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Homilia do XXI Domingo do Tempo Comum - ano A - Frei João Santiago

Publicado por Frei João de Araújo Santiago | 22/08/2020 - 09:23

XXI Domingo do Tempo Comum (Mateus 16, 13-20)

Por vezes fugimos de certas perguntas

-  “.... Jesus perguntou a seus discípulos ... quem é o Filho do Homem? Responderam: ‘Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas’” (vv. 13-14).

Chega um momento na vida que velhas respostas já não servem mais, e, então, fazemos novas perguntas, buscamos outras respostas. O tempo passando, os anos chegando, a vida nos pergunta, nos pede, nos põe em “saia justa”. Mas, somos “espertos”, tentamos nos safar oferecendo velhas respostas: “Eu já sei... é João batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas”. Mas.... a Palavra contundente de Deus, a Palavra que se faz carne nos provoca sempre, e nos questiona, nos põe em questão, nos põe na parede: “E vós quem dizeis que eu sou?”. Quem é este Jesus que pergunta, e que tocava nos leprosos, perdoava a quem pedisse perdão, ensinava a verdade e a liberdade, saciava a fome da multidão, amava os inimigos, rezava ao Pai, seu tesouro. Diante de Jesus, Pedro responde, se rende: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!”, isto é, tu és o meu Cristo, o esperado do meu coração, Deus eterno entre nós, o nosso Salvador, Redentor, que me liberta de toda ignorância e culpa, que me concede a alegria e a liberdade de viver e existir.

Queira Deus que um dia cada um de nós chegue aceitar Jesus de Nazaré, seus feitos e palavras (... tocava nos leprosos, perdoava a quem pedisse perdão, ensinava a verdade e a liberdade, saciava a fome da multidão, amava os inimigos, rezava ao Pai, seu tesouro) como nosso Cristo, como o esperado do nosso coração, como Aquele que nos faz vivos, viventes, plenos de vida, satisfeitos e em regozijo.

Só o amor nos faz viver e não mais vegetar

“Quem sou eu para você?” (cf. v. 15). Quando alguém revela o seu amor por outro, espera que esse outro o reconheça. E espera palavras tais como: “você é importante para mim!” Jesus, o homem Deus entre nós, espera ser reconhecido como aquele que nos faz viver: “Tu és o Filho de Deus vivo, que nos faz viver!”. Desta maneira, e não de outra, nos tornamos discípulos de Jesus: quando ele for o motivo do nosso viver, não vegetar. Só uma relação amorosa nos faz vivos, pulsantes de vida: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim  ... que me amou e se entregou por mim” (Gal 2, 20). Amar não deixa de ser uma rendição, dar-se por vencido pelo amor, reconhecer que não nos bastamos a nós mesmos. Neste sentido, amar, é reconhecer uma fraqueza: “Quando estou fraco então é que sou forte” (2Cor 12, 10). Ser forte, então, é encontrar a força, não em si, mas no Outro: “Tu és o Filho do Deus vivo, ao qual me rendo e que me faz viver”.

Um novo nome, a minha missão.

Respondendo à Jesus “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo” (v. 16), Pedro estava dizendo: “Tu és o Vivente, Aquele que me faz vivo, o Esperado do meu coração, a Plenitude dos meus desejos e de todas as minhas expectativas, a Realização de todas as promessas. Tu és o meu Deus, o meu Tudo”.

Somos imagem e semelhança de Deus. Por vezes reduzimos Deus a um ser ciumento, justiceiro, invejoso da nossa felicidade, meramente punitivo. Fazendo isso, nós mesmos nos tornamos mesquinhos, ciumentos, invejosos, justiceiros e com manias de grandezas. Mas Ele, o amor que se encarna, é o Vivente que nos faz vivos. Naquele dia Pedro engrandeceu ao Senhor; o Amor tornou-se grande, magno, para ele. Pedro descobriu que Deus é dom, dilata o coração, abre a vida para uma maior possibilidade, para uma maravilha maior. A maior possibilidade de uma pessoa nasce quando se rende e se entrega ao Deus que é o próprio Jesus. Pedro, fazendo de Jesus o Cristo, o esperado do seu coração, estava aceitando também tocar no leproso, perdoar a quem pedisse perdão, ensinar a verdade e a liberdade, saciar a fome da multidão, amar os inimigos, rezar ao Pai.

E, então, Jesus declara: “... tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus ...” (vv. 18-19).  A partir daquele dia Pedro será Pedra, receberá um novo nome, uma missão, um destino, um futuro. Diante de tantas opiniões, controvérsias, ideologias, seitas, teorias, religiões, fiquemos com Pedro, com a fé dele, fiquemos em nossa Igreja, pois, assim, seremos libertos da boca do leão, protegidos das portas do inferno. “...  todos me desampararam. ...  o Senhor permaneceu ao meu lado .... E eu fui liberto da boca do leão! ... o Senhor me livrará também de toda a obra maligna!” (2Tm 4, 16-18).

Sobre o autor
Frei João de Araújo Santiago

Frade Capuchinho, da Província Nossa Senhora do Carmo. Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia Espiritual. Tem longa experiência como professor, seja no Brasil, como na África, quando esteve como missionário. Por vários anos foi formador seja no Postulantado, como no Pós Noviciado de Filosofia. Atualmente mora em Açailândia-MA. Já escreveu vários livros e muitos artigos.