História
Frades
menores Capuchinhos no Brasil e no Rio Grande do Sul
Francisco
de Assis se dirigia mais pelo espírito e conversão
do que pela lei, por isto surgiram conflitos na história
de sua Ordem.
A 29-5-1517, Leão X, com a bula Ite vos, separou a Ordem
Franciscana em Frades Menores Conventuais e Observantes. Mas a
união foi apenas jurídica. Surgiram reformistas,
divididos pelo dilema - viver a experiência fundante de
Francisco ou - adequar a Ordem aos tempos.
A Reforma Capuchinha é um movimento de Frades Observantes
que buscam a recuperação do espírito original,
aprovada por Clemente VII a 3-7-1528, com a bula Religionis Zelus.
Os pioneiros foram Frei Mateus de Bascio, Frei Ludovico de Fossombrone
e seu irmão, Frei Rafael de Fossombrone. Esses frades,
a 18-5-1526 tiveram autorização de viver eremiticamente
perto de Camerino, e de usar barba, hábito com capuz, vida
eremítica e solidária, com custódio próprio
sob a proteção do Geral Conventual, com o privilégio
dos camaldulenses de receber membros de outras ordens. Os três
reformadores foram acolhidos pelos camaldulenses, com apoio da
duquesa de Camerino, Catarina Cybo, denominados Frades Menores
de Vida Eremítica. Mas, devido ao capuz, a partir de 1531,
foram chamados Capuchinhos.
A 23-1-1619, Paulo V, com o breve Alias felicis recordationis,
concede autonomia plena aos Capuchinhos como membros da Ordem
dos Frades Menores, instituída por São Francisco
de Assis, com a mesma regra: "Viver o Santo Evangelho em
pobreza, obediência e castidade," como medicantes,
pregadores vivendo em fraternidades, dividindo o tempo entre missão,
trabalho e oração.
A presença de Capuchinhos no Brasil obedece à dinâmica
histórica da colonização e da imigração.
A 6-8-1612, com os colonizadores franceses, chegam os primeiros
quatro capuchinhos ao Maranhão. Eram da província
que Paris que a 22-6-1614 enviava mais 9 frades. Expulsos com
os franceses a 19-11-1614, só permanecem dois deles para
atender os índios.
A
14-1-1642, três Frades franceses da Província da
Bretanha foram acolhidos em Olinda-PE. Eram destinados à
missão da Guiné, mas foram aprisionados por corsários
holandeses na ilha de São Tomé. Esses três
frades consolidaram a presença dos capuchinhos em Pernambuco.
No Rio de Janeiro, houve capuchinhos franceses desde 1650. Devido
ao conflito entre França e Portugal, os 40 capuchinhos
franceses regressaram à França, em 1701 e 1702,
depois de 60 anos.
A presença de Capuchinhos italianos começa na Bahia,
em 1705; em Pernambuco, em 1710 e no Rio de Janeiro, a 31-5-1921,
donde seguiram a outros Estados.
No Rio Grande do Sul, os primeiros capuchinhos italianos chegaram
ao Forte de Rio Grande em 6-4-1737. Eram os freis Anselmo de Castelvetrano
e Antônio de Perugia, aos quais se juntaram, em 1738, os
freis João Francisco de Gubbio, Jeronymo de Monte Real,
Sebastião de Pallanza e Mariano de Piano, que construíram
o Convento e a Igreja N. Sra. do Rosário. Tempos depois
voltaram ao Rio de Janeiro.
Dom Antônio Joaquim de Mello, Bispo de São Paulo,
ao fundar o seminário paulopolitano, confiou a direção
a capuchinhos da Sabóia. A 8-4-1854 chegavam freis Eugênio
de Rumilly e Firmino de Centelhas. Os frades dirigiram o seminário
até fins de 1778.
Hoje, no Brasil, os capuchinhos formam 10 províncias, duas
vice-províncias e uma custódia, com 1.500 frades,
constituindo a CCB - Conferência dos Capuchinhos do Brasil.
A
2-1-1896, dois missionários da província da Sabóia,
freis Bruno de Gillonnay e Leão de Montaspey chegam a Rio
Grande, com destino a Garibaldi, onde se estabelecem em 16-1-1896,
a convite de dom Cláudio José Gonçalves Ponce
de Leão, 3° Bispo do Rio Grande do Sul, para atender
os migrantes italianos. Frei Bruno de Gillonnay, o herói
das três primeiras décadas, abandonou os esquemas
europeus em favor da realidade local. Seu projeto baseou-se em
missões populares, paróquias, escola vocacional,
jornal e educação. As missões populares popularizaram
os capuchinhos, mas a grande intuição de Frei Bruno
foi a abertura da Escola Seráfica (1898), em Garibaldi,
para receber os estudantes da Missão do Líbano e
acolher vocações nativas. E em 1924, quando regressou
à França, o novo superior da Missão era um
gaúcho, descendente de italianos - frei José Cherubini.
As numerosas vocações levaram a Província
do Rio Grande do Sul a implantar a Ordem no Brasil Central (1956).
E em 1982, a nova fundação, com sede em Brasília,
tornava-se província independente. É a única
província brasileira fundada por brasileiros. E já
em 1983, abria-se nova frente missionária no Mato Grosso
e Rondônia, atual Vice-Província São Francisco
de Assis. Em 2004, a província estendeu seus serviços
ao Caribe, auxiliando e assumindo a Vice-Província Madre
Del Divino Pastor.
Atualmente, unindo as três circunscrições,
são contabilizados 270 frades de votos perpétuos,
68 pós-noviços, 16 noviços, totalizando 354
frades, numerosos vocacionados, atendendo 50 paróquias;
mantendo 12 emissoras de rádio, o jornal Correio Riograndense,
com 96 anos, a Associação Antoniana e um portal
na Internet. As missões populares continuam caracterizando
a identidade provincial, como seu carisma apostólico e
fraterno. Na área da formação, aparece a
Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (Estef)
e a EST-Edições, ambas em Porto Alegre.
Outras duas frentes ocupam muitos frades: as pastorais sociais
e a pastoral da saúde. Nesse item, menção
para a Fraternidade Fonte Colombo (Porto Alegre) que dirige e
orienta o Centro de Formação da Pessoa Soropositiva.
Outras frentes apostólicas: Editora São Miguel,
Museu Provincial e Legião Franciscana de Assistência
aos Necessitados (LEFAN), em Caxias do Sul; Instituto de Menores,
de Bagé.
A Província Sagrado Coração de Jesus dos
Capuchinhos do Rio Grande do Sul e suas duas vice-províncias
iraddiam sua ação, em 2005, através destas
fraternidades:
Na
Província do Rio Grande do Sul
1. Caxias do Sul- Casa Provincial, Fraternidades Imaculada, Casa
de Saúde São Frei Pio, Santa Fé e Maximiliano
Kolbe - Paróquia Imaculada Conceição, Postulantado,
Rádios São Francisco e Mais Nova, Correio Riograndense,
Associação Antoniana e Editora São Miguel.
2. Bagé - Fraternidade da Conceição, Fraternidade
São Rafael, Paróquia da Conceição
e Instituto de Menores.
3 . Canoas - Fraternidade Santo Operário, Pós-noviciado,
Paróquia São Pio X e Paróquia Sagrado Coração
de Jesus.
4. Flores da Cunha - Fraternidade Sagrado Coração
de Jesus, Paróquia Nossa Senhora de Lourdes e casa de iniciação
franciscana.
5. Garibaldi - Fraternidade São Francisco, Paróquia
São Pedro, Casa de Encontros e Rádios Garibaldi
e Mais Nova FM.
6. Ijuí - Fraternidade São Geraldo e Paróquia
São Geraldo.
7. Ipê - Fraternidade Nossa Senhora de Fátima, Paróquias
São Luiz, São Paulo (distrito São Paulino)
e São Pedro (distrito Segredo).
8. Lagoa Vermelha - Fraternidade Santo Antônio, Rádio
Cacique, Paróquias Santo Antonio, São Sebastião
(André da Rocha) Nossa Senhora da Conceição
(Caseiros) e São José (Ibiraiaras).
9. Marau - Fraternidade São Boaventura, casa do Noviciado,
Rádios Alvorada e Mais Nova FM e Paróquias Cristo
Rei, Santo Antônio (Camargo) Nossa Senhora de Lourdes (Nova
Alvorada), Miguel Arcanjo (Itapuca) e São Francisco de
Assis (Passo Fundo).
10. Pelotas - Fraternidades São José e Senhor Ressuscitado,
Pós-noviciado São José e Pós-noviciado
Senhor Ressuscitado.
11.
Porto Alegre - Fraternidades São Lourenço, Fonte
Colombo, São Judas Tadeu, São Lucas e Mãe
de Deus, Escola de Teologia (Estef), Centro Franciscano de Espiritualidade,
Paróquias Santo Antônio, São Judas Tadeu e
Nossa Senhora de Belém, Pós-noviciado, Edições
EST e atendimento a seis hospitais.
12. Rio Grande - Fraternidade Nossa Senhora da Penha e paróquias
da Penha e São José do Norte.
13. Santa Maria - Fraternidade Nossa Senhora de Fátima,
Pós-noviciado Divino Mestre e Paróquia Nossa Senhora
de Fátima.
14. Soledade - Fraternidade Nossa Senhora da Soledade, Rádios
Cristal e Mais Nova FM, Paróquias Nossa Senhora de Soledade,
Nossa Senhora Medianeira (Barros Cassal) Santa Terezinha (Fontoura
Xavier), Santa Terezinha (Nicolau Vergueiro) e Nossa Senhora do
Rosário (São José do Herval).
15. Tramandaí - Fraternidade e Paróquia Nossa Senhora
dos Navegantes.
16. Vacaria - Fraternidade Nossa Senhora de Fátima, Residência
dos Missionários, Rádios Fátima e Mais Nova
FM e Paróquia Nossa Senhora de Fátima.
17. Veranópolis - Fraternidade São José,
Rádio Veranense, Aspirantado Nossa Senhora de Lourdes e
Paróquia São Luiz Gonzaga.
18 .Vila Flores - Fraternidade Santo Antonio, Aspirantado, Pousada,
Cantina Frei Fabiano e Paróquia Santo Antônio.
19. Praia Grande-SC - Fraternidade Santa Catarina, Paróquias
São Sebastião (Praia Grande) e São João
Batista (São João do Sul) e Casas de Férias
Arroio Silva e Rosa do Mar.
Na
Vice - Província SÃO FRANCISCO DE ASSIS
20. Cuiabá-MT - Sede vice-provincial, Casa do Noviciado,
Fraternidades São Francisco, Nossa Senhora Aparecida (Coxipó)
e São Cristóvão (Primavera do Leste) e Paróquias
Nossa Senhora Aparecida e São Cristóvão (Primavera
do Leste).
21. Tangará da Serra-MT - Fraternidade Nossa Senhora Aparecida,
Postulantado, Paróquias Nossa Senhora Aparecida, Santa
Cruz (Barra do Bugres), Nossa Senhora da Guia (Comodoro), São
Cristóvão (Campo Novo do Parecis) e Nossa Senhora
de Fátima (Sapezal).
22. Pimenta Bueno-RO - Fraternidade Nossa Senhora de Fátima,
Aspirantado e Paróquias Fátima e Nossa Senhora Aparecida
(Espigão do Oeste).
23 - Porto Velho-RO - Fraternidade São Francisco das Chagas,
Casa de Formação (Filosofia) e Paróquia Nossa
Senhora do Socorro.
Vice-província
Madre Dei Divino Pastor
República Dominicana e Haiti
1. Santo Domingo - 04 Fraternidades: Vice provincial, Frei Leopoldo,
São Lourenço e São Carlos Borromeo - Paróquia
São Francisco de Assis, Aspirantado São Damião,
Postulantado Frei Leopoldo, Pós-noviciado São Lourenço
de Brindisi e Colégio São Francisco de Assis.
2- Santiago de Los Caballeros - Fraternidade São José,
Colégio São Francisco, Colégio São
José, Casa Monte Alverne e paróquias Santo Antonio
e Apresentação do Senhor.
3- República do Haiti. Fraternidade de presença
em instalação em Lês Cayes.
Dois fatores determinaram a vinda de frades franceses ao Rio Grande
do Sul: 1° Em 1875 inicia a imigração nas colônias
Caxias, Garibaldi e Bento Gonçalves com imigrantes italianos
e poloneses, todos católicos, e o Bispo Dom Cláudio
José Gonçalves Ponce de Leão, em 30-7-1893,
solicita ao Geral dos Capuchinhos frades para atende-los. - 2°
Uma lei francesa de 1889 exigia o serviço militar dos homens
de 19 e 30 anos. Os Capuchinhos encontraram como saída
formar os seus membros fora do território francês.
A partir de 1890, vão para Ghazir (Líbano). Não
se deram bem por problemas internos e de saúde, razão
porque estavam pensando em ir ao Canadá, quando surge o
convite de dom Cláudio, que veio resolver seus problemas,
e a missão do Líbano se transferiu ao Rio Grande
do Sul, com os professores e os estudantes de Filosofia e teologia,
constituindo a Escola Seráfica, em Garibaldi, primeira
sede da Missão.
(Frei Rovílio Costa)