Frei Eduardo Batista do Nascimento
Frei Eduardo nasceu em Grama, Estado de São Paulo, aos 9 de fevereiro de 1915. Seu nome de batismo e civil era Lauro. Era filho de João Batista do Nascimento e Eva Tacili do Nascimento. Foi batizado na matriz da paróquia São Sebastião da Grama e também ali crismado por Dom Alberto José Gonçalves. Fez a Primeira Eucaristia na matriz de Grama no dia 20 de janeiro de 1925. No Seminário Diocesano de Campinas fez o curso ginasial.
Noviciado e Profissão
Vestiu o hábito franciscano capuchinho em Taubaté, convento Santa Clara, iniciando o noviciado aos 16 de abril de 1942. Foi seu Mestre Frei Salvador de Cavêdine. Terminado o noviciado, emitiu a profissão temporária perante Frei Felicíssimo de Prada no dia 17 de abril de 1943. Fez a profissão perpétua perante Frei Mansueto de Jaboticabal, no convento São José, Mococa, aos 30 de maio de 1946.
Filosofia, Teologia e Ordenação
Estudou Filosofia em Mococa, de 1943 a 1945. Estudou os dois primeiros anos de Teologia em Mococa nos anos 1946 a 1947 e em São Paulo, de 1948 a 1949. Em Mococa, nos dias 11, 12 e 14 de junho de 1947, Dom Manoel da Silveira Delboux, Arcebispo de Ribeirão Preto, conferiu-lhe a Primeira Tonsura e todas as Ordens Menores. Foi ordenado Subdiácono por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, em São Paulo, no dia 22 de maio de 1948 e Diácono por Dom Paulo Rolim Loureiro, aos 18 de setembro do mesmo ano. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Paulo Rolim Loureiro, em São Paulo, aos 18 de dezembro de 1949. Concluiu os estudos em São Paulo em 1949.
Ministério sacerdotal
Em 1949 exerceu o ministério sacerdotal em São Paulo como Padre Estudante. Concluídos os estudos, em 1950 foi transferido para o convento Santa Clara de Taubaté. Aí permaneceu até 1953. De 1954 a 1960 foi Pároco em Valparaíso, pertencendo à Fraternidade de Birigüi. Em 1961 recebeu transferência para o convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba. De 15 de novembro de 1961 a 14 de novembro de 1968 foi Guardião e Pároco na paróquia Santo António da Vila Alpina, em Santo André. Durante o ano de 1969 foi Capelão com residência no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Morou em Botucatu para tratamento de saúde cinco meses em 1970. Transferido para Penápolis no mesmo ano, trabalhava como Pároco em Glicério.
Aos 6 de fevereiro de 1973 foi fazer uma experiência em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará, trabalhando dois anos por lá. Voltou para Penápolis em 1975, passando alguns meses em Sapopemba, São Paulo. Foi transferido para Marília em 1976 e em 1977 retornou para Penápolis. Recebeu transferência para Taubaté em 1978, com residência em Natividade da Serra como Pároco da paróquia.
Um autêntico capuchinho
O Sr. Rafael Pereira de Abreu, ex-Frei Aleixo, colega de turma e amigo de Frei Eduardo, no Boletim “Vida Fraterna” Nº 352, apresenta dados importantes que mostram quem foi Frei Eduardo. “Era um autêntico capuchinho zeloso em tudo. Na liturgia não admitia e criticava, quem inventasse atos litúrgicos que não estivessem prescritos no ritual romano ou no missal. Na vida de convento condenava tudo o que fosse introduzido na Ordem relaxando a vida individual religiosa ou práticas prescritas em nossas normas aprovadas nos capítulos e ratificadas pelo Definitório Geral. Por isso, criticava os religiosos que não usassem o hábito religioso nas celebrações sacramentais. Teve grande dificuldade de andar sem o hábito mesmo dentro de casa. Era um frade exemplar, rigoroso e às vezes até impertinente no seu zelo”.
Um frade trabalhador
Frei Eduardo não só era um frade autêntico e zeloso, mas trabalhador. Coisa que nunca conheceu foi a preguiça, o comodismo e o desânimo. Enfrentou com coragem heróica todos os desafios que a Ordem ou seus superiores lhe impuseram.
Em Valparaíso em 1954, recebeu a paróquia praticamente abandonada, sem movimento religioso, sem obras sociais. Assumiu a paróquia com coragem, atraindo as pessoas das irmandades que estavam afastadas para trabalharem e zelarem pela igreja e pelo culto. Construiu um hospital e casa para religiosas. Sua vida na paróquia era levantar às 4 horas e 30 minutos. Às 5 horas, uma pequena charrete o levava ao hospital para atender os doentes. Distribuía-lhes a comunhão e administrava a Unção dos Enfermos aos que estivessem em estado grave. De lá a mesma charrete o levava à casa das Irmãs para celebrar missa ou dar-lhes a comunhão. Voltava para a paróquia a fim de atender confissões e celebrar missa. Durante o dia trabalhava na paróquia.
Nova Matriz em Santo André
Em 1961 a obediência o chamou para Santo André para iniciar as obras da nova matriz e o convento. Foi um trabalho intenso com os engenheiros, empreiteiros e fornecedores de materiais, durante quase sete anos.
Em Taubaté
Depois de longo itinerário na Província de São Paulo e no nordeste do Brasil, exercendo o ministério sacerdotal nos mais diversos trabalhos pastorais, Frei Eduardo voltou para Taubaté pela última vez. Orientou as catequistas na preparação para a Primeira Comunhão das crianças. Era muito rigoroso. Certa vez chegou a reprovar uma turma de crianças por estarem mal preparadas principalmente para a confissão. Trabalhou com muito zelo e dedicação na formação da comunidade do bairro Ana Rosa. Construiu a capela para aquela comunidade cujo padroeiro é São Domingos de Gusmão.
Mais de três anos de calvário
Deus chamou Frei Eduardo a subir o calvário da dor e do sofrimento já havia mais de três anos. Freqüentemente acordava de madrugada com muita falta de ar, sendo levado ao Pronto Socorro. No dia 26 de agosto de 1996 foi internado no Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo para uma cirurgia de duas pontes de safena no coração. Tendo passado bem durante certo tempo após a cirurgia, em outubro do mesmo ano, voltaram novamente as dores e angústias. Não podendo mais celebrar missa, fazia questão de atender confissões.
Frei Eduardo foi definitivamente transferido para a Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, em Piracicaba, no dia 25 de abril de 1998. Aos 8 de junho, um mês e alguns dias depois, apresentou mal-estar e náusea, sendo internado na Santa Casa, às 18 horas. Faleceu no dia 9 de junho de 1998, às 15 horas. Seu corpo foi velado na igreja do convento Sagrado Coração de Jesus. No dia seguinte, dia 10, depois de missa exequial, presidida pelo Ministro Provincial Frei Sermo Dorizotto, concelebrada por vários sacerdotes capuchinhos de Piracicaba, Taubaté, de outras Fraternidades, com participação dos Postulantes, Irmãs Franciscanas e fiéis, foi sepultado no Jazigo dos Frades Capuchinhos, Cemitério da Saudade de Piracicaba.