Necrologia

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Frei Roberto Von Zuben

11/11/1919
09/03/1996

Frei Roberto von Zuben nasceu em Vinhedo (Rocinha), aos 11 de novembro de 1919. Seu nome de batismo e civil era Luís Gonzaga Bernardino von Zuben. Era filho de Luís von Zuben e Maria Sigrist. Foi batizado pelo Pe. Alberto Motz na igreja Sant’Ana, Vinhedo, aos 16 de novembro de 1919 e crismado por Dom Francisco de Campos Barreto, Arcebispo de Campinas, em Jaguari, aos 24 de fevereiro de 1923. Fez a Primeira Eucaristia na igreja Nossa Senhora Auxiliadora de Campinas no dia 29 de junho de 1929. Cursou os primeiros estudos em Campinas. Entrou para o Seminário São Fidélis de Piracicaba, aos 26 de fevereiro de 1932.

Noviciado e Profissão

Vestiu o hábito franciscano capuchinho, iniciando o noviciado no convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, aos 3 de fevereiro de 1937. Foi seu Mestre Frei Felicíssimo de Prada. Fez a profissão temporária, perante Frei Eliseu de Cavêdine, Provincial de Trento que visitava a Missão transformada em Custódia Provincial, aos 4 de fevereiro de 1938. Emitiu a profissão perpétua perante Frei Plácido Bruschetta no convento São José, Mococa, aos 5 de agosto de 1941.

Filosofia, Teologia e Ordenação

Estudou Filosofia em Mococa, de 1938 a 1940 e Teologia em Mococa e São Paulo, convento Imaculada Conceição, nos anos 1941 a 1944. Em Mococa, de 10 a 13 de junho de 1942, recebeu a Primeira Tonsura e as Ordens Menores conferidas por Dom Manoel Silveira Delboux, Arcebispo de Ribeirão Preto. Em Botucatu, foi ordenado Subdiácono por Dom Frei Luís Maria de Santana aos 18 de setembro de 1943 e Diácono aos 7 de dezembro do mesmo ano. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Frei Luís Maria de Santana, em Botucatu, na Catedral, no dia 8 de dezembro de 1943. Concluiu os estudos em novembro de 1944.

Ministério sacerdotal

Frei Roberto exerceu o ministério sacerdotal em poucas fraternidades da Província: Piracicaba, Botucatu e Mococa.

Professor e Reitor

Concluídos os estudos, em dezembro de 1944 foi transferido para o Seminário São Fidélis de Piracicaba, como professor. Três anos depois, de 1948 a 1950, ocupou o cargo de Reitor do mesmo Seminário.

Mococa e Botucatu

No convento São José de Mococa, Frei Roberto foi professor e Diretor dos Estudantes de Filosofia nos anos 1951 e 1952. Em janeiro de 1954 recebeu transferência para Botucatu, Santuário Nossa Senhora de Lourdes, como Vice-Guardião e encarregado das vocações.

Seminário e convento São José de Mococa

Depois de um ano no convento de Botucatu, com a transferência dos dois últimos anos de seminário para Mococa, em janeiro de 1955, Frei Roberto foi transferido para lecionar no seminário e convento São José de Mococa. Em janeiro de 1957 foi nomeado Vice-Diretor dos Estudantes. Na disposição das famílias religiosas para o triênio 1960 a 1962, Frei Roberto ocupou o cargo de Guardião do convento São José de Mococa, Diretor da OFS (Ordem Franciscana Secular) e professor. Em dezembro de 1960, renunciou o cargo por motivos de saúde. Continuou em Mococa como professor até dezembro de 1962, sendo transferido para o convento Sagrado Coração de Jesus de Piracicaba.

Cego 35 anos

No segundo semestre de 1961 Frei Roberto parou de lecionar. Já há quatro anos que celebrava unicamente a missa votiva de Nossa Senhora por sabê-la de cor. Não rezava o breviário e estava dispensado de comparecer ao coro para esta oração. Tudo o que lia: jornais, revistas, livros de estudo para preparar as aulas, somente conseguia ler, servindo-se de uma luneta.

Para ficar mais perto de Campinas e São Paulo, onde estão os melhores recursos médicos, em dezembro de 1962 foi transferido para o convento Sagrado Coração de Jesus de Piracicaba. Aí permaneceu até dezembro de 1965, quando recebeu transferência para o Seminário São Fidélis, na mesma cidade, para ser auxiliar do Diretor Espiritual. Em janeiro de 1970 retornou ao convento Sagrado Coração de Jesus, onde permaneceu até janeiro de 1978, sendo transferido para o convento Nossa Senhora de Lourdes de Botucatu, como confessor e pregador. Nove anos depois, em janeiro de 1987, recebeu a última transferência para o Seminário São Fidélis de Piracicaba, dedicando-se ao atendimento pastoral até o dia em que morreu cego, aos 9 de março de 1996

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Cristo ressuscitou, aleluia!


Quando Frei Roberto faleceu, Frei Sermo Dorizotto, então Ministro Provincial, transmitiu a seguinte mensagem de Páscoa:

“Perdemos no dia 9 de março, após receber a Unção dos Enfermos, nosso coirmão Frei Roberto. Sua vida, conhecida de todos, é fonte de nossa gratidão a Deus na celebração pascal deste ano. Sua maturidade humana, psicológica e espiritual atraia continuamente jovens e adultos, que o procuravam como conselheiro e diretor espiritual.

Frei Roberto aprendeu a ouvir desenvolvendo excelentemente o dom do silêncio. Suas palavras eram sábias, apenas as necessárias. Amava profundamente os antigos pensadores gregos, tendo, de Zenão de Eléia, vivido a máxima do muito ouvir e do pouco falar. Em seus últimos anos experimentou a cruz da cegueira. As trevas não o abateram por muito tempo. Criou uma visão crítica, arguta da natureza humana. Seus olhos embaçados, privados da luz do sol, tornaram-se espirituais, inundados pelo Sol da Justiça.

Feliz Páscoa, Frei Roberto! Feliz Páscoa, irmãos todos, jovens, idosos, sãos e doentes. Proclamemos as excelências daquele que chamou nosso coirmão das trevas para a sua luz maravilhosa, (cfr. 1Pd 2,9)”.

(Cf. “Regra e Vida” nº 100, pag. 114).

Éramos sete...
Frei José Antônio Leonel Vieira, colega de turma de Frei Roberto, assim refletiu escrevendo:

“Frei Roberto morreu e morreu cego... O quinto de nossa turma de 7. Turminha boa essa. Unida, estudiosa, inteligente e promissora. Todos os cinco que morreram deixaram as marcas de sua passagem.

Frei Roberto era talvez o mais inteligente, sereno, equilibrado, crítico, discreto e sagaz. Num dia trágico caiu sobre seus olhos a noite sem fim. Nunca mais viu as belezas do mundo e das criaturas, ele que era o mais maduro, livre e tranqüilo, sabia saboreá-las sem legalismo, sem escrúpulos e sem orgulho. Eu jamais consegui isso.

Imagino a luta feroz que pulou em suas entranhas quando ficou cego. Os traços dessa batalha gigante apareceram mais tarde no abatimento do rosto e da alma. Porém, a graça de Deus venceu e surgiu o Roberto sereno e transfigurado. Parecia ver... tal a expressão de seu rosto.

Às vezes, eu ficava escondido no corredor vendo-o andar. Não tinha coragem de incomodá-lo. Era a imagem do ressuscitado que não queria ser tocado. O julgar de Deus o queimava por dentro. Eu olhava-o, olhava-o em silêncio e invejava sua grandeza. Grandeza essa, parto doloroso, onde morreram seus olhos, mas, nasceu a Luz.

Roberto, amigo, companheiro e irmão, roga por mim que ainda fiquei. Fiquei lutando pela conversão até que os olhos da fé iluminem meu caminho para o Pai.

Até logo, Roberto!”

(Cf. “Regra e Vida” nº 100, pag. 113).

Professor no curso clássico

Frei Roberto foi excelente professor no curso clássico do Seminário São José de Mococa. Lecionava Física, Química, Cosmografia, Matemática em todas as suas partes: aritmética, álgebra e geometria. Lecionava também Introdução á Filosofia. Era profundamente seguro nestas matérias. Comunicava-se com a maior clareza e ensinava com paixão e alma. Para alunos inteligentes que prestavam bem atenção nas explicações, bastavam as aulas para aprender bem as matérias por ele ensinadas.

Amigo dos Estudantes e Seminaristas

A amizade de Frei Roberto para com todos era muito sincera. Com a permissão dos Diretores, gostava de passar horas de recreio com os Estudantes de Filosofia e seminaristas. Todos valorizavam sua presença nas rodas de conversas. Discutia com segurança questões científicas, os avanços do progresso da técnica moderna, problemas da sociedade atual e da Igreja. Suas conversas não só eram agradáveis, mas de grande utilidade científica e espiritual.

Penosa humilhação

A deficiência em 35 anos de cegueira, impôs-lhe penosas humilhações, apesar de seu equilíbrio psicológico e espiritual. Não queria incomodar ninguém, mas dependia muito dos confrades ou das cozinheiras para fazer-lhe o prato, no refeitório. Em cada refeição era preciso informar-lhe sobre cada alimento a ser servido para que pudesse fazer sua escolha. Às vezes derrubava suco na mesa, alimento na roupa ou no chão! A paciência dos coirmãos e das funcionárias não diminuíam seu sofrimento. Também no cuidado com a roupa e limpeza do quarto dependia dos outros. Durante a semana era preciso alguém ler as leituras bíblicas da Liturgia para que ele pudesse fazer as pregações. As procurações por ele assinadas, as escritas em braile contidas na sua pasta de documentação no arquivo da Província provocam grande dor no coração daqueles que tiverem acesso a estes documentos.

“Na esperança da ressurreição”

Frei Roberto faleceu no dia 9 de março de 1996, sábado, ás 20 horas e 40 minutos na Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba. O atestado de óbito deu como causa da morte: “Falência Múltiplos órgãos - Infarto Mesentérico - Carcinoma gástrico”. Seu corpo foi velado na capela do Seminário São Fidélis. Dia 10, domingo, às 8 horas, Frei Sermo Dorizotto, Ministro Provincial presidiu a missa exequial. Após a missa seu corpo foi sepultado no Cemitério da Saudade de Piracicaba no Jazigo dos Frades Capuchinhos.

Frei Roberto viveu 76 anos, dos quais, 58 na vida religiosa Franciscana Capuchinha e 52 de ministério sacerdotal. “Creio que meu Redentor vive e o verei com meus próprios olhos”. (Cf. Jó 19, 25,26,27).

Frei Joaquim Dutra Alves, O.F.M. Cap.

Frei Armando Comina

20/02/1930
10/03/1992

20.02.1930 - --/Suíça
10.03.1992 - Itapoá/Santa Catarina

Frei Armando era da Província da Suíça. Nasceu aos 20 de fevereiro de 1930. Vestiu o hábito capuchinho aos 16 de setembro de 1952. Emitiu os votos temporários aos 17 de setembro de 1953, e os perpétuos aos 17 de setembro de 1956. Foi ordenado sacerdote aos 23 de junho de 1957.

A convite do então superior provincial, Frei Agostinho José Sartori, veio trabalhar em nossa Província aos 17 de agosto de 1969. Formado em Filosofia, pela Universidade de Friburgo (1958-1963), lecionou filosofia em Stans, na Suíça (1963-1968) e teologia em Lucerna (1968-1969). E foi nesse período de sua vida que aceitou o convite de trabalhar em nossa Província.

Após sua viagem ao Brasil, freqüentou um curso de aculturação em Petrópolis (agosto a dezembro de 1969). Desde 1969 até 1981 sempre viveu na fraternidade Bom Jesus, em Ponta Grossa, onde lecionou filosofia aos nossos estudantes, sendo por alguns anos também vice-superior da fraternidade e vigário paroquial.

Trabalhou com muita dedicação e zelo na pastoral, atendendo de maneira especial a grande e pobre região de Itaiacoca.

Durante sua estadia em Ponta Grossa, lecionou Sagrada Escritura no Instituto de Cultura Religiosa (1970), assistiu espiritualmente a Ordem Franciscana Secular na igreja catedral de Ponta Grossa (1971) e pregou diversos retiros às monjas concepcionistas da Vila Vicentina, sempre em Ponta Grossa.

Restaurou, na região de Itaiacoca, as capelas de Biscaia, Conceição e Mato Queimado. Construiu as capelas de Pocinho, Roça Velha, Caçador, Sete Saltos e o salão de Cerradinho também com restauração da capela

Em dezembro de 1987 retornou à sua Província suíça para uma experiência de oração na fraternidade La Cassine, França. Após seu retorno (09.08.1989) permaneceu em nossa Casa de Oração, nos arredores de Curitiba. Em 1990, integrou a fraternidade de Itapoá, Santa Catarina, até seu falecimento.

Na manhã do dia 10 de março de 1992, após a missa e suas orações de costume, Frei Armando dedicou-se, como sempre, aos trabalhos da casa, foi à oficina onde arrumavam o carro e, junto com Frei Orlando Busatto em férias dirigiuse ao Banco, para pagar algumas contas. Às 11h ele convidou Frei Orlando para um banho no mar, antes do almoço. Fazia parte do seu ritual. O mar estava calmo e eles entraram com água até os joelhos. Aos poucos as ondas começaram a chegar até eles. Estando ainda em lugar raso, sentiram que o mar começava a puxar. Combinaram sair da água, pois poderia ser perigoso. Mas, repentinamente, viram-se envolvidos por ondas laterais fortes que, atirando-os ao chão, arrastavam-nos para dentro do mar. Com muita dificuldade Frei Orlando conseguiu firmar-se, mesmo caído. Frei Armando não teve a mesma sorte. Arrastado pela correnteza violenta da água, entrou em pânico. Desesperadamente nadava em meio ao turbilhão, na tentativa de salvar-se. Frei Orlando ouviu seus gritos e, assustado, buscou ajuda. Em poucos minutos a polícia de salvamento chegou ao local. Um policial entrou, mas não conseguiu localizá-lo. Alguns minutos depois, já mais perto da praia ele foi resgatado. De imediato foram aplicados os primeiros socorros (oxigênio, massagens...), sendo levado para o posto médico. O tempo de duração entre o acidente e o momento do resgate foi de aproximadamente 20 minutos.

No posto médico foi confirmado que Frei Armando estava morto. O laudo médico assinalou como "asfixia por afogamento". A comunidade de Itapoá o estimava. Velou o corpo na sua capela, enquanto Frei Orlando, mesmo em choque, encaminhava os complicados procedimentos através do Instituto Médico Legal de Joinville.

O corpo de Frei Armando chegou a Butiatuba às 22h, para ser velado pelos frades. A missa de sepultamento foi às 9h30 do dia seguinte, na capela da Casa de Retiros, em Butiatuba. O Ministro provincial, Frei Moacir Busarello, presidiu, acompanhado por 62 freis, vindos de vários lugares e também muitos amigos religiosos e religiosas, com quem trabalhou. A celebração foi carregada de fé. Os frades e leigos presentes puderam resgatar a memória de Frei Armando, relatando fatos e dando depoimentos sobre a sua pessoa: um homem de gestos bruscos que envolvia uma sensibilidade interior admirável e uma delicadeza de consciência comprovada. ... Frei Armando é como a nossa conhecida imbuia: por fora é uma árvore de casca grossa, cheia de galhos retorcidos... mas por dentro a natureza esconde a maravilha de um tronco com lindos desenhos de delicados e artísticos traços, trabalhados ao longo de anos. A seguir, seu corpo foi sepultado no cemitério dos Freis.

Frei Armando permaneceu em nosso meio por 23 anos, dedicando-se, com amor e solicitude. Mesmo em meio aos seus trabalhos culturais, pastorais e atendimento da casa, vivia seu estilo de capuchinho contemplativo.

Frei Damião Girardi

14/08/1911
11/03/2010

* 14.08.1911 – Thiene – Itália

† 11.03.2010 – Butiatuba – Paraná

Família e atividades missionárias

Frei Damião é filho de Pietro Girardi e Catarina Gonzato, nascido em Thiene (Itália) aos 14.08.1911 e batizado no dia 28 do mesmo mês. Entrou no Seminário de Rovigo da Província de Veneza aos 21.09.1921. Vestiu o hábito capuchinho em Bassano dei Grappa aos 3.10.1926, e emitiu a primeira profissão no mesmo lugar aos 4.10.1927. Em Veneza professou perpetuamente aos 15.08.1932. Foi ordenado sacerdo­te na Basílica de São Marcos, em Veneza, aos 15.08.1932, pelo cardeal Pedro La Fontaine.

No ano seguinte, aos 13.6.1935, com o navio Oceania partiu para o Brasil em companhia dos Frei Demétrio de Dueville (sacerdote) e Frei Ciríaco de Verona (religioso). A primeira casa que ele viu de nossa Provín­cia foi a de Jaguariaíva “onde nos esperavam o superior Frei Inácio de Ribeirão Preto e os dois conselheiros Frei Velino de Santa Bona e Frei Tarcísio de Bovolone", escre­veu Frei Damião. Aprendeu o português em Butiatuba e visitava as capelas de Almirante Tamandaré e de Rio Branco do Sul.

A partir de 1935, Frei Damião trabalhou nestes luga­res: Almirante Tamandaré (1935), Tomazina (1936-1937), Butiatuba (1938-1940; 1958; 1968), Capinzal e Barra Fria (1941 -1946), Venceslau Braz (1946-1957), Santo Antô­nio da Platina (1958), Guaratuba (1959-1960), Laurentino (1968-1969), Capitão Leônidas Marques (1970-1971; 1973- 2002), Vila Nossa Senhora da Luz (1972), Curitiba (convento das Mercês: 2002-2010). Teve oportunidade de visitar seus familiares na Itália e na França.

Nos lugares onde esteve exerceu os cargos de vice-diretor e diretor do seminário, professor, guardião, mas principalmente vigário paroquial e pároco.

Em Venceslau Braz, para construir a igreja matriz, começou a fazer tijolos, comprou um caminhão; trans­portava tijolos, areia, cal, cimento e também assentou tijolos. Em Guaratuba, visitava capelas com canoa a motor, que lhe causou diversos problemas. Em Santa Lúcia-PR constrói a igreja, que o vento não a respeitou deixando-a um monte de ruínas. Mas, não desanima e a reconstrói, (não foi o Frei Gabrielângelo que construiu?) Por ocasião de seus jubileus, recebeu belas e comoventes cartas dos Ministros Provinciais da Provín­cia de Veneza (Itália).

No retiro para sua ordenação sacerdotal fez para si mesmo este regulamento (aqui somente a síntese): 1. Rezarei sempre para que tenha fé em minha dignidade sacerdotal; 2. Pedirei com insistência que nenhuma alma, a mim confiada, se perca; 3. Encontrarei o fervor sacerdotal na meditação, na confissão e na Eucaristia; 4. Considerarei a Missa como o primeiro e mais eficaz ministério sacerdotal. 5. Depois da Missa, o Ofício Divi­no será meu ministério mais predileto e eficaz; 6. Nas pregações, usarei sempre temas sacros, a forma evan­gélica e a intenção pura e santa; 7. Quero tomar-me santo; 8. Amarei apaixonadamente a pureza; 9. Diaria­mente consagrarei meu sacerdócio à Maria Imaculada (temos o original desse regulamento).

Às 7h30 de 11.3.2010, faleceu no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba-PR, Frei Damião Antônio Girardi, com 98 anos e 7 me­ses de idade. Em toda a história da presença dos Freis no Paraná e Santa Catarina (1920-2010) foi o frade que teve vida mais longa.

O corpo de Frei Damião foi preparado pela Fu­nerária de Almirante Tamandaré e velado na ca­pela de nossa fraternidade Santo Antônio, em Butiatuba-PR. Às 9h de 12.3.2010, iniciou a missa de corpo presente, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Davi Nogueira Barboza. Estiveram presentes frades das fraternidades de Céu Azul, Siqueira Campos, Agronômica, Capitão Leônidas Mar­ques, Ponta Grossa, Butiatuba, Almirante Ta­mandaré, Curitiba (Cúria Provincial, Convento das Mercês, Capela São Leopoldo Mandic, Vila Nossa Senhora da Luz), Joinville.

Cantos franciscanos prepararam o espírito para a missa exequial, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Davi Nogueira Barboza, que desta­cou: “Queremos rezar pelo descanso eterno de nosso irmão Frei Damião, pelos seus familiares distantes lá na Europa, pela nossa Província que se entristece com essa separação, mas, ao mesmo tempo, sentimos a alegria da ressurrei­ção.

Com cantos e reflexões, a missa prosseguiu normalmente. As leituras do livro da Sabedoria (3,1ss) e do Evangelho (Jo 6,51 ss) motivaram as reflexões. O Ministro Provincial convidou os Freis a louvarem a Deus pela longa vida do caro Frei Damião, que hoje é colocada sobre o altar para exaltar Deus Pai. Lembrou os 75 anos de vida presbiteral de Frei Damião, durante os quais realizou milhares de ações louváveis e edificantes diante de Deus e dos homens, das quais muitos de nós as lembramos. Descreveu como para Frei Damião a morte não foi dolorosa, nem lhe provo­cou dúvidas do pós-morte e nem o atormentou pelo apego do mundo material.

Nas reflexões comunitárias, foram destaca­das algumas qualidades de Frei Damião.

Conservava constantes contatos epistolares com seus familiares, que emigraram para a Fran­ça. Com carinho e zelo, conservou e usava o relógio de bolso que recebeu de sua irmã na ordenação sacerdotal (22.12.1934) e, agora, enfeita I nosso Centro Histórico. 

Foi homem de grande oração e fidelíssimo à oração litúrgica. Sua devoção à Eucaristia, à Nossa Senhora e à oração litúrgica tornaram-se uma constante em sua vida. Em sua vida, foi admirá­vel seu amor ao trabalho não só apostólico, mas também material.

Segundo testemunho, Frei Damião era dife­rente dos outros: era manso, sabia ser irmão, esforçou-se ao máximo para dar aos primeiros seminaristas um ambiente mais agradável, tra­balhando materialmente. Nossos primeiros se­minaristas tiveram uma impressão marcante de Frei Damião, porque lhes demonstrava muito amor, era humilde e manso com as pessoas. Isso tanto em Butiatuba-PR como em Barra Fria-SC. Ainda permanece na mente de muitos fra­des o trabalho apostólico e material na cons­trução da igreja matriz de Venceslau Braz, dirigindo e transportando material com seu velho caminhão que, para ele, era o “cami­nhão da esperança”, Um seu coroinha tes­temunhou como Frei Damião rezava e fazia penitências e, na quaresma, diminuía a ali­mentação e aumentava a oração.

Os longos anos que viveu e trabalhou na região de Capitão Leônidas Marques e San­ta Lúcia foram marcados pela fé que ele trans­mitiu ao povo pelo seu apostolado e pelo seu exemplo de vida devota e laboriosa. Em um seu depoimento escrito, diz Frei Damião: “Tra­balhei entre povo de origem italiana, polone­sa e brasileira de todos os tipos. Tenho a impressão que não tive especiais dificulda­des em tratar esse povo de origem diversa”. Sua fé na Eucaristia, externamente mani­festada pela sua típica, devota e impecável genuflexão que significava profunda adora­ção ao Sacramento do Altar. Quando que­brou a perna em 1995, no convento Bom Jesus em Ponta Grossa, não deixou de ce­lebrar sua missa diária, embora apoiado em muletas. Mesmo doente no convento das Mercês, sentia-se feliz em comungar diaria­mente sob as duas espécies.

Pregou a todos através de sua fé, bom exemplo e humildade. Tomava-se uma men­sagem viva pelas suas atitudes de fé. Nunca deixou dúvida sobre sua fé.

Nos anos passados em tratamento no convento das Mercês, demonstrava seu constante amor pela Igreja não pelo trabalho material, mas pelo interesse em ler tudo quanto se publicava sobre a vida da Igreja. Mostrou-se memória viva de simplicidade, au­toridade, de oração, fé e amor à Igreja, à qual se consagrou através da vida capuchinha. Leigos que o visitavam ficavam edificados vê-lo, com sua idade avançada, rezando devo­tamente a Liturgia das Horas.

Demonstrou seu amor à mãe terra com seu trabalho, com seu amor no plantio de hortaliças e, quando doente no Convento das Mercês, pelo alimento diário que dava às aves. Durante sua longa vida sempre se mostrou disponível, criativo e persistente nas atividades. Nos primeiros anos de Brasil, percorria difíceis estradas a cavalo, enfren­tando o sol, vento e fortes chuvas. Mais tar­de, substituiu o cavalo com o jipe que quase se tornou lendário na paróquia de Capitão Leônidas Marques. A carta de superiores respondia que “sempre posso ser útil e fazer alguma coisa para o bem dos meus irmãos e do povo”.

 

Frei Augusto Girotto

11/08/1931
11/03/2012

Nasceu em São Bernardo do Campo (SP), no dia 11 de agosto de 1931, filho de Napoleão João Girotto e Elvira Scaion Girotto. Religioso da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, fez a primeira profissão em 8 de janeiro de 1950 e a profissão solene em 11 de janeiro de 1953. Foi ordenado sacerdote em 24 de junho de 1956. A maior parte de sua vida sacerdotal foi em Piracicaba, mas trabalhou também em Santos, São Paulo e Birigui. Em 1986 fez uma experiência missionária no Amazonas, nas missões no Alto Solimões. Foi provincial dos capuchinhos de São Paulo de 22 de outubro de 1992 a 21 de setembro de 1995. Na Diocese de Piracicaba, foi Coordenador Diocesano de Pastoral, diretor espiritual dos Cursilhos de Cristandade e de movimentos jovens, e professor da Faculdade de Serviço Social, que pertencia à diocese. Também foi pároco da Paróquia Santa Catarina e pároco e vigário-paroquial da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Foi diretor da Escola de Teologia para Leigos da diocese de 1995 até seu falecimento, em 2012. Também foi professor e diretor de estudos do Curso de Vida Religiosa (Postulantado) da ordem dos capuchinhos, em Piracicaba. Faleceu no dia 11 de março de 2012, em Piracicaba, com 80 anos de idade, 59 de vida religiosa e 56 de sacerdócio. Está sepultado no Cemitério da Saudade, em Piracicaba.

Confira mais sobre a vida de Augusto Girotto

Frei Marcos Facchinelli

05/04/1919
14/03/2007

Garibaldi-RS

 

"Sempre guardei profundo amor, respeito e veneração ao meu hábito de religioso franciscano, como sinal exterior de minha consagração total a Jesus Cristo, o meu Bom Pastor e Divino Mestre que um dia me chamou a segui-lo. (...)

 

Registro
Ingressou no Seminário Diocesano de Caxias do Sul, 1º.03.1939, sendo recebido por Frei Pacífico de Bellevaux. Fez o noviciado em Flores da Cunha a 05.01.1941. Professou na Ordem dos Frades Capuchinhos, no dia 06.01.1942. Foi ordenado sacerdote, por Dom José Barea, no dia 21.12.1946, após concluir seus estudos de Filosofia e Teologia, em Garibaldi.Dedicou sua vida à educação e à pastoral, tendo sido sucessivamente, 1948: Prof. no Seminário Diocesano e Capelão no Santo Sepulcro, em Caxias do Sul; 1952: Pároco e Prof. de História Eclesiástica, em Garibaldi; 1957: Pároco de Pelotas; 1958: mestre dos Noviços, em Flores da Cunha; 1961: Capelão do colégio São José, em Garibaldi; 1964: Capelão do Sanatório Belém Velho, em Porto Alegre; 1966: Estágio com os monges Cartuxos, em Roma; 1969: Vigário Paroquial, em Camargo; 1971: Pároco, em Fontoura Xavier; 1985: Capelão do Hospital Parque Belém, em Porto Alegre; 2001: Pastoral do Aconselhamento em Flores da Cunha. Em meados de 2006, sua saúde começa a exigir maiores cuidados, sendo necessário a colocação de um marcapasso.

 

Em outubro, recolhe-se na Casa de Saúde São Frei Pio em Caxias do Sul para tratamento. No dia 02.03, é internado com fortes dores, no Hospital Pompéia, onde veio a falecer, no dia 14.03.2007, devido a um câncer intestinal. Presentes na missa das exéquias Dom Paulo Moreto e Dom Osório Bebber e mais de 30 frades capuchinhos. Foi sepultado no jazigo dos Freis Capuchinhos, no cemitério público de Garibaldi

 

Informações pessoais
Nome civil ELPÍDIO FACCHINELLI, Filho de Emílio Facchinelli e Isabel Segato Facchinelli. Pobreza franciscana, oração, trabalho e dedicação, são as sua marcas de vida e ação.

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