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Necrologia

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Frei Estanislau Tomás Hella

19/09/1981

19.12.1913 - Curitiba/Paraná
19.09.1981 - Curitiba/Paraná

Frei Estanislau nasceu aos 19 de dezembro de 1913, em Curitiba, no Bairro do Pilarzinho. Recebeu a formação cristã na família e no colégio das Irmãs de Abranches, onde fez o curso primário. Com 28 anos de idade decidiu procurar os capuchinhos para consagrar sua vida a Deus como Francisco de Assis. Entrou no Seminário em Butiatuba aos 29.07.1941. Iniciou o postulantado aos 24.09.1941. Iniciou o noviciado aos 07.12.1942. Emitiu a profissão temporária aos 08.12.1943 e a perpétua aos 08.12.1946, perante o celebrante e superior dos capuchinhos, Frei Barnabé Ivo Tenani.

Logo a seguir a obediência religiosa destinou-lhe sobretudo o serviço da cozinha nas maiores casas de formação: Mercês (1943-1946; 1953-1957; 1965-1966; 1969-1981), Butiatuba (1947-1952; 1959-1960), Siqueira Campos (1961-1962), Capinzal (1963-1964), Ponta Grossa-Bom Jesus (1966-1968).

Durante estes anos dividiu sua vida entre a cozinha e a igreja, no serviço sempre alegre de louvor a Deus e alegria dos confrades na fraternidade. Tinha consciência de quanto este serviço é indispensável para o bem estar dos irmãos e, por isso faziao com a perfeição no melhor estilo de que só ele era capaz. Além de servir os frades como cozinheiro, foi instrutor dos irmãos leigos, assistente dos seminaristas, companheiro do Ministro provincial, assistente dos neo professos, porteiro por 22 anos em Curitiba e sacristão. Com outros freis, participou de campanhas de alimentos em favor dos seminários em diversos lugares do norte do Paraná.

Nada o alterava. Sempre sereno, alegre, pontual. Quando ocorria uma festa na fraternidade, além de melhorar a qualidade na quantidade, ainda completava o encontro à mesa com a música romântica de seus programas de gaita de boca.

Quando a saúde já não recomendava este tipo de trabalho, Frei Estanislau trocou o calor do fogão com o calor da amizade na portaria do convento das Mercês. Aí, por mais de 15 anos, mesmo castigado pela doença diabete, flebite e complicações cardíacas manteve sempre o mesmo ritmo de trabalho e fidelidade no vaivem do dia a dia desta tarefa. Todos sabem quanto era hospitaleiro com leigos e religiosos que procurassem nossa casa das Mercês.

Além destas atividades em que Frei Estanislau teve notoriedade pela vivência do seu carisma franciscano de ser e servir, destacou-se também em seus 38 anos de vida consagrada, nas funções de sacristão, esmoler, instrutor dos irmãos não clérigos no pós noviciado, assistente no seminário e irmão auxiliar do Ministro provincial.

Frei Estanislau teve a alegria de participar das cerimônias de beatificação de Frei Leopoldo de Mandic, aos 2 de maio de 1976, na Praça de São Pedro, em Roma, com os freis Miguel Botaccin e Bernardino Tomat. Naquela oportunidade, visitou a Província Veneta e os principais santuários da Itália.

Terminou sua missão aos 68 anos de idade, falecendo placidamente no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, aos 19 de setembro de 1981. Deixou uma folha corrida exemplar para os seus irmãos.

Não teve outras ambições senão ser fiel ao carisma de sua vocação religiosa franciscana com muito amor, alegria, simplicidade, humildade e perseverança, alimentadas pela oração e caridade fraterna.

Com o canto Noite Feliz, como ele pedira, foi sepultado no cemitério de Butiatuba.

Frei Luiz Carlos Girolla

13/05/1912
19/09/1999

13.05.1912 - Nova Trento/Santa Catarina
19.09.1999 Curitiba/Paraná

Frei Luiz Carlos Girolla é filho de Joaquim e Catarina Lorenzetti Girolla. Nasceu em Nova Trento (SC), aos 13 de maio de 1912.

Entrou para o seminário em 29 de dezembro de 1940, em Curitiba, Paraná, sendo recebido por Frei Ricardo de Vescovana, diretor. Vestiu o hábito capuchinho aos 31.10.1941, em Butiatuba, tendo como mestre de noviciado Frei Barnabé Tenani, que também era Custódio Provincial. Os votos temporários foram emitidos aos 8 de dezembro de 1942, em Butiatuba, sendo recebidos por Frei Henrique de Treviso. Consagrou-se definitivamente pelos votos perpétuos aos 6 de janeiro de 1946, na igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, pelas mãos de Frei Beda Tofanello.

Tendo entrado para o seminário com a finalidade de ser apenas religioso, Frei Luiz Girolla, ao terminar o noviciado permaneceu em Butiatuba, dedicando-se às atividades dos chamados "irmãos leigos": por sete anos cuidou da chácara. Em 1950, com o início da construção do Seminário Santa Maria, em Engenheiro Gutierrez, Paraná, foi transferido como ajudante na construção. Lá permaneceu por oito anos. Em 1958 retornou para Butiatuba, onde ficou mais dez anos. Atuou como esmoler no norte do Paraná, responsabilidade dura de trazer o sustento para os frades e seminaristas em época de grandes carências. Por onze anos (1970-1981) morou em Palmas como assistente do Bispo Dom Frei Agostinho Sartori, e também como responsável pela manutenção do Asilo da Diocese. De 1981 a 1984 trabalhou como porteiro no convento das Mercês, em Curitiba. De 1984 a 1987 dedicou-se a bênçãos no Santuário Bom Jesus, em Siqueira Campos. De 1987 a 1990, voltou para Butiatuba, coordenando a manutenção da Casa de Retiros. Após rápida passagem como auxiliar na Capela São Leopoldo Mandic, em Curitiba, Vila Nossa Senhora da Luz, Frei Luiz foi transferido para o convento das Mercês, onde auxiliou os freis no atendimento ao povo que solicita bênçãos. Nas Mercês ele está desde outubro de 1991.

Frei Luiz Girolla, aos 80 anos, continuou mantendo a imagem do "frade alegre e trabalhador". De 1943 a 1968, dedicou-se com alegria à difícil tarefa das "campanhas de cereais", para ajudar a sustentar os nossos seminários. Conhecido em todas as cidades do norte do Paraná, Frei Luiz foi admirado, não só pelo seu espírito de trabalho, mas também pela maneira com que, trabalhando, procurava evangelizar por atitudes e palavras. Até bispos (Maringá e Jacarezinho) na década de 1950 e 1960 solicitaram os seus préstimos para a construção de seus seminários, e Frei Girolla correspondeu franciscanamente.

Rezar ele sempre rezou. Mas, não só. Não dispensava um "dedo de prosa" onde quer que se encontrasse. Sempre tinha histórias para contar. às vezes, ele dizia que "acha que já está véio"! Mas, na "prosa", não perdia o fôlego.

Na madrugada de 19 de maio de 1993, frei Luís Girolla foi acometido, durante a noite, por um derrame. De manhã cedo, foi encontrado no chão. Não falava e nem se movia. Levado ao Hospital Nossa Senhora das Graças começou seu longo tratamento. Durante seis anos permaneceu na enfermaria provincial, em nossa Cúria e no convento das Mercês a partir de 12 de outubro de 1997. Para tratamentos esteve internado diversas vezes no hospital Nossa Senhora das Graças. Era continuamente atendido por Frei Francisco Miguel da Silva e seus auxiliares.

Em agosto de 1999, quebrou o fêmur. Depois de operado no hospital Nossa Senhora das Graças, sobrevieram complicações. Aos 04.09.1999, na parte da manhã, teve que ser internado na UTI. às 23h desse mesmo dia foi operado, em caráter de urgência, de laparatomia (cirurgia abdominal) quando se constatou úlcera duodenal e forte hemorragia. Permaneceu na UTI até 13.09.1999, e depois foi levado a num quarto, onde veio a falecer às 7h30 de 19 de setembro de 1999. Seu corpo foi transportado para Butiatuba, e, no mesmo, às 20h30, foi celebrada a primeira missa com a presença do Ministro provincial, vigário provincial, representantes da Província-mãe de Veneza (Frei Roberto Genuin, vigario provincial.; Frei Giovanni Lazzara, vice-secretário. provincial.) e diversos outros freis.

O bispo de Palmas, Dom Frei Agostinho José Sartori, veio especialmente para rito fúnebre porque Frei Luiz o ajudou durante onze anos na Diocese de Palmas. Presidiu a missa exequial, que iniciou às 10h30, em nossa capela da fraternidade Santo Antônio em Butiatuba. Falou brevemente mas de maneira muito bonita e fraterna, dando também a razão de sua presença e pela gratidão que devia para com frei Luís. Afirmou que, durante a missa na catedral de Palmas, foi comunicado o falecimento de Frei Luiz, que era muito conhecido também pelo povo.

Diversos sobrinhos, primos e um irmão de Frei Luiz estiveram presentes aos seus funerais. A estes se uniram diversos freis de nossa Província, que já se reuniam para o XI Capítulo provincial, e outras pessoas que estimavam o frei. O vigário provincial, Frei Daniel Heinzen, coordenou e dirigiu a missa e todos os presentes muito participaram nos cantos.

Após o evangelho, Frei Daniel Heinzen leu e comentou pequena biografia do falecido, dando a palavra a quem desejasse manifestar alguma coisa sobre Frei Luiz Carlos Girolla. Os pensamentos demonstrados pelos freis e também seus parentes revelaram fatos e apreciações interessantes, como as seguintes:

Quando o jovem Carlos (seu nome de Batismo) chegou de Jaraguá do Sul em Curitiba para ver o ambiente da vida dos frades, demonstrou boa vontade desde o início. Ele veio juntamente com outro jovem. Um do convento das Mercês, naquele tempo disse que este voltaria para casa e o outro permaneceria (era o jovem Carlos, o futuro Frei Luiz). Quando os freis sacerdotes retornavam, após o ministério apostólico nas capelas, a Butiatuba, frei Luiz zelava pelos cavalos e não queria que deles judiassem. Rezava muito pelas vocações e sabia viver e encarar a vida com calma. E com essa mesma calma ele veio falecer.

Era um frei realizado e amava muito a Província. Um homem de Deus, afetuoso. Quando, por exemplo, estava internado no Hospital Nossa Senhora. das Graças, em seus últimos anos, uma enfermeira visitava-o quase todos os dias. Confessou que sentia atraída pelo sorriso e simplicidade do frei. Um outro frei afirmou que o primeiro frade que tinha visto na vida foi exatamente Frei Luiz Girolla que, mais tarde, quando o encontrava sempre repetia que ele "foi o meu primeiro fruto".

À noite, antes de dormir, queria que o superior local lhe desse sempre a bênção. Se ele não viesse, perguntava o que tinha acontecido.

Outro confrade foi seu companheiro quando pedia esmolas pelo norte do Paraná. Frei Luiz visitava de 20 a 30 casas por dia. à noite, reunia o povo na casa onde pernoitava, com ele rezava e agradecia as ajudas recebidas. Conversava com todos, tornando-se muito conhecido e estimado. Durante esses períodos de esmoler, por exemplo, ele se hospedou na casa dos pais de um dos freis durante onze dias. Também, todos os dias reunia o povo e com ele rezava. Passados anos, esses seus conhecidos ainda perguntavam por ele.

No final da missa exequial, o Definidor provincial Frei Manoel Braz da Silva Noite oficiou a bênção do féretro. Todos os presentes se encaminharam lentamente para a colina onde se encontra o nosso cemitério. Frei Luiz Carlos Girolla foi o primeiro frade a ser sepultado na parte nova de nosso cemitério, aumentado neste ano. Lá aguarda a ressurreição final. 

Frei Vitório Pagliarini de Údine

04/05/1913
22/09/1992

04.05.1913 - Údine/Itália
22.09.1992 = Ponta Grossa/Paraná

Frei Viório nasceu em údine, Itália, aos 4 de maio de 1913 filho de Jorge Pagliarini e Antonia Roman. Foi batizado (14.09.1913) na igrejinha Madonna de Carmine, nesta mesma cidade, e crismado (14.06.1921) na igreja do Santíssimo Redentor, em Fiúme de ístria, para onde o pai tinha sido transferido porque ferroviário, e aí mesmo recebeu sua primeira Comunhão (1924).

Um pequeno fato o fez pensar vocacionalmente. Um dia ajudando a missa como coroinha, tropeçou nas vestes e caiu no chão quando transportava o missal. Quando chegou na sacristia, Frei Atanásio de Forni olhou-o bem e disse: "Você não gostaria de ser capuchinho?". "Sim", respondeu o pequeno Umberto. Somente em outubro de 1926 esse "sim" tornou-se realidade quando entrou no seminário de Rovigo.

Após os estudos feitos nesse seminário (1926-1927), foi admitido ao noviciado (24.07.1928) em Bassano del Grappa sob as orientações do mestre Frei Rufino de Cadore. No mesmo local, emitiu a profissão temporária (25.07.1929), recebida pelo Frei Romualdo de Soave. Em Veneza, durante seus estudos, fez sua profissão perpétua aos 28 de outubro de 1934. O cardeal patriarca Adeodato Piazza ordenou-o sacerdote na Basílica do Santíssimo Redentor aos 14 de agosto de 1938. Entre os concelebrantes estava seu irmão padre Ángelo (diocesano) que, mais tarde, também se fez capuchinho com o nome de Frei Alípio.

Iniciou seu apostolado no convento de Santa Cruz de Aidússina. Trabalhou seis anos em Trieste, dois em Thiene e, de 1943 a 1945, foi guardião e pregador em Schio. Em 1945, o ano mais duro da segunda guerra mundial, foi mandado a Verona para falar diretamente com o chefe da SS que tinha enchido de partigianos esse seminário dos capuchinhos, tendo sido preso o guardião e o seminário foi cercado com arame farpado. Conseguiu que todos pudessem fazer a confissão e a comunhão na Páscoa e que o convento fosse respeitado. Em Veneza foi capelão dos prisioneiros e esmoler do convento.

Aos 5 de novembro de 1946 recebeu o aviso e a obediência que tinha sido destinado a trabalhar no Brasil. Antes de partir, visitou todos seus familiares e fez uma viagem aos lugares franciscanos e a Roma, onde até foi recebido pelo papa Pio XII.

Na catedral de Mestre, o Ministro provincial Frei Vicente de Magredis entregou o crucifixo missionário a ele e a seus companheiros: freis Ambrósio Canato, Salvador Casumaro, Lúcio Bovino, Bernardino Tomat, todos enviados à nossa Província. O grupo partiu da Itália aos 21 de abril de 1947 com o navio Ravello, chegando no Rio de Janeiro aos 7 de maio de 1947 e onde os esperava Frei Henrique de Paese. Após terem visitado brevemente esta cidade rumaram a São Paulo, de trem e dali a Santo Antônio da Platina, la chegando aos 14.05.1947, onde residia o Custódio Frei Inácio de Ribeirão Preto.

Sem ainda saber bem o português, começou atender algumas capelas de Santo Antônio da Platina e fez o primeiro casamento na capela de Ribeirão do Pinhal.

Em nossa Província trabalhou em Santo Antônio da Platina (1947; 1958), Uraí (148; 1966; 1980), Congonhinhas, Jaguariaíva (1948; 1956), Reserva (1951-1952), Butiatuba (1954), Congonhinhas (1958), Siqueira Campos (1959-1965), Laurentino (1966), Ponta Grossa-São Cristóvão (1967), Londrina (1968; 1973), Curitiba (1968), Rio Branco do Sul (1970), Butiatuba (1971), Arapongas (1972), Ponta Grossa-Imaculada Conceição (1976-1979), Céu Azul (1981-1982), Ponta Grossa-Bom Jesus (1983-1992).

Em todas as fraternidades, Frei Vitório exerceu quase sempre a atividade de vigário paroquial, mas também fez parte da equipe missionária. Na fraternidade local foi nomeado superior local, vice-superior e conselheiro local. Quando trabalhou em Siqueira Campos, colaborou com os demais frades em formar uma cooperativa para os colonos, na montagem de um Raio X de 250 mil ampéres e da Rádio Bom Jesus.

Na comemoração de seus 50 anos de vida sacerdotal, o Ministro Provincial afirmou: "Frei Vitório é um homem sacerdote que sempre demonstrou coragem, tenacidade, fidelidade e perseverança". Seu caráter nem sempre era fácil e, quando sofria, fechava-se. No entanto, sua vida espiritual sempre foi séria e fiel. Vivia pobremente e com grande espírito de obediência. A Liturgia das horas era para ele sagrada, não se dispensava mesmo nos dias com acúmulo de atividades.

Desde 1983 Frei Vitório pertencia à fraternidade do Convento Bom Jesus e atuava como confessor. Sua presença nessa fraternidade foi uma bênção. Tornou-se mestre de alegria, de otimismo e de grande exemplo apostólico. Uma figura muito estimada e simpática ao povo, aos frades e demais sacerdotes. Por isso, muitos sacerdotes acorriam a ele, buscando o perdão de Deus através do sacramento da Penitência. Alguns bispos, como Dom Geraldo Pellanda e Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, também o procuravam para a confissão.

Em 1988, com ajudas enviadas pela Diocese de údine (Itália) construiu uma capela na Vila Deyse, na paróquia Bom Jesus, em Ponta Grossa. Foi dedicada à Nossa Senhora de Castelmonte, cujo quadro foi pintado e enviado ao frei por um artista italiano. Em agosto o quadro foi entronizado e a capela inaugurada. Esse fato coincidiu com a celebração das bodas de ouro sacerdotais de Frei Vitório.

Seu estado de saúde começou a declinar, a partir de maio de 1991, devido a complicações de diabete, artrite e bronquite crônica. Sua saúde sofreu várias complicações, precisando ser internado várias vezes. Aos 29 de março de 1992, Frei Francisco Miguel da Silva chegou a Ponta Grossa incumbido de cuidar de Frei Vitório. Em junho, não conseguindo mais caminhar, deslocavase pelo convento através de uma cadeira de rodas. Em agosto, novas complicaçes apareceram e sua vida se mantinha entre internamentos e altas no Hospital Bom Jesus. No inicio de setembro, em seu quarto, no Convento, com a presença de todos os freis desta fraternidade, recebe das mãos do Superior, Frei Cláudio Sturm, a Unção dos Enfermos, acompanhada pelo Canto das Criaturas.

No dia 17 de setembro uma grave crise o obrigou ao internamento na UTI do hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa. Então, Frei Vitório aguardava dia após dia, com fé, esperança e resignação, a irmã morte corporal. Quando estava nessa UTI, pediu a presença de seu guardião, Frei Cláudio N. Sturm, e pediu-lhe a licença para morrer e a sua bênção. Depois disso, não lutou mais para viver. E assim, aos 22 de setembro de 1992, às 5h30, no Hospital Bom Jesus, assistido por Frei Francisco Miguel, entregou sua alma a Deus. O laudo médico atestou insuficiência respiratória e broncopneumonia.

Seu corpo foi velado na igreja do Senhor Bom Jesus, em Ponta Grossa, até às 11h, quando houve missa com a participação de muitas pessoas do Bom Jesus e Imaculada. Em seguida, foi transladado para Butiatuba, onde, às 16h houve missa e celebração de sepultamento, com a presença de muitos freis da região de Curitiba, Florianópolis, Vera Cruz do Oeste e Ponta Grossa. Entre muitos depoimentos, durante a celebração de Butiatuba, destacam-se: "Frei Vitório não foi um carro de asfalto, mas uma máquina forte do interior, um jipe, um trator que percorreu o interior da Província, prestando serviço de todo tipo"; "Ele tinha grande respeito e reverência ao superior local. Dizia que ainda vivia devido aos cuidados e recursos providenciados pelo mesmo. Colocava suas mãos em minha cabeça e me pedia que o ajudasse a levar sua cruz até o fim".

Faleceu com 79 anos de idade e 54 de sacerdócio. Foi um homem de poucas palavras, trabalho dedicado, espírito de oração e obediência.

Frei Ludovico Toso

25/02/1917
24/09/2006

* 25.02.1917 – Reana/Itália

† 24.09.2006 – Curitiba/PR

Às 4h50 de 24.9.2006 (domingo), faleceu Frei Ludovico Toso no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba-PR, com 89 anos e sete meses de idade. Por falta de circulação e perigo de gangrena, tinha cortada, aos 19.9. 2006, a perna direita, abaixo do joelho Sobrevieram complicações: apnéia e enfarte que o levaram à UTI, onde veio falecer.

Frei LUDOVICO ANTÔNIO TOSO nasceu em Zompitta dei Roiale (Reana, Itália) aos 25.2.1917, filho de Antônio Tiago Toso e Ida Bassi. O padre Valetnim Dose batizou-o na paróquia de Qualso (Údine) a 01.03.1917. Após ter feito sua primeira Comunhão aos 2.6.1927, foi crisma­do por Dom Josué Caffarossi aos 8.12.1928, na igreja matriz de Qualso (Údine). Iniciou o noviciado em Si­queira Campos-PR (1.2.1958), onde emitiu a profissão temporária aos 02.02.1959. Também em Siqueira Campos professou perpetuamente aos 02.02.1962, nas mãos de Frei Bonifácio Piovesan.

Completou seu curso primário em Zompita nas Escolas Municipais, tendo como diretora Anita Tomasi, no período de 1924 a 1929. Prosseguiu seus estudos no Seminário Seráfico de Rovigo de 1929 a 1932, quando Frei João de Bergantino era o Diretor daquele seminários dos Freis vênetos.

No campo de batalha - Quando jovem, Antônio Toso foi chamado às armas. Participou de toda a segunda guerra mundial como soldado de linha de frente. Participou da campa­nha até a Rússia, de batalhas, assal­tos a tanques e de toda a inumana tragédia da guerra. Enfim, viveu a guerra na sua força bruta e violenta. Um navio no qual viajava com 300 soldados foi bombardeado. Somente 30 se salvaram, entre eles Frei Ludo­vico. A campanha militar até a Rússia foi de incrível sofrimentos. Atacados, os soldados tiveram que retomar a pé, no meio da neve e defendendo- se de ataques. Frei Ludovico, com sua força de caráter e sorte, conse­guiu retomar à Itália.

Após a guerra, entre tantos seus escritos, pode-se ler este: “Horrível guerra sangrenta que sublimou a tristeza e a violência. Eis um crime brutal, transformando tudo num triste caos". Carregou as marcas bélicas até o final de sua vida.

Vida missionária - Retomando da guerra, continuou sua vida na Província de Veneza, vivendo como terceiro franciscano. Aos 8 de se­tembro de 1949, Frei Ludovico pediu, por escrito, para ser missionário na Angola. O Definitório Provincial de Veneza aceitou seu pedido e aos, 13.4.1950, designou-o para ir àquele país. Por um descuido burocrático, o governo português não lhe concedeu o passaporte para ir àquele país.

Em 1951, Frei Clemente Vendramim retornava ao Brasil, após ter conseguido a laurea em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Embarcou em Barcelona, no navio onde se encontrava Frei Ludovico Toso. Ambos chegaram em Curitiba antes da Páscoa daquele ano.

Atividades - Após ter chegado em Curitiba, Frei Ludovico esteve nas seguintes casas: Barra Fria (1951), Butiatuba (1951), Eng. Gutierrez (1952), Cruzeiro do Oeste (1953), Mandaguaçu (1956), Siqueira Campos (1957), Ponta Grossa (1961); de 1953 até 1965, quase sempre foi esmoleiro, passando por inúmeros lugares do Paraná e Santa Catarina; Capinzal (1965), Ponta Grossa (1966), Eng. Gutierrez (1967), Ponta Grossa (1968), Itapoá (1981), Curitiba (Mercês, 1990-2006).

Nos vários lugares exerceu mui­tos ministérios, como, cozinheiro, auxiliar na construção do seminário Santa Maria, esmoleiro por vários anos percorrendo todo o Paraná e Santa Catarina, tipógrafo em Manda­guaçu e Ponta Grossa, assistente nos seminários, porteiro e sacristão em várias fraternidades. Seus últimos anos passou-os no convento das Mercês, em Curitiba, dando bênçãos e, a partir do ano 2000, viveu mais recolhido porque necessitava de muitos cuidados médicos.

Atualizações - Frei Ludovico sempre participou dos retiros, cursos e reciclagens promovidos pela Pro­víncia. Em Ponta Grossa, frequentou aulas de teologia moral no Colégio Santa Sant'Ana. De 16 de agosto a 8 de setembro de 1978 esteve em

São Paulo, onde, no hospital dos Padres Camilianos, participou de curso de Pastoral dos Enfermos. Era muito dedicado às leituras de livros, revistas e jornais.

Poesias - Merecem menção os três livros de poesias de Frei Ludovico. São livros datilografados e que, atualmente, se encontram em nosso Centro Histórico. O primeiro volume (198 páginas e 132 poesias) dedicou- o aos seus amigos; o segundo volume (260 páginas e 129 poesias), à sua querida mãe; neste volume há uma parte de poesias mitológicas, dedicadas “aos que gostam da Mitologia”. O terceiro volume (234 páginas e 119 poesias) dedicou-o aos “frades que tanto os amos, e em particular aos queridos estudantes”. Ao todo, 380 poesias. São trabalhos preciosos, cheios de sensibilidade, de memórias históricas e de conheci­mentos gerais. No final de quase todas as poesias, Frei Ludovico ano­tou o lugar, a data e até algumas especiais circunstâncias.

Últimos anos - Nos últimos anos e, especialmente, nos últimos meses, Frei Ludovico sofreu com a circulação em suas pernas. Para evitar males piores, os médicos decidiram amputar uma de suas pernas. O vigário provincial dialogou com o Frei pedindo-lhe autorização para a amputação. A cirurgia decor­reu normal (19.9.2006), mas surgi­ram complicações posteriores que o levaram para a UTI, onde veio a falecer às 4.h50 de 24.9.2006, dia da Bíblia e da festa de Nossa Senhora das Mercês. Segundo a Doutora. Elisa Araújo Weis, faleceu de parada cardio res­piratória, choque cardiogênico, cho­que séptico e doença aterosclerótica.

A última palavra que disse, no hospital, ao guardião Frei Darci Catafesta, foi: “Irei sofrer até que o Se­nhor quiser. Estou em suas mãos! ”; e ao enfermeiro Frei Francisco Maria da Silva, disse, com sorriso agradecido nos lábios: “Vamos para casa”. Para Frei Ludovico, não havia derrotas; ele era sempre vencedor.

Sepultamento - No mesmo dia, às 15h, foi celebrada missa de corpo presente na igreja Nossa Senhora das Mer­cês, presidida por Frei Darci Roberto Catafesta, guardião do convento, e com a presença de muitos frades. Seu corpo foi transportado para Butiatuba. Às 10h de 25.10.2006, foi cele­brada a missa exequial, com a pre­sença de vários Freis e alguns amigos do falecido. Além da homilia de Frei Cláudio Nori Sturm, alguns Freis se manifestaram. Frei Clemente Vendramim, que retomou ao Brasil em companhia de Frei Ludovico, fez belo depoimento, historiando a viagem com fraternas reflexões sobre a vida do falecido.

Feita a encomendação por Frei Clemente Vendramim, seu corpo foi transportado ao nosso cemitério, onde, rodeado por confrades e ami­gos, seu túmulo foi abençoado por Frei Cláudio Nori Sturm e nele descansam seus restos mortais.

Frei Ludovico viveu uma vida vol­tada para Deus. Sua vida foi marcada por grandes períodos de sofrimentos. Além dos sofrimentos dos últimos anos de sua vida, talvez seu maior sofrimento foi a participação, como soldado de frente de batalha, da segunda guerra mundial, que lhe deixou marcas profundas em sua vida. Apesas destas marcas violentas, Frei Ludovico nunca perdeu a espe­rança. O belo, puro e quase infantil sorriso de seus lábios, até pouco antes de sua morte, comovia enfer­meiros e médicos.

Frei Ludovico foi um lutador cons­tante em todos os sentidos. Na guerra, soldado ardoroso e intrépido; na vida religiosa, disposto a enfrentar qual­quer tarefa e a ela se dedicar de corpo e alma. Mostrou-se frade que não soube dizer “não", quando os supe­riores lhe pediam alguma coisa; dis­ponível a qualquer trabalho. Mani­festou sempre um coração que batia forte pela Ordem e pelo povo, que gostava de abençoar e aconselhar. Com seu caráter forte, procurou viver a sabedoria de Deus, colocando-se a serviço da Ordem e das frater­nidades onde viveu. Tinha caráter forte e vontade determinada. “Nem a tristeza, a desilusão, a incerteza, a solidão, o medo, a depressão ou por mais que sofra, nada me impedirá de sorrir, de sonhar, de crerem Deus. Quero viver o dia de hoje como se fosse o primeiro e o único. Quero manter meu otimis­mo”, assim escreveu Frei Ludovico.

Frei Ovido Zanini

22/11/1934
30/09/2012

* 22.11.1934 – Ouro/SC

† 30.09.2012 – Curitiba/PR

Frei Ovídio Zanini, filho de Francisco Zanini e de Maria Gianni Zanini, nasceu em Linha Bonita/Ouro- SC, aos 22.11.1934. Foi batizado no mesmo lugar, logo após seu nascimento e, posteriormente, crismado por Dom Daniel Hostin, então bispo de Lages-SC.

Iniciou seus estudos em Linha Bonita em 1941 na Escola Municipal. Entrou no Seminário São Francisco, em Barra Fria, hoje Lacerdópolis em 1944. Continuou seus estudos em Butiatuba (1945-1949). Ingressou no noviciado também em Butiatuba, aos 13.01.1950, tendo como mestre Frei Germano de Lion. Recebeu o nome de Frei Fernando de Capinzal. Emitiu os votos temporários aos 14.01.1951. Durante seus estudos filosóficos e teológicos, emitiu a profissão perpétua (06.01.1956) e recebeu as Ordens Menores (Leitorado aos 26 de maio e Acolitado aos 2 de julho de 1950). Após o diaconato (16.03.1957) foi ordenado sacerdote por Dom Inácio de Ribeirão Preto aos 15.12.1957 em nossa Igreja Nossa Senhora das Mercês, Curitiba. De 1958 a 1963 estudou em Roma, obtendo licenciatura em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana e em Sagrada Escritura, pelo Pontifício Instituto Bíblico.

Como sacerdote atuou nas seguintes localidades: Santo Antônio da Platina (1958), Roma (curso bíblico, 1958- 1963), Curitiba (1964-1974), Butiatuvinha (1975), Ponta Grossa 1976-1985), Londrina (1986-1987), Itapoá e Angola (1988), Uraí(1989), Florianópolis e Jaraguá do Sul (1990-2001), Curitiba (2002-2012).

Atividades

Ele próprio as descreveu em dez períodos:

Primeiro período: Atendimento aos excluídos (1965-1972) - Após ter retomado de Roma, além de ser professor, criou entidade “Dom Camilo” de promoção humana do pobre que vivia coletando lixo pela cidade, usando carros e carrinhos de mão. Passado certo tempo, criou a FREI (Fundação de Regeneração de indigentes), reconhecida pelas autoridades municipais, estatais e nacionais, e que substituiu a Dom Camilo. Não concordando com a diretoria da FREI, demitiu-se e criou a Obra Social Dom Camilo com os mesmos métodos e objetivos. Adquiriu um terreno em Butiatuvinha, construindo nele 20 casas, um barracão e organizou fabriqueta de chaveiros. Para manter a obra, começou a escrever e publicar livros e deu palestras bíblicas em mais de 92 paróquias.

Segundo período: Pastoral de Prevenção (1969- 1972) - Realizou cursos de higiene mental em 39 paróquias e exposições fotográficas de prevenção às drogas, onde vendia seus livros para sustentar a obra iniciada.

Terceiro período: Sexualidade e experiência de Deus (1970-1978) - Fez milhares de palestras em centenas e centenas de paróquias no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, sempre com o objetivo de combater as doenças, misérias, violências e libertinagem sexual.

Quarto período: Cursos populares da Bíblia (1968- 1984)- Com mestrado em Teologia Dogmática e Sagrada Escritura ministrou cursos de Bíblia em paróquias e capelas. Para isso, organizou uma coleção de 400 diapositivos que ilustrava seus cursos nas igrejas matrizes e capelas.

Quinto período: Professor de teologia dogmática (1964-1968) - Lecionou Teologia para os Freis capuchinhos (19 anos), seminaristas maiores de Curitiba, Ponta Grossa, São Paulo e Amazonas (6 meses); Filosofia (12 anos) em Ponta Grossa e na Angola; Sagrada Escritura, História Eclesiástica (19 anos junto com a teologia), Estética e Historística (3 anos). Criou um jeito novo de dar filosofia e história dentro de uma visão franciscana, especialmente no período em que houve forte crise no estudantado de filosofia, em Ponta Grossa.

Sexto período: Pregou numerosos cursos de retiros, prestou atendimento espiritual, coordenou cursos e dias de formação em centenas de lugares, para colégios, institutos religiosos masculinos e femininos, movimentos eclesiais, escolas até nas Faculdades. Prestou atendimento espiritual aos Irmãos Maristas do Champagnat (Curitiba), às Irmãs Ucraínas (Ponta Grossa) e outros mais.

Sétimo período: Escritor - Ao longo de sua vida, escreveu 25 livros, alguns com grande tiragem. Seu estilo sempre foi claro, acessível, preciso e atraente.

Oitavo período: Pároco e criador de novenas - Como pároco da paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba-PR, iniciou a Novena do Cristo Partido e outras mais nos lugares onde trabalhou.

Nono período: Curso de Parapsicologia - Desde 1996 até o final de sua vida, ministrou 750 cursos de parapsicologia em 20 dioceses e numerosas paróquias. Nestes cursos, Frei Zanini fazia demonstrações públicas de hipnose ou de fenômenos do poder mental, procurando desmistificar visagens, possessões, incorporações, mi­lagres, curandeiros, falsos argumentos de reencarnação, doenças psicológicas e outras.

Décimo período: Pastoral da cura interior - Ele mesmo disse que este período seria o último de sua vida e, de fato o foi. Com os cursos de parapsicologia e de programação mental procurou ajudar os deprimidos e psicologicamente doentes. Em Curitiba, dominicalmente das 15 às 18h ministrava esses cursos, aberto a todos.

Falecimento

Após vários dias de internamento no Hospital Nossa Senhora das Graças, com problemas cardíacos, Frei Ovídio Zanini faleceu no dia 30.09.2012. Ele que era biblista, faleceu no dia de São Jerônimo. Contava 77 anos de idade, 61 de vida religiosa e 54 de sacerdócio.

Missa exequial

Seu corpo foi velado na Igreja das Mercês e no dia seguinte, às 14h iniciou-se a missa de corpo presente. Embora fosse segunda-feira, a igreja estava lotada de fiéis. Esteve presente também o bispo auxiliar de Curitiba, Dom Rafael Biernaski, muitos sacerdotes e religiosos de nossa Província. A missa foi presidida pelo Ministro Provincial, Frei Cláudio Sérgio de Abreu, solenizada com muitos cantos. Inicialmente, Frei Juarez De Bona apresentou os dados mais importantes da vida de Frei Zanini. Os textos da missa foram indicados pelo mesmo Frei Ovídio Zanini que preparou a “missa de ressurreição” para sua missa exequial, com as leituras e orações elaboradas por ele mesmo. Na homilia, o Ministro Provincial respeitou o pedido do falecido, lendo o texto que ele tinha preparado para seus funerais, que terminou dizendo: “Posso fazer mais um pedido? Entoem cantos de alegria e ressurreição. Façam festa. Se tiverem saudades, agradeço, mas, não tenham tristeza. Lem­brem do que disse Jesus: “Se me amaram, se alegrarão por eu ir para o Pai” (Jo 14,28b). Em seguida o celebrante passou a palavra aos Freis Jaimir Compagnoni (guardião do convento) e Pedro Cesário Palma (pároco). Após a oração final, o Ministro Provincial agradeceu a todos os que prestaram ajuda ao Frei Zanini, frades, leigos, religiosas e médicos do Hospital Nossa Senhora das Graças. Em seguida, o Ministro Provincial fez a encomendação do corpo, usando a oração preparada por Frei Zanini.

Sepultamento

Terminada a missa exequial na igreja Nossa Senhora das Mercês, Curitiba-PR, o corpo de Frei Zanini foi transportado para o cemitério particular dos Freis capuchinhos em Butiatuba-PR, acompanhado pelos Freis, religiosas e leigos. Ao lado do túmulo, o Ministro Provincial fez as últimas orações rituais com a prece dos fiéis. O corpo de Frei Zanini foi descido à sepultura, acompanhado com o canto “Com minha Mãe estarei” e com grande salva de palmas. O canto “A Virgem de Nazaré” e o característico cantar dos Quero-quero completaram a cerimônia de sepultamento.

Testemunhos:

- Foi professor de altíssimo nível no domínio dos conteúdos, na comunicação, no incentivo ao estudo e especialmente na sua riquíssima didática. Com sua singular inteligência tinha a capacidade de tornar as coisas difíceis fáceis com linguagem acessível.

- No período em que esteve em Ponta Grossa como professor, “carregou nas costas” o estudantado de teologia, deixando fortes marcas. Naquele tempo pós- conciliar e com tantas mudanças, Frei Ovídio foi um “presente de Deus” não só no ensinando da Teologia, mas sobretudo transmitindo muitos valores franciscanos. Era homem de vanguarda. Quando terminava um curso na área de teologia, levava seus alunos, os Freis, a passeio pela natureza exuberante e ali fazia belíssimas orações com os frades estudantes. Ensinava a ver a Deus mais nas coisas ordinárias que extraordinárias. Neste aspecto, foi um mestre de oração.

- Com sua sensibilidade, percebia a presença de Deus em tudo e louvava o Criador com suas criaturas. Era acessível e sensível às pessoas, especialmente com os pobres, que procurava socorrê-los com carinho.

- Sua espiritualidade partia sempre da realidade e partilhava-a na pregação, homilias e na oração comunitária.

-Era amigo alegre, acolhedor, criativo, sonhador, realizando grande bem às pessoas com suas orientações, escritos e palestras. Quando estudante demonstrava facilidade nos estudos e, como conhecia bem o latim, traduzia muitas lições para seus colegas, ajudando-os assim a compreendê-las e superar os exames.

- Como professor transmitia seu saber com habilidade, humildade, clareza, levando-nos a nos apaixonar pelas Sagradas Escrituras. Seus livros e palestras prendiam a atenção dos ouvintes. Sua maneira de viver e ensinar era atraente e entusiasmava. Sua serenidade, alegria, simplicidade, sabedoria, amizade eram marcas fortes presentes em seu relacionamento fraternal”.

- Lutou para libertar as pessoas das prisões mentais e alertou a todos para não se tornarem escravos de si mesmos, de seus medos, compulsões e imagens.

- Dedicou-se em mostrar que uma vida simples e serena é arma poderosa contra a intolerância e a impaciência.

- Ensinava, com constância, que a imaginação sadia é meio poderoso para construir uma vida abençoada e feliz.

- Com sua vasta cultura bíblica, acreditava nos valores do Reino de Deus, mantinha-se firme na certeza da vida futura e a almejava, afirmando que “a esperança do futuro é o segredo do presente”.

Atendimentos de Frei Zanini

Entre as poucas coisas que foram encontradas no quarto de Frei Ovídio Zanini há duas agendas, onde anotou todos os atendimentos que fez nas Mercês. O primeiro atendimento que fez, nas Mercês, foi para João Carlos Loss e Ana Clara. A primeira agenda começa do n° 1 e chega até 4.874 atendimentos. A segunda agenda começa com o atendimento n° 4.876 e vai até o n° 8.196 para Gilvani dos Santos, morador em Campina Grande do Sul (Curitiba-PR). Infelizmente, nestas duas agendas, Frei Ovídio não dividiu por anos e meses. É um elenco continuado sem data de início. Sem iniciou o atendimento em 2002, porque aos 2 de março de 2002, ele foi transferido para a paróquia das Mercês como vigário paroquial e orientador psicológico.

Salmos do Novo Testamento

Talvez poucos ouviram falar que Frei Ovídio Zanini fez uma tentativa de elaborar uma série de “Salmos do Novo Testamento”. O original é escrito com as velhas máquinas de escrever e, na primeira folha, Frei Zanini escreveu assim: “Temas para Salmos do Novo Testamento - Frei Ovídio Zanini - Uraí-PR, 1o de janeiro de 1989”. Não existe apresentação ou explicação sobre o trabalho que fez. Ele fez 150 Salmos e mais 15 opções, resultando em 165, nas notas há algumas citações bíblicas e expli­cações. Este o primeiro salmo de sua coleção: Salmo 01: Eucaristia e Ressurreição; o salmo 150 tem esse título: Meditação. Nos 15 salmos opções, o 151 intitulou “Cristo e Maria” e o 165 “De novo, teologia da libertação”.

Ao todo, são 169 páginas A4. No índice, aparece o elenco de 165 salmos; no corpo do livro foram encon­trados somente 163, faltando os dois últimos que tem estes títulos: “164: Tereza de Calcutá; 165: De novo, teologia da libertação”.

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