Frei Gilberto Patrocínio Ferreira
* São Gonçalo do Rio Abaixo - MG, 21.04.1920
+ Taubaté - SP, 26.01.1986
Frei Gilberto (José do Patrocínio Ferreira) nasceu no dia 21 de abril de 1920, em São Gonçalo do Rio Abaixo, Estado de Minas Gerais. Era filho de José Domingos Ferreira e Maria José Gonçalves. Foi batizado aos 26 de abril de 1920 por Mons. Manoel Torres, na igreja São Gonçalo e crismado em 1927 por Dom Helvécio Gomes de Oliveira. Fez a Primeira Eucaristia em 1928 na mesma igreja de São Gonçalo. Fez os primeiros estudos em São Gonçalo do Rio Abaixo. Entrou para o Seminário de Diamantina-MG, em 1937 e no de Mariana-MG, em março de 1940.
Noviciado e Profissão
Com vestição iniciou o noviciado no convento Santa Clara, Taubaté, dia 22 de abril de 1944. Foi seu Mestre Frei Epifânio Antônio Menegazzo. Findo o noviciado, fez a profissão temporária aos 24 de abril de 1945, no convento de noviciado, perante Frei Felicíssimo de Prada. Aos 3 de maio de 1948, no convento Imaculada Conceição, São Paulo, emitiu a profissão perpétua, perante Frei Anselmo Donei.
Filosofia, Teologia e Ordenação
Estudou Filosofia em Mococa nos anos 1945 a 1947 e Teologia em São Paulo, convento Imaculada Conceição, de 1948 a 1951. Em São Paulo, recebeu a Primeira Tonsura conferida por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira em março de 1948. Recebeu as Ordens Menores em 1948 e 1949 . Foi ordenado Subdiácono e Diácono por Dom Paulo Rolim Loureiro em 1950. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Ernesto de Paula, na Catedral de Piracicaba, aos 8 de dezembro de 1950.
Ministério sacerdotal
Frei Gilberto exerceu o ministério sacerdotal em poucas fraternidades: Piracicaba, Botucatu e Taubaté. Concluídos os estudos, no dia 22 de janeiro de 1952 foi transferido para o Seminário São Fidélis de Piracicaba. Em 1969, deixou o magistério e foi ser vigário cooperador com residência no convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba. Aos 26 de janeiro de 1972, recebeu “Induto de Permanência Fora do Claustro” por um ano para tratamento de saúde, retornando aos 22 de novembro do mesmo ano para o Seminário São Fidélis. De 1973 a 1974, dedicou-se à pastoral da saúde como Capelão da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba. Em janeiro de 1975, recebeu transferência para o convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, como vigário cooperador. Em 1977, foi transferido para Botucatu, sendo vice-superior do Santuário Nossa Senhora de Lurdes, em 1978. A partir de outubro de 1978 passou a fazer parte da Fraternidade do convento Santa Clara, Taubaté, para tratamento de saúde. Aí permaneceu até seu falecimento em 1986.
Professor e Diretor Espiritual
Frei Gilberto dedicou grande parte de sua vida, 17 anos, na formação dos seminaristas no Seminário São Fidélis, onde lecionou música e dirigiu o coral. Foi excelente professor de Latim e Música. Lecionou também Português, Geografia e História do Brasil. Por três anos, 1954 a 1956, foi Diretor Espiritual dos seminaristas e confessor.
Poeta e Músico
Destacou-se como poeta, latinista e músico. Escreveu dez livros de poesia, sendo um deles em latim. Músico de vasta produção. Muito inspirado nos primeiros anos de trabalho. Posteriormente tornou-se repetitivo nas suas composições. Sem um preparo musical clássico, conseguiu, todavia, excelentes resultados em muitas de suas peças. Compôs 12 missas em latim e muitas em português. Escreveu muitas cantatas, operetas, motetes e corais. Compôs muitos cantos litúrgicos e não litúrgicos. Animou e dinamizou a arte no Seminário.
Peregrinação encerrada
Desde sua última transferência para Taubaté, Frei Gilberto não passava bem. Sofria muitas dores e achaques que se agravaram após a última cirurgia em 1984. Certamente, grande parte de suas enfermidades eram de fundo psíquico. Com 65 anos e meio, dos quais 41 de vida consagrada na Ordem Capuchinha e 36 de serviço à igreja no Sacerdócio Ministerial, encerrou sua peregrinação neste mundo no dia 26 de janeiro de 1986.
Dia 27, às 16 horas, foi celebrada a missa exequial, presidida por Dom Antônio Afonso de Miranda, SDN, Bispo Diocesano de Taubaté e concelebrada pelo Ministro Provincial Frei Odair Verussa, por sacerdotes capuchinhos e do clero diocesano. Ao final da missa, antes do corpo ser levado para a Capela dos Frades Capuchinhos no Cemitério junto do convento, Frei Odair cantou “Teu nome suave, ó Maria!”, uma de suas mais belas composições dedicadas à Nossa Senhora - “a Virgem que tanto amo” costumava dizer.
Frei Joaquim Dutra Alves, O.F.M. Cap.