um prazo de 24 horas ao comprador e ordenou a Veridiana que solucionasse o problema, já que fora a causadora dele. No dia seguinte, na hora marcada, as despensas estavam novamente cheias, e o negócio pode se concretizar.

Veridiana após uma peregrinação ao túmulo de Tiago em Compostela, Espanha, diga-se um centro de peregrinação tão requisitado quanto Roma o é pelos túmulos de São Pedro e São Paulo, ao retornar se decidiu pela vida religiosa e reclusa. Para que não se afastasse da cidade, seus amigos e parentes construíram então uma pequena e desconfortável cela, próxima ao Oratório de Santo Antônio, onde ela viveu 34 anos de penitência e solidão. A cela possuía uma única e mínima janela, por onde ela assistia à missa e recebia suas raras visitas e refeições, também minúsculas, suficientes apenas para que não morresse de fome.

O culto de Santa Veridiana foi aprovado pelo papa Clemente VII no ano de 1533. Ela também se tornou protetora do presídio feminino de Florença e, sua devoção ainda é muito popular na região da Toscana, na Itália.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
03 Santa Joana de Valois
03/02/2024
Rainha da França, viúva, da Terceira Ordem Regular (1464-1505). Fundadora das Irmãs da Anunciação. Canonizada por Pio XII em 28 de maio de 1950.

Filha do rei Luiz XI da França e Carlota de Savóia, Joana nasceu no castelo de Tours, em 23 de abril de 1464. Causou uma grande desilusão a seu pai que desejava um filho homem. Aos vinte e seis dias de idade, foi acertado o seu casamento, para consolidar uma aliança política, com seu primo Luiz de Órleans, de dois anos.

A menina cresceu com uma pequena deformação física, por isto aos cinco anos foi deixada no castelo de Berry, no qual o seu maior prazer era “conversar com a Santíssima Virgem”. Aos seis anos, foi convidada pelo rei a escolher um confessor. Escolheu o monge franciscano Gabriel Maria, que a Igreja também depois beatificou. Um ano depois, conversando com Nossa Senhora, durante as orações, esta a investiu de sua missão mariana: “Antes de morrer fundarás uma família religiosa em meu nome. Assim fazendo me darás um grande prazer e me prestarás um serviço”.

Como era de costume, aos doze anos se casou com o primo, apesar da sogra tentar desfazer a aliança, que já não era conveniente. Portanto, quando o pai de Joana morreu, ela se tornou a nova rainha e o marido, o rei Luiz XII, que em seguida a repudiou. Após a anulação canônica do matrimônio, casou-se com a filha do duque da Bretanha, em mais uma união de fundo político.

Joana herdou o ducado de Berry e um ano depois, em 1498, ingressou na ordem terceira de São Francisco, em Bourges, dedicando totalmente sua vida ao próximo, a Maria e a Jesus Cristo. Seguindo sempre a orientação espiritual de seu confessor, administrou suas posses com sabedoria e caridade, de forma a ajudar os pobres e doentes. Provou isto durante uma epidemia de peste, que se alastrou pelo território francês, naquele período, mostrando todas as virtudes que carregava no coração.

Depois, com dificuldade e superando todos os empecilhos, fundou, com a ajuda do monge Gabriel Maria, uma nova instituição religiosa para irmãs, tendo a finalidade de servir a Cristo e imitar a Virgem Maria, em todas as suas virtudes. A nova família, essencialmente mariana, recebeu o nome de Congregação da Anunciação, cujo estatuto foi escrito por ela. Também por seu desejo consagrou as irmãs às “dez virtudes da Santíssima Virgem”. No final de novembro de 1504, com autorização do Vaticano confiou a congregação aos Frades Menores da Obediência, Ordem terceira franciscana.

Morreu em 4 de fevereiro de 1505, de doença fulminante, no seu convento de Berry, França. As graças e os milagres floresciam sob sua intercessão, enquanto o monge Gabriel Maria consolidava sua obra. Ele morreu vinte e três anos depois, quando as irmãs contemplativas da Anunciação, como são chamadas atualmente, já estavam espalhadas por toda a França, alcançando a Bélgica e a Inglaterra. Santa Joana de Valois foi canonizada em 1950, pelo papa Pio XII, tendo determinando o dia de sua morte para as comemorações.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
04 São José de Leonisa - Capuchinho
04/02/2024

Sacerdote da Primeira Ordem (1556-1612). Canonizado por Bento XIV no dia 29 de junho de 1746.

Nasceu em Leonisa, no dia 08 de janeiro de 1556. Quando completou dezesseis anos ingressou na Ordem dos Frades Capuchinhos e seu noviciado foi cumprido numa localidade próxima a Assis chamada Cárceri, onde foi ordenado Padre em 1581.

Para evangelizar em 1587 foi enviado acompanhado de outros irmãos para Constantinopla e lá fundar uma Missão. Naquele país lutou muito pela libertação dos Cristãos escravizados por um ex-bispo. Por sua pregação foi preso por ordem do sultão Muhad III. Sua sentença, ser pendurado por um gancho sobre um fogo baixo. A sentença foi cumprida e José passou três dias pendurado. Quando solto por não ter morrido, as feridas em seu corpo curaram-se milagrosamente. O sultão ficou espantado com o fato e mudou a sentença, banindo-o perpetuamente de Constantinopla.

Quando retorna para a Itália retomou as pregações e a evangelizações de seu próprio povo, obtendo muitas conversões. Foi responsável pela promoção por diversos atos e obras sociais, como hospitais, abrigos etc.

Faleceu no dia 04 de fevereiro de 1612, aos 56 anos, em função de um câncer. Foi Canonizada pelo Papa Benedito XIV, em 29 de junho de 1746.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

05 Santo Tomás Danki de Ize
05/02/2024
Mártir japonês da Terceira Ordem (+ 5 de fevereiro de 1597). Canonizado por Pio IX em 8 de junho de 1862.

Taikosama, imperador do Japão entre 1582 e 1598, nos primeiros anos do governo foi favorável aos cristãos. Após a desastrosa guerra com a Coréia, pretendeu dominar as ilhas Filipinas, que estavam sob domínio dos espanhóis. Perante a resistência destes, em 24 de julho de 1587 promulgou um édito de proscrição dos cristãos. Contudo, a ação missionária continuou e Taikosama engavetou o decreto, mas foi seguindo atentamente, por meio de espiões, os movimentos dos missionários.

Em 1593, alguns franciscanos, chefiados por São Pedro Batista, partiram de Manila para o Japão e foram recebidos cordialmente pelo imperador. Fundaram dois conventos e dedicaram-se com afinco à evangelização dos nipônicos. Mas uma série de circunstâncias desfavoráveis reavivaram as hostilidades entre a Espanha e o Japão.

A 8 de dezembro de 1596, Taikosama mandou prender em Osaka seis franciscanos e três jesuítas e, em 31 de dezembro, em Meaco, 15 franciscanos da OFS, aos quais se juntaram durante a viagem mais dois. Aos religiosos transportados para Meaco aplicaram um castigo que se usava com criminosos: foi-lhes cortada a orelha esquerda, fizeram-nos subir para carros e percorrer várias ruas das mais movimentadas, para serem vistos pelo maior número de pessoas, no intuito de infundir terror aos cristãos e aumentar o sofrimento dos mártires. No entanto, o povo mostrava-se consternado e procurava socorrê-los. De Meaco, passando por Secai, Korazu e Facata, chegaram no dia 5 de fevereiro a Nagasaki, à Colina Santa, lugar da execução, que se realizaria por crucifixão. Assistiram a esse espetáculo macabro, numerosos cristãos e marinheiros portugueses.

Contava-se entre as vítimas Tomás Danki, natural de Ize, colaborador dos missionários e fervoroso terceiro franciscano. Da mesma forma que outros mártires, com o rosto radiante de admirável serenidade, desde esse púlpito continuava a pregar a fé em Jesus Cristo. Eram dez horas da manhã quando os esbirros, de lanças em riste, esperavam a ordem do governador para desferirem contra as vítimas o golpe mortal. Os carrascos assassinaram primeiro os religiosos e, em seguida, os outros japoneses. O último dessa gloriosa falange foi São Pedro Batista, que antes de ver consumado o seu próprio sacrifício, teve a alegria de ver partir para o céu todos esses seus filhos, condecorados com a coroa do martírio.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
06 São Pedro Batista Blásquez
06/02/2024
Mártir no Japão, Sacerdote da Primeira Ordem (1545-1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862

Filho de Pedro e Maria Blásquez, uma das mais nobres famílias de Castela, Pedro Baptista nasceu em 1545 no castelo de Santo Estevão, diocese de Ávila, na Espanha. Feitos os estudos prévios na sua cidade natal, frequentou com aproveitamento a Universidade de Salamanca. Contrariando os planos da família, ingressou na Ordem dos Frades Menores, onde três anos mais tarde professou no convento de Arenas. Após os estudos de filosofia e teologia, foi ordenado sacerdote. Passou então a lecionar filosofia e teologia, e não tardou a ser nomeado superior de algumas comunidades. Em 1580 pediu e obteve autorização para ir ao México, onde permaneceu três anos, dando um notável impulso à Ordem com a fundação de várias casas. Em 1583 zarpou para as Filipinas, e aí, na qualidade de Superior dos Frades Menores, exerceu um fecundo ministério apostólico, suscitando a admiração dos religiosos. Pôs um especial interesse em proteger os indígenas das ambições dos poderosos.

Em 1593 foi enviado ao Japão, com cinco confrades. Durante um ano inteiro viveu rodeado de sofrimentos e incompreensões, praticamente confinado numa choupana. Só depois lhe foi concedida a licença de pregar o Evangelho. Durante dois anos pôde então desenvolver com os confrades uma intensa atividade apostólica: fundou em Kyoto um convento para religiosos e dois hospitais para pobres e leprosos; erigiu outras casas franciscanas em Osaka e Nagasaki, e conseguiu que muita gente se convertesse. Parecia abrir-se para a cristandade japonesa uma era de prosperidade. Mas os espanhóis suscitaram muitos receios ao imperador Taikosama, e levaram-no a ordenar a execução dos missionários e dos mais zelosos colaboradores japoneses. Daí o édito de proscrição dos cristãos, publicado em 24 de julho de 1587. No entanto, a atividade missionária continuou, e Taikosama pareceu esquecer-se do seu decreto. Mas ia seguindo com atenção os movimentos dos missionários por meio de espionagem.

A ordem de prisão de São Pedro Baptista e outros religiosos e cristãos foi executada a 8 de dezembro de 1596. Até o fim desse mês esteve na prisão de Meaco. Antes de ser transferido para Nagasaki, onde viria a sofrer o martírio, foi exposto à zombaria dos pagãos, através das ruas, com os demais condenados, depois de lhes terem amputado a orelha esquerda. Idêntica exposição insultuosa sofreram nas ruas de Osaka, Sakay e Facata. Uma vez chegado a Nagasaki, a 5 de fevereiro de 1597, foi levado com 25 companheiros a uma colina, onde presenciou o martírio de todos. Antes de ser, como os demais, crucificado, dirigiu aos cristãos presentes uma exortação paternal, e proferiu uma oração de perdão para os carrascos. Contava 52 anos.

O martírio heroico destes confessores de Cristo, entre orações e cânticos de alegria, representa um aprofundamento da mensagem e da vida cristã, e é oferecido a Deus pela perseverança dos Cristãos e por um novo reflorescimento da Igreja no Japão. Estes heróis da fé são os protomártires do Japão. Foram canonizados por Pio IX a 8 de junho de 1862.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
07 Santa Coleta de Corbie
07/02/2024
Virgem da Segunda Ordem (1381-1447). Canonizada por Pio VII no dia 24 de maio de 1807.

O século XVI foi fértil em movimentos de reforma em quase todas as Ordens. Enquanto os franciscanos dão vida a uma prodigiosa Observância com um grupo de grandes Santos e Apóstolos, a Ordem das Clarissas também experimentou diversas iniciativas de retorno à primitiva austeridade. Para levar a cabo tal empreendimento, de promover uma reforma intensa na vida das Irmãs Pobres de Santa Clara, escolheu Deus uma humilde e corajosa virgem da França, Coleta de Corbie.

A sua vida foi, desde a infância, marcada pelo signo do milagre: nasceu duma mãe já idosa, teve um crescimento prodigioso e mostrou desde cedo tendência para a solidão, penitência e oração. Privada dos pais, seguiu o impulso para a vida claustral, mas, a princípio resistiu ao apelo que já recebera, de promover a reforma da Ordem, e, por isso, no seu entender como castigo, ficou durante algum tempo cega e muda. Mas, por fim, rendeu-se à vontade divina, apresentou-se ao Papa, que então se encontrava em Niza, e expôs-lhe a vontade de Deus a seu respeito. Como resultado, o próprio Papa lhe deu o hábito de Clarissa, recebeu dela a profissão da primeira regra de Santa Clara e encarregou-se de estender seu projeto de reforma a todos os mosteiros franceses de Clarissas.

Com doçura e fortaleza, Coleta empreendeu a reforma não só das Clarissas, por mandato de Bento XIII, mas também dos Frades Menores. Reformou 17 mosteiros da II Ordem na observância da estrita pobreza preconizada pela regra de Santa Clara, à qual acrescentou Constituições. Estendeu a sua influência a 7 conventos dos Frades Menores. O resultado foi uma avalanche de novas vocações de meninas, tanto nobres quanto plebeias, que na Itália se fizeram Clarissas e na França Coletinas. Morreu santamente a 6 de março de 1447, com 66 anos de idade.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
07 Papa Pio IX
07/02/2024
João Maria Mastai Ferretti  (1792-1878). TOF. Beatificação, 3 de setembro de 2000, por João Paulo II

Nasceu a 13 de maio de 1792 em Senigallia, filho de Jerônimo e catarina Solázzi. Fez os primeiros estudos em Volterra e mais tarde freqüentou o Colégio Romano. Foi ordenado sacerdote a 19 de abril de 1819 e, dois anos mais tarde fez-se Terceiro Franciscano, no convento de São Boaventura no Palatino. Acompanhou Mons. João Muzi na delegação apostólica do Chile e do peri (1823-25).

Em junho de 1827 foi sagrado bispo de Espoleto, onde pôs à prova qualidades de homem de governo. Em 1832 Gregório XVI nomeou-o cardeal e bispo de Ímola, onde muito se empenhou em apaziguar os ânimos de diversas facções políticas que exerciam uma violência sanguinária. Por morte de Gregório XVI foi eleito Papa num dos mais breves conclaves da história, e escolheu o nome de Pio IX. Promulgou uma ampla anistia para presos políticos e suavizou as condições sociais dos judeus abolindo a clausura dos guetos. Criou uma congregação para os assuntos do Estado, à qual inicialmente ele mesmo presidiu, pondo em ordem o Governo dos Estados Pontifícios. Propugnou por uma federação italiana, mas sem êxito, por oposição da Áustria.

Resistiu a todas as pressões feitas para declarar guerra a essa nação, preferindo escrever ao Imperador Austríaco pedindo-lhe o reconhecimento da Itália como Nação. A 15 de novembro de 1848 foi assassinado o Ministro Pellegrino Rossi, e Roma ficou exposta à anarquia e à pilhagem, e o próprio Papa se viu obrigado a fugir para Gaeta, onde foi acolhido pelo Rei Fernando II. Em Roma formou-se, entretanto, um governo republicano. A partir de Gaeta o Papa foi informando os governos que mantinham relações com a Santa Sé dos acontecimentos, e solicitou ajuda. Eles não deixaram de atender os seus pedidos e lhe restituíram o poder. De novo concedeu uma ampla anistia e empreendeu reformas políticas. Trabalhou com afinco na recuperação econômica do Estado, realizou importantes obras em quase todos os portos e na cidade de Roma, transformando-a numa capital moderna.

Promoveu a cultura e fomentou investigações arqueológicas. Em 1857 fez uma ronda pelas cidades dos Estados Pontifícios para escutar os súditos. Teve de suportar avanços e recuos dos governos europeus a respeito da questão romana, e de aceitar a unificação da Itália com a perda dos Estados Pontifícios: como protesto contra isso, e sobretudo contra o modo como isso foi feito, encerrou-se no Vaticano. Perante a perseguição laicista que se desencadeou em quase todos os países, foi formando um movimento católico laico em defesa dos direitos da Igreja.

O Papa começou a prestar mais atenção à Igreja na América Latina, ao ressurgimento católico na Alemanha e aos problemas da Polônia ocupa e repartida. Fomentou as missões entre os fiéis, que tinham decaído desde finais do século XVIII; empenhou-se na unificação dos cristãos dos Balcãs e do Oriente; criou uma Congregação especial para as Igrejas Orientais. Depois de consultar o episcopado de todo o mundo, a 8 de dezembro de 1854 definiu o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

Convocou e celebrou o Concílio Vaticano I, que teve de ser suspenso devido à guerra entre a França e a Prússia (de dezembro de 1869 a julho de 1870) Para esse concílio convidou também as Igrejas separadas e os Chefes de Governo católicos, que tinham abandonado seu papel de defensores da fé. O concílio terminou com a constituição “De fide catholica” e a definição da infalibilidade do Papa.

Morreu a 7 de fevereiro de 1879 e foi sepultado provisoriamente no Vaticano e em seguida trasladado para S. Lourenço extramuros, de acordo com seu desejo. Foi dos pontificados mais longos da história, vivido no meio de turbulências políticas e religiosas. Apesar disso, a sua obra foi intensa e profunda em todos os campos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
08 Bem-aventurado João de Triora
08/02/2024
Mártir, sacerdote da Primeira Ordem (1760-1816). Beatificado por Leão XIII no dia 27 de maio de 1990.

Nasceu em Triora a 15 de março de 1760. Muito piedoso desde a infância, foi acólito na igreja de São Lourenço. Pouco depois da morte de São Leonardo de Porto Maurício, tomou a decisão de o imitar. Abandonou a família, dirigiu-se a Roma e pediu para o admitirem no convento de Santa Maria de Araceli. Aceita a sua petição, foi admitido a 15 de maio de 1777, fez os estudos curriculares e foi ordenado sacerdote. Lecionou filosofia em Tívoli e teologia em Tarquínia; foi superior de vários conventos e pregador incansável, com o dom de comover profundamente os ouvintes, levando-os à conversão e à confissão dos pecados. Esse apostolado era como o prenúncio do que viria a empreender em terras longínquas, e que culminaria com o martírio. Em 1798 partiu para a China. Encarregado do distrito de Xam-sin-sien, visitou diversas vezes as comunidades cristãs, que compreendiam uns 8.000 fiéis dispersos por todo o território, fortalecendo-as na fé e incrementando-as com novas conversões e batismos de infiéis. Conseguiu revigorar e fazer reflorescer essas comunidades.

Em 1815 desencadeou-se a perseguição que levou à morte vários missionários e cristãos. Mas nem a prisão nem as torturas o fizeram vacilar. A 7 de fevereiro de 1816 morreu, numa grande cruz, depois de ter sido barbaramente torturado.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
09 Bem-aventurado Antônio de Stroncone
09/02/2024
Religioso da Primeira Ordem (1381-1461). Aprovou seu culto Inocêncio XI no dia 28 de junho de 1687

A sua terra natal, Stroncone, fica em Térni, na Úmbria. Aí nasceu Antônio, filho de dois terceiros franciscanos, Luís e Isabel, descendentes da antiga e prestigiada família Vici. Sendo sobrinho de um franciscano, P. João Vici, desde criança frequentava o convento onde o tio vivia. Pode dizer-se que depois do leite materno seu alimento foi o espírito franciscano. Por isso, não é de surpreender encontrá-lo desde os doze anos vivendo no convento dos frades Menores, mas não foi de imediato que os irmãos decidiram vestir-lhes o hábito franciscano. Só quando mais amadurecido foi admitido ao noviciado e, posteriormente, à profissão. Daí em diante teve por preceptor o próprio tio, João Vici, que era mestre dos jovens franciscanos no convento de S. Francisco de Fiésole, um dos mais sugestivos ambientes espirituais da Toscana, que domina um vasto e maravilhoso panorama abrangendo a cidade de Florença e o vale do Arno. Aí, em Fiésole, Antônio Vici foi orientado por outro mestre excepcional, o Bem-aventurado Tomás de Florença, verdadeiro artista em moldar almas e acérrimo defensor do genuíno espírito de S. Francisco.

Antônio de Stroncone e Tomás de Florença trabalharam juntos em formarem os jovens franciscanos no apostolado missionário e na polêmica contra certas tendências que distorciam a genuína mensagem franciscana, como acontecia com os “Fratricelli”, que, sob a capa de humildade e pobreza, escondiam sementes de soberba e rebelião contra as diretrizes da Igreja.

Enviado a Córsega, fundou e animou nessa ilha numerosos conventos franciscanos. Mas o sítio da sua predileção era os Cárceres, acima de Assis, onde durante 30 anos desempenhou o ofício de esmoleiro. Aí levou uma vida de contemplação e de penitência, desempenhando os mais humildes e pesados ofícios do convento.

Os bosques e as penedias do Subásio e as pobres celas do eremitério, escavadas na rocha, foram testemunhas das suas ásperas mortificações, que lhe transformaram o corpo. O último ano de vida passou-o no convento de S. Damião, santificado pelas recordações de São Francisco e de Santa Clara. A 8 de fevereiro de 1461, com 80 anos, passou para a vida eterna.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
09 Beato Leopoldo de Alpandeire - Capuchinho
09/02/2024
O Beato Leopoldo é um dos modelos da santidade capuchinha marcada por santos simples e do povo, vivendo com dedicação e devoção as tarefas ordinárias. Na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos encontram-se vários frades leigos, porteiros, cozinheiros, esmoleres. O personagem que procuramos conhecer não alcançou a santidade, que agora vem reconhecida pela Igreja, como missionário em outro país, nem fazendo pregações nos púlpitos, muito menos porque era douto. Mas, porque foi um testemunho no seu relacionamento com as pessoas e principalmente as mais necessitadas. O Beato se insere na escola capuchinha da simplicidade. Aqueles que aparentemente não são importantes é que Deus se serve para realizar a sua obra.
O Beato Leopoldo faz parte dessa grande fileira de frades mendicantes que encarnaram na minoridade a pergunta de quem procura, a pergunta pelo Bom Deus que busca o homem porque lhe quer bem. O humilde mendicante chegou à glória dos altares, alegramo-nos e ao mesmo tempo peçamos-lhe que acompanhe quem busca a Deus, que saibamos estar abertos à voz do Espírito para viver entre o povo na simplicidade, sem nada mais do que o júbilo e a alegria de saber-nos amados por Ele.
 
No centro da Serra de Ronda encontra-se Alpandeire, vilarejo minúsculo, escondido, como um ninho no coração da montanha, uma beleza natural. É a terra natal de nosso santo esmoler capuchinho, místico da humildade e do ocultamento, dom de Deus à humanidade que procura o seu destino.
 
Seus pais, Diego Márquez Ayala e Jerónima Sánchez Jiménez, eram agricultores, simples e laboriosos e, como a maior parte do povo, trabalhavam duro para tornar fértil aquela terra rochosa da qual deviam tirar o sustento para a família. Em 24 de Junho 1864 nasceu o primeiro filho, que no dia 29 de Junho na pia baptismal recebia o nome de Francisco Tomás de São João Batista, o nosso Frei Leopoldo. Diego e Jerónima tiveram a alegria do nascimento de outros três filhos, Diego, Juan Miguel e Maria Teresa.
 
No calor do amor familiar, alimentado pela prática das virtudes cristãs, cresceu a boa semente cristã de Francisco Tomás. De seu pai aprendeu as boas maneiras, os princípios cristãos e a prática do bem. Dos lábios da mãe, aprendeu a oração. Alegre, ajuizado, de boa companhia, trabalhador incansável, Francisco Tomás começava sua jornada assistindo à santa missa e visitando o Santíssimo Sacramento. Seu hábito de partilhar o pouco que tinha e a sua bondade natural, jamais forçada, eram expressão de uma profunda vida espiritual e de uma forte experiência de fé. Era "todo coração" no socorro dos pobres, nos dizem as testemunhas que o conheceram. Conta-se que dava suas ferramentas de agricultor a quem precisasse, ou doava o dinheiro ganho com a vindima aos pobres que encontrava no seu caminho voltando para casa.
 
Ele viveu assim, no trabalho dos campos e na vida familiar, os seus primeiros 35 anos de vida "escondida". Enquanto Deus o modelava lentamente esperando a ocasião de chamá-lo para seu serviço. Em 1894, escutando a pregação dos capuchinhos por ocasião da festa que se estava preparando em Ronda, para celebrar a beatificação do capuchinho Diogo José de Cádiz, o jovem Francisco Tomás, decide abraçar a vida religiosa fazendo-se capuchinho. "Peço para ser capuchinho como eles". Atraído por "sua vida retirada".
 
Só em 1899 ele foi acolhido entre os capuchinhos no convento de Sevilha. Um mês depois foi admitido ao noviciado com o parecer mais do que favorável, dos membros da comunidade que louvavam nele: o silêncio, o empenho, a oração e a bondade. Pela mão de frei Diego de Valencina, Superior e Mestre dos noviços, em 16 de Novembro do mesmo ano recebeu o hábito capuchinho e o nome de Frei Leopoldo de Alpandeire.
 
A decisão de fazer-se capuchinho não exigiu dele uma mudança radical de vida, pois já vivia uma profunda e intensa vida evangélica. Frei Leopoldo trabalhando no campo e na horta do convento transformava o seu humilde trabalho em oração constante e em generoso serviço. A mudança de nome, comentará anos mais tarde, o abalou "como uma ducha de água fria", inclusive porque aquele nome não era usual entre os membros da Ordem. A sua entrada no convento não era consequência da pobreza, nem refúgio para um coração angustiado, mas a manifestação do que já vivia e sentia vivo. O exemplo do beato Diogo José de Cádiz o tinha induzido a servir a Deus com todo o seu ser, até à imolação.
 
Sabendo que ele era agricultor, em Sevilha encarregaram-no de ajudar o irmão hortelão. Na horta além de verduras frei Leopoldo cultivava também seus dons espirituais. Quem o conheceu afirma que a sua santa alegria correspondia à sua profunda interioridade que os seus olhos e o seu rosto não podiam esconder. Qualquer gesto dele, mesmo o mais corriqueiro e repetitivo, nascia de uma profunda comunhão com Deus. O noviço frei Leopoldo experimentou a alegria de ter respondido ao chamado de Deus. Uma coisa era certa: ele tinha 36 anos de idade, porém sua juventude de espírito não era um facto somente interior, irrompia visivelmente em sensível alegria. A experiência do noviciado pôs as bases de seu caminho espiritual, pois o seu amor a Deus ia crescendo mediante o conhecimento da tradição e da espiritualidade da Ordem capuchinha.
 
Terminado o noviciado emitiu a primeira profissão, passando breves períodos nos conventos de Sevilha, Granada e Antequera. A enxada acompanhava-o constantemente, como uma fiel companheira, enquanto cultivava a horta dos frades. Ele transformava em oração, o trabalho manual e o serviço feito para os irmãos. Foi um "contemplativo entre a água dos canais de irrigação, as hortaliças, os frutos e as flores para o altar".
 
Frei Leopoldo foi destinado ao convento de Granada, pela primeira vez em 1903, sempre no ofício de hortelão. Seus últimos anos foram vividos em absoluto retiro entre os velhos muros conventuais e a horta. Foram anos de profunda experiência espiritual e de silêncio. Na horta cresceu o seu diálogo com Deus e nesse diálogo, as suas virtudes. Da horta passava à capela do Santíssimo onde por longas noites permanecia em profunda adoração. No velho convento de Granada, no dia 23 de Novembro de 1903, frei Leopoldo emitiu os votos perpétuos diante de frei Francisco de Mendieta, superior da fraternidade. Era a sua consagração definitiva a Deus pela qual tinha vivido e para a qual viverá o resto de sua vida.
 
Após breves estadias em Sevilha e em Anteguera, em 21 de Fevereiro de 1914, ele voltou a Granada onde permaneceu até o fim de seus dias. A cidade aos pés da Serra Nevada, será o cenário de meio século de sua vida. Hortelão, sacristão e pedinte, sempre unido a Deus e ao mesmo tempo sempre próximo ao povo. O ofício de esmoler o definiu e o caracterizou. Ele tinha-se tornado religioso para viver longe do "barulho do mundo", foi lançado pela obediência a combater a batalha decisiva de sua vida entre as ruas da cidade e o vozerio do povo. A partir de então, com passo decidido, as montanhas, os vales, as estradas poeirentas, as ruas, serão o seu claustro e a sua igreja. Frei Leopoldo, como outros santos capuchinhos, com forte inclinação à vida contemplativa, viveu constantemente em contato com o povo e isso em vez de distraí-lo, o ajudou a sair de si mesmo, a assumir o peso dos outros, compreender, ajudar, servir e amar. Era, como disse um fervoroso devoto seu: "separado, mas não distante".
 
A sua figura foi tão popular na cidade que todos o reconheciam. Sobretudo as crianças que ao vê-lo gritavam: “Olha, lá vem frei Nipordo”, e corriam ao seu encontro. Ele parava explicando a elas, alguma página do catecismo e com os adultos para escutar seus problemas e suas preocupações. Frei Leopoldo tinha descoberto o modo de manifestar a todos a bondade divina: recitar três ave-marias. Era a sua fórmula de ligar o humano ao divino.
 
Por meio século, dia após dia, frei Leopoldo percorreu Granada distribuindo a esmola do amor, dando cor aos dias tristes de muitos, criando unidade e harmonia, levando todos a encontrar Deus, dando dignidade às ações de todos os dias. Todas as suas ações e seus gestos para aproximar-se das pessoas, eram sempre novos.
 
Nem tudo porém foi fácil, nem sem dificuldade. Frei Leopoldo exerceu seu ofício de esmoler numa época em que na Espanha sopravam ventos anticlericais e quem era religioso era mal visto se não perseguido. Era o tempo das "Duas Espanhas", da Segunda República antes da guerra civil e depois. Sete mil religiosos e sacerdotes foram mortos só por serem da Igreja Católica. Na sua faina diária de esmoler frei Leopoldo sofreu muito e não poucas vezes foi insultado: “Preguiçoso, ainda te vamos enforcar com este teu cordão!”. “Vagabundo, vai trabalhar em vez de andar pedindo esmola!”. “Prepara-te que vamos cortar teu pescoço!”. “Experimentou este clima hostil e parafraseando o Evangelho, dizia: “Pobrezinhos, só posso ter compaixão deles pois não sabem o que dizem”!”.
 
Será que existia, pergunto-me, algum segredo na vida de nosso irmão pedinte? Sim, o segredo de sua vida era a sua oração, a sua união com Deus e o seu trabalho. Ele transformava tudo em oração e a sua oração era o seu trabalho mais precioso. A sua vida não foi uma vida de grandes gestos ou de eventos notáveis, a não ser o que normalmente de pede a quem abraça a vida religiosa.
 
A santidade de frei Leopoldo tinha como suporte a humanidade do velho Francisco Tomás. Ele manteve a identidade do camponês de Alpandeire que já incluía o seu caminho de santidade.
 
Frei Pascoal Riwalski, Ministro Geral da Ordem, falando dele disse: “Encontrando Frei Leopoldo, ficamos subitamente fascinados pelo seu modo de ser simples, natural, sem artifícios, sincero e ricto, evangelicamente pobre. Um pobre que tem fé, cândido, simples e discreto, que sempre soube pôr-se em segundo plano, servindo no anonimato e na humildade. Um homem com um coração de menino, nobre e franco, cortês e sóbrio, de camponês honesto... Um homem extremamente reservado e modesto, quanto a tudo aquilo que de bom o Senhor operava por meio dele, que se perturbava diante dos louvores dos homens, que se alegrava com as humilhações e que mantinha uma consciência viva de seus limites e de seus pecados. Frequentemente repetia. “Sou um grande pecador”!” A verdadeira centelha evangélica é fruto da estima que temos por nossos semelhantes e pelas criaturas na perspectiva de Deus. Frei Leopoldo conhecia bem o famoso dito de São Francisco: “porque, quanto é o homem diante de Deus, tanto é e não mais”» (Admoestações, XIX).
 
Não era fácil ver os seus olhos. Frei Leopoldo, tomou como modelo São Félix de Cantalício, em ter os olhos voltados para a terra e o coração para o céu. Tinha olhos de criança, puros e penetrantes, serenos e límpidos. Transmitia serenidade, pureza e doçura de coração, fruto da paz interior que o invadia.
Ele tinha uma influência particular sobre todos aqueles que encontrava por causa de sua humildade e disponibilidade. A sua figura não era daquelas que impressionam e chamam a atenção. Mais do que “andar entre o povo, frei Leopoldo, passava entre o povo”, mais do que olhar, ele via no coração das pessoas que o cercavam.
 
Considerando a sua vida podemos dizer que ele aderiu ao Evangelho de Cristo sine glossa seguindo o exemplo de São Francisco. O extraordinário encontra-se na sua limpidez, clareza e silêncio. Num clima de incerteza e falta de referências, a figura do Servo de Deus frei Leopoldo apresenta-se como a de quem escutou com atenção a voz de Deus e se deixou transformar na imagem do Filho Unigênito.
 
Certo dia, aos 89 anos de idade, enquanto recolhia, como de costume, a esmola da caridade, ele caiu e fraturou o fémur. Foi levado ao hospital, mas por sorte ficou curado sem operação cirúrgica. Recebendo alta, ele retornou a pé ao convento, com a ajuda apenas de seu bastão, mas, não teve mais condição andar pelas estradas. Pôde assim dedicar-se totalmente a Deus, o grande amor de sua vida. Absorto em Deus, ele passou os últimos três anos de sua vida consumindo-se pouco a pouco, “qual chama de amor”.
 
A “irmã morte” veio ao seu encontro...
 
A chamazinha se extinguiu em 09 de Fevereiro de 1956, quando ele tinha 92 anos de idade. O humilde esmoler das Três Ave-Marias, uniu-se definitivamente ao Senhor. A notícia de sua morte correu por toda a cidade de Granada, comovendo-a. Seu corpo repousa na cripta do convento de Granada, um lugar de peregrinação constante, especialmente em 9 de cada mês.
 
Um rio de gente de todas as idades e condições se dirigiu ao convento dos capuchinhos. A fama de santidade que já o acompanhava em vida, cresceu após a sua morte. Todo dia, mas sobretudo no dia 9 de cada mês, uma insólita afluência de pessoas, de todo o mundo, visita a sua tumba. Muitas são as graças que Deus concede por intercessão de seu servo fiel.
 
O processo de beatificação começou em 1961 e terminou em 1976. Em 1982 foi-lhe dada autorização da Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, para a introdução do processo.
 
Nos anos 1983 a 1984 foi assinado o processo apostólico sobre as virtudes heroicas.  Apositio super virtutibus foi entregue 09 de março de 1994.
 
Bento XVI no dia 15 de marco de 2008 declarou a heroicidade de suas virtudes e no dia 12 de Setembro de 2010 foi declarado Beato. Na beatificação, à qual assistiram espanhóis de várias dioceses vizinhas de Granada, estava presente Ileana Martínez, 50 anos, de Porto Rico, a mulher que foi curada de maneira cientificamente inexplicável de Lúpus, patologia degenerativa que não tem cura. Este milagre, atribuído à intercessão do novo beato, foi decisivo para sua elevação aos altares no processo canônico.
 
A cerimônia foi presidida por Dom Ângelo Amato, Cardeal Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, que na homilia realçou os aspectos principais da personalidade do Beato:
 
“Caridade, humildade e devoção mariana são os traços distintivos da sua santidade. Todas as testemunhas afirmam que Leopoldo tinha um coração de ouro. Desde a infância demonstrou-se generoso e caridoso. Costumava partilhar a merenda com os outros pastorinhos mais pobres. Um dia estava a distribuir aos mendigos todo o dinheiro recebido com fadiga nos difíceis meses da vindima em Jerez. Ao ver isso, o irmão mais velho repreendeu-o e tirou-lhe o dinheiro das mãos. Então, o jovem Francisco Tomás doou as suas botas a um pobre descalço”.
A vida do beato foi inteiramente dedicada ao serviço de Deus e do próximo com a oração e o trabalho. Depois da entrada no convento, desempenhou vários encargos: hortelão, porteiro, sacristão, medicante e, quando era necessário, enfermeiro para servir os doentes e os idosos. “Mas o seu apostolado — evidenciou o arcebispo — foi, sobretudo, a coleta para o seu convento. Como frade mendicante, colocava o alforje às costas, como Jesus a Cruz, e caminhava a pedir esmolas. Fazia-se pobre para o sustento dos irmãos”.
Ao receber as esmolas, oferecia a caridade da sua bondade, a sua serenidade e os seus conselhos. Contudo, com frequência recebia também insultos, pedradas e uma vez até correu o risco de ser linchado. D. Amato recordou alguns episódios da vida de frei Leopoldo. “Certo dia, um grupo de agricultores gritou-lhe: ‘Vagabundo, trabalha em vez de andar por aí. Poderias ajudar-nos’. Frei Leopoldo aproximou-se e começou a trabalhar com eles, superando-os com a sua habilidade camponesa. Revelou que fora trabalhador como eles e que no convento cultivava a horta: “Irmãos, sou como vós”. Isto lhe permitiu obter respeito, consentindo-lhe fazer assim um pouco de catequese”. Uma vez, entrou numa loja da Plaza de Bib-Rambla. Naquele, dia o proprietário tinha vendido pouco e não só não lhe deu esmolas mas chegou a insultá-lo fortemente. O beato ouviu tudo com paciência e afastou-se. No dia seguinte voltou e disse: “Irmão, oremos à Virgem com três Ave-Marias”. Comovido, o homem recitou as orações e durante algum tempo frei Leopoldo visitou-o para recitar com ele as três Ave-Marias.
Depois, iniciou o período da perseguição religiosa, nos anos da guerra civil. Nessa época, os capuchinhos perderam uma centena de irmãos de hábito e Frei Leopoldo sabia que arriscava a vida todas as vezes que saía pelas ruas de Granada para pedir esmola, mas, era poupado porque os pobres o defendiam, reconhecendo: “É mais pobre do que nós”. Até os anticlericais mais inflamados admiravam a sua mansidão, exclamando: “Se todos fossem como ele!”. Era caridoso inclusive nos julgamentos, desculpando e justificando todos. Dizia a verdade, mas com caridade. Um dia perguntaram-lhe se julgava santo um seu irmão de hábito, que não era nada exemplar. Frei Leopoldo respondeu: “sim, a seu modo”.
A sua caridade foi incansável e sempre acompanhada de uma grande humildade. Um dia — narrou o prelado — o Beato entrou no Café Suíço e aproximou-se de uma mesa. Recebeu só insultos e pancadas. Caiu no chão. Levantou-se e disse com humildade: “Agredistes-me e deitastes-me ao chão; agora, por favor, oferecei uma esmola por amor de Deus”. Toda Granada pedia orações e conforto a Frei Leopoldo. As pessoas piedosas diziam-lhe com frequência: “Frei Leopoldo, reza por mim, porque tu és santo”. Imediatamente ele respondia: “santo não, não sou santo. Santo é o hábito”.
 
As pessoas não se aproximavam dele só pela sua caridade, pela fama de milagres, pelos seus conselhos, mas procuravam-no sobretudo pela sua humildade, viam-no como um verdadeiro amigo de Deus e do próximo. Na comunidade — recordou o prefeito — procurava retirar-se sempre no canto mais escondido. Quando celebrou o cinquentenário de profissão, a 16 de Novembro de 1956, um jornal de Granada escreveu artigos cheios de apreço e louvor. Frei Leopoldo sofreu muito por isso: “que problema, fazemo-nos religiosos para servir o Senhor no escondimento e vejo que nos colocam até nos jornais”. Não gostava de ser fotografado. Só aceitava quando lhe ordenava o superior”.
A humildade permitia-lhe também corrigir o próximo, sobretudo os blasfemadores. Um dia, um operário — disse o arcebispo — ao vê-lo, começou a blasfemar. Frei Leopoldo aproximou-se dele e disse: “Se quiseres ofender o frade, fá-lo, mas não ofendas o Senhor”. O homem ouviu-o com muito respeito e envergonhou-se do que tinha feito. Noutra vez, um leiteiro blasfemava perto do convento da Encarnação porque tinha derramado o leite contido num recipiente. Frei Leopoldo aproximou-se do pobrezinho e disse-lhe que o nome de Deus devia ser invocado só para ser louvado. O leiteiro desculpou-se dizendo que tinha perdido o lucro de um dia. O Beato ofereceu-lhe o dinheiro que tinha obtido através da caridade, recomendando-lhe que louvasse sempre o nome do Senhor.
 
 
Fontes:
10 São Gil Maria de São José
10/02/2024
Religioso da Primeira Ordem (1729-1812). Canonizado por João Paulo II no dia 2 de junho de 1996.

Nasceu a 16 de novembro de 1729, em Tarento, numa modesta família de lavradores. Desde criança se distinguiu pela piedade. Aos dez anos, empregou-se numa pequena fazenda, onde granjeou o afeto de todos.Todas as manhãs, antes do trabalho, ia à Missa, comungava, e ficava algum tempo em oração. O seu trabalho infantil destinava-se a ajudar a família, e teve de aumentar com a morte do pai. Só quando a mãe casou pela segunda vez, ele se sentiu livre desse encargo familiar e pôde realizar o velho sonho de se fazer franciscano.

Em 1754, com a idade de 24 anos, entrou para o noviciado no convento de Galatone e, depois da profissão, foi transferido para o convento de São Pascoal de Nápoles, onde desempenhou os ofícios de cozinheiro, porteiro e, durante 50 anos, de esmoleiro do convento. Dessa humilde tarefa fez uma atividade apostólica, levando a muita gente a alegre mensagem evangélica.

Vida humilde e oculta, de silêncio e oração, de amor ativo e serviço aos irmãos, aos pobres a necessitados, foram seus carismas. A sua presença era apreciada e requisitada à cabeceira dos enfermos e moribundos, a quem preparava para receberem os sacramentos e para uma morte santa. O povo napolitano rodeou-o de veneração e simpatia pela sua mansidão e pelos milagres que o Senhor, por meio dele, realizava com uma relíquia de São Pacoal, que sempre trazia consigo. Também se distinguiu pela devoção para com a Eucaristia e para com a Virgem Maria.

Morreu em Nápoles a 7 de fevereiro de 1812, com 83 anos de idade. Aos irmãos, que lhe assistiam no leito moribundo, disse ao morrer: “Vou para a minha casa! Maria, minha mãe, e São José, conduzi-me ao paraíso, para junto de Jesus”.

Os seus restos mortais tiveram de ficar cinco dias expostos à veneração dos fiéis, que ainda hoje o continuam a venerar com grande devoção.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
11 Bem-aventurada Clara de Rimini
11/02/2024
Viúva da Segunda Ordem (1260-1326). Aprovou seu culto Pio VI no dia 22 de dezembro de 1784.

Nascida em Rimini por volta de 1260, esta Clara durante bastante tempo não foi motivo de honra para sua homônima de Assis. Foi aliciada e dominada pelo ambiente mundano da época e da família. Tendo perdido a esposa, o pai casou-se com uma viúva rica e, para fortalecer a união das duas famílias, persuadiu Clara a casar com o filho dessa viúva. Mas Clara não tardou a perder o marido e, pouco depois, o pai. No entanto, estes dois desastres não lhe fizeram grande dano.

Era ainda uma mulher jovem e bela, rica e admirada. Não teve dificuldade em arranjar para novo marido um herdeiro rico duma das principais famílias de Rimini. Não tendo filhos, sentiu-se inteiramente livre e perseguiu uma vida dissipada até os 34 anos. Nessa altura deu-se uma mudança inesperada. Conta-se que, certo dia, ao entrar numa igreja franciscana, escutou uma voz a convidá-la para rezar com atenção um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. Clara obedeceu e, enquanto rezava devotamente essas orações, que já tinha quase esquecido, sentiu-se acometida por uma viva compunção pelos pecados cometidos e, ao mesmo tempo, inundada por uma alegria, até então desconhecida, e por uma paz interior como nunca sentira. Ficou comovida e resolveu abandonar definitivamente a vida dissipada que levava, as companhias, vaidades e futilidades anteriores.

Teve uma conversa com o marido, com uma seriedade difícil de imaginar nela. Pediu-lhe autorização para se retirar do mundo a fim de se dedicar a uma vida de solidão e penitência. O marido, após a surpresa inicial, compreendeu o que se passava com ela e concedeu-lhe permissão. Nasceu, então, uma nova Clara. Foi um modelo exemplar de penitência, sobretudo após a morte do segundo marido, ocorrida dois anos mais tarde. Por debaixo do pobre vestido cinzento usava sobre a carne cilícios e argolas de ferro; dormia em cima de tábuas, alimentava-se de restos que pedia. O seu verdadeiro alimento era a oração e a Eucaristia.

Mas se por um lado foi agraciada com êxtases e revelações, por outro lado foi vítima de desgraças políticas e teve de se retirar de Urbino, onde se refugiara com um irmão, gravemente enfermo. Nessa cidade foi um anjo de misericórdia para os doentes, pobres e encarcerados. Voltou para Rimini com 12 companheiras e aí fundou um convento onde vestiu o hábito e professou a regra das clarissas. Era em 1306. Ali veio a falecer 20 anos mais tarde, com 66 anos de idade, depois de suportar inúmeras provações, entre elas, a cegueira e um coma prolongado. Foi-se extinguindo lentamente, serena como uma criança, e logo começou a ser venerada como uma santa.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
12 Bem-aventurado Rizério de Múccia
12/02/2024
Sacerdote, discípulo de São Francisco, da Primeira Ordem (+ 1236). Aprovou seu culto Gregório XVI em 14 de dezembro de 1838.

A sua terra natal, Muccia, fica na província de Macerata. A sua vida anda em parte ligada à do Bem-aventurado Peregrino de Falerone: ambos eram das Marcas, nobres, mandados pelos pais para estudar Direito em Bolonha, para serem juristas, preparados para desempenhar o ofício de juiz e de podestade. Durante a permanência em Bolonha, Rizério e Peregrino assistiram à chegada de São Francisco à cidade, em 5 de agosto de 1222, e a sua presença, acompanhada da sua palavra evangélica, foi quanto bastou para os dois jovens se decidirem a segui-lo. Para Peregrino prognosticou o santo uma vida oculta e humilde; a Rizério apontou o ofício de servir os irmãos – expressão que na sua linguagem equivalia a governá-los.

Certo dia viu-se atormentado pela dúvida de ser ou não benquisto do Senhor. E tomou a decisão de se apresentar perante São Francisco, a fim de deduzir, pelo modo como fosse recebido, a resposta à sua dúvida: “Se Frei Francisco mostrar por mim a simpatia e familiaridade de costume, será sinal da misericórdia de Deus para comigo; caso contrário, concluirei que Deus me abandonou”.

São Francisco, que a essa data se encontrava doente de cama no palácio episcopal, iluminado por Deus sobre o que estava para acontecer, mandou ao encontro de Frei Rizério dois irmãos, Frei Leão e Frei Masseo, que, em nome do Santo, lhe dirigiram estas palavras: “Tu és o irmão mais querido de São Francisco!”. Foi como uma réstia de sol num céu tempestuoso. Quando São Francisco, pouco depois, o viu perto de si, abraçou-o com ternura, apesar de extenuado e doente, e disse-lhe: “Meu filho querido, Frei Rizério, fica sabendo que entre todos os irmãos eu te dedico um amor singular”. Fez-lhe na testa o sinal da cruz e beijou-o, acrescentando: “Essa tentação que te assaltou foi permitida por Deus para teu mérito e prêmio”. Rizério sentiu-se livre, como se lhe tivessem retirado de cima dos ombros um peso enorme.

Os derradeiros anos de vida passou-os em Muccia, no eremitério situado nas fraldas dos Apeninos, junto à capela do apóstolo São Tiago. Morreu a 7 de fevereiro de 1236.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. 
13 São Francisco de Meaco
13/02/2024
Da Terceira Ordem Franciscana, mártir japonês (1551-1597). Canonizado por Pio IX a 8 de julho de 1862.

Francisco, de nacionalidade japonesa e pais pagãos, nasceu em Meaco em 1551. A família fê-lo estudar medicina, que ele chegou a exercer na sua terra, com grande satisfação dos pacientes. Quando, em 1593, chegou das Filipinas São Pedro Batista com cinco irmãos franciscanos, empreenderam uma vasta obra de evangelização, construindo igrejas, fundando hospitais e outras instituições de assistência a doentes e leprosos. O Doutor Francisco, como médico, ficou impressionado com essa atividade sócio caritativa que teve oportunidade de conhecer e admirar pessoalmente e, também, com a sua frutuosa pregação evangélica.

Após madura reflexão, e um período de catecumenato, pediu o batismo, que recebeu solenemente na presença apenas de pessoas que tinham recebido dele assistência médica. Isto causou profunda impressão. Depois pediu e obteve permissão de ser recebido na Terceira Ordem. E, desde então, passou a prestar assistência gratuita aos doentes nos hospitais fundados pelos missionários. Tornou-se, assim, o “bom samaritano” da missão, tratando os doentes com dedicação e alegria, por reconhecer neles a imagem de Deus, e recordando a afirmação de Jesus no Evangelho, de que Cristo considera como feito a ele o que se faz ao mais humilde dos irmãos.

Ao desencadear-se a perseguição religiosa de 1596, em 31 de dezembro, foi preso em Meaco, num momento em que tratava dos doentes. Por isso, disse aos soldados: “Sou médico e cristão. Todos aqui me consideram e chamam ‘médico dos pobres’. Tenho orgulho dessa denominação. Sempre procurei fazer bem à nossa gente e, se me permitirem, quero continuar a fazê-lo. Mas, como seguidor de Cristo e do seu Evangelho, quero declarar que não há força no mundo, nem sequer a morte, que me faça vacilar na fé”.

Conduzido com outros cristãos intrépidos, foi com eles crucificado em Nagasaki, em 5 de fevereiro de 1597.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
14 São Tomás de Nagasaki
14/02/2024
Mártir japonês da Terceira Ordem (1582-1597). Canonizado por Pio IX a 8 de junho de 1862.

Entre os gloriosos mártires de Nagasaki que, no dia 5 de fevereiro de 1597, sofreram como Cristo e por Ele o sacrifício da cruz, contavam-se três terceiros franciscanos ainda muito jovens: Tomás de Nagasaki, de 15 anos, cujo pai também foi mártir; Antônio Ibarki, de 13 anos; e Luís Kosaki, de 11 anos apenas. Viviam no seminário franciscano preparando-se para o sacerdócio e levavam vida exemplar ao serviço da Igreja, como acólitos e catequistas para o ensino da doutrina cristã às crianças. Além disso, prestavam outros serviços, de acordo com a idade. Os dois primeiros viviam no convento de Osaka quando foram presos, juntamente com São Martinho da Ascensão. Todos os três eram intrépidos e inabaláveis na fé, a ponto de impressionarem os próprios verdugos.

Fazamburo, governador de Nagasaki, ao vê-los todos contentes a rezarem pai nossos e ave-marias, a louvarem a Deus e a olharem para o céu, comentou: “Quem dá a estes rapazes tanta coragem para enfrentarem o martírio sem medo e até com alegria? E estão ainda na primavera da vida! Que religião é essa, capaz de transformar crianças em heróis? Para eles, a morte parece ser motivo de felicidade!”.

Tomás, filho do mártir Miguel Kosaki, antes de partir para Osaka escreveu à mãe uma carta comovente em que dizia: “Não te aflijas, mãezinha; pelo contrário, considera-te feliz. Não desesperes por mim e por meu pai termos a sorte de morrer por Cristo. Podes crer que no céu nunca te esquecerei, e pedirei ao Senhor que te assista em todas as necessidades e te encha dos seus dons. Consola-te com a certeza de que à hora da morte poderás invocar em teu favor o teu marido e o teu filho, que eles lá no céu escutarão a tua oração, e, pelo sangue que derramaram por Cristo, Ele te fará participante da eterna felicidade. Arrepende-te dos teus pecados e agradece ao Senhor os benefícios recebidos durante a vida, sobretudo o de ter arrancado das garras de Satanás e te ter chamado à luz da fé. Agradece esses dons e conserva-te fiel às promessas do batismo. Alegra-te pelo fato de seres pobre e sem prestígio. Muito mais que as riquezas da terra valem as do céu, e essas ninguém pode roubar. Suporta com paciência as tribulações. Das tuas faltas pede perdão ao Senhor com humildade. Recomendo-te com empenho, querida mãe, os meus irmãos Mâncio e Filipe: procura que eles não se misturem com os pagãos, para não virem a perder o prêmio eterno. Já rezei muito por isso e continuarei a rezar. Peço-te que junte às minhas as tuas orações nesse sentido. Adeus mãezinha! O Senhor te console na vida e nos reúna a todos um dia no paraíso. Sou Tomás, teu filho, prisioneiro de Jesus Cristo”.

Poucos dias mais tarde, sofreu o martírio da cruz esse herói de 15 anos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
15 São Cosme e São Máximo Takeya
15/02/2024
Pai e filho. Mártires japoneses da Terceira Ordem Franciscana (+ 1597). Foram canonizados por Pio IX a 8 de junho de 1862.

Cosme nasceu na província de Ovari, no Japão, de família nobre e abastada. Mas os pais vieram a cair na miséria, e Cosme teve de se sujeitar a pesados e pouco nobres trabalhos manuais, como o de forjar armas. Tinha sido batizado pelos padres jesuítas. Quando foi viver em Meaco, relacionou-se com os padres franciscanos que havia pouco tempo tinham chegado das Filipinas e já estavam atarefados em construir igrejas e hospitais e a trabalharem na conversão dos japoneses ao cristianismo.

Cosme ofereceu-lhes logo a colaboração e afeiçoou-se tanto a eles que não tardou a servir-lhes de intérprete. Era também assíduo nas visitas e assistência aos doentes, na catequese de crianças e adultos, e na pregação do Evangelho, coroada com frequentes conversões. Juntamente com a família, foi recebido na Terceira Ordem. Entregou aos religiosos o filho Máximo, para eles o formarem como catequista, e, se o Senhor viesse a chamá-lo, para ser também religioso e sacerdote.

Cosme não se separou dos missionários e de seus colaboradores quando se desencadeou a perseguição contra a Igreja Católica. A primeira prisão foi o convento, que foi fechado e rodeado por guardas armados. Mas os missionários continuaram a exercer o ministério na Igreja, administrando os sacramentos aos fiéis. No dia 30 de dezembro foram transferidos para prisões da cidade, e a 1º de janeiro de 1597 virem juntar-se a eles outro franciscano, três jesuítas e três leigos.

Na manhã de 3 de fevereiro, depois de lhes terem amputado o lóbulo da orelha esquerda, as 24 vítimas foram transportadas em carros até Nagasaki. Durante o percurso, o número subiu para 26. Máximo, o filho de Cosme, no momento em que o pai foi preso, estava em casa doente. Quando se restabeleceu correu para se juntar ao pelotão dos condenados. Ao avistá-los, começou a gritar: “Papai! Padres! Porque é que não me avisaram? Eu quero morrer convosco!”, e ao ver no último carro o seu amigo Luís, continuou a gritar: “Luís, meu amigo, como é que partiste sem mim?”. Ao chegar perto do carro do pai, disse-lhe: “Paizinho, deixa-me subir para o teu carro, porque eu também sou cristão e teu filho!”. Dirigiu-se logo aos soldados, pedindo-lhes que o subissem para o carro do pai. Um soldado agarrou-o e feriu-o violentamente na cabeça com o sabre. Caiu sem sentidos, sendo socorrido por uma mulher que o recolheu: era sua própria mãe! E quando em Nagasaki expiravam, crucificados, os seus companheiros, ele falecia em casa, em consequência do golpe sofrido, e assim encontrou-se com eles no céu.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.
16 Bem-aventurada Filipa Mareri
16/02/2024

Virgem da Segunda Ordem (1190-1236). Concedeu ofício e missa em seu louvor Pio VII no dia 29 de abril de 1806.

 

Nasceu em Riéti, em 1190, de família nobre. Desde os primeiros anos se mostrou piedosa, contemplativa e inteligente. Teve a sorte de estar em contato  bastante com o próprio São Francisco, que, nas suas andanças pelo vale de Riéti, se hospedava na casa da família Mareri. O que mais a impressionava nele era a oração assídua e o desprendimento de todas as coisas terrenas. Decidiu segui-lo. Quando o pai lhe propôs um casamento em concordância com a sua nobreza, respondeu que só queria por esposo Jesus Cristo. Essa recusa desencadeou uma terrível perseguição, sobretudo por parte de seu irmão Tomás. Mas ela não mudou de ideia. Por fim, retirou-se com algumas companheiras para um eremitério junto a um monte próximo e encetou uma vida de solidão.

 

Comovido com a firmeza da irmã, Tomás ofereceu-lhe a igreja de São Pedro, no antigo mosteiro que ele mesmo mandara reparar. Filipa aceitou a oferta e começou uma vida claustral com as companheiras, adotando a regra das Senhoras Pobres de Assis. Durante algum tempo o próprio São Francisco dirigiu essa pequena comunidade, que depois entregou ao seu discípulo Frei Rogério de Tódi. Não tardou que muitas outras jovens se decidissem a consagrar-se a Deus sob a direção da Bem-aventurada Filipa Mareri, que se tornou para as irmãs mais que uma Abadessa, uma mãe extremosa, empenhada em animá-las à perfeição e consolá-las nos sofrimentos.

 

Seguindo o exemplo de São Francisco e do Beato Rizério, dedicou muita atenção à pobreza, sempre confiante na divina providência. Prostrada diante de um grande crucifixo, chorava ao pensar nas muitas ofensas feitas ao Senhor, fazia penitência e implorava a misericórdia Divina.

 

Aconteceu que uma sua sobrinha, que ingressara no mosteiro, estava na iminência de ser raptada à força pela família. Filipa, intervindo com sua oração, fez com que os parentes não conseguissem movê-la nem retirá-la da clausura.

 

Predisse o momento da morte com muita antecipação. Reunindo as irmãs em volta do leito de morte, exortou-as à oração, à concórdia e ao amor à pobreza seráfica. Ao vê-las tristes e chorosas, exortou-as à alegria: “Não choreis por mim, queridas filhas. Que a vossa tristeza se transforme em alegria! Desde o céu ainda vos poderei ajudar mais. Quero morrer para viver em Cristo, para receber a herança na terra dos vivos. Consolai-vos no Senhor. Perseverai no serviço de Deus. Recordai todas as coisas que eu fiz. E a paz do Senhor, que supera tudo quanto se possa imaginar, guarde o vosso coração e o vosso corpo”. Terminadas estas exortações, encomendou-se humildemente a Jesus Cristo, fortalecida com a Eucaristia e os Sacramentos, na presença do Bem-aventurado Rogério e de outros frades menores, entre as lágrimas das irmãs, a 16 de fevereiro de 1236, ela passou com alegria para a casa do Senhor. Contava 46 anos.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. 

17 Bem-aventurado Lucas Belludi
17/02/2024

Sacerdote, discípulo de Santo Antônio, da Primeira Ordem (1195-1285). Aprovou seu culto Pio XI em 18 de maio de 1927.

 

Nasceu em Pádua, por volta de 1195. São Francisco, de regresso do Oriente, no verão de 1220, atravessou a região de Veneto, detendo-se em Pádua. Junto à igreja de Santa Maria de Arcella mandou construir um pequeno convento para alguns dos seus seguidores. Em Arcella deu o hábito das Senhoras Pobres de Santa Clara à Bem-aventurada Helena Enselmini, e o hábito dos Frades Menores a um jovem sacerdote chamado Lucas Belludi.

 

Ali viveu esse religioso durante sete anos, entregue ao apostolado e à mortificação. Foi, então, que escreveu os seus Sermões, conservados em preciosos códices. Em 1227, encontrou-se com Santo Antônio e, desde então, os dois amigos, como duas almas gêmeas, andaram juntos. No Pentecostes de 1227, Santo Antônio tomou parte do Capítulo Geral na Porciúncula, onde foi eleito Ministro Provincial duma extensa província, que abrangia toda a Itália Setentrional e tomou Lucas como seu acompanhante. Estava com ele quando o Santo, em Roma, pregou a quaresma perante o Papa Gregório IX. Em 1230 também os dois participaram do Capítulo Geral de Assis e presenciaram a trasladação dos restos mortais do Santo fundador da Igreja de São Jorge para a nova Basílica, construída na colina do Paraíso. No regresso de Assis detiveram-se em Camposampietro, onde o Conde Tiso deu atenciosa hospedagem ao Santo taumaturgo, cuja saúde estava muito abalada. Notando que a doença ia agravando, Lucas quis transportar o Santo para Pádua, mas em Arcella, a 13 de junho de 1231, teve de assistir à agonia e à morte daquele a quem tanto tinha amado e venerado.

 

O resto da vida do Bem-aventurado Lucas teve momentos muito alegres. O seu santo mestre foi canonizado pelo Papa Gregório IX apenas 11 meses após a morte e, em Pádua, lançavam-se os alicerces da grande basílica que, através dos séculos, cantaria as glórias do taumaturgo. Na glorificação do mestre desempenhou o discípulo um relevante papel.

 

Ezelino II de Roma, verdugo e tirano, a quem Dante imortalizou como condenado entre os criminosos sanguinários mergulhados em seu próprio sangue, continuava a sacrificar vítimas inocentes. Imitando o gesto desassombrado do mestre, o Bem-aventurado Lucas também teve a coragem de se apresentar diante dele em Ansedísio, censurando-o pelas injustiças e os delitos. Ezelino sentenciou: “Frei Lucas seja perdoado, mas a sua família seja condenada ao desterro”. E a sentença teve de ser cumprida.

 

O Bem-aventurado Lucas adormeceu santamente no Senhor por volta de 1285, para se encontrar em definitivo com seu mestre. Contava 90 anos, 65 dos quais passara no serviço de Deus e dos irmãos, com admirável espírito de devoção e dedicação.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

18 São Joaquim Sakakibara
18/02/2024

Mártir japonês da Terceira Ordem Franciscana (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

A evangelização no Japão teve a sua etapa inaugural entre os anos de 1549 e 1561, por obra de São Francisco Xavier, e desenvolveu-se nos decênios seguintes com notáveis resultados. Em 1587 a comunidade católica japonesa já contava uns 205.000 fiéis, com o centro principal em Nagasaki. Nesse ano começou a perseguição, com um decreto de expulsão dos jesuítas que, no entanto, permaneceram em grande parte clandestinos no país, continuando silenciosamente a sua atividade apostólica. Em 1593, vindos das Filipinas, desembarcaram no Japão alguns franciscanos, que encetaram nova fase de ação missionária: pregação da Palavra, coroada com numerosas conversões, construção de igrejas, conventos, hospitais e escolas para crianças.  Estas dinâmicas iniciativas provocaram a reação do governo, que ordenou a prisão dos religiosos franciscanos e seus colaboradores mais próximos. As detenções foram levadas a cabo em datas diversas: em 9 de dezembro de 1596 foram presos seis franciscanos em Osaka; em 31 de dezembro foram capturados em Meaco quinze leigos japoneses; e no ano seguinte foram incluídos no grupo dos condenados outros cristãos japoneses.

 

Entre estes últimos contava-se Joaquim Sakakibara, natural de Osaka, que estivera ao serviço dos franciscanos, como ecônomo de hospitais e de outras obras de assistência  da missão. Era ainda catecúmeno quando adoeceu. A esposa, que já era cristã, pediu aos padres que antecipassem o batismo do marido. Eles, porém, preferiram adiá-lo, a fim de ter mais tempo de se preparar bem para tão importante sacramento. E o batismo transformou-o noutro homem, aumentando-lhe o entusiasmo na prática do bem. Fez-se Terceiro Franciscano e dedicou toda a vida, como ecônomo e enfermeiro, a trabalhar em hospitais e noutras obras de assistência.

 

Também ele teve a sorte de ser contado entre os confessores da fé.  Ao subirem para a Santa Colina, esses heróis são seguidos por numerosos cristãos que deploram a sua morte. Eles vão consolando os fiéis e pregando aos pagãos. Ao verem as cruzes onde iriam consumar o holocausto, ajoelham-se e cantam o “Bendictus”. Depois,  cada um procura a sua cruz, à qual se abraça, apertando-a amorosamente ao coração. Os soldados atam cada um ao seu madeiro. Do alto desse trono, cada um continua a pregar, de rosto sereno e iluminado. Às dez da manhã os soldados esperam ordem do governador para trespassarem as vítimas. Quando chega o veredicto, os mártires são horrivelmente destroçados e expiram a pronunciar os nomes de Jesus e Maria, ou a exclamar “Senhor, nos Vossas mãos encomendo o meu espírito”, ou a cantar “Louvai ao Senhor todas as nações!”. A última vítima a ser sacrificada foi São Pedro Baptista, que animou os cristãos à perseverança, convidou os pagãos à conversão e implorou perdão para os verdugos. Assim se completou a imolação dos 26 mártires, que seria sementeira fecunda de novos cristãos. Era uma quarta-feira, 5 de fevereiro de 1597.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. 

19 São Conrado de Piacenza
19/02/2024

Ermitão da Terceira Ordem Franciscana (1290-1351). Urbano VIII aprovou seu culto como santo, no dia 12 de setembro de 1625.

 

Conrado Confaloniéri nasceu em 1290. Nobre, rico, feliz no casamento, era aficionado pela caça. Um dia em que andava com outros caçadores perseguindo uma presa, vendo-a embrenhar-se num espesso bosque onde lhe era impossível penetrar, resolveu lançar fogo no matagal, para escorraçar o bicho. Sucedeu, porém, que o incêndio não pôde ser extinto nem controlado, alastrando-se e destruindo muitas colheitas e granjas das redondezas. Conrado e os cúmplices da façanha entraram na cidade sem serem notados, e não havia nenhuma testemunha que os pudesse acusar dos prejuízos causados involuntariamente. Mas os proprietários lesados denunciaram o caso às autoridades, que fizeram um inquérito e, como resultado, um pobre caseiro, que vivia nas proximidades do sítio onde se ateara o fogo, foi preso e condenado à morte.

 

Na praça da cidade, pouco antes da execução do condenado, Conrado não pôde resistir aos remorsos da consciência: reconheceu publicamente ser ele o culpado, embora, até certo ponto, involuntário, e assim, salvou uma vida inocente. Foi então ele condenado, não à morte, mas ao pagamento de todos os danos causados. Cumpriu a sentença vendendo todos os bens próprios e os da esposa.

 

Desta forma, ficaram os dois absolutamente sem nada, numa miséria total. Mas não se desesperaram, e aceitaram mesmo essa provação como um sinal do céu. Separaram-se de mútuo acordo e enquanto a mulher ingressou no mosteiro das clarissas, no convento de Piacenza, ele emigrou para a Sicília e na vizinhança de Noto encetou uma vida eremítica, fez-se terceiro franciscano e viveu em austeridade e oração durante 36 anos, tornando-se famoso pelo rigor da penitência que se infligia. Às sextas-feiras descia à cidade para visitar doentes no hospital e fazia prolongada oração diante dum célebre crucifixo da catedral. Foi agraciado com o dom dos milagres. Após a morte, que sobreveio aos 61 anos, em 19 de fevereiro de 1351, foi sepultado na catedral onde costumava rezar, e aí é venerado, juntamente com São Nicolau de Bari, como padroeiro da cidade.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

20 Bem-aventurado Pedro de Tréia
20/02/2024

Sacerdote da Primeira Ordem (1225-1304). Aprovou seu culto Pio VI no dia 11 de setembro de 1793.

 

Em Tréia, antigo município romano na província de Macerata nasceu, por volta de 1255, outro dos notáveis franciscanos que nessa época povoaram as terras da Itália, sobretudo a região das Marcas.

 

Embora as virtudes de todos sejam fundamentalmente as mesmas, a personalidade dessas figuras medievais é sempre diversa e interessante, e constituem um vasto florilégio de muitos variados tipos humanos e fisionomias espirituais. O Bem-aventurado Pedro de Tréia representa o tipo contemplativo, cuja maior celebridade são as suas conquistas ascéticas. Mas foi, também, um religioso ativo no ministério da Palavra, como pregador irresistível.

 

Entrou na Ordem quando ainda era muito jovem, e sempre ansiou por imitar as virtudes de São Francisco e seguir os seus passos, mesmo materialmente. Passou muito tempo no monte Alverne – opção que confirma o que dissemos, pois foi esse monte o calvário místico de São Francisco, onde tinha recebido os estigmas, e sobre essas rochas, mais que à pregação e ao ensino, à meditação e à ascese, entre êxtases e visões.

 

Como apóstolo e pregador, Pedro percorreu a região das Marcas, fascinando multidões com a veemência sagrada da sua eloquência. Tinha o dom de comover os pecadores, que, arrependidos e purificados no sacramento da penitência, eram por ele conduzidos a Deus.

 

São famosos os seus êxtases e visões. Em Ancona, o superior do convento descobriu-o na igreja, em oração, elevado da terra. Mais tarde, no convento de Forano, foi Pedro quem observou a cena admirável de a Santíssima Virgem colocar afetuosamente o Menino Jesus nos braços do confrade Conrado de Ofida. Pedro de Tréia e Conrado de Ofida, ambos das Marcas e ambos franciscanos beatificados, foram não só confrades e companheiros de apostolado, mas também verdadeiros irmãos em espírito, cuja santidade se desenrolava por caminhos idênticos, competindo mutuamente numa santa emulação. O Bem-aventurado Pedro morreu a 19 de fevereiro de 1304, no convento Sirolo, aos 79 anos de idade.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola. 

21 São Leão Karasuma
21/02/2024

Mártir no Japão, coreano, da Terceira Ordem Franciscana (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

Leão Karasuma foi o primeiro franciscano da Terceira Ordem no Japão e não tardou a ser um dos mais ativos e dinâmicos cooperadores da missão. Natural da Coréia, descendente duma família nobre, foi encomendado aos sacerdotes budistas pelos pais, para o educarem na sua religião, e chegou e ser um budista. Como tal, foi forte inimigo dos cristãos, ameaçando todos os que, diante dele, se atrevessem a mencionar o nome de Cristo ou a anunciar a sua boa nova. Perseguia os cristãos por todos os meios.

 

Deus, porém, querendo fazer dele um vaso de eleição, como outrora acontecera com Saulo de Tarso, no caminho de Damasco, dispôs que Leão se transferisse da Coréia para o Japão. Ali aconteceu encontrar-se com um cristão intrépido, que lhe falou de Cristo, do evangelho e da religião cristã com entusiasmo e ousadia. Lentamente, seus olhos foram se abrindo à verdade, e descobriu a divindade de Cristo e a beleza da fé cristã.

 

Pouco depois chegaram a Meaco os irmãos provenientes das Filipinas, e Leão foi conquistado pelo seu estilo de vida, sobretudo pela pobreza e simplicidade, e pelo ardor da sua pregação evangélica. Depois de prolongada preparação, recebeu o batismo e demais sacramentos, ingressou na Terceira Ordem e tornou-se assíduo colaborador de São Pedro Baptista.

 

Dirigiu, como técnico, a construção de igrejas e conventos, hospitais e outros edifícios destinados à assistência social. De vez em quando se fazia de arquiteto ou de trabalhador manual das construções. Por conhecer diversas línguas, muitas vezes serviu de intérprete.

 

O seu exemplo de atividade dinâmica causava muito boa impressão nos pagãos, que se convertiam, e nos cristãos, que o ajudavam nas suas tarefas. Converteu muitos fiéis, entre eles seu irmão mais velho, que veio a ser seu companheiro no martírio. Preso a 31 de dezembro de 1596, foi martirizado em Nagasaki em 5 de fevereiro do ano seguinte, com mais 25 companheiros. Todos foram, em conjunto, canonizados por Pio IX a 8 de junho de 1862.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

22 São Boaventura de Meaco
22/02/2024

Mártir japonês, terceiro franciscano (+1597). Canonizado no dia 8 de junho de 1862 por Pio IX.

 

Nasceu no Japão em data ignorada. Filho de pai cristão e de mãe pagã. Foi batizado ainda criança, mas, por influência de sua mãe foi obrigado a frequentar cultos budistas. Esta dualidade seguiu toda a sua fase de crescimento e educação. Por essa razão levou, por vinte e seis anos, uma vida dissoluta, sem rumo e de descaminhos.

 

Com a chegada dos religiosos vindos das Filipinas, Boaventura é apresentado novamente ao cristianismo e os franciscanos revelam os seus pecados. Este, arrependido, atira-se ao chão e pede perdão a Deus e aos irmãos que o fizeram ver a verdade.

 

No primeiro domingo após o retorno à fé cristã, Boaventura vai à Missa vestindo um saco, com a cabeça coberta com cinza e uma corda no pescoço para pedir perdão por tantos anos afastado da fé. Todos que frequentavam a Igreja de Santa Maria dos Anjos ficaram admirados e ao mesmo tempo compadecidos pela grandeza do ato daquele cristão.

 

Como prova de seu arrependimento pediu para ser admitido e vestir o hábito da Terceira Ordem Franciscana. Como sinal de sua conversão, quis se chamar Boaventura. Assim como o Doutor São Boaventura foi para a Ordem Seráfica e para a Igreja uma “boa ventura”, assim o novo Boaventura devia ser para nascente Igreja e para todo o Japão.

 

Daquele momento em diante não mais se separou das missões e dos religiosos franciscanos. Foi um grande catequista.

 

Foi preso e teve a sua orelha esquerda cortada e, em seguida colocado em cortejo até a chegada a Nagasaki, local onde foi crucificado, no dia 05 de fevereiro de 1597.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

23 Bem-aventurada Isabel da França
23/02/2024

Virgem da Segunda Ordem (1225-1270). Leão X concedeu ofício e missa em seu louvor no dia 11 de janeiro de 1520.

 

Era filha de Luis VIII, Rei da França, e sua esposa Branca de Castela, que com suas notáveis qualidades de piedade, inteligência e energia, soube formar santos também no trono real. A jovem princesa foi iniciada desde pequena na oração e na meditação, numa terna devoção a Deus e a Maria santíssima, e na prática de uma autêntica vida cristã. A escola de virtudes e o exemplo de Branca de Castela deram à Igreja um São Luís IX, Rei da França, e uma Bem-aventurada Branca Isabel. Habilidosa para trabalhos de bordado, ofereceu a várias igrejas trabalhos confeccionados por suas próprias mãos, mostrando assim a sua grande devoção à Sagrada Eucaristia.

 

Jejuava três dias por semana e sempre se alimentava com parcimônia. Evitava diversões fúteis. Passava os tempos de lazer em companhia do irmão Luís e das damas que tinha ao seu serviço. Visitava com frequência doentes acamados nos hospitais ou nas próprias casas, procurava atender às suas necessidades e incutir-lhes esperança e coragem. Quando por sua vez veio a cair gravemente enferma, a ponto de recear o desfecho mortal, recuperou a saúde graças às orações e aos cuidados de sua santa mãe.

 

Conrado, filho do Imperador Frederico II, pediu-a em casamento, e tal pedido encheu de alegria sua mãe, seu irmão e até o próprio Papa Inocêncio IV, mas ela declarou que fizera voto de virgindade e de modo nenhum desistiria dessa missão.

 

Para melhor realizar seu propósito, mandou, em 1261, construir um mosteiro nos arredores de Paris, e para lá foi viver, adotando a regra da Segunda Ordem de Santa Clara. Seguiram-lhe o exemplo várias religiosas que viviam na corte da França. Para essa comunidade ter uma melhor formação franciscana, convidaram a virem juntar-se a elas quatro religiosas de outros mosteiros.

 

Neste mosteiro viveu Isabel durante nove anos, celebrizando-o com suas virtudes. Morreu em 23 de fevereiro de 1270, com 45 anos de idade. No momento do seu desenlace, algumas religiosas ouviram cânticos angélicos entoando: “Na paz está sua morada”. São Luís esteve presente no funeral da irmã, e dirigiu palavras de consolação à comunidade de Clarissas.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

24 São Matias de Meaco
24/02/2024

Mártir japonês da Terceira Ordem Franciscana (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

Matias nasceu no Japão, em data ignorada. Sabe-se que ele foi um grande colaborador dos padres Franciscanos que trabalhavam na pregação, evangelização e nos cuidados quanto à saúde da população mais carente.

 

Quando foram presos estavam em oração. Um dos guardas que os prenderam para conferir se todos estavam presentes faz uma chamada individualizada e deram por falta de uma pessoa chamada Matias, naquele mesmo momento Matias de Meaco se apresentou como Cristão e que ele substituiria seu irmão de Fé. Foi uma atitude espontânea, mas o soldado lhe responde que ele não era o condenado e que não poderia ser preso. Matias insistiu e garantiu ser amigo e irmão de Fé dos Franciscanos. Neste momento o guarda aceita sua argumentação e o integra ao grupo de presos.

 

Como todos os prisioneiros teve sua orelha esquerda decepada. Conduzidos em cortejo para Nagasaki para cumprimento da condenação.

 

Faleceram crucificados no dia 5 de fevereiro de 1597, em Nagasaki, Japão.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

25 Bem-aventurado Sebastião de Aparício
25/02/2024

Religioso da Primeira Ordem (1502-1600). Beatificado por Pio VI no dia 17 de maio de 1789.

 

Nasceu no ano de 1502, em Gudena (Espanha), de pais pobres mas piedosos. Desde a adolescência levava para pastar um pequeno rebanho e aproveitava os momentos livres para orar e visitar igrejas ou capelas. Aos 15 anos foi contratado como serviçal por uma senhora rica de Salamanca, mas, não podendo suportar o ambiente frívolo da casa, apesar de bem remunerado, desistiu desse trabalho. Apreciava mais a vida campestre, em contato direto com a natureza que lhe permitia subir até Deus. Durante 8 anos trabalhou a serviço de dois agricultores e, com o ordenado, ajudava os pais na sua pobreza e amealhou modestos fundos para dotes das irmãs.

 

Com 31 anos de idade, falecidos os pais e casadas as irmãs, zarpou para a América. Chegado a Puebla, no México, retomou os trabalhos agrícolas. Para incrementar o comércio empreendeu viagens de transporte de mercadorias entre várias cidades. Rasgou vias de comunicação através de bosques impenetráveis, promoveu a construção duma importante estrada entre Zacatecas e a Cidade do México. Tudo quanto ganhava nestas suas empresas era patrimônio dos pobres. Socorria com generosidade os necessitados, transportava-os gratuitamente e às suas mercadorias, emprestava-lhes dinheiro a fundo perdido, ocupava-se em libertar prisioneiros e escravos. Os índios o respeitavam e admiravam.

 

Absorvido numa vida tão movimentada, encontrava sempre tempo para a oração e participação na Eucaristia. Com frequência o demônio o atormentava com tentações, mas sem nunca conseguir vencê-lo. Em 1552 passou a empresa a outros proprietários e, nos arrebaldes da Cidade do México, adquiriu uma quinta, voltando a dedicar-se à agricultura e criação de gado. Casou, mas, de comum acordo com a esposa, fez voto de castidade. Enviuvando após um ano, decidiu contrair segundas núpcias com uma virtuosa senhora, com a qual viveu igualmente em perfeita continência. Pouco depois, veio a  falecer também esta segunda mulher.

 

A 2 de julho de 1573, com 71 anos de idade, decidiu realizar um velho sonho. Pediu e recebeu o hábito de frade menor no convento da Cidade do México. Aí viveu ainda nada menos que 27 anos, sendo para todos exemplo de religioso humilde, obediente, dedicado à oração e à penitência. Deus glorificou sua vida exemplar. A 25 de fevereiro de 1600, aos 98 anos de idade, descansou serenamente no Senhor. Passou a ser venerado como santo e o seu sepulcro tornou-se glorioso.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

26 Santo Antônio de Nagasaki
26/02/2024

Mártir da Terceira Ordem (1584-1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

Nasceu em Nagasaki, no Japão, no ano 1584. Seu pai era chinês e sua mãe japonesa. Sua família já era Cristã quando do seu nascimento.

 

Antônio foi educado pelos franciscanos. Mais tarde, em razão de sua dedicação, interesse e vontade de crescer em Cristo, foi admitido na Ordem Terceira Franciscana.

 

Mudou-se para Meaco para acompanhar seu superior, o reitor do Seminário de São Jerônimo de Jesus, mais tarde para Osaka.

 

Quando tinha apenas treze anos foi preso em função da perseguição aos religiosos que atuavam naquele país. Todos os religiosos presos tiveram a suas orelhas esquerdas decepadas, depois foram conduzidos em cortejo para Nagasaki

 

Faleceram no dia 5 de fevereiro de 1597, em Nagasaki, Japão.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

27 São Paulo Suzuki
27/02/2024

Mártir japonês, da Terceira Ordem (+1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

 

Nasceu no reino japonês de Ovari, convertido ao cristianismo por São Leão Karasuma.

 

Ingressou na Ordem Terceira Franciscana e desenvolveu grande parte de sua atividade apostólica na região de Meaco, colaborando ativamente com os frades menores na difusão do cristianismo e na assistência aos enfermos na qualidade de enfermeiro. Submetia seu corpo a severíssimas penitências.

 

Tinha por hábito severas penitências e demonstrando muita força e Fé quando da sua prisão. Em Meaco teve a sua orelha esquerda decepada, como os demais irmãos de Fé. Após este primeiro martírio são conduzidos em cortejo de forma humilhante até Nagasaki.

 

Faleceram, crucificados, no dia 05 de fevereiro de 1597, em Nagasaki, Japão.

 

Canonizado pelo Papa Pio IX, em 08 de junho de 1862

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

28 Bem-aventurada Antônia de Florença
28/02/2024

Viúva da Segunda Ordem (1401-1472). Aprovou seu culto Pio IX no dia 17 de setembro de 1847.

 

Nasceu em Florença, na Itália, em 1401. Quando tinha quinze anos, casou-se e logo em seguida teve um filho. Poucos anos depois seu marido faleceu. Para garantir um futuro ao filho, casou-se novamente, mas também este segundo marido veio a falecer alguns anos depois. Como seu filho já era grande e poderia sobreviver por sua própria conta, decidiu ingressar na Ordem das Irmãs Terciárias Regulares. Mais tarde ingressou no Convento de Santo Onofre, em Florença. Por ser bastante dedicada aos afazeres diários dentro do convento e o apoio espiritual que, generosamente, dedicava a suas irmãs de fé ganhou a admiração e respeito de todas e até mesmo as suas superioras.

 

Algum tempo depois foi enviada para Foligno para pregar e transmitir sua dedicação a deus. Depois seguiu para Áquila, mais precisamente para o Convento de Santa Isabel. Neste Convento teve como orientador espiritual São João de Capristano, quem, junto com São Bernardino de Sena, promovia a chamada “observância”.

 

Antônia sentia a urgência de uma regra mais austera, de uma pobreza mais rígida, de uma abnegação mais perfeita. Com a aprovação de Nicolás V, e a bênção de São João Capistrano, vigário Geral, em 1447 se retirou com outras doze irmãs para o Mosteiro Corpo do senhor, lá onde elas pretendiam viver em pobreza absoluta e observar com muito rigor a regra de Santa Clara. Foi a superiora pelo resto de sua vida, sempre observando e respeitando as regras de Santa Clara.

 

Faleceu aos 71 anos de idade, em 1472. A cidade de Áquila a venera como santa desde a sua morte.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

28 Bem-aventurada Caridade Brader
28/02/2024

(1866-1943). Virgem, fundadora das Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada.

 

Maria Caridade Brader é também conhecida como Maria Josafá Carolina Brader, Madre Caritas, Maria Caridade do Amor do Espírito Santo.

 

Nasceu em 14 de agosto de 1860 em Kaltbrunn, Suíça como Maria Josafa Carolina Brader.

 

Filha única de José Sebastião Brader e Maria Anna Carolina Zahner. Educada em uma família piedosa, ela era conhecida como uma menina muito inteligente e recebeu a melhor educação que os seus pais podiam dar. Seus pais tinham grandes planos para o seu futuro, mas em vez de continuar os estudos ela sentiu um forte chamado para a vida religiosa e entrou para o convento franciscano em Maria Jilf, Alstatten em 1º de Outubro de 1880, tomando o nome de Maria da Caridade do Amor de Espírito Santo, e fez seus votos definitivos em 22 de Agosto de 1882.

 

Ela foi inicialmente designada como professora. Quando foi possível para as irmãs em clausura se tornarem missionárias, irmã Caritas, como era conhecida, foi voluntária com outras 5 irmãs para trabalhar em Clone, no Equador em 1888.

 

Ela trabalhou durante 6 anos como professora e catequista das crianças. Em 1893 foi transferida para Túquerres, Colômbia, onde as condições eram muito difíceis, mas ela superou todos as dificuldades em breve estava ensinando a fé aos pobres e desamparados.

 

Ela fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas de Maria Imaculada em Tuquerres, Colômbia em 31 de Março de 1893. Inicialmente composta de jovens irmãs com inclinação para o trabalho missionário elas foram em breve recebendo moças do local e outras mulheres Colombianas. Caritas serviu como Superiora Geral da Congregação de 1893 até 1919 e de novo de 1928 a 1940. As Irmãs enfatizavam a boa educação, com muitas preces e uma vida austera. Elas receberam a aprovação papal para a Congregação em 1993 e hoje elas estão nos na América Central, América do Sul, México, Suíça, Mali, Roménia e Estados Unidos.

 

Caritas faleceu em 27 de fevereiro de 1943 em Pasto Colômbia e o seu tumulo logo se tornou um local de peregrinação e de devoção popular e vários milagres foram assinalados junto da sua campa a e alguns creditados à sua intercessão.

 

Foi declarada Venerável em 29 de junho de 1999, e beatificada em 23 de março de 2003 pelo Papa João Paulo II.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.