O uso dos recursos naturais, a busca de riquezas imediatas, sem uma reflexão prévia sobre as conseqüências que isso acarreta, tornou-se algo comum.
Quando nos deparamos com a problemática ecológica percebemos que depois da revolução copernicana e do avanço da ciência, mesmo com o horizonte maior, parece que o espaço passou a ser pequeno para a natureza. Isto deu origem a um novo olhar à vida. Pois ela já não ocupa o primeiro lugar, passando a ser substituída pelas regras estabelecidas pelos que dominam o conhecimento, que não passa de mero subjetivismo. O uso dos recursos naturais, a busca de riquezas imediatas, sem uma reflexão prévia sobre as conseqüências que isso acarreta, tornou-se algo comum.
Nos dias atuais, percebe-se que é mais fácil enviar pessoas à lua e trazê-las de volta do que fazer com que elas respeitem os ritmos da natureza. Agora estamos colhendo os frutos envenenados da dessacralização da vida induzida pelo poder da tecno-ciência a serviço de uma minoria. A humanidade, com seu poder, ultrapassa sua plenitude humana. A possibilidade de construir máquina e desenvolver teorias racionalistas, com o intuito de progresso e desenvolvimento de uma sociedade, triunfou sobre a pessoa como ser que sabe e que é capaz de construir-se como ser-aí.
O ser humano é pequeno comparado com os elementos do ecossistema, é isto que o preocupa quando investe contra eles. Em seu conceito de progresso sem limites, faz uso dos elementos naturais, como se estes em nada ameaçassem o ser humano. Com uma teoria técnico-científica de dominação, acredita que tudo poderá ser controlado racionalmente.
A ciência, muitas vezes não nega o pensar sobre a natureza como algo a ser discutido, mas a reduz a um objeto de lucro. Devemos saber que nem mesmo a ética antropocêntrica encontra seu lugar numa sociedade técnico-científica. Ela foi criada sem uma teoria sobre isto. Porém, da plenitude do mundo da vida, um eco do princípio da criação, irrompe em nossos dias com um apelo à integridade de toda a criação. Devemos escutá-lo.
A produção crescente de bens e a redução crescente de trabalho humano aumentaram o metabolismo da sociedade e o consumo da natureza, cujos recursos são finitos. O crescimento populacional pode compelir a humanidade a explorar ainda mais o planeta, criando uma situação de “salve-se quem puder”. Nesta guerra, o perdedor sempre é o mais fraco, que cabe lembrar: o mais pobre.
Os pobres são os que menos poluem e os que mais sofrem as conseqüências do desequilíbrio ecológico. Ha dados que mostram que 3,4 bilhões da população mais pobres (50%) são responsáveis por apenas 7% das emissões de gases poluentes, enquanto que os 500 milhões mais ricos (7% da população mundial) respondem por 50% das emissões de gases produtores de aquecimento. A injustiça social derivada do modelo econômico que, além de depredar a natureza, gera mais pobreza, provoca grande acúmulo de bens a uma minoria à custa da miséria e da pobreza de muitos que tem que sobreviver com menos de um dólar ao dia. A mudança de estilo de vida e do habito de consumo é a grande alternativa para a saída da crise ecológica que enfrentamos.
Autor: Antonio C. Lorini